Volume 22 - Novembro de 2017
Editor: Giovanni Torello

 

Agosto de 2010 - Vol.15 - Nº 8

France - Brasil- Psy

Coordenação: Docteur Eliezer DE HOLLANDA CORDEIRO

Quem somos (qui sommes-nous?)                                  

France-Brasil-PSY é o novo espaço virtual de “psychiatry on  line”oferto aos  profissionais do setor da saúde mental de expressão  lusófona e portuguesa.Assim, os leitores poderão doravante nela encontrar traduções e artigos em francês e em português abrangendo a psiquiatria, a psicologia e a psicanálise. Sem esquecer as rubricas habituais : reuniões e colóquios, livros recentes, lista de revistas e de associações, seleção de sites.

Qui sommes- nous ?

France-Brasil-PSY est le nouvel espace virtuel de “psychiatry on line”offert aux professionnels du secteur de la santé mentale d’expression lusophone et française. Ainsi, les lecteurs pourront désormais y trouver des traductions et des articles en français et en portugais  concernant la psychiatrie, la psychologie et la psychanalyse. Sans oublier les rubriques habituelles : réunions et colloques, livres récentes, liste de revues et d’associations, sélection  de sites

SOMMAIRE (SUMÁRIO):

 

  • 1. PALAVRAS E EXPRESSÕES PSICOLÓGICAS NA LINGUAGEM FRANCESA CONTEMPORÂNEA (Primeira parte)
  • 2. PSIQUIATRA E PSICANALISTA, CLAUDE NACHIN CRITICA A LEI INSTITUINDO O TÍTULO DE PSICOTERAPEUTA NA FRANÇA
  • 3. REUNIÕES E COLÓQUIOS
  • 4. ASSOCIAÇÕES
  • 1.PALAVRAS  E EXPRESSÕES  PSICOLÓGICAS  NA LINGUAGEM FRANCESA CONTEMPORÂNEA

    Eliezer de Hollanda Cordeiro

    Quando o autor,compositor e intérprete Alain Souchon foi entrevistado há algumas semanas  por um jornal francês, ele disse  se angustiar  ao cantar  certas canções,   sentir medo antes de entrar no palco e de continuar lutando  contra sua timidez  e melancolia. Ao fim da entrevista, admitiu que cantar  é  para ele uma ‘’forma de terapia.

    Para a cantora  Olivia Ruiz,  ‘’Cantar o amor pode ser muito perigoso e borderline (...).  pode ser um trabalho banal  de escritura mas também uma forma de terapia. Ela pensa que sua famosa canção ‘’Elle panique’’(Ela entra em pânico) não é somente auto-terapêutica(…) mas  pode  ser  terapêutica para outras pessoas.’’ 

    O aumento pertinente e constante, científico e sistemático  do uso  de palavras  e expressões psicológicas  na língua francesa, falada e escrita, é uma prova das transformações profundas da sociedade. Esta asserção me parece válida mesmo  se  a linguagem espontânea, ‘’popular’’,  continue   privilegiando   termos mais comuns para nomear as condutas e os fenômenos mentais e afetivos  que cada um pode observar e sentir em si mesmo ou nos outros. Notemos imediatamente  que as velhas palavras  ‘’fou’’(louco), ‘’folle’’(louca)  e ‘’folie’’(loucura),  quase desaparecidas   da linguagem  psiquiátrica, continuam  a ser muito empregadas   na designação  das doenças mentais.E não sem razão  porque elas ‘’apresentam um interesse semântico excepcional,  designando  não somente um estado patológico mas o contrário da Razão’’(Dictionnaire d’expressions et locutions de Alain  Rey e Sophie Chantreau).    

