Volume 22 - Novembro de 2017
Editores: Giovanni Torello e Walmor J. Piccinini

 

Março de 2008 - Vol.13 - Nº 3

História da Psiquiatria

Casa de Saúde Dr. Eiras: crônica de seu desaparecimento

MD. Walmor J. Piccinini
Psiquiatra.
Professor da Fundação Universitária Mário Martins.
Pesquisador da História da Psiquiatria Brasileira

Numa recente visita ao Rio de Janeiro tive mais uma vez o prazer de conversar com o Professor Luiz Salvador Miranda de Sá Júnior sobre alguns aspectos da história da psiquiatria. Referiu-se ele ao Professor João Caruso Madalena que está ativo nos seus 92 anos e residindo em Teresópolis, RJ. Recebi dele a indicação do excelente trabalho de pesquisa do museólogo Pedro José Fernandes Filho sobre à Casa de Saúde Dr. Eiras. Surpresa maior tive ao descobrir que ela desapareceu e sobre seu terreno esta sendo construído um conjunto de edifícios de apartamentos. Uma casa de saúde nascida no Império, lugar de aprendizado de muitos psiquiatras e neurologistas, simplesmente foi extinta. Seria isso conseqüência da reforma psiquiátrica ou apenas resultado de uma má política administrativa? Uma constatação feita ao longo do tempo é de que, são raros os hospitais ou casas de saúde que se tornaram dependentes de verbas governamentais que sobreviveram. Podemos retirar da lista as entidades filantrópicas que continuam sobrevivendo às duras penas. O Ministério da Saúde tem uma política deliberada de asfixia dos hospitais psiquiátricos, as exigências são cada vez maiores e as verbas progressivamente menores e com essa tática, os hospitais e casas de saúde irão cerrando as portas inexoravelmente. Para alguns, isso é visto como salutar, pois atende a uma ideologia de atendimento, para a população mais pobre é desassistência. Os hospitais que se afastaram desse garrote e se dedicam a atender quem possa pagar, sua saúde empresarial é satisfatória. Não há nada de novo nesse processo, desde o início da colonização, temos a misericórdia para os pobres e atendimento médico para os ricos. O que surpreende nisso tudo é assistir alguns jovens idealistas batalhando para que isso aconteça.

Notas históricas

Para facilitar a compreensão sobre alguns aspectos da história do Brasil, vamos recordar alguns dos seus momentos. Portugal, um país pequeno, pouco mais de um milhão de habitantes, mesmo assim, graças a uma série de conjunturas felizes, tornou-se um império colonial. A colônia mais importante era o Brasil.  Para administrar esse gigante, Portugal o dividiu em capitanias hereditárias, que deram origem a províncias. Com a descoberta de ouro nas Minas Gerais, o Rio de Janeiro tornou-se importante, como porto de mar, como ponto de comércio e como posto de controle da circulação de mercadorias e do ouro. Seu progresso foi rápido e em 1772 foi promovida a capital do vice-reino, suplantando Salvador na Bahia que era maior, mais populosa. A estratégia colonial portuguesa era simples, a Colônia não podia comerciar diretamente com o exterior, só podia fazê-lo através de Portugal. Ao Brasil ficava a tarefa de produzir riqueza agrícola e enviá-la a Portugal. As Províncias eram mantidas isoladas uma das outras, não era permitido construir estradas, não era permitido o comércio entre elas. Só os filhos de famílias abastadas conseguiam diploma de superior.  Com a vinda da família real em 1808, tudo teve que ser alterado, houve a abertura dos portos, criação da Imprensa Oficial, começou a industrialização, foi permitido o ensino superior e foi autorizada a criação das Escolas de cirurgiões da Bahia e do Rio de Janeiro. Em relação à assistência médica, Portugal transplantou seu modelo para o Brasil, o atendimento através das Santas Casas.

Psychiatry On line Brazil (Julho de 2005 - Vol.10 - Nº. 7) Fragmentos da História da Psiquiatria no Brasil (II) http://www.polbr.med.br/ano05/wal0705.php

