Junho de 2026 – Vol. 32 – Nº 6
Nota Introdutória do Editor
Bras Cubas de Machado de Assis
Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), de Machado de Assis, é uma das obras mais importantes da literatura brasileira e marca o início do Realismo no Brasil. O romance é narrado pelo próprio protagonista, Brás Cubas, já morto — um “defunto autor”, como ele se apresenta logo no início.
A partir dessa posição inusitada, Brás Cubas revisita sua vida com ironia, humor amargo e grande liberdade crítica. Filho de uma família rica do Rio de Janeiro do século XIX, ele leva uma existência marcada pela ociosidade, ambição frustrada e relações superficiais. Teve uma juventude privilegiada, estudou em Coimbra, envolveu-se em romances amorosos — especialmente com Virgília, mulher casada que se torna seu grande amor adúltero — e tentou alcançar prestígio político e social, mas sem grandes realizações concretas.
Ao longo da narrativa, Brás Cubas comenta suas memórias de forma fragmentada, interrompendo frequentemente a história para dialogar com o leitor, filosofar ou satirizar a sociedade da época. Entre os personagens marcantes estão:
- Virgília — seu amor mais intenso e impossível;
- Quincas Borba — filósofo excêntrico criador do “Humanitismo”, uma caricatura das teorias positivistas e evolucionistas;
- Marcela — cortesã por quem Brás Cubas se apaixona na juventude;
- Dona Plácida — figura humilde ligada ao romance clandestino de Brás e Virgília.
A obra desmonta os ideais românticos tradicionais e apresenta uma visão desencantada da existência humana, marcada pelo egoísmo, vaidade e hipocrisia social. O narrador observa sua própria vida sem heroísmo e conclui, ironicamente, que sua maior vitória foi não ter deixado descendentes para transmitir “o legado da nossa miséria”.
O romance destaca-se pelo estilo inovador:
- capítulos curtos; linguagem irônica e sofisticada; quebra da linearidade narrativa; diálogo direto com o leitor; mistura de humor e pessimismo filosófico.
Mais do que contar a vida de um homem, Machado de Assis constrói uma crítica profunda da sociedade brasileira do Segundo Reinado e da própria condição humana.
(Live) Memórias Póstumas de Brás Cubas
Alexander Moreira Almeida, Caio Almeida
Desprovido de pressões sociais, da necessidade de aprovação, de vaidades imediatas ou do medo de julgamento, o narrador adquire uma liberdade diagnóstica “nua e crua”. Ele não deseja convencer o leitor; limita-se a expor os fatos.
Brás Cubas, por já estar morto, pode dar-se ao luxo da franqueza. Contudo, há uma ironia clínica subjacente: embora possua uma acuidade cirúrgica para detectar as falhas, sombras e misérias alheias, o narrador demonstra uma imensa anosognosia existencial – a incapacidade de reconhecer a própria ruína ética e espiritual. O livro se estabelece, portanto, como uma propedêutica reversa: um curto, porém profundo tratado de como não se deve viver.
Logo no começo, no capítulo intitulado “O menino é o pai do homem”, Machado de Assis nos convida a observar as bases do desenvolvimento infantojuvenil de Brás Cubas. Criado em uma elite patriarcal e escravagista, o protagonista cresceu sob a égide da superproteção e da ausência de limites funcionais.
O pai o admirava de forma patológica, ignorando e mascarando seus desvios de conduta. Comportamentos sádicos e brutais – como transformar o menino escravizado Prudêncio em sua montaria particular – eram tolerados em público com reprimendas puramente formais e endossados em privado como “travessuras de menino”. A mãe, descrita como uma mulher fraca e de muito coração, omitia-se da função reguladora. Diante das advertências do tio, que apontava o excesso de liberdade e a falta de correção, o pai justificava-se afirmando possuir um “sistema de educação superior”. Machado sintetiza esse processo em uma fórmula precisa: “Iludia a si próprio.”
O resultado dessa frouxidão pedagógica e do estímulo ao egoísmo é descrito pelo autor através de uma irônica equação matemática: vulgaridade de caráter + amor às aparências + frouxidão da vontade = “Desse estrume nasceu essa flor” (Brás Cubas).
