Volume 22 - Novembro de 2017
Editores: Giovanni Torello e Walmor J. Piccinini

 

Fevereiro de 2008 - Vol.13 - Nº 2

France - Brasil- Psy

Coordenação: Docteur Eliezer DE HOLLANDA CORDEIRO

Quem somos (qui sommes-nous?)                                  

France-Brasil-PSY é o novo espaço virtual de “psychiatry on  line”oferto aos  profissionais do setor da saúde mental de expressão  lusófona e portuguesa.Assim, os leitores poderão doravante nela encontrar traduções e artigos em francês e em português abrangendo a psiquiatria, a psicologia e a psicanálise. Sem esquecer as rubricas habituais : reuniões e colóquios, livros recentes, lista de revistas e de associações, seleção de sites.

Qui sommes- nous ?

France-Brasil-PSY est le nouvel espace virtuel de “psychiatry on line”offert aux professionnels du secteur de la santé mentale d’expression lusophone et française. Ainsi, les lecteurs pourront désormais y trouver des traductions et des articles en français et en portugais  concernant la psychiatrie, la psychologie et la psychanalyse. Sans oublier les rubriques habituelles : réunions et colloques, livres récentes, liste de revues et d’associations, sélection  de sites

SOMMAIRE (SUMÁRIO):

 

  • 1. ELA SE CHAMA SABINE
  • 2. A PSIQUIATRIA PUBLICA ESQUECIDA
  • 3. DEFESA DA PSIQUIATRIA
  • 4. REVISTAS
  • 5. ASSOCIAÇÕES
  • 1. ELA SE CHAMA SABINE

    Laurent Joffrin, Philippe Azoury e Eric Favereau

    Jornal Libération

    QUOTIDIEN : mardi 29 janvier 2008

    Resumo e tradução : Eliezer de Hollanda Cordeiro

     

    Por ocasião da estréia de seu documentário, «Ela se chama Sabine», a atriz  Sandrine Bonnaire aceitou um convite feito por Laurent Joffrin, redator-chefe  do  jornal Libération,  para retornar aos dois hospitais psiquiátricos onde a sua irmã havia sido internada durante 5 anos. Aceitou  o convite mas precisou : ‘’Não quero que isto seja um requisitório contra a  psiquiatria. Não tenho nada contra os hospitais. Mas quando vemos como Sabine voltou’’ ...

    Philippe Azoury, crítico cinematográfico, fala do documentário que ‘’mostra  Sabine bavando, dormindo, esmurrando,  repetindo 100 vezes a mesma  questão.E  de sua  surpresa ao perceber o quanto Sabine era bela,  bela como a sua irmã, com quem parecia muito.Sandrine evoca a infância de Sabine, em sequências em que ‘’se morde os punhos, se arranha o rosto, se despe no pátio de recreio, quando rejeitada pelas outras crianças da escola. Deixou de frequentar a escola aos  12 anos , mas sabia tocar piano em casa, tinha dons,  tocava  Bach e Schubert’’. 

    ‘’Alguns anos depois,  os  irmãos e irmãs foram  viver suas vidas de adultos.Mas Sabine ficou. Antes de ser hospitalizada, sua situação havia piorado, seu irmão morrera… As irmãs visitavam-na a cada semana, na casa da mãe onde continuava a viver. Um dia, conta Corinne a irmã mais velha, ficamos muito inquietas porque Sabine batia  na nossa mãe. Então Sandrine levou-a para a sua própria casa, mas a situação não melhorou. Foi assim que decidimos levá-la a Villejuif’’.

     Laurent Joffrin questiona :  ‘’que  nos diz o documentário, sem espírito de sistema nem de demonstração? O julgamento é severo : nosso país, levado por um necessidade  mundial de eficiência, não sabe mais o que  fazer de suas  margens.Uma sociedade, disse Tocqueville, se julga pelo estado de suas prisões. Se julga também pela situação de seus hospitais psiquiátricos. Sabine, mulher diferente, trancada dentro de si por um mal enigmático, passou  cinco anos a se tratar.Ela saiu destruida pela metade.  E sua irmã,  Sandrine, ignora o que se passou.’’

    PRIMEIRA HOSPITALIZAÇÃO.

     

    ’L’hôpital  Paul-Guiraud à Villejuif é um mundo a parte, um grande estabelecimento construido, como tantos outros, no fim do Século XIX, para internar doentes de  Paris e de sua região. Cada serviço corresponde a um setor geográfico,  o de Sabine é o setor 15.’’