Os Cursos para cirurgião começaram em 1808 e as Faculdades de Medicina em 1832, é difícil imaginar uma corporação médica importante, mas esse não é o único obstáculo. Vamos nos socorrer do depoimento de Luiz Edmundo para saber como era de fato a situação do Rio de Janeiro na época. A cidade teria cerca de 50 mil habitantes e pode-se imaginar o efeito da chegada repentina, da Corte e mais 15 mil acompanhantes. (Sobre esse número, há controvérsias, alguns o consideram muito exagerado, de qualquer forma a cidade sofreu um acréscimo populacional importante, não existiam residências para esse povo, casas foram invadidas e seus moradores tiveram que se mudar). Vamos à descrição da cidade segundo o cronista: “No quadro maravilhoso da natureza, a cidade é um contraste. É uma mancha brutal na paisagem radiosa. A casa é feia. A rua é suja. O conjunto exaspera. Tudo conspira contra o povoado infeliz: o clima, clima abrasador e ardente, as montanhas, que o cercam e o encantoam e o sufoca, o chão úmido e verde, o Paul, onde ele se assenta, o desasseio gerado pelo próprio homem, que sorri das lições do bárbaro tamoio.” “Em 1808, com a Corte de D. Maria I, a Intendência-Geral da Polícia, mandando varrer praças e ruas, derrubar casas, na ânsia justa de transformar a urbe num domicílio real, Luccok acha-a a mais imunda associação humana vivendo sob a curva dos céus...”.

Segue Luiz Edmundo, “A cidade não mudou (com a chegada da Corte). É a mesma. O tifo, a varíola e outras doenças malignas tinham, entretanto, aqui, definitivamente plantados tenda. Morre-se como não há memória de se morrer tanto no Brasil. Os relatórios que vão para a Metrópole, porém, fala bem pouco de tais assuntos. Epidemias.” “Para sustá-las é praxe, no Brasil, atirar às ruas espessas manadas de bois, varas de porcos, rebanhos de carneiros, esperando-se que a Divindade os fulmine, transferindo para eles o cólera que tanto aos homens prejudica”.

As ruas são sujas, o povo não cultiva o asseio, as valas carregam esgotos, animais apodrecem nas ruas. Sobre os médicos, Luiz Edmundo é cáustico. “A Medicina, cujas relações são ainda mais cerimoniosas com a Higiene, perseguida, vexada pela ignorância dos homens, entra no Brasil, timidamente, com um olho no Bispo, outro no Vice-Rei. Sobre os males que nos afligem, há teorias edificantes. A do Morgado de Mateus, de São Paulo, explicando as causas de certa peste:”Eu atribuo esta intemperança aos contínuos relâmpagos que continuamente se vêem cintilar por todos os meses em que cá costuma ser o inverno, durando estes meteoros até chegarem a formar sobre o hemisfério deste lugar uma terrível trovoada”.

As providências demoram e são mínimas. A cidade, na palavra pouco gentil do cronista, “é uma estrumeira”. Os próprios índios aqui não se sentem bem. Para alguns, isso se devia a má educação dos moradores da Colônia, mas não era apenas isso, segundo o depoimento de vários observadores, Lisboa era semelhante, uma cidade suja, os excrementos eram jogados nas ruas. Era cheia de mendigos "A mendicidade foi das maiores pragas que mostrou Lisboa aos olhos dos viajantes que a visitaram no correr do século XVIII e começo do século XIX”.

Se a mendicidade denuncia vício, falhas na legislação dos povos devem ter uma péssima opinião da administração portuguesa. Lisboa é cheia de mendigos. Os olhos dos estrangeiros impressionam-se desagradavelmente, pois eles se multiplicam de todos os lados cercando-os nas praças, nas ruas, nas lojas, nas igrejas e até nas próprias casas. Por toda à parte. Não tomam uma providência nada fazendo para acabar ou dissimular ou diminuir essa mendicidade. (Carrére - Voyage en Portugal)

“O governo, de quando em quando, juntava numa nau 400, 500, 600, desses desgraçados e mandava-os para o Brasil, onde eles continuavam automaticamente a vida de lá apenas aqui vivendo com mais facilidade e maior fartura..."

Não existia corporação médica. A Academia Imperial de Medicina era um agrupamento de poucos médicos, estrangeiros na maioria trazidos para servir a família imperial.

As Santas Casas, presentes no Brasil desde o século XVI, não eram locais de tratamento, eram locais de misericórdia. Não havia a presença de médicos, mesmo porque eles eram uma raridade, os albergados eram cuidados por religioso(a)s. Para a Santa Casa acorriam os órfãos, os enjeitados, os mendigos, os doentes terminais que nela eram atendidos pelo “Capelão da Agonia”, os escravos abandonados e as vítimas de epidemias. Sua grande fonte de custeio era o cemitério. Um dos problemas de higiene pública era o acúmulo de cadáveres no espaço interno da Instituição. (A Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro nos séculos XVI a XIX. Luciana Mendes Gandelman).

