Julho de 2026 – Vol. 32 – Nº 7
Alexander Almeida e Caio Almeida
O Fausto, ela é considerada as maiores obras da literatura universal. E é importante conhecer um pouquinho sobre o get, né? O Get ele é alemão, ele é uma das pessoas que mais moldou a intelectualidade e a cultura alemã. Para vocês terem uma ideia, ele nasceu em 1749, ou seja, meados do século XVI, tá? E faleceu em 1832. é considerado das pessoas mais cultas da história. E o conhecimento dele ia em todos os níveis, desde o ponto de vista científico. Ele tinha um conhecimento científico de botânica, de biologia, conhecimento na área de eh administração pública. Ele foi ministro, eh administrador de teatro, poeta, advogado, escritor, ou seja, uma quantidade brutal de habilidades. aquelas pessoas que realmente que são brilhantes nas múltiplas áreas. Isso é muito importante porque nós vamos ver muitas reflexões intelectuais que ele vai fazer, mas deu uma reflexão isolada de alguém que fica só fantasiando sobre a vida. É alguém que vivenciou intensamente. Ele teve família, teve filhos, esposa, filhos, vida pública, vida como político, como administrador, como cientista, como poeta. oa mais diversas habilidades, né? Então, como eu disse, e o que o caracterizou na sua vida é uma busca contínua do conhecimento. E nós vamos ver que isso vai se refletir bastante na obra Fausto, né? E agora dando início efetivamente à análise da obra. Primeiro um contexto global. Goethe trabalhou nessa obra por quase 60 anos. Então vocês imaginam um gênio que conhece quase tudo de tudo e ele dedicou quase 60 anos. Ele começou em 1772, quando ele tinha 23 anos aproximadamente. Ele publica o primeiro livro em 1808, isso ou seja, já decorrendo eh mais de 30 anos. E depois sai postumamente em 1831 a segunda parte, a obra mais completa. Como eu disse, essa segunda parte é mais alegórica, mitológica, aberta a múltiplas interpretações. Um outro dado histórico importante é que e embora a obra obviamente seja uma questão eh eh ficcional, existia um Fausto no século XV na Alemanha. era um médico alemão, rico, famoso, e havia um boato de que ele tinha feito pacto com o diabo. E esse Dr. Fausto se tornou uma lenda na cultura alemã, foi feito peças de teatro, teatros de marionete que passavam pras crianças. o GET, quando criança assistiu a peça eh eh Get eh em teatro de marionete. E outro dado interessante também que a peça começa e termina no céu, né? Um céu do ponto de vista espiritual mesmo. Nós vamos falar um pouquinho sobre isso. E entre as ideias centrais da obra, primeiro o personagem, né, o falso, obviamente, né, ele representa o ser humano, a nossa grandeza. a nossa inquietação, a nossa busca, o nosso potencial e também o risco de de desequilíbrio, de se perder neste caminho que foi o que aconteceu com o Fausto. E um outro dado também nessa busca do conhecimento, o quanto a ciência sozinha não responde a todos os anseios existenciais. E por fim, a ideia então da busca do conhecimento e da busca do amor. Ele vai mostrar que o amor redime a Margarida, né, que é uma personagem importante na obra que é também chamado de Gretin, né, em alemão. Ela é, digamos assim, perdida, né, explorada e deteriorada pelo Fausto, mas depois ela resgata o Fausto e isso inclusive faz com que ele se resgate, gerando um remorço, uma busca nele de crescimento, tá certo? Nós vamos chegar nisso um pouco mais paraa frente. Muito bem. Eu queria dizer também para vocês que estão aí nos assistindo que vocês fiquem à vontade a poder fazerem comentários eh nas nossa eh durante aí a apresentação, né? O o Gil, né? Agradeceu aí pela iniciativa. O Brasil precisa de mais cultura. Eu acho que isso uma das iniciativas nossas eh em relação a fazer essas lives sobre cultura, inclusive na própria TV NPS, vocês podem estar numa playlist que tem lá clássicos universais. Então a gente tem feito vários, eu e o Caio, várias lives sobre clássicos universais. Então vocês podem ir. A nossa ideia é muito inspirada no filósofo Espinoza, quando ele dizia que é melhor ensinar as virtudes do que condenar os vícios. Ou seja, ao invés de criticarmos o que tem de ruim, de desde podre, né, de negativo, né, de perturbado no mundo hoje, é muito melhor a gente tentar ver o que tem de melhor, o que a o que de melhor a humanidade foi capaz de produzir. E é isso que torna um texto um clássico, né? um clássico e aquele texto que fala de verdades humanas universais que atravessam o tempo, passam pela prova do tempo. E é exatamente isso que a gente vai ver no Fausto, né? O Fausto ele tem exatamente esse ponto eh eh que vai muita coisa, texto escrito há mais de 200 anos. Eh nós fal nossa, parece que foi feito hoje, claro, porque nós não somos tão modernos como a gente imagina, né? Nós somos seres humanos, n é isso, Cai? O que que você gosta de dizer sobre isso também? Exatamente sobre isso também tem um um texto do São Tomas Jaquino que ele diz que não há na verdade novos vícios, apenas manifestações novas dos mesmos vícios e a mesma coisa vale para as virtudes que se afinal são leis naturais, são leis universais, elas são imutáveis, ou seja, independente do tempo, do local, da cultura. Existe sim objetivamente o certo e o errado, o que é uma atitude virtuosa e o que não é. E até mesmo nesse sentido, como você colocou nas nossas outras transmissões, já falamos, por exemplo, sobre a apologia de Sócrates, que é o texto de Sócrates, o filósofo lá da Grécia antiga, que inaugurou a filosofia como a conhecemos. Eles se defendendo das acusações. Isso mais de 300 anos antes de Cristo. Já conseguimos ver ali traços das virtudes que se mantém perenes até hoje através da fala do Sócrates, bem como os vícios de atacar, de inveja, do sacrifício ali nos seus inimigos que estavam atacando. Então, um clássico, ele fala sobre a natureza humana se utilizando de contexto cultural específico. Mas é claro, apreciar um contexto cultural é belíssimo. Como por exemplo no Guerre Paz do Tolstoy, o escritor russo, com dois calhamaços desse tamanho, nós nos conseguimos inserir no contexto da burguesia russa, por exemplo. Mas, óbvio, isso é um pano de fundo para transmitir uma mensagem muito mais rica e universal. Isso. Agora, passando diretamente agora pro conteúdo do Fausto mesmo, há várias traduções, tá? Eh, eu tô utilizando essa que até da Martin Clar, que o tradutor é Agostinho Dornelas, uma tradução de 1867, 6167 que foi atualizada. Eh, o Caio usou outra tradução, nós temos várias, então, eh, tem várias possibilidades aí de textos para a leitura. O começo do livro, bem o comecinho, eu recomendo muito que todos leiam. Dá para baixar da internet também o livro, quem não quiser comprar, pelo menos o o os primeiros dois capítulos, eles ajudam muito a explorar muitos aspectos. nós vamos trabalhar aqui, nós vamos entrar com eles em mais detalhes. Ele começa com uma