Volume 22 - Novembro de 2017
Editores: Giovanni Torello e Walmor J. Piccinini

 

Maio de 2008 - Vol.13 - Nº 5

France - Brasil- Psy

Coordenação: Docteur Eliezer DE HOLLANDA CORDEIRO

Quem somos (qui sommes-nous?)                                  

France-Brasil-PSY é o novo espaço virtual de “psychiatry on  line”oferto aos  profissionais do setor da saúde mental de expressão  lusófona e portuguesa.Assim, os leitores poderão doravante nela encontrar traduções e artigos em francês e em português abrangendo a psiquiatria, a psicologia e a psicanálise. Sem esquecer as rubricas habituais : reuniões e colóquios, livros recentes, lista de revistas e de associações, seleção de sites.

Qui sommes- nous ?

France-Brasil-PSY est le nouvel espace virtuel de “psychiatry on line”offert aux professionnels du secteur de la santé mentale d’expression lusophone et française. Ainsi, les lecteurs pourront désormais y trouver des traductions et des articles en français et en portugais  concernant la psychiatrie, la psychologie et la psychanalyse. Sans oublier les rubriques habituelles : réunions et colloques, livres récentes, liste de revues et d’associations, sélection  de sites

SOMMAIRE (SUMÁRIO):

 

  • 1.PLANO EM PROL DOS AUTISTAS
  • 2. ARQUITETURA, ESPAÇOS E PSIQUIATRIA
  • 3. REVISTAS
  • 4. ASSOCIAÇÕES
  • 1.PLANO EM PROL DOS AUTISTAS

    Eliezer de Hollanda Cordeiro

    O Portail du Premier Ministre du Gouvernement Français de 16 de maio de 2008, no artigo ‘’Mieux connaître et prendre en charge l’autisme’’, apresenta  o plano  elaborado  pelo Ministério da Saúde em prol dos autistas. O plano comporta, como escreveu o jornal La République du Centre, os seguintes  pontos: 1)Criação de 4100 abrigos suplementares em 5 anos, dos quais 1500 para crianças 2) Atribuição de 187 milhões de euros para o projeto 3)Melhorar o diagnóstico 4) Elaborar um projeto de cuidados implicando um acompanhamento individual 4)Criar internatos e estruturas de “descompressão” para adolescentes 5)Experimentar novos métodos de tratamentos 6)Estabelecer um protocolo de acolhimento para estabelecimentos hospitalares 7)Formar profissionais de saúde, professores e auxiliares de vida para escolas 8)Aprofundar os conhecimentos científicos.

    Existiriam  entre 60.000 e 100. 000 autistas no país.

     

    QUAIS AS RAZÕES DESTE PLANO NACIONAL EM PROL DOS AUTISTAS?

    Ao meu ver, a filosofia que preside a revisão radical dos cuidados  dispensados aos autistas se resume assim: as autoridades estão convencidas de que se trata de uma doença relacionada com problemas biológicos e que as terapias psiquiátricas e psicoterápico-psicanalíticas  em voga no país não deram resultados satisfatórios. É o que dizem responsáveis das associações  de pais de autistas ao  lembrem que  os cuidados em muitos países  avançados apoiam-se  em métodos educativos, aliás até mesmo preconizados pela OMS(Organização Mundial da Saúde).  

    Entre as autoridades francesas que defendem esta filosofia, citemos Roselyne Bachelot; Ministre de la Santé e  de la Solidariété, e   Madame Valérie Letard, Secretária de Estado: elas  disseram que o  governo francês vai aplicar novas medidas correspondendo  às reivindicações das associações de pais de autistas, como por exemplo a influente Fondation Autisme, Agir e Vaincre , da qual falamos no artigo :”Pais de crianças autistas criam um banco genético’’.Roselyne Bachelot  precisou que o plano do governo “tinha a finalidade de tirar os autistas do gueto”!E Valérie Letard declarou “que a ambição do governo é de que ninguém continue a ignorar o autismo na França”.