     

    ‘’Sandrine e as irmãs foram recebidas por  dois médicos que se referiram ao dossiê de Sabine. As irmãs querem  saber porque Sabine  foi trancada e amarrada, porque colocaram-na numa  UMD (Unidade para doentes difíceis),  se isto não teria agravado a agressividade da irmã, porque lhe deram  doses de medicamentos tão fortes, se  o caso dela era mesmo tão dificil…  E como explicar que o comportamento de Sabine tivesse  melhorado, ao ponto que  lhe fosse posivel viver atualmente  com outros pacientes numa  casa de vida, solta, tomando apenas pequenas doses de medicamentos ? ‘’

     

    ‘’Os médicos disseram que  Sabine chegou ao hospital Paul-Guiraud em  faze aguda, que seu comportamento era violento, que se automutilava, que um  dia deu uma tapa num enfermeiro…Embora isto  não fosse um ato grave, foi uma  tapa sem razão, inquietante pelo seu caráter imotivado.  E acrescentaram que as vezes era necessário controlar o comportamento de um paciente, que  todos os dias  recebiam pacientes como  Sabine,  que tudo isso  fazia parte do trabalho quotidiano.  E perguntaram: Será que  ela não teria ficado tempo demais aqui ? Nosso problema é de encontrar lugares de vida  alternativos. Na época não tínhamos’’.

     

    NA UNIDADE PARA DOENTES DIFICEIS

     

    ‘’Existem na França cinco unidades deste tipo. Nelas são hospitalizados doentes chamados  perturbadores, mas também pacientes considerados como perigosos. Sabine foi encerrada durante cinco meses na UMD. Uma prisão, retorca Sandrine ao rever o prédio.É estranho, traçam-nos o retrato  de uma  Sabine violenta, perigosa. Como se tivesse sido  instalada pouco a pouco num papel diferente, mais violento, mais grave’’.

     

    ‘’NÃO E CÓLERA, É TRISTEZA’’

     

    Sandrine Bonnaire : ‘’Fui discutir com a Dr B, após lhe ter enviado um DVD do filme. Disse-me que não tinha a impressão de ter mal feito o seu trabalho. E que, se fosse o caso, a equipe inteira  tinha se enganado.’’

     

    ‘’No carro que se dirigia à clínica,  Sandrine, Jocelyne e Lydie embora estivessem transtornadas,  não deixaram  transparecer qualquer emoção. Era a primeira vez que voltavam aos Murets. Durante o trajeto, a tensão aumentou pouco a pouco, começaram a evocar  lembranças e riam com tudo isso. Lydie,  abafando a sua ira : no dia do aniversário de Sabine,  fui  levar-lhe um bolo. Disseram-me que as visitas da família eram proibidas.Sabine estava perto de mim. Fiz como se quizesse ir ao seu encontro. Dois enfermeiros levaram-me para fora da clínica.’’

     

    -‘’A atriz teria aprendido alguma coisa por ocasião deste retorno ? Teria sido afetada por certos argumentos ?’’

     

    - ‘’O que sinto não é cólera, é tristeza. As respostas que deram não nos ensinaram nada. E isto foi o mais terrível’’

     

    SEGUNDA HOSPITALIZAÇÃO

     

    ‘’O hospital dos Murets na Queue-en-Brie(…) Um prédio fechado, cercado de grades, no meio de um parque. Os médicos aceitam encontrar as irmãs de Sabine, porém sem a presença dos  jornalistas. O chefe de serviço mostrou-se aberto : Crêiam-me, não poderíamos ter feito melhor. Sabine precisava ser hospitalizada, até mesmo trancada. Foi uma medida terapêutica. Ao chegar aqui, fiquei surpreso com a violência que manifestava para consigo e para com os outros :batia, injuriava, cuspia no rosto das pessoas. Isto não podia ser tolerado,  sobretudo porque ao lado dela havia  pessoas que iam muito mal.  Vossa irmã sofre de uma doença extremamente grave. Uma psicose infantil com distúrbios do comportamento. É muito difícil, carecemos muitíssimo de recursos.’’

     

    ‘’Um severo tratamento foi decidido, manifestadamente mais destinado a  tranquilizar o serviço do que para o bem estar de Sabine. O médico explica-nos : O  problema de Sabine, é que os neurolépticos  não atuam muito bem nela. Donde a idéia de uma janela terpêutica. A equipe médica suspendeu todos os medicamentos para que o organismo de Sabine se reconstruisse. Mas havia um risco em termos de comportamento e foi a busca desta janela terapêutica que levou Sabine  a ficar na UMD de Villejuif’’.

     

    ‘’Um lugar carceral, trancada  o dia inteiro, sem nenhuma permissão para sair’’, ajunta o jornalista.

     

    Sandrine pergunta  ao psiquiatra ‘’se puderam trabalhar com a irmã’’ :

    - ‘’Somente quando ficava mais calma com os outros, mas na medida de nossas possiblidades. O hospital psiquiátrico é o lugar de todas as misérias.Temos somente  tres enfermeiros permanentes  para  25 doentes. Fazemos o que podemos com os meios que temos’’.