dedicatória que eu queria destacar com vocês, que o Fausto faz, o Fausto Get faz uma dedicatória. Ele começa evocando a inspiração dos espíritos. Isso é muito interessante porque existe uma longa história de evocação na história da arte das musas inspiradoras, dos espíritos. Só que muitas vezes a gente entende que acho que isso é coisa meramente metafórica. Na realidade não era. Inclusive eu recomendo muito este livro, As Artes de Diamond, a procura da poética perdida, que foi o doutorado do Vicente Rangel. Essa tese pode ser baixada e o livro também pode ser adquirido. É espetacular esse livro, As Artes do Diamond. O diamon é justamente esse espírito inspirador. E esse espírito podem ser desdeuses a espíritos desencarnados. E ele mostra ao longo da história da música, do teatro, do da poesia, da literatura, o quanto os artistas falam sério quando eles estão buscando uma inspiração transcendente e espiritual. Então, quando ele fala das musas inspiradoras, eles muitas vezes estão falando literalmente, não é apenas uma linguagem metafórica. O Cai ia falar um pouquinho sobre o Camões, não é isso, Caio? Isso, exatamente. E essa evocação às musas, por exemplo, não é algo eh raro na literatura. grandes poetas, como, por exemplo, Camões, em vários poemas que ele escreve, ele invoca as musas. Ou, por exemplo, Boécio, no livro espetacular A Consolação da Filosofia, também evoca eh as musas para o auxiliarem. Ou seja, há sim em grandes autores ao longo da literatura e detalhe, com várias culturas diferentes, essa noção de pedir uma inspiração de algo acima para conseguir transmitir adequadamente uma verdade universal para nós através de uma linguagem clara, compreensiva e imortal. Então esse pedido de inspiração soa também, né, bem humilde de por favor me auxilie a transmitir a mensagem da melhor maneira possível. E é interessante ver, né, grandes gênios que tinham tudo para se vangloriar humildemente, pedindo ajuda na hora de escreverem os seus textos. E a arte, né, ao contrário do que a gente imagina, ao longo da história, ela não era uma vista como uma forma de autoexpressão, mas uma forma de expressão do divino, de expressão da perfeição universal espiritual profunda. O próprio Get era amigo do Schiller, que é um outro grande nome também da cultura alemã e universal. O Chiler, só para gente ter uma ideia, ele criou a o poema A ódia alegria, que acompanha a nona sinfonia de Bethoven, que fala justamente uma ó de alegria e a Deus, de gratidão a Deus, de conexão a Deus. E aí, voltando à dedicatória, ele o Fausto pede, o Fausto não, o guete, aproximai-vos, reinai potentes, ressurgidos da vaporosa névoa do passado. Quer dizer, voltem do passado. Antes de mim terminaram a vida. Saudade daqueles nobres espíritos que de mim se apossem. Qual lira eólica? Eu adorei essa poesia. Lira eólica. Que é uma lira eólica? É uma lira, só que ela é tocada pelo vento. O vento passa, procurem na internet, lira eólica, é lindo, passa o vento e aquilo começa a produzir sons. E vento, nós sabemos, é a mesma origem no grego da palavra espírito. Então, ou seja, a lira é eólica, a lira que é tocada pelo vento e que ele seja uma lira tocada pelos espíritos, né? E ele percebe ainda, quer dizer, ele quer ser esse mecanismo de passar essa perfeição divina e espiritual para as pessoas. Mas apesar disso, ele reconhece que ele é um instrumento falho. Só vagos cantos o meu ro entoa. Extro é entusiasmo artístico, ou seja, ele consegue entoar apenas vagos cantos de tudo que ele vai ser inspirado pela espiritualidade. Então você já dá uma dica, né, da visão da mentalidade do GET ao compor Fausto, mostrando mais uma vez o quanto essa ideia que a gente tem atual de uma necessária oposição entre racionalidade, cultura, ciência, filosofia, racionalidade e espiritualidade completamente eh eh eh negada, por exemplo, pelo exemplo do falso do Gate, tô falando falso da do Gate, né? Muito bem. Seguindo agora para frente um pouquinho mais, ele passa pro prólogo do teatro, né? E é interessante que também ele faz uma grande inovação, porque ele eh faz uma metalinguagem, é uma peça de teatro falando sobre o que é o próprio teatro. Então, uma metalinguagem muito interessante e começa de novo um problema que a gente vão discutir coisas que parece que é super modernas, mas é o da história da humanidade. O que que acontece? Um diretor de teatro quer sucesso, ele quer agradar as massas e ele diz que as massas não estão afeitas ao melhor e isso é certo. Mas aí o dramaturgo que vai escrever o artista, ele tá buscando o eterno verdadeiro belo, né? Ele tá buscando essa eh eh o verdadeiro, o belo, o amor, a amizade, a coisa mais profunda, né? separando isso daquilo que é só o instante. E aí o artista, que é o comediante, o ator, ele queria buscar um meio termo entre uma qualidade e um apelo popular. E ele faz umas passagens muito interessantes que o público quer rir e tem direito de rir. Então ele valoriza. Não podemos ser cisudo também, mas ele fala da importância de estudar a vida cotidiana do ser humano e que com que quem com graça se souber exprimir não vai irritar o público. Você tem que ter um tato para saber a partir das questões da vida cotidiana exporar questões profundas. Aí o diretor fala: “Vamos atender a todos os gostos”. E olha que interessante, isso vale muito para nós que estamos tentando também de alguma forma diseminar informações, trazer alguma coisa positiva. Ele fala: “Você vai tentar cobrir o máximo e cada um vai tirar o que pode.” Ele fala: “De toda a peça, cada um escolhe aquilo que mais lhe agrada. E se você oferece muita coisa, há poucos, ou melhor, pode há muitos pouco dar e muitos tiram, alguns tiram muita coisa e todos vão satisfeitos com isso, eh, que pode e tem que fazer o que se pode com público pouco elaborado no teatro. E olha só, quem de fato deseja trabalhar deve se servir do melhor instrumento. Nós temos que rachar madeira mole, ou seja, madeira dura de rachar, que é chegar ao público, né? E não se esqueça de que para quem você tá escrevendo a peça, muitos vêm frescos das leituras das gazetas e dos jornaizinhos. Distraídos nos buscam, como iriam a qualquer mascarada, só os atrai a novidade. A gente acha que buscar novidade só aquilo que imediato é coisa da rede social, ele já fala isso daqueles que liam noticinhas nas gazetas até apenas buscando fofoca, curiosidade, mas ele fala: “No meio disso, metei coisas infinitas na vossa obra”. Mas aí o artista reclama, o dramaturgo, busca outro escravo, eu não vou fazer isso. E o comediante vai buscando de novo o meio termo. E o diretor no final fala: “Olha, mãos à massa, vamos fazer as coisas”. O GET valoriza muito a ação. Ele é teórico, mas valoriza muito a ação. E essa fala do diretor no final é muito interessante para muitas vezes a gente no meio acadêmico fica preso em mil elocubrações e ele