Segundo Luiz Edmundo: “O aristocrata foge ao desvario do Morro, trancando-se no seu palacete de grades prateadas, quando não foge para Petrópolis”.

“O Rio da época ainda é um miserável povoado, sem grandes hotéis de luxo, sem numerosas carruagens e, sobretudo, sem conforto e sem chiquê. A cidade é de comendadores analfabetos, burgo comercial estrangeiro e pobre, desagradável ao olfato, onde vicejam apenas velhas e prosaicas tradições com as quais os espíritos de certa distinção vivem em desacordo quando não vivem em luta a mais aberta e acesa. Não há lugar, portanto, onde o aristocrata possa se divertir. Por isso sai ele da cidade, ou quando fica isola-se.”

Passos refez a cidade colonial, alargou ruas, criou avenidas, aumentou praças.

A Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro foi fundada em 24 de março de 1582 pelo sacerdote espanhol José de Anchieta, para cuidar dos homens da frota de Diogo Flores Valdez. A assistência médico-social representou a concretização dos princípios do humanismo da Misericórdia, destacando-se os trabalhos antiescravistas do provedor José Clemente Pereira e do farmacêutico José do Patrocínio.

Criou-se um modelo de assistência que, de certa forma, persiste até os dias atuais. Uma medicina para os ricos, que eram atendidos nas Casas de Saúde privadas e um atendimento para os pobres que era feito pela Santa Casa. No atendimento privado surgiram as Casas de Saúde e alguns médicos começaram a despontar como empresários da saúde. Uma delas, inicialmente chamada casa de banhos, veio até nossos dias com o nome de Casa de Saúde Dr. Eiras. Ela deve seu nome ao antigo proprietário, o Dr. Dr. Manoel Joaquim Fernandes Eiras, médico e administrador de hospitais, que a adquiriu em fins de 1865 dos herdeiros do Dr. Antonio José Peixoto, médico e cirurgião, fundador da primeira casa de saúde do Brasil, em 1843.

O Estado do Rio de Janeiro concentra o maior número de hospitais psiquiátricos do país. Muito tem se escrito sobre os hospitais públicos. O Hospital Nacional de Alienados, as Colônias, o Centro Psiquiátrico D. Pedro II. Poucas referências são feitas aos hospitais particulares. Nesse artigo vamos examinar um pouco da história da Casa de Saúde Dr. Eiras. Não tive oportunidade de conhecê-la e tive uma visão do seu destino lendo a pagina do Dr. Heyder Gomes de Matos (http://ww.hmattos.kit.net/) que foi dirigente daquela instituição. 

  “Bem-vindos à minha página pessoal".

Vou mostrar aqui alguns fatos que julgo importantes na história da Medicina e da Psiquiatria em nosso estado e, particularmente, a história da Casa de Saúde Dr. Eiras, única instituição hospitalar privada, cuja história começa no tempo do Brasil Império e acompanhava a trajetória da saúde até a época atual. A razão de me levar a esse relato tem um por que. Ao passar pela Rua Assunção, berço da centenária Casa de Saúde, que um dia abrigou pacientes portadores de doenças mentais, autoridades governamentais, pessoas que fizeram a história do Rio de Janeiro, médicos, verdadeiros luminares da psiquiatria e um dos maiores centros mundiais de cirurgia neurológica, estar em vez do que era:

Casa de Saúde Dr. Eiras - Ontem

ser, apenas, o que se vê ao passar por sua porta, essa lamentável imagem:

Casa de Saúde Dr. Eiras - Hoje

  A Casa de Saúde Dr. Eiras, transformada em um grande e talvez rentável parque de estacionamento de veículos, explorado por uma empresa estranha à sua condição de hospital.

  Tenho, atualmente, 64 anos de vida e destes, 35 foram dedicados à Medicina de um modo geral e à Psiquiatria em particular. Em 1966, dois anos antes de obter meu diploma de médico, fui admitido na Casa de Saúde Dr. Eiras, como acadêmico estagiário, pelo então proprietário Dr. Leonel Miranda que, alguns anos depois foi convidado e aceitou o cargo de Ministro de Estado da Saúde, no governo militar do General Costa e Silva. Nesse momento instalou-se a derrocada da instituição centenária - CASA DE SAÚDE DR. EIRAS.

