Volume 22 - Novembro de 2017
Editor: Giovanni Torello

 

Setembro de 2010 - Vol.15 - Nº 9

France - Brasil- Psy

Coordenação: Docteur Eliezer DE HOLLANDA CORDEIRO

Quem somos (qui sommes-nous?)                                  

France-Brasil-PSY é o novo espaço virtual de “psychiatry on  line”oferto aos  profissionais do setor da saúde mental de expressão  lusófona e portuguesa.Assim, os leitores poderão doravante nela encontrar traduções e artigos em francês e em português abrangendo a psiquiatria, a psicologia e a psicanálise. Sem esquecer as rubricas habituais : reuniões e colóquios, livros recentes, lista de revistas e de associações, seleção de sites.

Qui sommes- nous ?

France-Brasil-PSY est le nouvel espace virtuel de “psychiatry on line”offert aux professionnels du secteur de la santé mentale d’expression lusophone et française. Ainsi, les lecteurs pourront désormais y trouver des traductions et des articles en français et en portugais  concernant la psychiatrie, la psychologie et la psychanalyse. Sans oublier les rubriques habituelles : réunions et colloques, livres récentes, liste de revues et d’associations, sélection  de sites

SOMMAIRE (SUMÁRIO):

 

  • 1. PALAVRAS E EXPRESSÕES PSICOLÓGICAS NA LINGUAGEM FRANCESA CONTEMPORÂNEA (Segunda parte)
  • 2. DOCUMENTÁRIO ‘’LA FOLIE’’ (A LOUCURA)
  • 3. NOITE ESPECIAL SOBRE A DOENÇA DE ALZHEIMER
  • 4. REUNIÕES E COLÓQUIOS
  • 5. ASSOCIAÇÕES
  • 1.PALAVRAS  E EXPRESSÕES  PSICOLÓGICAS  NA LINGUAGEM FRANCESA CONTEMPORÂNEA (Segunda parte)

    Eliezer de Hollanda Cordeiro

    Na coluna de France-Brasil-Psy de agosto, chamamos a atenção  sobre o emprego cada vez mais  amplo, na línguagem francesa falada e escrita, de  palavras  próprias  ao vocabulário da psiquiatria.  Salientemos  ainda a importância do papel da mídia na propagação deste fenômeno.

    De fato,hoje em dia, todo acontecimento dramático na França provoca a rápida intervenção das Cellules d’urgence médico- psychologique . ‘’ dispositivos  de atendimento psicológico precoce dos feridos psíquicos(sic), nas  situações de urgência coletiva  : acidentes, catástrofes, atentados(...)’’. Tais intervenções  fazem parte das missões do Samu e da  médecine de urgência.

    Quando as mídias falam de uma situação de urgência,  elas empregam o refrão: ‘’uma célula de urgência médico-psicológica foi enviada ao local do acidente  para ajudar   as vítimas a fazer  o travail de deuil (o  trabalho de luto), expressão criada por Freud em seu célébre livro, ‘’Luto e melancolia’’, escrito em 1915.

    O emprego da expressão  traumatismo psíquico ou psicológico tornou-se trivial, como no exemplo tantas vezes entendido : ‘’as medidas tomadas pelo prefeito causaram um grande traumatisme psychique   na população da cidade’’.

    Encontrei outra expressão criada por  Sigmund Freud num artigo feito por um jornalista politico:  ‘’Desta vez, o Presidente não pode se refugiar no  déni de la réalité (…) e recusar  a derrota eleitoral que acaba de sofrer’’. Lembremos  que esta expressão se refere ao mecanismo de defesa pelo qual o sujeito  recusa a realidade de uma  percepção traumatisante,  suposta causa de patologias como  o fetichismo e as psicoses