fala já palavras demais tem destrocado. Eu quero agora são ações. O tempo o tempo que você gasta nessas discussões pode ser empregado de modo mais útil, né? Então ele fala pra gente poder lançar mão com ardor e não perder a oportunidade. E a isso então começa a própria história. Então e a obra começa então com um prólogo no céu e tá o diabo Mefistófoles dialogando com Deus. Isso é muito semelhante, por exemplo, ao livro de Jó, no Antigo Testamento, no qual o diabo e Deus estão conversando sobre a possibilidade ou não de tentar o Jó. E a mesma coisa acontece aqui o Mefistófoles dialogando com Deus sobre o Fausto. E aí vem coisas muito interessantes nesse processo, nesse diálogo, que Deus confia que o falso, apesar de errar, ele vai buscar o bem. Ou seja, o erro e o desvio fazem parte do processo humano de crescimento. E o Mefistófolis é aposta um Deus que vai conseguir eh vai conseguir desviar o Fausto. E aí que vem uma questão interessante de que nesse começo tá três arcanjos, estão três arcanjos louvando a beleza, a perfeição de a criação de Deus onipotente. chega, né, o Meepistófoles nessa conversa toda e ele agradece, né, Deus por o receber e aí ele reconhece que não tem as habilidades dos anjos. Isso é muito interessante, porque o mal em si, personificado na figura diabólica do Mefistófolis, mas o mal em si, ele não tem poder criativo, ele tem apenas poder destrutivo. Ou seja, a potência diabólica, ela é incapaz de superar as habilidades divinas, a habilidade da bondade criativa. Então reparem, às vezes pensando, né, exemplos ao longo da vida, o mal ele não cria nada, ele geralmente perverte aquilo que é bom. Então isso lembrando que todos nós podemos estar eh suscetíveis a isso, né, de termos essa perversão arrastada, essa deformidade da alma, fazendo um paralelo com os irmãos caram do Dostoevski que falamos aqui, que a pessoa ela não é má, ela é só deformada, só precisa de uma lapidada. Então, reconhecendo essa superioridade da bondade divina frente à maldade diabólica personificada no Mefistófolis. E além disso, o próprio Mefistófolis, depois dessa desse preâmbulo, ele começa a se queixar, começa a reclamar dos homens. E reparem, ele reclama dos homens, reclamem que eles cultuam um deuzinho mais ou menos e que ele começa a questionar os atributos que Deus deu aos seres humanos, como a racionalidade, o livre arbítrio. Isso também fazendo um paralelo lá com os irmãos Caramazov, que o grande inquisidor naquele capítulo famoso culpa Jesus por dar livre arbítrio, por dar a razão aos seres humanos que podem desse instrumento fazer um bom ou um mau uso. Então, já que o ser humano pode fazer o mau uso diabolicamente pensando, era melhor nem dar, era melhor que o ser humano não tivesse o livre arbítrio e a racionalidade, que o fazem justamente distinto dos outros animais. Esse discurso é muito comum hoje em dia. Por exemplo, o Thanos nos Vingadores lá da Marvel, ele também tem o mesmo discurso de que a humanidade não está pronta para isso, que exige um grande sacrifício a ser feito. Então é um discurso muito comum de se ver, de começar a questionar não as escolhas que os seres humanos fazem com o instrumento que lhe foi dado, mas começa a questionar o próprio criador de ter dado um instrumento na mão dos seres humanos. Então, trazer para nós essa responsabilidade, o que nós estamos fazendo com esse instrumento. E como é um instrumento, pode ser usado tanto para o bem quanto para o mal. A racionalidade pode usar, por exemplo, a energia atômica para fazer energia sustentável ou para fazer uma bomba atômica e destruir centenas de milhares de vidas, por exemplo. Então, tudo depende do uso que fazemos e não necessariamente uma crítica ao criador, mas sim um exame de consciência do que nós temos feito com esses instrumentos divinos que recebemos. E Deus responde então ao Mefistófolis: “Olha, sempre esses queixumes, sempre reclamando, né? Aí o Mefistófilos fica nessa recuada, bom, fica como seja, né?” E aí eles começam a dialogar sobre o falusto em si. E aí o quando o Mefistó começa a reclamar, né? Como o Caio comentou, antes disso, eu queria eh agradecer também o Leandro Palhares, né, que fez comentários falando sobre o bom uso das redes sociais. Por favor, é isso. Sigam a gente na TV Nups, acompanhe, compartilhem esse vídeo, curtam e compartilha, assim como nossas redes sociais, né, alex.Nnups e Caio Almeida também, que a gente tá sempre postando coisas novas. E também agradeço ao Augusto Cisneros, que também tá aqui presente, participando com a gente. Mas aí quando o Mefistófilos, que é o diabo, né, ele reclama do mundo, do ser humano, que o ser humano é uma porcaria, que não tem jeito, e Deus mostra o falso, olha meu servo e o Mefistófilo debocha. Nossa, maneira singular desse servo te servir. Ele é insensato, busca os gozos da vida, é uma pessoa vaidosa, cheio de cobiça. Mas aí que vai o interessante, o que Deus vê não é o que a pessoa está sendo naquele momento, mas o que ela tem potencial de ser. É exatamente, né? A gente vê inúmeras passagens na própria história do cristianismo, né? Quando Jesus vê Saulo de Tarso, o grande perseguidor dos cristãos, ele viu ali o potencial de ser o Paulo de Tarso, o maior disseminador do cristianismo na história e vai trabalhar nesse sentido. Então, Deus vê o nosso telos, aquilo que a gente tem capacidade de ver. E ele fala mesmo no erro, ele ainda me serve. Eu vou guiá-lo à claridade. Olha que frase bonita também. Quando uma árvore começa a nascer, o agricultor ele consegue ver que flor e fruto nos anos futuros aquela árvore ou aquela aquele vegetal vai dar. Ele tá vendo lá na frente naquelas vezes e eh brotinho terro, às vezes com defeitos, com problemas. Se ele cuidar, ele sabe o que ele vai fazer. Mas a Mefistófiles faz a grande, a primeira aposta inicial com Deus. Eu aposto que ele vai se perder. Se você me der a chance, eu faço ele se perder suavemente pelo meu caminho. Isso é muito interessante. As nossos derrocadas, o nosso declínio moral, existencial, dificilmente é abrupto, é suave, a gente não vai percebendo e vai a quando a gente vê a gente já degradou muito. E Deus fala, tudo bem, ele tá, ele pode errar enquanto luta. E aí o Mefistófiles fala uma coisa muito interessante: “Obrigado, eu gosto das faces sadias e rosadas”. Ou seja, o diabo gosta, né, de declínio daquelas coisas virtuosas, poderosas, saudáveis. A gente vê muito aí a inveja, né? a inveja contra aquilo que é bonito, que é belo, que é bom, que é virtuoso, porque isso muitas vezes incomoda. É muito comum a gente estar num vício, num defeito, numa perturbação e dizer que todo mundo é assim, que não tem jeito. Eu não trabalho direito porque não tem como trabalhar direito. Eu trai a minha esposa porque todo mundo traí a esposa. Eu faço isso porque todo mundo faz. Quando você vê um exemplo de virtude