    UMA UTILIZAÇÃO  CADA VEZ  MAIOR NO  ÂMBITO  POLÍTICO

    Que palavras  e expressões  psicológicas continuem sendo empregados sem levar em conta as sutilezas clínicas das disciplinas que cuidam dos transtornos mentais  não deve nos surpreender, como  por exemplo os termos desequilibrado, alienado,demente, desarranjado, desaprumado,retardado, etc.  Ajuntemos somente que o aumento espetacular do uso de  termos oriundos da psicologia é sinal de uma percepção  mais inteligente desses termos. Constatemos ainda que  uma tal mudança linguística comporta  novas expressões matafóricas,  inventadas  para explicar o  estado de espírito da população, a situação social do momento  ou a importante tensão política que reina atualmente  na França.

    Li  numa revista que um determinado político da oposição  colocou-se numa posição esquizofrênica ao aceitar  um  pasta ministerial  e entrar no  governo. Notei  no editorial de Jacques Camus, diretor  do jornal de Orléans ‘’La République du Centre’’, a passagem onde ele   fala de ‘’clima político anxiogênico’’  no país.

    O termo mitomania também está sendo bastante empregado, como no exemplo tirado de um editorial no qual  o jornalista escreve- após citar afirmações de vários responsáveis políticos de esquerda e de direita- que ‘’uma verdadeira epidemia de mitomania está atacando políticos’’,  e   que eles ‘’sofrem desta doença contagiosa que é a mentira.’’ 

    Citemos agora a  passagem de um editorial no qual o jornalista afirma ‘’que a maneira como o país é governado  provoca dor de cabeça e uma ansiedade permanente que paralisa os Franceses’’. Notemos a passagem doutro editorial: ‘’Hoje, na Assembléia Nacional, os debates  transformaram-se  num verdadeiro  psicodrama’’ . E ainda‘’O anúncio feito pelo governo sobre  a mudança de sua  estratégia  é  sinal de uma política suicidária’’.

    Por último, resumo a carta escrita pelo pai de um adolescente autista, que recusa o emprego deste  termo para designar um político: ‘Este político é tudo menos um autista. Porque meu filho que é  autista não   usa uma linguagem dúbia, é incapaz de qualquer violência,não dá importância ao dinheiro e não sabe fazer negócios’’.  (A seguir)

    2. PSIQUIATRA E PSICANALISTA, CLAUDE NACHIN  CRITICA A LEI INSTITUINDO  O TÍTULO DE PSICOTERAPEUTA  NA FRANÇA

    Referência: Claude Nachin, ‘’Une loi anti-psychothérapies’’, in La Lettre de Psychiatrie Française, N° 193, Juin 2010

    Tradução, resumo e comentários:Eliezer de Hollanda Cordeiro

    A formação médica é suficiente para que alguém se autorise psicoterapauta? E, se fosse o caso,  qual o tipo de psicoterapia que o médico poderia reivindicar em termos de formação?  Estas questões podem ser colocadas   a propósito do texto regulamentando a profissão de psicoterapeuta na França, autorisando os médicos a praticarem qualquer forma de  psicoterapia. E  deixando entender que eles são  psicoterapeutas natos,  mesmo quando   não podem precisar  o tipo de psicoterapia em que se formaram nem a qualidade desta formação.

    Que diz exatamente a lei definindo o emprego do título de psicoterapeuta? Que os médicos possuem sólidos conhecimentos sobre a psicologia genética e as grandes patologias psiquiátricas,  asserção que não traduz a realidade do nivel do ensino na maioria das faculdades.

    O texto de lei também subentende  que  os médicos  vão  aprender  as teorias da psicopatologia e adquirir   conhecimentos teóricos sobre as principais  correntes psicoterápicas. A realidade é bem diferente na medida em que os estudantes de medicina não são obrigados  a se formar  num determinado tipo de psicoterapia, tanto mais que o texto de lei  prevê  somente 100 horas para tal formação.

    Outra questão: porque o texto obriga os psicólogos  detentores de um diploma de estudos superiores em psicologia clínica ou psicopatologia (DESS ou Master 2),  a fazerem  novos estudos em  psicopatologia e um estágio complementar de dois meses?  Ora, a verdade é que  esses psicólogos possuem  mais conhecimentos nesses domínios do que os médicos, exceto os psiquiatras.