    Mais surpreendente ainda foi o título  de um  artigo publicado no jornal  Le Monde : ‘’Le PS et les retraites ou le retour du refoulé’(O Partido Socialista e as aposentadorias ou o retorno  do recalcado).  Retour du refoulé é  também   uma expressão  freudiana , significando que os  elementos recalcados (refoulés) nunca são completamente aniquilados, que eles conseguem voltar,  de maneira disfarçada, com a aparência de um compromisso’’(Conforme Laplanche e Pontalis, no ‘’Vocabulaire de la Pscychanalyse’’)  .  O jornalista empregou a expressão  afim  de criticar  o Partido Socialista,  ‘’que   está procurando evitar o debate político sobre a dificil questão da aposentadoria’’, sem entretanto poder evitar que o assunto volte   a tona na medida em que  o desemprego continua sendo a primeira preocupação dos franceses.

    Outro termo ‘’à la mode’’ é   o  ego, atualmente evocado  em muitas circunstâncias, como no título de uma entrevista dada pelo cientista político, Gilles Finchelstein: ‘’Egaux contre la folie des ego’’( Iguais contra a loucura dos ego). Nesta curta frase, podemos notar o procedimento linguístico consistindo em citar duas palavras homofônicas, (égaux e ego),  ‘’diversas no significado e na grafia, mas que se pronunciam de modo idêntico’’(Houaiss). O objetivo  é o de denunciar  a política espetáculo, aquela em que o político coloca-se em evidência, expõe sua vida privada, se preocupa mais pela sua  carreira e bem estar do que   pelo interesse público ou  a sorte  dos eleitores. Num sentido idêntico,o deputado federal François Bayrou inventou o termo egocratie(egocracia), ( fusão de ego+démocratie) para designar o estilo egocêntrico que, segundo ele, constitui  a maneira de governar do atual presidente. 

    Ainda nesta mesmo sentido, notemos a a a frase do jornalista  Maurice Szafran:  ‘’ Estou convencido de que a  natureza, as reflexões, o ego e o super-ego de Fulano de Tal, não são nem de perto nem de longe, xenófobos e racistas’’.

    Quando leio no cabeçalho da capa  de uma revista francesa: ‘’Un mois  de délire  au plus haut échelon de la République’’ (Um mês de delírio na mais alta hierarquia da República),  percebo a violência do discurso jornalístico e deduzo que  o termo delírio foi empregado para suscitar dúvidas sobre a saúde mental dos componentes  da dita hierarquia, cujos distúrbios podem até levá-los a delirar.

    É evidente que esta permeabilidade  da língua francesa pode ser observada em  quase todas as línguas, que mudam, se transformam, se enriquecem em função de suas inter-relações  culturais e  sociais. Resta a questão: será que estes conceitos, assim vulgarizados, conservam suas significações originais ou são apenas aparências, invólucros sem conteúdo? Se retomarmos por  exemplo a frase citada mais  mais acima: ‘’uma equipe  médico-psicológica foi enviada afim de ajudar  as vítimas a fazerem o trabalho de luto’’, veremos que isto não tem nada a ver com  o sentido profundo do conceito inventado por Freud.

    Assim empregada pelas mídias, esta frase torna-se um puro sofisma,  muito longe da verdade, como tentaremos de mostrar na próxima edição da Polbr.

    2. DOCUMENTÁRIO  ‘’LA FOLIE’’(A LOUCURA)

    Trazução e resumo: Eliezer de Hollanda Cordeiro

    Documentário de Serge Moati , France 5

    Artigo de Marie CAILLETET, Télérama (Site consultado em 21/09/2010)

    ‘’La Folie’’ é um documentário de 65 minutos sobre doentes do hospital psiquiátrico Saint’Anne, em Paris.O documentário oferece novamente a Moati, a ocasião de mostrar sua capacidade a se interrogar, se implicar, questionar   medos e preconceitos.O que ele aborda  nesta nova produção, diz respeito não somente ao imáginário coletivo do asilo, aos gritos e  rostos transtornados, mas também aos nossos pavores singulares.

    Onde se situa a fronteira entre loucura e normalidade? De que maneira cai-se no inaceitável?