desmentindo o que você tá falando, aquilo dá um desespero e uma vontade de provar que aquilo ali é falso, é uma falsa virtude. No fundo, a pessoa é tão degenerada e perversa quanto eu. É mais ou menos isso aí o que o Mefistófoles vai falando. E ele vai falar, olha que interessante, não preciso de muito tempo para eu cantar o meu triunfo. Pau a a famosa serpente, minha tia, a serpente lá do Adão e Eva, há de comer com gosto o pó da terra. Olha que bonito. Enquanto ele fala que Deus nos criou para as altitudes, para a beleza, para o elevado, para o sublime, a função do Mefistófoles é nos fazer comer com gosto o pó da terra, começar, comer a sujeira, o que tá embaixo e se refestelar e achar que isso tá ótimo, né? E aí Deus fala com ele: “Olha, eu nunca tive, nunca tive ódio aos teus semelhantes, né? E você, como demo, vai fazer sua parte na criação, né? E ele fala, e Deus ainda comenta eh que ele quer, na realidade que a sua criação se envolva, que cresça no amor, que seja eterna e viva essa obra. E aí então o Deus permite, né, que isso aconteça. E aí vai acontecer na história, aparece então o diabo para não se bou falar isso depois. Ou vou entrar de uma vez. O diabo ele faz depois ele aparece pro Fausto, né, para poder tentá-lo e ele faz uma aposta no final com com Fausto que é o seguinte: olha, eh, o Fausto propõe pro diabo, né? Olha, eu quero encontrar o sentido da vida, eu quero sentir um prazer, etc e tal. E tem uma frase muito famosa. Se eu repousar sossegado num leito de indolência, ficar à toa, parado nos prazeres, dizer: “Estou satisfeito, quero ficar a minha vida eterna nisso, você pode, pode ser meu último dia e você pode me levar. Eu acho que você não vai me conseguir isso porque eu não vou conseguir encontrar algo nesse sentido. E é justamente só para fazer o o apanhado já com o final, a aposta que o diabo perde, embora ele consiga fazer que o Fausto cometa um monte de iniquidades, um monte de perturbações, mas ao longo dessa caminhada ele vai vendo as consequências das ações. começa em a sua própria consciência começa a doer e mobilizá-lo outra direção, igual crime e castigo do Dostoevsk. ele começa a perceber essa busca existencial e no final, né, quando ele começa a ajudar outras pessoas, ele começa já doente, cego, cheio de problema, ele começa a ajudar as pessoas se dedicar nesse sentido. E ele vê um futuro muito satisfeito por ter feito bem, em que o povo vai pisar um solo livre e ele fala: “Nossa, eu poder vislumbrar que eu ajudei esse povo a se superar, a pisar um solo livre, eu queria que esse momento ficasse para sempre”. em sentir tanta delícia, tanto gozo nesse mais celeste instante. Nessa hora então ele morre. Ou seja, ele onde ele vai conseguir realmente o deleite de querer a vida plena quando ele usa os talentos dele para um bem que vai além dele mesmo. Mas antes de chegar nessa história, começa o começo da história, quando o Fausto é um homem muito insatisfeito, não é isso, Caio? Exatamente. O Fausto, ele é um doutor em, perdão, ele é um doutor em filosofia, medicina, direito, teologia. Só que apesar de ter todo esse conhecimento, ele se sente profundamente frustrado. Ele sente que o conhecimento racional não lhe deu nenhum sentido. Ele até flerta com o suicídio, mas ele é interrompido, né, por outras coisas que nós vamos falar daqui a pouco, na verdade, né, pelo canto da Páscoa, ou seja, um símbolo de esperança no meio da treva dos pensamentos. E o falso ele encarna. O homem moderno sabe muito, tem muito conhecimento, tem muita informação, mas ele sente pouco, ele acaba vivendo um vazio existencial. E aqui as passagens do Fausto, né, descrevendo esse esse intelectual relativista, niilista que ele vive, ele fala filosofia, leis, medicinas, teologia, até tudo, tudo estudei e eis-me aqui agora, pobre e tolo, tão sábio quanto antes, ou seja, não aprendi nada de sustância, né? Ele tem o conhecimento, ele tem informações, mas tá faltando algo. Ele diz: “É verdade. Eu sou mestre, doutor há 10 anos, levo muitos discípulos, mas conheço que nada nós sabemos. Roie-me isto, coração. sinto-me acima de alguns mestres, não tenho dúvidas, mas ele sente esse vazio, ou seja, ele nem chega a imaginar a falta que isso pode fazer, mostrando exatamente que nós aspiramos as coisas mais elevadas, apesar de não darmos a devida atenção para isso, mas fica sempre alguma coisa cutucando ali dentro, um incômodozinho, o vazio existencial, ele tinha de tudo. Ele era famoso, inteligente, tinha discípulos, mas faltava algo. Ele até esse vazio, como eu disse, começou até a flertar com autoestermínio, por exemplo, mostrando a falta que faz uma noção mais aprofundada da sobre a natureza humana que verdadeiramente preenche. Isso sempre me lembra a metáfora que Platão se utiliza no livro A República, que ele diz que nós somos seres como alma e corpo e a parte mais elevada é alma, a parte eterna. E o corpo é a parte transitória, a parte material e carnal. E o Platão diz que momento que a gente se esquece das coisas mais elevadas, a gente fica igual bicho, se preocupando apenas com as coisas mais baixas. E como nós somos seres imortais, se nós estamos sendo preenchidos com coisa à altura, isso vai acabar dando esse vazio. Nós não estamos verdadeiramente preenchidos com aquilo que necessitamos, essa sede do divino. E como si Leuis, o autor das crônicas de Narne, muito bem coloca, não nesse livro, né, em outro, se nós sentimos fome é porque há comida. Nós sentimos sono, é porque é, né, a possibilidade de dormir. E se nós sentimos esse vazio, esse desejo por algo além, esse desejo pelo divino, significa que existe o divino. Seria, né, uma das argumentações em favor, por exemplo, né, de uma divindade, mostrando que se nós temos esse desejo, significa que tem algo que corresponda a esse nosso desejo. como a fome, tem na comida, como, né, o cansaço tem no sono reparador, como essa ânsia de algo além demonstra ou nos aponta para uma natureza imaterial, além transmaterial sobre a natureza humana, mostrando então que nós temos uma parte mais elevada e que só nós ficamos apenas na parte inferior, isso naturalmente não preenche um ser imortal. E é interessante que ele fala que ele estudou as quatro disciplinas que eram o quatrívium, que vem desde as universidades medievais, filosofia, leis, medicina e teologia, né? E o interessante também, ele fala o quanto ele leva os alunos dele, ele fala: “Os meus discípulos, eu levo a meu talante, à esquerda, à direita, ao sul, a, quando ele manipula os alunos para onde ele quer.” E ele se considera acima também dos mestres, dos padres, dos escribas. Ele fala que não tem dúvidas nem escrúpulos, nem do demônio, nem do inferno, nem de nada. Quer dizer, um total nilismo, uma discrença absoluta e nem a crença na ciência, ou seja, um relativismo, uma uma perda completa da possibilidade até