    Outro problema: se   os  analistas inscritos  nos  anuários de suas sociedades podem  regularisar seu exercício profissional,  porque recusar este  direito às pessoas que  praticam  a análise transacional, a guestalte-terapia ou  as terapias cognitivo-comportamentais, obrigadas  a seguir  formações complementares muito avançadas mesmo quando elas são inscritas nos anuários profissionais de suas associações?

    Todas essas questões explicam porque , Claude Nachin, considera a nova legislação  em vigor como  ‘’um triunfo do corporatismo médico ultrapassado’’ (...)  que não deixará de  suscitar hostilidades  contra  os próprios médicos ‘’no  momento em  que  a legitimidade do seu poder nos hospitais   está quase destruida .’’  A nova lei também vai suscitar  hostilidades contra a psicanálise,  da parte ‘’dos profissionais que deveriam ser nossos aliados naturais para a  defeza  de  uma psiquaitria da pessoa’’.

    Por fim, Claude Nachin lembra o importante número de educadores especializados, assistentes sociais e enfermeiros que têm  uma formação psicanalítica mas  que não podem terminá-la por causa do custo exorbitante da formação em quase todas as sociedades  psicanalíticas.

    E que que dizer de um  texto que pretende lutar contra as seitas ao mesmo tempo em que o governo tolera  a Igreja da Cientologia?

    Conclusão

    Claude Nachin tem razão ao escrever: ‘’para um psicanalista, só existe uma maneira de se formar em psicoterapia: começar por uma análise pessoal, mesmo se a pessoa venha  depois a se interessar  por outras formas de psicoterapias diferentes do trabalho psicanalítico’’. É que a psicoterapia não pode ser ‘’ensinada’’. Para Nachin,  uma formação baseada  no método de  Michael BALINT pode ser a melhor  opção para os profissionais que querem  se especializar no atendimento psicológico das pessoas, como os enfermeiros, trabalhadores sociais, psicólogos, médicos , psiquiatras, etc.).Somente após esta formação básica geral, eles  serão capazes de  aperfeiçoar   suas práticas respectivas, donde surgirão os  profissionais desejosos  de se dedicar ou não à profissão de psicoterapeuta.

    3.REUNIÕES E COLÓQUIOS

    *L’ÉVOLUTION PYCHIATRIQUE

    *L’INFORMATION PSYCHIATRIQUE

    *IMPACTE MEDECINE

    *LA REVUE FRANÇAISE DE PSYCHIATRIE ET DE PSYCHOLOGIE MÉDICALE 

    *L’ENCÉPHALE

    *PSYCHIATRIE FRANÇAISE

    *L’AUTRE, CULTURE ET SOCIÉTÉS

    4. ASSOCIAÇÕES

    *MISSION NATIONALE D’APPUI EN SANTÉ MENTALE

    *ASSOCIATION FRANÇAISE DE PSYCHIATRIE ET PSYCHOLOGIE LEGALES (AFPP)

    *ASSOCIATION FRANÇAISE DE MUSICOTHERAPIE (afm)

    *ASSOCIATION ART ET THERAPIE

    *ASSOCIATION FRANÇAISE DE THERAPIE COMPORTEMENTALE ET COGNITIVE (aftcc)

    *ASSOCIATION FRANCOPHONE DE FORMATION ET DE RECHERCHE EN THERAPIE COMPORTEMENTALE ET COGNITIVE (AFFORTHECC)

    *ASSOCIATION DE LANGUE FRANÇAISE POUR L’ETUDE DU STRESS ET DU TRAUMA (ALFEST)

    *ASSOCIATION DE FORMATION ET DE RECHERCHE DES CELLULES D’URGENCE MEDICO-PSYCHOLOGIQUE (AFORCUMP

    *ASSOCIATION POUR LA FONDATION HENRI EY


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