Agosto de 2026 – Vol. 32 – Nº 8


Sérgio Telles

  1. Artigo simples que trata de um tema que parece continuar sendo um tabu, o da pornografia. Apesar de serem os sites pornográficos acessados diariamente por uma média de 250 a 300 milhões de pessoas ao redor do mundo, como mostram as estatísticas disponíveis na Inteligência Artificial, há um sintomático silêncio a respeito, mesmo nos textos psicanalíticos. O autor, um analista de Beirute, não menciona esse fato nem o correlato direto da pornografia, que é masturbação. Limita-se a falar da satisfação da sexualidade infantil perversa reprimida e da sempre enigmática e excitante cena primária reencenada na tela, elementos que alimentam a compulsão voyeristica. A abordagem é, pois, limitada, desde que não considera a dimensão contemporânea, tecnológica e comportamental do consumo pornográfico.

L’addiction à la pornographie, miroir du manque – Ici Beyrouth

  1. Artigo do analista italiano Massimo Recalcati sobre um livro que analisa a obra de Lucien Freud, sublinhando as diferenças de abordagem do pintor e de seu avô criador da psicanálise, no que diz respeito ao corpo. Enquanto o segundo descobre a simbologia e o discurso reprimido no corpo da histérica, Lucien mostra o corpo despojado de qualquer representação, um amontoado de carne, gordura e osso, reduzido à sua vulnerável materialidade, concepção que tem ressonância com a obra de um outro pintor seu contemporâneo e amigo, Francis Bacon.

Máscara falante ou rei nu, o corpo desvelado pelos dois Freud. Artigo de Massimo Recalcati

  1. Resenha do livro “From the clinic to the streets: Psychoanalysis for revolutionary futures”, de Lara Sheehi – a psicóloga que chefiava a seção 39 da poderosa American Psychological Association (APA), onde desencadeou recentemente uma grande polêmica ao defender os direitos palestinos em Gaza e acusar Israel de desrespeitá-los. Mantém-se como crítica do sionismo, defendendo o anticolonialismo e uma psicanálise revolucionária. E esse é justamente o tema de seu livro, em que, apoiando-se nas ideias de Fanon, diz que a psicanálise convencional acomoda e adapta o analisando, o que reforça as estruturas de poder, ao invés libertá-lo para encarar a “insanidade da sociedade”, como dizia Laing.

Towards a Revolutionary Psychoanalysis | Morning Star

  1. Interessante artigo sobre o último livro do pensador (falecido há não muito tempo) Mark Fisher, “The Weird and the Eerie”, agora traduzido no Brasil como “O Estranho e o Sinistro”. Fisher cunhou o conceito de “dormência perceptiva” – um estado coletivo de anestesia subjetiva, que se reflete numa apatia política, decorrência do que chamou “realismo capitalista”. Nesse seu último livro, amplia o foco, somando à apatia as sensações de estranho e sinistro como fruto do realismo capitalista. Em sua argumentação, Fisher faz uso de conceitos psicanalíticos, como o Unheimlich freudiano.

Mark Fisher contra a dormência perceptiva. Artigo de Rodrigo Gonsalves, Victor Marques e ..

  1. A revista “Psicologies” mostra um estudo cognitivo que afirma a preferência de três cores – azul, preto e verde – pelas pessoas mais inteligentes e criativas. Segundo ela, tais cores reduzem distrações, favorecem a introspecção, transmitem segurança emocional e estimulam o pensamento abstrato.

Selon la psychologie, les personnes les plus intelligentes préfèrent souvent ces 3 couleurs

  1. Artigo aborda a morte aos 71 anos do milionário Isak Andic, presidente da MANGO, uma gigante mundial de “fast fashion”, que caiu de um penhasco de 150 metros numa montanha próxima de Barcelona, onde vivia. Como estava acompanhado do filho, com quem tinha um relacionamento tempestuoso, surgiu a suspeita de assassinato, não confirmada até o presente. O caso nos interessa por envolver diretamente um tratamento “psicanalítico” a que o filho se submetia, em que o/a profissional estimulava “encenações” do complexo de édipo, numa clara distorção da teoria e da ética, o que teria exacerbado os conflitos familiares e empresariais,

What would Freud say about the Andic case?

  1. Um curto vídeo realizado pela Deutch Welle, mostrando a Viena de Freud.

On the trail of Sigmund Freud in Vienna – DW

  1. Artigo publicado num jornal israelense comentando um ciclo de debates sobre os conflitos de Gaza que seria realizado pelo Freud Museum em Londres, reclamando a escolha dos palestrantes, que não se caracterizam pelo conhecimento sobre trauma e situações de conflito, e, sim, por serem simpatizantes do lado palestino, deixando o flanco israelense em desvantagem.

When psychoanalysis turns away from October 7 | The Jerusalem Post

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