conhecimento, né? não acredita que ele possa ensinar coisa alguma que sirva aos homens, que possa torná-los melhores. Infelizmente, às vezes, essa visão nilista sobre a vida, sobre a o ensino, também permanece, permeia muitas vezes o nosso meio intelectual hoje em dia, no século XX. E ele vai falando, né, que ele quer conhecer a essência do mundo e cessar esse palafrório, né? As pessoas falam muito, usam muitas, ele fala, traficando com vãs palavras. Acontece muito isso, né? Essa tendência nossa de querer usar palavras bonitas para esconder a nossa ignorância. E ele reflete também muito aquela ideia do Mefistófon, uma visão muito negativa do homem do mundo, né? Que é podridão, fumo, somente ossadas nuas e esqueletos, né? aquela visão sempre da angústia, da náusea, do pessimismo, do lado negativo do ser humano, né? E então ele evoca o diabo, o diabo aparece, né? E eh ele naquela desesperança, naquela situação toda de falta de sentido, ele planeja o suicídio. Ele ia beber o veneno. Quando ele tava com o copo do veneno para poder beber, ele ouve os sinos pascais, os sinos da Páscoa e um couro de anjos. Ressurgiu o Cristo, júbilo mortais. E ele pensa: “Nossa, que sons profundos, que repique alegre. Com força o cálice do meu lábio arreda. O que que é isso que conseguiu me tirar esse desejo de morte, né?” E ele vai falando: “Essa grande festa, surge um hino consolador que do sepulcro soou uma nova aliança, confirmando a aliança do homem com o eterno, né? E ele fica refletindo sobre essas questões, o quanto essa a mensagem espiritual da ressurreição, da vida após a morte, de um sentido mais profundo, divino, o fez parar naquele momento inicialmente. E ele começa a relembrar da juventude, da espiritualidade que ele tinha quando jovem. Isso acontece muitas vezes, né? A pessoa tem uma espiritualidade na juventude, de repente aquilo vai se perdendo por múltiplos caminhos da existência. às vezes também por fruto de uma educação antiespiritual, como se a racionalidade e a ciência envolvesse a negação da espiritualidade. Mas quando ele lembra dessa espiritualidade da infância, sinto sinto-me agora revocar minha vida, uma oração de puro deleite, né? E ele vai eh refletindo sobre essas questões. Mas após, mesmo após esse chamado, né? Ele continua nessa angústia existencial e ele vai buscar então a magia. Esse livro, esse livro agora vamos passar agora para alguns pontos que são muito interessantes. Ele vai falar muito da questão da busca de atalhos, de mediatismo, que é o que a gente tem muito naquela época e hoje em dia. Todo mundo quer o caminho fácil. O caminho faz para poder ter sucesso, para ter conhecimento, para emagrecer, para ir pro céu, para qualquer coisa que você quiser imaginar, porque ele vai buscar magia para poder conhecer o segredo da vida nesse pacto com o diabo, para poder remoçar, para poder ficar 30 anos mais jovem, seduzir a Margarida, que é a Gretin, mas ele não quer as consequências. Essa que é a questão. Tem que lembrar, gente, atalho sempre vai dar ruim na vida. As atalhos da vida dão ruim, porque a gente quer o resultado, o o a gratificação sem o preço. A gente quer chegar na terra prometida sem passar pelo deserto. Quer colher semear, isso é um segredo universal da vida, mas não quer as consequências. Tanto é que tem uma passagem muito bacana. No final, quando ele consegue ficar remoçado, ele seduz a Margarida, destrói a vida da Margarida depois e tudo mais. E quando ele vê depois como ela ficou destroçada em múltiplas situações, ele tem uma dor muito grande. Ele vai reflando, ele reclama com Mefisto, com diabo. Como é que você fez isso que não sei que lá e tudo mais? Olha o que que você causou. O diabo teria causado, né? Só que foi o pacto dos dois. E o diabo fala com ele: “Mas você perdeu de toda a cabeça para que você se associa conosco se você não tem peito, não tem energia, a força necessária que for, você quer voar e tem vertigem com altura, nós te procuramos ou você que nos procurou?” Então é muito bacana. A gente quer os atalhos, mas não quer a consequência. Esse é o grande problema do nosso mundo hoje em dia. As pessoas querem tudo imediato e tem dificuldade assumir as consequências. E frequentemente na educação dos nossos filhos, até dos nossos alunos também, nós não nos ensinamos a assumir as consequências dos seus atos muitas vezes problemáticos e a pessoa não aprende nunca. E ele vai dizer exatamente isso, que não existe atalho, né? Ah, tem um astrólogo que vai dizer um astrólogo na história aqui, quem quer o bem, primeiro bom se faça. Quem deseja alegria, acalme o sangue. Quem quer milagres, robusteça a fé. Existe, né? É preciso chuva para florir, já dizia lá a música, né, eh, da MPB. Então, ou seja, ele vai abordar uma série de questões sobre essa necessidade que nós temos muitas vezes de buscarmos os atalhos e quando vem as consequências a gente se assusta. Isso é interessante, né? trazendo eh esse a entrada do Mefistófoles propriamente na vida do Fausto. Muito interessante que ele não chega todo caricato com chifrinhos, um rabo, um tridente, ele disfarçado para nós assustar e só depois que ele se revela. Ele só entra quando convidado, quando o próprio eh Fausto na simbologia do pacto, né? mas que nós fazemos esse contrato sem mesmo perceber muitas vezes. E aí isso é muito interessante porque na imensa maior parte das vezes que o mal adentra em nossas vidas, ele não chega escancarado, ele chega nas pequenas circunstâncias, nas pequenas oportunidades. E também é muito interessante a gente tomar o cuidado, se policiar, por quê? Até mesmo na tradição da literatura, até mesmo nos cinemas, por exemplo, nós percebemos que os vilões não são seres, não são pessoas programadas para fazer maldade, igual, né, é alguém que fica com plano maquiavélico para fazer maldade. A gente pega exemplo de vários filmes, por exemplo, no Senhor dos Anéis ali, o Golum, né, que ele eh cultiva o anel na série dos Star Wars, né, na Guerra das Estrelas, o Darth Vader é o pai do Luke Skywalker, por exemplo, ou seja, mostrando que o mal está em pessoas como a gente fizeram escolhas equivocadas. Ou seja, não é porque alguém foi criado propositalmente para o mal, por as escolhas muitas vezes inconscientes, sem perceber, por falta de policiamento e vigilância de nossa parte, que vamos escolhendo escolhendo escolhas, né, fazendo escolhas equivocadas, buscando o caminho mais fácil, buscando um atalho e isso nos leva pro caminho desviado. Então a gente tome cuidado porque o mal nos filmes, é dei alguns exemplos ou mesmo no Rei Leão, o vilão é o Scar, o tio do Simba, o irmão do Mufaz, ou seja, ali da mesma origem, com escolhas diferentes, com destinos completamente diferentes, mostrando de novo que nenhum de nós está impune a essas tentações, né, a esse convite que o próprio Mefistópolis, personificado aqui nos faz de