Novembro de 2026 – Vol. 32 – Nº 11
Sérgio Telles
- Artigo critica o atual estado da Associação Americana de Psicologia (APA), que teria se transformado num foco de militância política radical, afastando-se de seus objetivos científicos e terapêuticos ao privilegiar questões de gênero, classe e raça, além de exibir um franco antissemitismo. Diz o autor: “A terapia descolonial afirma indevidamente que aspectos específicos da identidade judaica estão associados a inúmeros males sociais, como supremacia branca, fascismo e imperialismo. Em resumo, a identidade judaica é patologizada na terapia descolonial”.
The APA: Antisemitism, ‘Decolonial Therapy’ and ‘Queer and Crip Theorizations’ – Daily Citizen
- Recentemente foi entregue ao público, completamente restaurada, a casa onde Freud nasceu, em Pribor, na Morávia.
House of Dreams: A journey into Freud’s childhood in his hometown of Příbor
- Entrevista com Marcio Garrit, que fala sobre seu livro “Ilusão coletiva: Psicanálise, Massas Digitais e Ciberpopulismo”. Garrit enfatiza a importância das redes sociais, que dão uma nova dimensão ao clássico freudiano “Psicologia das massas e a análise do ego”.
Ilusão coletiva: como as redes digitais estão transformando a política e a sociedade
- Denso artigo de psicanalista lacaniano da Appoa sobre a transmissão da psicanálise, nesse momento em que preocupações com a democratização de sua prática e a divulgação de seu saber anunciada nas redes sociais podem transformá-la em objeto de consumo, dentro da mercantilização generalizada.
Paradoxos da transmissão em psicanálise: entre a ética e a submissão aos imperativos do …
- O artigo apresenta uma análise que aproxima a psicanálise de uma das teorias mais influentes da neurociência atual: o “paradigma preditivo do cérebro”. Segundo essa teoria moderna, o cérebro funciona como uma “máquina de previsões”, antecipando constantemente o que acontecerá e comparando essas expectativas com as informações que recebe dos sentidos. Os pesquisadores da Universidade de Oslo argumentam que essa ideia tem semelhanças surpreendentes com conceitos desenvolvidos pela psicanálise há mais de 130 anos. Um dos pontos centrais da comparação é o conceito de “projeção”. Os autores sugerem que, quando atribuímos intenções, emoções ou características a outras pessoas, nossa percepção pode estar sendo moldada por expectativas construídas a partir de experiências anteriores. Isso se aproxima da ideia sustentada pela neurociência de que o cérebro interpreta a realidade com base em modelos preditivos já estabelecidos. O estudo também propõe uma explicação para a persistência de padrões psicológicos negativos. Crenças duradouras, como esperar rejeição, crítica ou ameaça, podem funcionar como modelos de previsão rígidos que reduzem a incerteza, mesmo quando distorcem a percepção da realidade. Isso pode ajudar a entender por que transtornos como ansiedade, paranoia e autocrítica excessiva são tão difíceis de modificar. O artigo não afirma que Freud estava totalmente certo, mas sugere que algumas de suas intuições sobre o funcionamento da mente podem estar encontrando respaldo em modelos contemporâneos da neurociência. A integração entre psicanálise e neurociência poderia oferecer uma compreensão mais completa da mente humana e dos transtornos mentais.
Modern neuroscience is rediscovering a surprising idea freud had 130 years ago