Como médicos e educadores, testemunhamos a reiteração desse modelo na atualidade. A desqualificação prepotente de métodos educacionais eficientes, em nome de abordagens excessivamente permissivas, tem gerado uma geração com baixa tolerância à frustração e marcada pela labilidade volitiva. Dados científicos contemporâneos já apontam os reflexos psicopatológicos desse cenário, incluindo o aumento de transtornos de ansiedade, depressão e até mesmo fenômenos como o declínio do QI de efeito Flynn reverso em algumas populações ocidentais, onde os filhos apresentam escores de inteligência e maturidade emocional inferiores aos de seus pais.
Essa frouxidão volitiva de Brás Cubas culmina no desejo de criar o Emplasto Brás Cubas, um medicamento “anti-hipocondríaco” destinado a aliviar a melancolia humana. Clinicamente, a hipocondria e a melancolia representam o ápice da angústia existencial de um indivíduo rico, fútil e improdutivo, que percebe o vazio de sua existência.
Contudo, a intenção de Brás Cubas não é filantrópica ou terapêutica. O motor de sua invenção é o desejo de ver seu nome estampado nos jornais e nas caixas do medicamento. Ele busca a glória e o aplauso da multidão.
Este cenário serve como uma analogia perfeita para a hipermedicalização da existência. Diante do tédio ou da falta de propósito, o homem moderno frequentemente busca um “emplasto” – seja ele um psicofármaco utilizado de forma indiscriminada para amortecer afetos normais, um ativismo político performático ou a exibição de falsas virtudes nas redes sociais. Em vez de investigar as causas profundas da “melancolia” por meio do autoexame e da retificação de conduta, a sociedade prefere a promessa de uma solução mágica e imediata que dispense o esforço pessoal.
A Ilusão Materialista e o Vazio Existencial
A cosmovisão de Brás Cubas é marcadamente niilista e fatalista, antecipando as correntes do materialismo reducionista que ganhariam força no final do século XIX e que, de certa forma, ainda permeiam o ethos médico atual. Para Brás, o ser humano é apenas um joguete de forças biológicas e apetites cegos. Ele afirma:
O egoísmo não tem outra lei: egoísmo, conservação… Raças, paixões, tumultos, impérios, é a guerra dos apetites e dos ódios… O homem é agitado como um chocalho até ser destruído como um farrapo.
Essa visão – fortemente influenciada pelo pessimismo filosófico de Arthur Schopenhauer – retira do indivíduo a agência e o livre-arbítrio. Ao encarar o homem como um mero autômato biológico voltado à sobrevivência e à reprodução, Brás Cubas encontra a justificativa perfeita para sua própria mediocridade e falta de responsabilidade ética.
No célebre capítulo “O Delírio”, Brás conversa com a Natureza (ou Pandora), que se apresenta não como uma mãe amorosa, mas como uma egoísta flageladora. Diante desse teatro do absurdo, o personagem ironiza suas próprias reflexões profundas chamando-as de “delírio”, como se o pensamento existencial e metafísico fosse uma patologia a ser superada em nome de uma suposta racionalidade pragmática.
Para contrapor essa patologia do espírito, a psiquiatria encontra em Viktor Frankl o antídoto ideal. Frankl, sobrevivente dos campos de concentração nazistas, postulou que a principal força motriz do ser humano não é o princípio do prazer (Freud) nem o princípio do poder (Adler), mas a vontade de sentido. Segundo ele, a busca direta da felicidade e do prazer acarreta, inevitavelmente, em fracasso e angústia existencial. Por outro lado, a busca aristotélica de desabrochar seus potenciais em prol de ser útil, pela autotranscedência, é o que garante sentido existencial e, portanto, a felicidade vem como efeito colateral.
Como Frankl aponta, a felicidade não pode ser perseguida diretamente; ela deve emergir como um efeito colateral da dedicação a uma causa maior ou do amor a outra pessoa. Brás Cubas passou a vida perseguindo o prazer, o poder e a fama – tríade que sempre o escapou, deixando-o confinado a um leito de morte solitário, acompanhado por apenas onze pessoas, das quais o único orador foi motivado por apólices financeiras deixadas em testamento.