termos escolhas equivoc evocadas e vão nos arrastando para um caminho equivocado. Então, essa chegada do Mevistófono disfarçado nos leva a, por exemplo, aquele chamado que Jesus fez de orai e vigiai, pois não sabei nem a hora nem lugar. O ladrão vem, sem avisar, mostrando para estarmos sempre vigilantes e preparados paraas pequenas coisinhas do dia a dia, porque é aí que começa o tropeço. Eu gosto sempre de dar um exemplo. Imagina um copo, um recipiente de vidro recoberto de plástico com água dentro. Aparentemente o plástico tá, né, conseguindo impedir o vazamento de água. Se você pegar um palito de dente, um alfinete e espetar um pouquinho daquele plástico, aquele buraquinho vai começar a vazar. E é por um pequeno buraquinho que vai passando mais água, vai expandindo o buraco e cada vez mais drenando a água daquele recipiente. O que nos cabe pensar aqui de que muitas vezes o mal vem nos pequenos furinhos, nas pequenas brechas que abrimos para esse, às vezes convidando propositalmente aqui personificado na pessoa do Mefistófolis, né, mostrando então essa necessidade de estarmos sempre atentos e vigilantes. É, e ele vai aparecer de um modo geral com essa tentação de ter o atalho, de ter o benefício, o almoço grátis, né? Vai chegar aquilo maravilhoso. Todo mundo é meio bobo, querendo um caminho mais difícil, a porta estreita, depois essa porta aqui é muito mais larga, eu vou passar por ela, né? Então tem essa oferta tentadora que muitas vezes acontece, que foi o que aconteceu aí para o falso. E outro dado muito interessante, o diabo fala com ele também. No fundo, você não quer me afastar. Ele fala, o diabo fala com o falso. Eu te deixaria quieto, mas você não ousa me pedir seriamente isso. Ou seja, aquela coisa, eu não quero mais aquilo, mas no fundo eu quero, no fundo eu gosto, que eu continuo, por quê? eu ainda estou tendo algum ganho imediato, mesmo que me destrua no médio longo prazo, eu tô tendo ganhos imediatos. Isso é muito importante. A gente mantém comportamentos patológicos, comportamentos muitas vezes disfuncionais, porque trazem benefícios imediatos. É preciso passar por esse jejum do benefício imediato para poder avançar mais. E tem um outro ponto que eu queria eh eh já vou pulsar para aqui por causa do tempo tá tá avançando, né? O o só para lembrar, né? O Gilberto fala, né? Que a aquele eh diálogo inicial de Deus com eh de Deus Mefistó, lembra o diálogo do livro de Jó? Exatamente isso, né? E o Augusto fala que o mal é ac da imperfeição do homem. Exatamente. Nós vamos falar sobre isso. O que que é o ser humano, né? Nós somos só essa perversão, essa maldade ou somos algo além disso. Mas uma coisa fundamental que o diabo não percebe e é o que nós temos além desse desejo puro do prazer imediato. Inclusive o Fausto fala isso com ele. Você não entende os anseios humanos. O que você sabe do que deseja o homem? Você, um rebelde natural, odiento, como achar pode o que aos humanos falta? O que vai mostrar, e isso vai ser o grande falha do diabo na aposta, que ele não vai ter entendido, é que o homem vai sempre buscar essa pulsão de transcendência, de crescer, de se elevar e do amor. É isso que ele não contava, né? E aí é justamente essa pulsão pela transcendência, que é um outro tema central da obra do GET, que o prazer material apenas não satisfaz. E é exatamente isso que o Mefistófolis quer que o Fausto acredite, que ele é só matéria, ele é só desejo material. Ele quer implementar uma visão, uma cosmovisão materialista, nilista, hedonista, relativista. é a ideia de que nós não somos nada mais do que animais com desejos meramente animais. E ele vai dizer: “Há milhões de anos que eu mastigo esse duro bocado”. Diabo falando, nem o homem do berço à sepultura jamais logra ir ao velho fermento digerindo. Ninguém consegue chegar realmente a essa questão superior. Isso tudo foi feito só para Deus, não para nós. Então essa é a ideia. E aí o Fausto fala: “Mas então o que sou eu? Se eu não consigo alcançar a coroa da humanidade, o ápice que a minha alma tanto aspira, o diabo Mefistófilos vai falar: “Você tem que ser o que você é, nem mais nem menos. Fica sempre o que você é”. Ou seja, mostrando, você é só isso mesmo. Você é feito para comer terra. Você só é isso, nada lá em disso. Isso é muito importante, porque essa visão de que nós somos apenas desejos materiais, que a nossa busca, que o amor é apenas o sexo e isso é apenas o atrito de genital e o prazer momentâneo. Nós nós somos seres que buscamos apenas a reprodução, apenas nos alimentar, apenas ter o prazer, apenas dominar. qualquer coisa fora disso é criação. Esse tipo de mentalidade vem e que nos nos nós também temos o prazer, o poder, uma visão muitas vezes nitiana da vida nesse sentido, uma visão muito nilista nesse ponto. E é justamente essa visão do que é o ser humano, rebaixar aquilo que nós temos potencial de ser e nos acomodarmos em comermos apenas pó e lama. E além disso, indo adiante, um outro uma outra eh uma outra pauta pertinente no livro é sobre a ilusão de liberdade da pessoa sendo manipulada pelas forças diabólicas, que o Mefistófolis até ri. né, na situação, nenhum deles dos influenciados vê que é incitado. A liberdade se diz, visto bem, são escravos contra escravos, ou seja, mostrando que a verdadeira liberdade não é uma rebelião contra tudo e contra todos. Eu faço o que eu quiser, eu me assumo da forma que eu quiser. Isso seria até mesmo fazendo referência ao pecado original na tradição judaico-cristã, a Ubres grega, na tradução, né, eh, grega, mostrando esse ímpeto humano de querer se elevar acima do que é e achar que isso seria a verdadeira liberdade. Enquanto na verdade quando a pessoa extrapola, querendo ser livre de verdade, ela acaba sendo escravo das suas paixões. Seguir o primeiro desejo que vier na cabeça, isso não é liberdade, é escravidão dos seus impulsos. Um exemplo muito pedagógico é alguém, por exemplo, viciado em alguma substância, álcool ou outras drogas, que a pessoa dizendo-se livre, quando bate a abstinência, vem aquela tremedeira, ela tem que sair correndo para poder interromper o que ela tá fazendo para poder ir lá beber, fumar ou fazer o que for, né, nesse exemplo. Ou seja, isso é a verdadeira verdade ou na verdade você é o escravo daquela substância? Ou, por exemplo, pessoas com foco excessivo na carreira. Você é verdadeiramente livre ou é escravo de dígitos na conta bancária, por exemplo? É liberdade verdadeira ou é escravidão mascarada de liberdade? E essa que é a pior. Quando é muito mascarado, é muito sutil, a gente não percebe e fica racionalizando o próprio equívoco para podermos achar que somos livres. E racionalizando isso, não percebemos a gravidade do erro que estamos inseridos. E consequentemente, se a gente não acha que está em erro, a gente não busca corrigir esse detalhe. E qual que é o problema? É