    PRINCIPAIS REIVINDICAÇÕES DAS ASSOCIAÇÕES

    As reinvindicações  são múltiplas: os pais querem  se tornar “co-terapeutas”, exigem que os cuidados sejam dados  “ num contexto compreensível para as crianças, organizados em função de suas necessidades, de suas possibilidades de  raciocínio e que leve  em conta a patologia autística”. Algumas reivindicações são muito radicais, por exemplo quando as associações pedem a exclusão dos psiquiatras e psicanalistas dos cuidados dispensados aos autistas!  

    Como escrevemos no artigo, Interrogações sobre a psicanálise francesa , a mãe de uma  criança autista explicou numa cadeia de televisão porque decidira processar o governo: ‘’seu filho não obteve nenhuma melhora durante os quatro ou cinco anos de tratamento num Centro médico-psicológico.’’ Ela ajuntou que em lugar “de empregar métodos modernos eficazes”, as equipes terapêuticas culpabilizaram-na, julgando-a responsável pelo autismo do filho. Agora a criança está recebendo cuidados mais apropriados, segundo disse, fundados em técnicas educativas individuais e de grupo.A mãe, revoltada, explicou que o ‘’autismo resulta de disfuncionamentos cerebrais que devem ser tratados por métodos que o Ministério da saúde pública negligenciou’’!

    Na realidade,   há muito tempo que o Ministério da Saúde  e seus  peritos do INSERM (Institut National de la Santé et des Recherches Médicales )  pedem uma avaliação do valor terapêutico da psicanálise e das PIP, como escrevemos em vários artigos:”Quando as TCC desafiam a psicanálise” , “Psicoterapias, o desafio da avaliação”  e  em “Novos desafios das psicoterapias breves à psicanálise” .Notemos também que a posição do governo francês sobre as pesquisas feitas pelo INSERM mudou depois da eleição do novo Presidente da República.Durante o governo precedente( do Presidente Jacques Chirac)  o Ministro da Saúde(Douste-Blazy), declarou publicamente, diante de uma platéia de psicanalistas lacanianos, que o relatório do INSERM sobre a avaliação das psicoterapias,muito favorável às teses comportamentalistas, seria abolido. Mas o  atual governo, cuja filosofia  é baseada na culture des résultats, adota  o pragmatismo dos países anglo-saxões em todos os escalões administrativos, defendendo uma política que afirma que só os resultados contam. Num tal contexto,  as demandas das associações de pais de crianças autistas foram  acatadas pelas autoridades governamentais, donde o plano elaborado com objetivos bem precisos e dotado de todos os meios para realizá-los.

    IMPORTÂNCIA DO FILME DE SANDRINE BONNAIRE

    O jornal La République du Centre notou também a importância do filme: Ela se chama Sabine, obra da atriz e diretora Sandrine Bonnaire. Ao filmar sua irmã Sabine antes e depois da doença, e ao filmar os encontros que teve com médicos dos  tres hospitais psiquiátricos onde Sabine fora internada durante 5 anos,  a artista e diretora “contribuiu para levar ao conhecimento do público o que as associações de famílias não cessam de clamar: a falta de lugares para acolher essas pessoas e a importância dada na França aos tratamentos psiquiátricos em detrimento dos métodos educativos e comportamentais”.   A propósito deste método, o jornal mostra a foto de uma jovem autista  durante uma sessão  com uma educadora no instituto médico-educativo “Les petites victoires”, em Paris, um “estabelecimento que adota  uma pedagogia inovadora e inédita na França”. 

    REAÇÕES

    Naturalmente, as intenções do governo francês e a ofensiva das associações  não deixaram a comunidade psicanalítica indiferente. O psiquiatra e psicanalista de crianças  Roger Misès,  por exemplo, escreveu no editorial da Lettre de Psychiatrie Française(abril de 2008),  “que a decisão dos poderes públicos se situa na continuação de certas medidas relacionadas com as avaliações feitas por peritos do INSERM. E que se trata de  uma tentativa destinada a  eliminar as referências psicopatológicas de inspiração dinâmica e a codificar cada vez mais nossas atividades afim de reforçar o uso sistemático de protocolos  preestabelecidos’’.

    Roger Misès evoca também uma outra questão que resumimos assim : “Se durante um certo período, psiquiatras e psicanalistas  defenderam posições simplificadoras, como o emprego exclusivo da  psicoterapia psicanalítica para tratar autistas, a grande maioria reconhece agora  o lugar reservado às ações educativas e recorrem até aos métodos formalizados, que podem ser integrados nos enfoques multidimensionais”.