A Patologia dos Vínculos: Marcela, Virgília e o Fenômeno da Ruína
As relações afetivas em Memórias Póstumas são a manifestação prática e concreta do utilitarismo e da liquidez dos laços humanos – frutos de uma visão niilista do ser humano. O envolvimento juvenil de Brás com a cortesã Marcela é sintetizado na célebre e irônica máxima: “Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis; nada menos.”
Trata-se de uma transação comercial disfarçada de afeto, baseada no lucro mútuo e em prazeres fugazes. Décadas mais tarde, ao reencontrá-la em uma loja decadente, com o rosto desfigurado pela varíola (“amarelo e bexiguento”) e com a “alma decrépita”, Brás Cubas identifica o “verme roedor” daquela existência: a paixão do lucro.
O mesmo padrão de decadência repete-se com Virgília, sua amante de uma vida inteira. Virgília preteria o casamento com Brás por uma união de conveniência política com Lobo Neves, mantendo posteriormente uma relação adúltera de dupla traição. No final da vida, Brás a reencontra aos 54 anos, descrevendo-a como uma “imponente ruína”.
Esse fenômeno de degradação física e moral evoca casos reais da crônica social de todas as eras – como o caso real da figura conhecida como Hilda Furacão na década de 1950, que rompeu com as convenções sociais para viver o glamour da prostituição de elite, terminando seus dias no anonimato e na vulnerabilidade social. Machado de Assis utiliza essas trajetórias para demonstrar que escolhas baseadas puramente na vaidade, na aparência e no desprezo pelas virtudes éticas cobram um preço somático e psíquico inevitável.
A Mediocridade Acadêmica: A Ilusão do Pergaminho
A trajetória acadêmica de Brás Cubas na prestigiada Universidade de Coimbra exemplifica o fenômeno da fragmentação do conhecimento e da busca pelo status em detrimento da competência real. Enviado pelo pai para Portugal como uma tentativa de reabilitação moral após seus escândalos financeiros com Marcela, Brás adota uma postura de estrita mediocridade, fazendo o mínimo esforço necessário apenas para obter a aprovação. O próprio narrador confessa ter assimilado apenas a casca ornamental do saber jurídico e filosófico, utilizando a memorização de aforismos para simular erudição em salões sociais.
Ele define seu período universitário como um “romantismo prático” e um “liberalismo teórico”, marcado pela folia e pela procrastinação existencial. A obtenção do diploma é descrita com fina ironia: “A universidade me atestou em pergaminho uma ciência que estava longe de trazer arraigada no meu cérebro.”
Este quadro ressoa de forma alarmante na formação médica contemporânea. O foco exclusivo na obtenção de títulos, a instrumentalização utilitarista do ensino e a memorização superficial para avaliações pontuais criam profissionais tecnicamente frágeis, cuja segurança apoia-se no “pergaminho” do diploma e não na competência internalizada. Trata-se do desperdício do tempo formativo em prol do gozo imediato, ignorando que a robustez técnica construída no presente é o único lastro seguro para a prática clínica do futuro.
A Corrupção Consciencial e a Instrumentalização do Outro: O Caso Dona Plácida
Nenhum episódio em Memórias Póstumas traduz de forma tão cirúrgica a degradação ética e a instrumentalização humana quanto a história de Dona Plácida. Antiga serviçal da família de Virgília, ela é contratada para gerenciar a casa de encontros clandestinos mantida por Brás Cubas e sua amante.
Inicialmente, Dona Plácida apresenta uma nítida repulsa moral e angústia psicológica diante do ofício que lhe doía a dignidade. O narrador relata que ela chorava e sentia nojo de si mesma, passando os primeiros dois meses sem conseguir fitar os olhos de Brás. Diante do desconforto da cúmplice, Brás Cubas aciona mecanismos sofisticados de manipulação e racionalização do mal: inventa uma narrativa folhetinesca e romantizada sobre seu amor com Virgília para aplacar a dissonância cognitiva da senhora. Machado observa com precisão clínica: “Ela aceitou todas… era uma necessidade da consciência.”