culpa nossa e nós mesmos que vamos sendo prejudicados por esse ciclo vicioso, clamando por uma falsa liberdade. E também tem uma um trecho muito bacana, só me esqueci agora o livro que ele vem, ele fala o seguinte: “O triângulo, né, o triângulo que quer se rebelar, se libertar da sua essência, ele deixa de ser um triângulo.” Imagina o triângulo com três lados falando: “Eu quero ser livre dessa imposição de só sermos três lados. Eu quero ter quatro”. ele vai perder a essência de ser um triângulo. Da mesma forma, uma pessoa que quer se libertar da natureza humana, ela não fica um super homem, ela se deixa de ser homem em si e vira, por exemplo, bicho. Ela perde a dignidade humana por escolha própria, tentando abdicar dela numa falsa sensação de liberdade que, na verdade, nos conduz equivocadamente ao caminho inadequado. Então isso vem muito também de uma tradição filosófica desde a Grécia antiga, passando por São Tomás Jaquino, que é o seguinte: tudo que existe tem um propósito, um telos, como dissemos lá no começo da nossa transmissão, tudo tem um propósito de ser. Essa cadeira que eu estou sentado, ela tem o propósito de me permitir confortavelmente ficar sentado aqui. Essa lâmpada que eu estou usando para me iluminar, ela tem o propósito, a finalidade de iluminar o ambiente. Ao mesmo tempo, se essa cadeira começa a tombar, fica bamba, ela não tá cumprindo o propósito dela, ou seja, não é uma boa cadeia. Se essa lâmpada que eu estou utilizando começa a falhar, a queimar e, enfim, ela não é uma boa lâmpada porque não está servindo ao propósito, a finalidade ao qual ela é feita. E da mesma forma nós, seres humanos, temos um propósito, um telos, a palavra grega, né, para esse propósito, essa meta final. E tudo que nos conduz a esse propósito são virtudes. E o que nos afasta desse propósito são os vícios. Então, as ações que nos conduzem e as ações que nos afastam. A verdadeira liberdade é escolher o caminho adequado que nos leva nesse propósito e não a ingênua pretensão de nós podermos escolher qual que é este propósito. E a pergunta que fica é: então, qual que é esse propósito? Aristóteles, um filósofo lá da Grécia antiga, diz que esse propósito é a eudaimonia, traduzido equivocadamente para a felicidade, mas que seria na verdade a plena realização dos nossos potenciais latentes, ou seja, utilizarmos as nossas forças, os nossos talentos, os nossos dons numa causa útil que transcenda a nós mesmos. Isso seria a plena realização. Ou pegando, saindo da Grécia, indo pra tradição judaico-cristã, Jesus disse que o nosso propósito é sermos perfeitos como perfeito ao Pai Celeste. Ou seja, nós temos um propósito bem estabelecido e a equivocada noção de liberdade nos faz crer que não temos esse propósito. Como por exemplo Sartre no seu livro, a essência esqueci o livro, é o sobre existencialismo. coloca que nós temos a liberdade de escolher o nosso fim último, o que não é a verdadeira liberdade. E é interessante, só para finalizar, sobre a questão da liberdade. É muito comum, né, muitas pessoas disserem que vão ser muito livres, não vão seguir padrões. Às vezes a pessoa entra na universidade ou em algum grupo e aí a pessoa falou que não vai seguir padrão. Daqui a pouco ela tá vestindo com a roupa de quem não segue padrão, cortando o cabelo e pintando o cabelo como quem não segue [risadas] padrão. falando daquele jeito, defendendo a mesma coisa. É um negócio muito interessante. As pessoas têm dificuldade de perceber isso. Bom, vamos lá. Um outro ponto importante e ele vai falar agora sobre a juventude. Vou passar rapidamente sobre isso. Sobre a juventude. Primeiro ele fala, né, o próprio Mefício do diabo, quem fala a verdade, a juventude, as carinhas berbe. Sem barba desagrada, né? Ou seja, você vai falar a verdade, às vezes você vai desagradar. A gente sabe disso, né? Se você quer ajudar alguém, você pode falar a verdade. Se você quer se ajudar, você fala o que o outro quer ouvir. Na realidade, a questão é essa, né? E ele coloca muito dessa soberba às vezes da juventude. É natural o jovem achar que ele criou o mundo, que tudo vai acontecer, nada que existia antes serve, que ele vai fazer tudo do nada. E ele fala: “Os jovens logo imaginam que do seu próprio cabedal tiraram tudo e dizem que os mestres são os patetas”. né? Ele tem essa questão é e esse esse louco orgulho que ele vai falar e ele vai falar o Mefistófilos, um negócio muito esses muitas novidades na realidade, como diz o próprio eh Casusa, a um museu de grandes novidades, né? Como o Caio já falou antes, muitas das novidades são velhas velhas ideias em novas roupagens. Tanto é que ele fala: “Nesse orgulho louco, nenhuma ideia estúpida ou sábia podemos ter em mente que já não foi por outros concebida. Frequentemente, o que a gente acha que uma grande novidade é uma ideia que já foi tentada e que já deu errada. Não quer dizer que a gente não tem que tentar novas coisas, é claro que devemos, mas devemos ter a humildade de saber o que que já se falou, já se pensou, já se refletiu com essa ideia. Mas ao mesmo tempo do jovem, ele vê um lado positivo. Ele vai dizer inclusive que o jovem ele tem uma divina essência. Aproveita que devemos aproveitar o inestimável dom para elevar-se à sublimes alturas, que possa subir tanto quanto possa a tua força. Então, a ideia do jovem é canalizar de modo saudável para o superior esse grande potencial. E aí vem o papel da educação, que o próprio GE sempre se dedicou. E ele fala também, de modo muito claro, do cinismo, muitas vezes de muitos educadores que acabam deformando os jovens também, como Dostoevsk, Dostoevski fala nos irmãos Karamazov e mesmo do crime e castigo, o quanto essas grandes ideias modernosas, a formação intelectual universitária muitas vezes acaba introjetando valores nilistas, relativistas e degradando. Víor Frankl também fala sobre isso. E aí o próprio Fausto diz, né, eu me envaideci com uma excessiva soberba, né? Ele vai nos lancemos num abismo da vida, né? E e tem uma parte, uma hora em que o ele fala, o Mefistófolis, que o Fausto como professor universitário, ele fala: “Que buraco é esse que você vive? Que vida! Você é um atormentado a atormentar rapazes. Olha a crítica que ele tá fazendo desse professor Dr. Fausto, um atormentado a atormentar rapazes. E o próprio estudante, aparece um estudante para conversar ali com o Dr. professor fala estudante que chegando na universidade ele fala: “Mas eh essas aulas não estão me agradando no banco dessas aulas eu perco o tino e o sentimento. Olha só, eu perdi o tino, o juízo, o bom julgamento e mesmo o meu próprio sentimento.” Mas aí o diabo disfarçado do professor Fausto fala com o aluno que tá estranhando essa visão de mundo, essa questão de negar os seus valores mais profundos. Ele só faz é falta de costume. O leite da ciência pouco a pouco vai te parecer cada