    CONCLUSÃO   

     

    O problema que divide a comunidade psiquiátrica francesa está longe de ser resolvido. Como uma porcentagem importante de psiquiatras se define antes de tudo como psicanalistas; e como uma boa parte de psiquiatras  rejeita a psicanálise, o diálogo entre as duas correntes e a busca de uma cooperação possivel entre elas ainda está longe de ocorrer.

    No artigo de Michel Alberganti :“Quando as neurociências encontram a psiquiatria”, existe uma passagem em que ele  declara que  pesquisadores franceses tentam aplicar suas descobertas  sobre o funcionamento dos mecanismos cerebrais no tratamento de doenças mentais gravíssimas, como o autismo. Ele cita o pesquisador Alain Berthoz, professor do Colégio de França, que considera “ o autismo como  uma doença poligênica complexa e não uma doença somente social, explicável por causas psicanalíticas’’. Michel Alberganti se mostra muito otimista ao escrever  que ‘’a colaboração entre neurocientistas e psiquiatras é a prova de uma mudança profunda das mentalidades’’. E ele cita como exemplo a colaboração entre  Alain Berthoz  e Jean Cottraux, este responsável da unidade de tratamento do estresse e da ansiedade no hospital neurológico de Lyon.

    Porém  Jean Cottreaux é um psiquiatra comportamentalista. Na realidade a verdadeira questão consiste  em saber se psiquiatras-psicanalistas e defensores das neurociências e das TCC aceitariam de dialogar, discutir e trabalhar juntos. E se isto  seria útil para o tratamento e o acompanhamento de autistas. Mas a questão introduz  um outro assunto, que não cabe ser abordado no presente trabalho.

     

    2.ARQUITETURA, ESPAÇOS E PSIQUIATRIA

    Eliezer de Hollanda Cordeiro

    Apresentação da Abbaye de Fontevraud

    A Wikipedia francesa, em ótimo e minucioso artigo, nos apresenta a Abadia de Fontevraud como ‘’uma  abadia real e independente de qualquer ordem(mas de inspiração beneditina), fundada em 1101 por Robert d'Arbrissel, e situada perto de  Saumur, em Anjou, (hoje Maine-et-Loire), não longe  da confluência  dos rios Loire e Vienne. A grande particularidade da abadia foi de acolher homens e mulheres em conventos separados, e de ter sido dirigida desde a sua fundação,  exclusivemente por abadessas, segundo a regra editada pelo seu fundador.”

    Há mais de duas décadas que  "Les Journées de Psychiatrie de Fontevraud" recoltam os frutos da colaboração entre diversos serviços de psiquiatria  da região angevina, como o CESAME (Établissement Privé D’Enseignement Supérieur)  e o CHU, e beneficia do trabalho permanente dos colegas psiquiatras de  Angers. Nesta cidade existem outros lugares e espaços relacionados com a psiquiatria, atestando  a intensa e prestigosa atividade teórica, clínica, de pesquisa e de ensino que reina na mesma. Não esqueçamos também o  centro de informação e apresentação do  "Pôle d’activités  universitaire"( CHU d’Angers-Centre de Santé Mentale Angevin de Ste Gemmes/Loire), ou o espaço de publicação  de trabalhos científicos  onde se pode encontrar links de sites de qualidade.

    Leio no Journal des psychologues o argumento da Jornada de psiquiatria da L’abbaye de Fontevraud: “Ser psiquiatra e arquiteto, começo de uma longa história,  em primeiro lugar em torno do asilo, de suas formas,  de suas metáforas(...) O asilo do século XIX não constitue um aparelho ou um fragmento da cura, mas a cura em sua totalidade.Quais são os denominadores comuns de todos esses estabelecimentos que edificaram-se a partir da promulgação da lei do 30 de Junho de 1938 ? Existiria uma arquitetura preventiva, por exemplo antidepressiva ?E, ao contrário, o que é um espaço patogênico, suicidiogênico, aditogênico ou fobogênico ? O que nos ensinam  as projeções dos psicóticos sobre uma possivel homologia entre o corpo humano e a construção  arquitetural, quando uma fortíssima  relação delirante  liga, de maneira íntima, a sorte do psicótico ao do espaço que o cerca’’ ?