     

    - ‘’O Senhor reconhece que os tratamentos decorrem às vezes da falta de meios?’’.

    - ‘’Apezar de tudo, os medicamentos constituem  um progresso.Antes, um doente podia gritar o dia inteiro até perder a voz’’.

     

    -As irmãs : Mas ‘’Sabine era alguém que exprimia suas angústias.Era capaz de trocas, de contacto, sabia tocar músicas de Schubert, dezenhava. Perdeu completamente a memória, não sabia mais como se vestir. Como explicar isto ?’’

     

    - ‘’O que tento lhe dizer é que ela descompensou várias vezes. Foi isto  que a levou ao hospital.Pode crer, o hospital não é a causa da doença dela.’’

     

    ‘’Sabine deixou  os Murets em outono de 2000. Novo combate : após muitas dificuldades, as  irmãs encontraram um outro lugar, mas a Dra. L. opunha-se à saida de Sabine. Dizia-nos que devia continuar hospitalizada , que não devia ir para Charente porque este serviço não era suficientemente medicalizado, conta Sandrine. Finalmente, em   29 de dezembro,  Sabine foi para um  lugar de vida perto de Angoulême’’.

     

     

    2.A PSIQUIATRIA PÚBLICA ESQUECIDA

    Eric Favereau

    QUOTIDIEN : mardi 29 janvier 2008

     

    ‘’A psiquiatria pública vai mal. Piorou de vinte nos para cá  e os poderes públicos parecem indiferentes. Suprimem-se leitos sem cessar : existiam 80. 000  em 1989, hoje somente 40.000, enquanto o número de pacientes atendidos  em psiquiatria foi multiplicado por dois durante o mesmo período’’.

     

    ‘’Sinal evidente de tensão : o número de hospitalizações contra a vontade do paciente aumentou nos últimos vinte anos e representam hoje  um terço dos pacientes hospitalizados. Houve mesmo um plano de saúde mental, lançado em 2005 por Philippe Douste-Blazy, na época  ministro da Saúde. Feito às pressas,  após o duplo assassinato no hospital psiquiatrico de Pau,  o plano jamais foi aplicado. Das dez medidas previstas, só uma foi aplicada. E a maior parte das   medidas aplicadas eram relacionadas às questões de segurança, aos  quartos de isolamento, às questões de vigilância pela  video. Tais problemas  são importantes, porém marginais qundo se deve cuidar dos doentes mentais graves’’.  

     

    ‘’Em dezembro, o  Comité nacional de ética apresentou um relatório sobre as insuficiências  do acompanhampento dos autistas na França. Seu presidente, o professor  Didier Sicard quebrou o silêncio e evocou ‘’a vergonha frances’’, acrescentando   que ‘’os limites dos maus tratos foram alcançado’’. Segundo  o Comité consultativo francês de ética que dirige,  ‘’a falta de estruturas destinadas a autistas na França acarretou o exílio definitivo para a  Bélgica de cerca de 3.500 crianças e  adultos sofrendo de síndromes autistas ou de deficiências  mentais’’. Notemos a constatação: ‘’Na  França, isolamos os mais vulneráveis, enquanto na Suécia toma-se  decisões visando  inseri-los no centro da cidade, em  pequenas estruturas,  com acompanhantes’’.

     

    ‘’Mesmo assim,  não seria verdade dizer que não se faz nada na França. Setores de psiquiatria, como a clínica de La Borde por exemplo,  esforçam-se  muitas vezes sozinhos e resistem em nome de  uma psiquiatria diferente. Existem também estruturas associativas ( Ver nosso artigo : Apresentação dos CMPP ),  outras  estão sendo  criadas, desenvolvolvem-se lugares de vida,como em Charente,  onde se encontra Sabine.Convém salientar o papel importante desempenhado pelas associações de doentes mentais’’.

     

    ‘’Mas pouco importa, neste  enorme navio desarvorado, a idústria farmacêutica é a única que dispõe dos meios necessários, ela impõe a sua lei, as vezes com razão :muitas moléculas conseguiram abrandar a vida dos doentes.Mas seria de bom auspício o fato de que nunca se consumiu tantos medicamentos na França, notadamente antepsicóticos ?’’    

     

    ‘’Se a singular história de Sabine mostrasse uma psiquiatria pública declinando dia a dia ? Félix Guattari, célebre filósofo-psicanalista, declarou a Libération há 16 anos : ‘’Com pacientes que sofrem dores insuportávies, creio que, antes de tudo, devemos ser… atenciosos.’’

    3.DEFESA DA PSIQUIATRIA

    Eliezer de Hollanda Cordeiro

    A reportagem sobre o documentário ‘’Ela se chama Sabine’’, bem como as reações dos familiares da paciente, mostram-nos a complexidade do problema evocado. De fato, o autismo, como várias doenças psíquicas, tendem a isolar as pessoas, afetiva e socialmente.