A dissolução final da barreira ética de Dona Plácida consolida-se por meio do suborno financeiro. Ao receber a quantia de cinco contos de réis – quantia que Brás ironicamente havia achado por acaso na praia –, “acabou-se o nojo de Dona Plácida”. A integridade moral cede ao pragmatismo econômico e à habituação com o vício. Ou seja, uma repulsa moral, se não devidamente estruturada, pode ceder à racionalização ou ao suborno por meio de dissonâncias cognitivas.
Quando interpelado por um lampejo de culpa por ter promovido a queda moral daquela senhora, Brás Cubas pacifica sua consciência alegando que, ao pagar-lhe um salário e dar-lhe um teto, estava protegendo-a da mendicância. A racionalização do erro transforma o corruptor em um suposto benfeitor.
Anos mais tarde, ao visitá-la em seu leito de morte, Brás a encontra reduzida a “um molho de ossos envolto em mulambos”. O balanço antropológico que o protagonista faz da existência de Dona Plácida revela o ápice do solipsismo e do utilitarismo: ele conclui que a única e verdadeira função biológica e histórica da vida daquela mulher foi garantir que seus amores adúlteros com Virgília não fossem interrompidos. Para o homem autorreferencial, o outro não possui dignidade intrínseca; é apenas um objeto funcional destinado a servir aos seus caprichos.
O “Humanitismo” de Quincas Borba e as Ideologias de Autojustificação
O encontro de Brás Cubas com seu amigo de infância, Quincas Borba, introduz na obra a vertente do delírio filosófico institucionalizado. Borba, outrora um jovem promissor e inteligente, é reencontrado na idade adulta reduzido à mendicância e à criminalidade urbana. O narrador descreve que “a miséria calejou a alma” do amigo, anestesiando-o a ponto de ele perder a “sensibilidade da lama” – uma metáfora precisa para a dessensibilização moral decorrente da degradação contínua.
Ao confrontar o abismo existente entre o potencial do jovem Quincas Borba e a realidade de sua ruína presente, o texto nos convida a refletir sobre a falha no desabrochar das potências humanas (o que Aristóteles denominava de Telos – o propósito essencial). A verdadeira felicidade ou plenitude (Eudaimonia) decorre do esforço continuado para atualizar nossas virtudes. Quando o indivíduo se acomoda com menos e cede à inércia volitiva, instala-se a neurose e o sofrimento existencial.
Para camuflar seu fracasso e legitimar seus impulsos, Quincas Borba desenvolve uma teoria filosófica delirante: o Humanitismo. Essa doutrina postula que o sofrimento e a privação são irrelevantes, e que os vícios, a gula e os prazeres excessivos não necessitam de emenda, pois tudo faz parte da manifestação de uma única força vital (“Humanitas”).
O Humanitismo tipifica o comportamento humano de criar sistemas ideológicos e racionalizações intelectuais com o único objetivo de justificar e chancelar as próprias fraquezas morais. Como observa Brás Cubas em um momento de lucidez, ao referir-se à sua relação adúltera com Virgília, “ela era um belo erro”. O ser humano frequentemente retém a percepção cognitiva do que é correto, mas carece de força volitiva para sustentar a retificação de sua conduta, preferindo adotar discursos que o desobriguem do dever moral.
O “Museu de Grandes Novidades” e a Arrogância Intelectual
Machado de Assis antecipa a natureza cíclica das ilusões humanas. Cada século traz sua porção de sombras e luzes, verdades e erros, apresentando velhas teorias sob a roupagem de novidades revolucionárias. Quincas Borba, ao expor sua doutrina, demonstra a clássica arrogância cientificista e iconoclasta ao desqualificar os filósofos gregos clássicos: “Tadinhos dos gregos… gastam cordas e caçambas para buscar a verdade no fundo de um poço; eu fui direto ao mar.”
