Maio de 2026 – Vol. 32 – Nº 5

Sérgio Telles

  1. A psicóloga Ligia Vigil diz ter sido vítima de assédio e violência de gênero no próprio ambiente psicanalítico. Em 2023 ocorreu um episódio em seu mestrado na USP, quando abriu um boletim de ocorrência e denunciou o caso na instituição a que ambos pertenciam. Tais processos não progrediram, mas em fevereiro deste ano (2026) foi demitida do cargo que ali mantinha. Sua denúncia nas redes sociais teve mais de 140 mil visualizações e tem tido crescente adesão de outras colegas que dizem ter passado por situações semelhantes.

“Me Too da psicanálise”: vítima cria movimento contra assédio sexual

Acerca do “Manifesto Psicanalistas contra o Feminicídio” – Brasil 247

  1. A Rede de Saúde Mental da Palestina está incentivando profissionais de saúde mental a renunciarem à Associação Psicanalítica Internacional devido ao consideram ser um viés anti-palestino daquela organização. Em manifesto, aponta diversas evidências dessa parcialidade na diferença de trato dado aos palestinos. Entre os muitos exemplos, citam uma fala oficial da presidente da IPA, Harriet Wolf, que menciona os “palestinos não terroristas”, como se a condição básica habitual de palestinos fosse a de “terroristas”.

Psychoanalysts are resigning from the International Psychoanalytical Association over its …

  1. A psiquiatria biológica entende o sofrimento psíquico em termos de alterações cerebrais e desequilíbrio dos neurotransmissores nas comunicações sinápticas, ignorando qualquer componente relacional. Essa abordagem fica especialmente crítica em casos de crianças, nos quais é difícil não ver como a sintomatologia das crianças muitas vezes reflete o comprometimento emocional dos pais. Isso levanta importantes questões: como manejar essa realidade sem negações e sem que sua abordagem seja sentida por eles como culpabilização.

How to Talk About Childhood Issues Without Blaming the Parents | Psychology Today

  1. Interessante artigo em revista popular mostra a crise pela qual passam os homens jovens, que perderam os antigos referenciais sobre masculinidade e se aferram a influenciadores digitais como modelos de comportamento, desenvolvendo ideias misóginas.

Jovens encontram comunidades red pill antes de descobrirem a si mesmos, diz psicanalista

  1. Stephen Grosz fala sobre seu segundo livro – THE LABOR OF LOVE – em que relata alguns casos clínicos ficcionalizados, com os quais proporciona uma visão desidealizada das relações amorosas, mostrando que, para mantê-las, é necessário trabalho, esforço, renúncia, atenção ao outro. Seu primeiro livro, THE EXAMINED LIFE, publicado em 2013, foi traduzido em 30 idiomas e adaptado para o teatro. O New York Times o descreveu como “uma mistura de Tchecov e Oliver Sacks”. O livro tem uma tradução brasileira publicada pela Editora Zahar, intitulada A VIDA EM ANÁLISE.

Psychoanalyst Stephen Grosz: ‘Some people find unhappiness more comfortable than …

  1. A autora diz que fazer “terapia” com chatbots é um risco, desde que eles facilmente concordam com as afirmações do usuário, pois são programados para agradar e evitar confrontações. O chatbot não promove envolvimento emocional real e pode deixar as pessoas mais narcisistas, isoladas e afastadas da ajuda humana verdadeira. Não obstante, diz ela que no Reino Unido, 1 em cada 4 adolescentes e 1/3 dos adultos já usaram a IA como auxilio terapêutico.

Chatbot therapy will make you a monster – UnHerd

  1. A psicanalista Rosana Pereira, à frente do Projeto Gradiva em Porto Alegre lança manifesto denunciando o feminicídio em marcha em tantos lugares do mundo, fruto das arcaicas estruturas patriarcais que alimentam o machismo e a misoginia.

Psicanalistas lançam manifesto contra feminicídio e denunciam projeto de extermínio de mulheres

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