    Mas o problema não é a psiquiatria : não se pode dizer que ela  seja pelo isolamento e pela exclusão dos doentes !Desde Pinel que a psiquiatria começou um lento processo de transformação dos cuidados, estes tendo sido acelerados pelos progressos dos métodos psicoterápicos e das pesquisas farmacológicas. Foi uma grande vitória contra a exclusão social de inúmeros pacientes, cujas vidas mudaram completamente. A partir daí, os asilos começaram a se esvaziar.

    Contudo, subsistem  práticas de isolamento terapêutico, como no caso de  Sabine. O isolamento pode ser inevitável em certas patologias agudas, pode resultar também da falta de recursos, como disse um dos psiquiatras às irmãs de Sabine  e como salientaram os jornalistas.Mas, ao meu ver é a formação de muitos  que é capenga, insuficiente!No caso de Sabine, nenhum psiquiatra me parece haver feito uma trabalho psicoterápico pessoal que lhe permitisse encontrar a família da paciente.E escutar  o que as irmãs e a mãe de Sabine tinham a dizer, juntas ou individualmente. Não devemos estranhar, nessas condições,  que tivessem se sentido também excluidas, isoladas, sem poder exprimir  os inevitáveis  sofrimentos que nunca  faltam em tais situações. Não, os hospitais públicos franceses dispõem de equipamentos, de recursos e de conforto para praticar uma psiquiatria que não seja exclusivamente medicamentosa.

    Por último, traduzi  um trecho da reação  do colega psiquiatra Serge Hefez, que me pareceu interessante publicar no presente trabalho. 

    Opinião de Serge Hefez :

    ‘’Os psiquiatras, este insondável  rebanho de  desenlameadores de abismo, como escreveu  Antonin Artaud, não são decididamente bem vistos  pela imprensa. Então, cábe-nos tornar mais conhecida a realidade de nossas ações, a quantidade  de iniciativas que tomamos,  mesmo  minúsculas, buscando  inserir os doentes mentais na trama da vida social e recusando excluí-los nos universos fechados dos asilos de alienados. As vezes até correndo riscos de sermos  invectivados  quando doentes perigosos cometem um crime irreparável, como ocorreu há algum tempo na cidade de Pau …(Ver nosso artigo: ‘’Observações sobre a psiquiatria francesa’’).

    ‘’E, mesmo se estou perfeitamente consciente da existência de ovelhas negras, de especialistas gananciosos e desprovidos de ética, defenderei ainda aqui a dedicação das centenas de equipes que trabalham todos os dias  no terreno,o mais perto possivel do sofrimento psíquico’’.

    4.REVISTAS

    *L’Information psychiatrique

    *Impacte medecine

    *La revue française de psychiatrie et de psychologie medicale 

    *L’encephale

     

    *Neuropsy

     

    *Nervure

     

    *Psychiatrie française

     

    *Evolution psychiatrique

     

    5. ASSOCIAÇÕES

     

    *Mission Nationale d’Appui en Santé Mentale

    *Association française pour l’approche integrative et eclectique en psychotherapie (afiep)

    *Association française de psychiatrie et psychologie legales (afpp)

    *Association française de musicotherapie (afm)

    *Association art et therapie

    *Association française de therapie comportementale et cognitive (aftcc)

    *Association francophone de formation et de recherche en therapie comportementale et Cognitive (afforthecc)

    *Association de langue française pour l’etude du stress et du trauma (alfest)

    *Association de formation et de recherche des cellules d’urgence medico-psychologique (aforcump)

    *Association nationale des hospitaliers pharmaciens et psychiatres (anhpp)

    *Association scientifique des psychiatres de secteur (asps)

    *Association pour la fondation Henri Ey

    *Association internationale d’ethno-psychanalyse (aiep)

    *Collectif de recherche analytique (cora)

    *Ecole parisienne de gestalt

    *Ecole française de sexologie

    *Ecole de la cause freudienne

    *Groupement d’études et de prevention du suicide (geps)

    *Groupe de recherches sur l’autisme et le polyhandicap (grap)

    *Groupe de recherches pour l’application des concepts psychanalytiques a la psychose (grapp)

    *Société française de gérontologie

    *Société française de thérapie familiale (sftf)

    *Société française de recherche sur le sommeil (sfrs)

    *Société française de relaxation psychotherapique (sfrp)

    *Fédération française d’adictologie

    *Société ericksonienne

    *Société de psychologie medicale et de psychiatrie de liaison de langue française

    *Société médicale Balint

    *Union nationale des amis et familles de malades mentaux (unafam)

    *Association Psychanalytique de France (apf)

    *Société Psychanalytique de Paris (spp)

     

     

    *Coordination (coordenador): Eliezer de HOLLANDA CORDEIRO

    [email protected]

     


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