Essa soberba intelectual ignora o patrimônio acumulado pela civilização. Como bem sintetizou o economista Thomas Sowell, “virtualmente toda ideia ruim já foi testada anteriormente”. O estudo rigoroso da história e da literatura clássica poupa a humanidade e o profissional de saúde de testar empiricamente hipóteses existenciais e sociais cujo potencial catastrófico já foi exaustivamente demonstrado no passado. O critério de validade de uma premissa ética ou clínica não deve ser sua novidade temporal, mas sua solidez e aderência à realidade factual da natureza humana.
O Balanço Negativo de uma Vida no “Zero a Zero”
O encerramento de Memórias Póstumas de Brás Cubas consolida-se no último capítulo através de uma contabilidade existencial estritamente baseada em privações e ausências. O protagonista enumera seus fracassos públicos com resignada apatia: não alcançou a celebridade política estável, não foi ministro, não constituiu família. Coloca como saldo positivo de sua fortuna o fato de não ter precisado trabalhar (“não comprar o pão com o suor do meu rosto”). A frase final do romance coroa a ironia trágica e o niilismo materialista da obra: “Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.”
Sob uma leitura estritamente biológica e pessimista, Brás Cubas enxerga um lucro contábil no fato de ter interrompido a transmissão do sofrimento inerente à vida. Contudo, o verdadeiro benefício desse desfecho reverte-se em favor da própria humanidade: o saldo foi positivo porque o mundo foi poupado de ter uma nova geração educada sob a frouxidão moral, o egoísmo e a esterilidade ética de Brás Cubas.
Para o médico que acompanha o declínio biológico de seus pacientes, a trajetória de Brás Cubas serve como um severo alerta semiológico. Chegar ao término da existência aos 64 anos e concluir que a vida se resumiu a um emparelhamento estéril no “zero a zero” – sem conquistas substanciais, sem o aprimoramento das virtudes e sem deixar um legado de serviço ao semelhante – constitui a expressão máxima da falência existencial. A literatura machadiana atua, portanto, como uma poderosa ferramenta preventiva, instando o clínico a buscar uma vida estruturada no sentido, no dever e na real transcendência humana.
Propedêutica Narrativa: O Valor Clínico e Antropológico dos Clássicos
A utilidade de um clássico literário na formação do médico reside na capacidade de simular cenários existenciais extremos sem a necessidade do sofrimento empírico direto. Assim como na farmacologia estudam-se os efeitos de uma substância até sua dose letal, a literatura clássica opera como um laboratório de toxicologia moral. Autores como Fiódor Dostoiévski primam por essa técnica: isolam uma ideia ou cosmovisão e a estendem até suas últimas consequências lógicas e dramáticas através de seus personagens.
Ao ler Memórias Póstumas, o leitor é confrontado com os desfechos de longo prazo de um estilo de vida orientado pelo capricho. O valor dessa experiência não reside na novidade factual, mas na reiteração da constância da natureza humana. O adultério e a quebra de confiança que estruturam a trama de Brás Cubas e Virgília, por exemplo, são rigorosamente idênticos, em sua raiz arquetípica, ao rapto de Helena que deflagrou a Guerra de Troia na antiguidade homérica. O que muda é apenas o vestuário e o vernáculo da época; a patologia dos impulsos permanece perene.
Declarações: Os autores declaram que a concepção intelectual, a análise crítica e a redação deste artigo foram realizadas de forma estritamente humana e autoral. O processo fundamentou-se na leitura integral da obra original Memórias Póstumas de Brás Cubas e na estruturação prévia de tópicos analíticos pelos próprios pesquisadores, apresentados originalmente em formato de videoconferência pelo YouTube. Uma ferramenta de Inteligência Artificial foi utilizada exclusivamente na etapa preliminar de suporte técnico para a transcrição automática do áudio do vídeo em texto e na sua subsequente conversão tipográfica inicial para o formato de artigo. Posteriormente, todo o conteúdo foi submetido a uma minuciosa revisão, edição e refinamento conceitual por parte dos autores, que assumem total responsabilidade científica e ética pelo texto final.