vez melhor. Você vai só se acostumando que a ciência prova que é isso mesmo. Nós somos só bicho, não tem propósito, não tem nada. Esses valores morais são apenas construções eh humanas e nada além disso. E ele vai falando ainda mais, ele vai dando dicas, o Mefistófolis aí para o ensino, né, de uma bitola reducionista, aceitação passiva de certas teorias. Olha só, eles vão te dar à mente um ensino em botinas muito estreitas, apertando para que você não percorra outros caminhos, não vagueie o seu pensar. Ou seja, você tem que ser bitolado para pensar apenas qualquer coisa fora disso é muito ruim. A gente vê muito isso. Eu tô defendendo a visão boa. Quem pensa contra mim é fascista, é comunista, é isso, é fóbico disso, daquilo outro. E ele vai falar também esse palavratório muitas vezes do meio que às vezes de pseudointelectuais. Palavra, você vai achar sempre uma palavra autisonante, que soa muito mais. E o sábio mestre não vai dizer nada mais do que tá no livro. e anota cuidadosamente, como se fosse o Espírito Santo, Paráclito, enviado de Deus, descrevendo aquilo. É aquela questão de você se apega a um autor, a uma teoria e a verdade absoluta. Aquilo explica todo o universo, toda a natureza, o quanto a gente vê isso hoje em dia. Mas ele fala, o bom sistema é bom ouvir só um, jurando sempre a palavra do mestre que ensinou aquele sistema. Aquilo que você aprendeu, aquele sistema, aquela teoria é a verdade absoluta. Jamais questione. Isso me lembra muito o livro imposturas intelectuais do Alan Socal Jean Brickmont, que ele fala muito isso de um palavratório desse mundo pós-moderno que oculta muito a nossa ignorância. Fica a dica de leitura imposturas intelectuais. Ele vai analisar textos do Lacan, Derridá, Júlia Cristeva e muitos outros grandes nomes do pós-modernismo. E ele vai mostrando uma série de problemas. E por fim, ele dá uma outra dica muito bacana de ter um tom pedante e falando com autoridade. Se fizer assim, as pessoas acreditam. Ousadia, de certo não vos falta. Se em vós mesmos tiverdes confiança, os outros homens em vós confiarão. Ou seja, você tem que falar a maior absurdo, com muita convicção, como você tiver certeza absoluta que as pessoas vão acreditar. E por fim, ele vai falar do ensino do relativismo. Ele vai falando pro aluno: “Leis, direitos, varia de lugar para lugar. O que num lugar é certo, no outro passa a serro do direito que conosco nasceu, o direito da noção do conhecimento da lei divina natural profunda, ninguém cogita, né? E ele vai dizer ainda que a gente vai ser como Deus, ciente do bem e do mal, que é justamente o que a o que a serpente propõe para a Eva, quando ela vai que ela vai comer da árvore do conhecimento da bem e do mal. Ou seja, nós que vamos decidir o que é bem e o que é mal. Não existe um bem mal transcendente, profundo no universo. Eu decido. Por isso que você, como Deus, eu decido o que é bem e o que é mal, porque ele é relativo. Eu sou a medida de todas as coisas. Já dizia protágoras, né? E ele vai falando no final, o diabo fala: “Crê no dito da serpente que um dia você vai ter essa semelhança com Deus, né? Esse é um dos pontos muito importantes. Caio, considerações outras que você quer fazer pra gente caminhar pro encerramento? Bom, eu acho que hoje deu o que falar, né? Então, pra gente poder amarrar, né, alguns pontos finais, então que um grande foco do que o GE dá na obra é que o homem como um ser de busca, né, de buscar o caminho, né, é o esforço, o impulso, a busca e não é o erro que condena, porque, né, o próprio Fausto faz o pacto no diabo, mas no final ele é salvo. Então, não é o erro em si que condena, mas a estagnação. Ou seja, o Deus Deus resolve salvar falso no final. porque ele nunca se acomoda. Ou seja, né, mostrando esse ímpeto de irmos adiante, fazendo nossas escolhas equivocadas, mas há sempre um caminho de redenção no final das contas. E também eh a ponderação de que existe uma predominância do conhecimento sem um sentido maior. E é justamente isso que a obra critica. O falso ele tem o saber abstrato, a ciência desligada da vida real, uma razão sem ética ou finalidade. Só ter conhecimento, descrição do mundo, não nos mostra para onde devemos ir. Por exemplo, as leis naturais, né, as leis da da natureza, as leis científicas, elas não são nem boas ou ruins. A água ferver a 100ºC, isso não te dá uma finalidade na sua vida. Isso é só um fato, um conhecimento que, claro, é uma informação útil, mas não te agrega enquanto ser imortal, ou seja, não nos mostra um balizador das nossas ações. Isso eh é uma antecipação de grandes crises modernas, uma tecnociência, uma alienação intelectual e por fim o niilismo que nós vivemos uma ausência de sentido, um foco excessivo em produtividade. Não que, né, as pessoas não devam ser produtivas, por óbvio, mas um foco excessivo apenas nessa produtividade, enganho material e apenas de conhecimento descolado da vida, da realidade, da ética e da nossa finalidade. É isso o que mata o Fausto nesse começo da obra que ele vai se expressando. Então, imagino que na minha perspectiva sejam essas duas chaves principais da obra que me chamaram mais a atenção. E agora palavras finais. alguma aí? Isso. Eu queria colocar só rapidamente também o Fausto termina, né, no céu, como eu falei, começa no céu, termina no céu, ele morre quando ele percebe o desejo de ficar eternamente eh naquela busca de ajudar outras pessoas se realizar, realizando o seu potencial de modo transcendente só nele. E aí termina com um couro de anjo muito bonito falando, né? Botões florescei, botõ rosa, né? Florescei, celestiais flores que o amor espalhais. Ou seja, a nossa meta, o anjo nos propondo que nós floresamos, desabrochamos o nosso potencial, né? E ele vai dizer mais ainda que a luz devemos procurar, que a verdade a todo pecador deve salvar e a imensa união eterna fluir. E aí então o falusto é elevado e aí o Mefistófilos fica bravo. Fugiram para o céu com a minha presa, né? Me roubam com ardilosas tretas me surruparam. Fizeram uma treta. É justamente isso. Por isso que Deus até fez a aposta com o Mefistófiles no começo, porque o Mefistófiles não entendeu ou não acreditou no poder do amor e na busca humana por um auto superior e transcendente. Essa é a nossa meta central, né, que é o ponto fundamental. E lembrando exatamente isso, que o homem ele é capaz de coisas terríveis, como Fausto fez, mas ele também é capaz de se transformar. Como o próprio Víctor Frankel falou, o ser humano é o mesmo que faz o o campo o a câmara de gás, como é aquele que entra na câmara de gás com um pai nosso ou um chemá Israel nos lábios, né? Quer dizer, nós podemos escolher o que nós vamos fazer e não aceitar apenas esse lado sombrio do ser humano, né? e que muitas dessas tragédias que nós vivemos tem a ver com a nossa nossas escolhas muitas vezes eh eh fora desse caminho.
