Julho de 2026 – Vol. 32 – Nº 7
Sérgio Telles
- Nos debates culturais norte-americanos, comenta-se que as psicoterapias substituíram o culto religioso ou que as terapias são a nova “religião” em voga. A pregnância das psicoterapias – especialmente as versões mais populares e adaptadas ao mercado, como o fenômeno da Wellness – traz grandes prejuízos à sociedade? – pergunta o artigo. A conclusão é que, mesmo não sendo causa direta de males sociais, elas podem reforçar tendências como o individualismo, a medicalização da vida e o foco excessivo no bem-estar pessoal.
Can Contemporary Psychotherapy Be Blamed for Our Societal Ills? | Psychology Today
- A autora mostra como a violência de gênero (especialmente contra as mulheres) na universidade não é um desvio ou exceção, mas expressão do poder institucional, que impõe silenciamentos e intimidações. Os abusos são neutralizados, transformados em “casos administrativos” por um sistema de burocratização, racionalização e desqualificação das vítimas.
Violência de gênero, anonimato e discurso universitário – Le Monde Diplomatique Brasil
- Texto aponta para desdobramentos da polêmica em torno do que já foi chamado de “Mee Too da psicanálise” – mulheres psicanalistas que denunciaram situações de abuso praticados por homens psicanalistas em seus ambientes de trabalho, denúncia agravada com a recente descoberta de plágio de um escrito de autoria de uma psicanalista.
Escrito misógino em nome da psicanálise – Le Monde Diplomatique Brasil
- Artigo muito oportuno sobre o impacto trazido pela IA alertando contra o catastrofismo (“ela vai destruir a humanidade”) ou a idealização ingênua (“é a salvação da humanidade”) – polaridade que impede o equilíbrio necessário para lidar com a questão. A IA é um instrumento poderoso, mas não prescinde da supervisão humana e exige treinamento do usuário para usá-la de maneira crítica. Os riscos que ela efetivamente traz não são os de um futuro apocalipse e sim os problemas sociais que já estão ocorrendo, como a ocupação de funções laborais antes executadas por humanos, os usos indevidos de dados, a manipulação de informação em larga escala, as implicações políticas e mesmo bélicas.
How to Think About AI Without Splitting into Doom or Hype | Psychology Today
- A autora mostra a necessidade de nomear explicitamente as violências de gênero contra a mulher para que fiquem mais bem tipificadas sua conotação estrutural e social, evitando que sejam reduzidas a episódios circunstanciais ou pontuais.
Nomear a violência de gênero para melhor tratá-la – Le Monde Diplomatique Brasil
- Articulista retoma “Moisés e o monoteísmo” – polêmico texto em que Freud propôs que o judaísmo foi fundado por Moisés, um nobre egípcio. Afirmar, às vésperas da Segunda Guerra, quando o crônico antissemitismo desembocava nos extremos do nazismo, que uma das figuras centrais do judaísmo fosse um estrangeiro exigiu muita coragem por parte de Freud. Seu escopo era mostrar que as identidades culturais nunca são “puras” e sim decorrentes da interferência de fatores externos, uma hibridação com outras culturas, com o estrangeiro. Embora não fosse esse o objetivo de Freud, essa tese confrontava diretamente dogmas religiosos judaicos, motivo das tensões que sempre acompanharam essa sua produção tardia, testemunha de que seu pensamento continuava vigoroso e fértil até o final da vida. Independentemente de ser uma hipótese especulativa do ponto de vista histórico, a proposta freudiana ainda hoje (talvez especialmente hoje) gera desconforto político e identitário, embora não se possa afirmar que um “egípcio” do Século XIII Antes de Cristo, possa ser equiparado a um “árabe” do Século XXI…
Moïse, l’étranger fondateur : Freud et les courants du judaïsme de la modernité | Le Club
- O escritor italiano Sandro Veronesi, que esteve em São Paulo recentemente para uma feira de livro, fala sobre a importância de sua psicanálise, processo que iniciou há 25 anos. Um de seus livros mais bem recebidos pela crítica e pelo público é “O COLIBRI”, filmado em 2023 e disponível na Apple e no Prime.
Sandro Veronesi: “Encontro as regras para a minha literatura nos assuntos que estudei
- O artigo traz críticas severas à Division 39 – setor ligado à Psicanálise e psicoterapias – da poderosa American Psychological Association, acusando-a de ter abandonado suas funções clínicas estatutárias e ter-se dedicado à militância política pró Palestina nos embates sobre Gaza. .
The APA’s Radical Division 39 Is a Catastrophe – Do No Harm
- Texto mostra a importância dos esportes enquanto sublimação da agressividade e destrutividade, que neles se expressam de forma indireta, ritualizada, contida por normas e regras. Mesmo assim continuam mobilizando emocionalmente as massas, como se vê durante a copa.
Na utopia, o futebol substitui a guerra – Estadão
- Em linguagem simples e direta psicóloga portuguesa faz observações pertinentes e iluminadoras sobre o uso extremamente difundido das redes sociais, sem demonizá-las, mas sem ignorar os desvios alienantes que pode provocar.
As redes sociais, pelo olhar de uma psicóloga – SAPO
- O artigo explica por que nos parece familiar a maneira com a qual a IA se comunica com o usuário. Isso acontece porque os modelos de linguagem articulam as ideias de forma semelhante às “associações livres” descritas por Freud. Apesar da similitude com o fluxo mental humano, a IA (os modelos de linguagem) evidentemente não possui emoções, memórias pessoais ou vida interior. A familiaridade decorre de uma ilusão linguística, a IA parece humana porque imita o modocomo nós humanos conectamos as ideias.
Why AI Feels Human and Even Conscious | Psychology Today
- Artigo discorre sobre as narrativas familiares que muitas vezes ocultam fragmentos mais traumáticos de seu passado como forma de proteger seus membros mais vulneráveis, que poderão ter acesso a essas informações omitidas num momento posterior, quando estarão mais preparados para encará-las. Não enfatiza que tal comportamento pode também gerar muitos prejuízos psíquicos.
The Incomplete Stories That Hold Families Together | Psychology Today
- O artigo fala de um ato falho que tem se tornado frequente: o usuário dá um comando para a IA escrever uma mensagem pessoal (amorosa, profissional algo que o valha) e ao invés de enviá-lo à IA envia diretamente para a pessoa a quem enviaria a mensagem feita pela IA, o que gera constrangimentos de variada monta.
Very Awkward: AI Prompt Slips in the Age of ‘Chatfishing’ | Psychology Today
- Pensava-se que a psicanálise e outros procedimentos psicoterápicos não seriam eficazes depois de uma certa idade, mas tal concepção não mais se sustenta e é grande o número de pacientes maduros (acima de 60) que procura ajuda para os desafios próprios dessa etapa da vida.
Terapia na maturidade: como o autoconhecimento pode florescer após os 60 – Estadão