    Explicações sorridentes dos psiquiatras do estabelecimento, longas e intensas entrevistas com pacientes,presença  do realizador numa sessão de terapia ocupacional...Moati, busca o  instante em que a razão vai soçobrar, os motivos que tornaram  uma vida sem sabor, os sofrimentos que os doentes inflingem-se, e a  ‘’maneira de afastar-se da rotina, de suprimir o trivial’’, segundo a bela expressão do psiquiatra Boris Cyrulnik.  Um reflexão sobre o outro lado de um espelho titubeante.

    3. NOITE  ESPECIAL SOBRE A DOENÇA DE ALZHEIMER

    Tradução: Eliezer de Hollanda Cordeiro

    Sophie Lherm, revista Télérama, n° 3161, 15/09/2010

    Na França, cerca de de 865 000 pessoas sofrem da doença de Alzheimer ou de outras doenças próximas. Por ocasião da Journée mondiale contre la maladie d’Alzheimer (Jornada Mundial contra a doença de Alzheimer),   uma longa emissão de televisão forneceu muitas  informações sobre a moléstia.

    Coube  aos jornalistas  Michel Cymes e Marina Carrère d’Encausse , a tarefa de dirigir esta noitada especial, baseada em várias reportagens,  salientando as dificuldades características  deste mal.

    O documentário principal-muito impressionante-relata, detalhadamente, o acompanhamento cotidiano, a maneira de viver dessas pessoas.  Camille, não aceita  sua degenerescência.Fabienne, muito jovem, combate a doença  com coragem. Marcelle, por sua vez, esqueceu até mesmo sua própria doença.

    Outros assuntos, tratados em sequências mais curtas, dão-nos uma visão mais extensa do problema, mostrando  um centro EHPAD (um estabelecimento que acolhe pessoas idosas dependentes), um centro modelo na Bretanha, assim como uma reportagem sobre os avanços das pesquisas neste domínio.

    Emissão de televisão difundida ao vivo, ela privilegiou a interação com os telespectadores,  graças a presença de especialistas no estúdio, ao lado dos jornalistas apresentadores.

    As questões debatidas, abrangeram  os problemas concretos encontrados pelos pacientes e suas familias, confrontados à doença. Um assunto grave, que o humor de Michel Cimes permitiu  abordar  sem angústia excessiva.

    4.REUNIÕES E COLÓQUIOS

    *L’ÉVOLUTION PYCHIATRIQUE

    *L’INFORMATION PSYCHIATRIQUE

    *IMPACTE MEDECINE

    *LA REVUE FRANÇAISE DE PSYCHIATRIE ET DE PSYCHOLOGIE MÉDICALE 

    *L’ENCÉPHALE

    *PSYCHIATRIE FRANÇAISE

    *L’AUTRE, CULTURE ET SOCIÉTÉS

    5. ASSOCIAÇÕES

    *MISSION NATIONALE D’APPUI EN SANTÉ MENTALE

    *ASSOCIATION FRANÇAISE DE PSYCHIATRIE ET PSYCHOLOGIE LEGALES (AFPP)

    *ASSOCIATION FRANÇAISE DE MUSICOTHERAPIE (afm)

    *ASSOCIATION ART ET THERAPIE

    *ASSOCIATION FRANÇAISE DE THERAPIE COMPORTEMENTALE ET COGNITIVE (aftcc)

    *ASSOCIATION FRANCOPHONE DE FORMATION ET DE RECHERCHE EN THERAPIE COMPORTEMENTALE ET COGNITIVE (AFFORTHECC)

    *ASSOCIATION DE LANGUE FRANÇAISE POUR L’ETUDE DU STRESS ET DU TRAUMA (ALFEST)

    *ASSOCIATION DE FORMATION ET DE RECHERCHE DES CELLULES D’URGENCE MEDICO-PSYCHOLOGIQUE (AFORCUMP

    *ASSOCIATION POUR LA FONDATION HENRI EY


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