    Segue a lista das conferências feitas  nas Jornadas: ‘’Arquiteturas, Espaços e Psiquiatria’’:

    -Jean-Charles PASCAL     Théorie du soin en psychiatrie et architecture

    - Jeannine NIOGRET   Les lieux d’enfermement et de soins en Anjou  Petite histoire de l’Asile de Sainte Gemmes sur Loire

    - Bruno VERRECCHIA Du Bâtir au Soin De la généalogie d'un projet architectural en  pédopsychiatrie

    - Jean-Paul ROBERT Demeurer

    - Marc PERELMAN La transparence en architecture Porosité des limites et requalification de l’intériorité et de l’extériorité

    - Henri-Pierre JEUDY Exposer le patrimoine de la folie

    Entre os temas debatidos nas jornadas anuais de psiquiatria da Abadie de Fontevraud, iniciadaas em1989, citemos os seguintes:

     1989                     La faute

    1990                    La causalité de la maladie mentale

    1991                   La violence

    1992                   ‘’Qu’attendent de nous les médecins ?’’

    1993                    Pourquoi de nouvelles cliniques ?

    1994                   Être une femme

    1995                  Autour de l’enfance

    1996                   Le social et la psychanalyse

    1997                  ‘’Quelle formation pour quelle psychiatrie ?

    1998                  Les pratiques du diagnostic

    1999                  L’enfant fin de siècle – défi clinique et politique

    2000                  Le secret et la transparence

    2001                  La prescription – entre science et croyances

    2002              Enfermements – Entre contrainte et liberté

    2003            “La beauté:remède, maladie ou verité”

    2005 :          « Sur le chemin : voyage thérapeutique, voyage pathologique »

    2008            Próximo congresso, em Junho 2008 : « Déviances, du difforme au mostrueux 

     

    3. REVISTAS

    * L’Évolution pychiatrique,

    *L’Information Psychiatrique

    *Impacte medecine

    *La revue française de psychiatrie et de psychologie medicale *L’encephale

    *Neuropsy

    *Psychiatrie française

     

    *Evolution psychiatrique

     

    4. ASSOCIAÇÕES

     

    *Mission Nationale d’Appui en Santé Mentale

    *Association française pour l’approche integrative et eclectique en psychotherapie (afiep)

    *Association française de psychiatrie et psychologie legales (afpp)

    *Association française de musicotherapie (afm)

    *Association art et therapie

    *Association française de therapie comportementale et cognitive (aftcc)

    *Association francophone de formation et de recherche en therapie comportementale et Cognitive (afforthecc)

    *Association de langue française pour l’etude du stress et du trauma (alfest)

    *Association de formation et de recherche des cellules d’urgence medico-psychologique (aforcump)

    *Association nationale des hospitaliers pharmaciens et psychiatres (anhpp)

    *Association scientifique des psychiatres de secteur (asps)

    *Association pour la fondation Henri Ey

    *Association internationale d’ethno-psychanalyse (aiep)

    *Collectif de recherche analytique (cora)

    *Ecole parisienne de gestalt

    *Ecole française de sexologie

    *Ecole de la cause freudienne

    *Groupement d’études et de prevention du suicide (geps)

    *Groupe de recherches sur l’autisme et le polyhandicap (grap)

    *Groupe de recherches pour l’application des concepts psychanalytiques a la psychose (grapp)

    *Société française de gérontologie

    *Société française de thérapie familiale (sftf)

    *Société française de recherche sur le sommeil (sfrs)

    *Société française de relaxation psychotherapique (sfrp)

    *Fédération française d’adictologie

    *Société ericksonienne

    *Société de psychologie medicale et de psychiatrie de liaison de langue française

    *Société médicale Balint

    *Union nationale des amis et familles de malades mentaux (unafam)

    *Association Psychanalytique de France (apf)

    *Société Psychanalytique de Paris (spp)

     

     

    *Coordination (coordenador): Eliezer de HOLLANDA CORDEIRO

    [email protected]

     

     

     

     

     

     

     

     


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