  Como é de pleno conhecimento de todos, nesse regime ditatorial foi promulgado o maior ato de desrespeito aos direitos dos brasileiros, o infame AI5 e, como Ministro, o Dr. Leonel Miranda não pode deixar de ser um dos signatários. Com o passar dos anos e o retorno do poder civil e a partir da assunção de ex-exilados, vítimas daquele período nefasto, a postos de significativa relevância no cenário nacional, iniciou-se uma campanha difamatória da Casa de Saúde, culminando com o seu descredenciamento do SUS e o fechamento irreversível da Unidade de Botafogo da mesma.

  Sempre foi, aos olhos do Ministério da Saúde, da ala de esquerda dele e das secretarias estaduais e municipais de saúde envolvidas no sistema, um grande bolo de difícil degustação a grande quantidade de pacientes internados nas duas unidades do hospital, como também, o grande volume de recursos que era repassado, mensalmente, à Casa de Saúde, a guisa de ressarcimento pelos serviços prestados. A par desse fato, ainda concorria à razão de ser, a Casa de Saúde, o maior hospital psiquiátrico de administração privada da América Latina. Não interessava muito, como veremos adiante, ter sido o hospital-celeiro dos grandes mestres da psiquiatria brasileira, umas das, e num determinado momento talvez a única, a ser convidada a participar de ensaios clínicos para experimentação de medicamentos que até hoje são os mais utilizados na prática psiquiátrica. Queriam saber de custos, sem se importar com os gastos. Chegaram ao cúmulo e, quem vive no Estado do Rio de Janeiro vê isso todos os dias, preferir doentes mentais nas ruas da cidade, mendigando e morrendo à míngua, do que protegidos em instituições terapêuticas que, no mínimo, abrigo e alimentação lhes dariam.   O que presenciamos nesses últimos 10 anos foi um total desrespeito aos pacientes e profissionais que ali trabalhavam no intuito de comprovar distorções que fizessem com que a Casa de Saúde ficasse desacreditada aos olhos da população e perdesse o respeito formado por todos os anos em que os maiores mestres da psiquiatria brasileira a fizeram adquirir. Relatórios capciosos e tendenciosos foram realizados e levados em conta, mesmo com vários contraditos a eles, comprovados por depoimentos de familiares e fotos das "distorções" apresentadas. Insinuações grosseiras e desrespeitosas aos médicos e diretores, foram ditas e escritas e, mesmo provadas que não era verdadeira, a punição veio como um castigo inexorável, acabando com a instituição”.

A decepção do Dr. Heyder deve ter sido completada com o lançamento de um empreendimento imobiliário no terreno da extinta casa de saúde. Também na internet colhi esses dados:

Mês que vem, agosto/2007, será lançado o “Les Palais” localizado na Rua Assunção, antiga Clinica Dr. Eiras

LES PALAIS BOTAFOGO - LANÇAMENTO Nove  edifícios ocuparão terreno da Dr. Eiras. Um condomínio de luxo, com nove edifícios de quatro andares, vai ocupar o terreno onde funcionou a Casa de Saúde Dr. Eiras. O LES PALAIS BOTAFOGO, será lançado mês que vem. Serão cem apartamentos de quatro quartos e unidades térreas com terraços. A área verde e os chalés Saint Clarice e Olinda serão preservados. O RIO ETERNO e O RIO MODERNO. Maravilhosos apartamentos com 4 suítes, 3 quartos e encantadores duplex para o seu conforto. O LES PALAIS BOTAFOGO, representa uma última oportunidade de trazer para sua vida todo o glamour e a sofisticação que já fizeram do empreendimento um ícone, unindo tradição e modernidade.

 

 

Em pouco tempo, poucas lembranças restarão da maior instituição psiquiátrica privada da América Latina, do seu Centro de Estudos, da Revista de Psiquiatria e dos seus colaboradores.

 

PERSONALIDADE - DR. EIRAS

Pesquisar a personalidade do Dr. Manoel Joaquim Fernandes Eiras é um desafio instigante, por ser um homem público que transita pela história da medicina do Rio de Janeiro, durante quase toda a segunda metade do século XIX, com reconhecida importância, baseada em fatos bibliográficos; convive com a mais representativa camada da sociedade brasileira, inclusive privando da amizade da Princesa Isabel e do seu marido o Conde D’Eu, sem que haja nas bibliotecas gerais e especializadas registros significativos sobre a sua vida.

Diz-se que a Princesa Isabel teria melhorado o Caminho do Mundo Novo, apenas para facilitar o acesso do Palácio da Princesa (Hoje Palácio da Guanabara) até a Casa de Saúde, para o seu tratamento hidroterápico.

Começou a carreira como clínico geral, especializando-se em Otorrinolaringologia e também em Organização Hospitalar; só mais tarde e que veio a dedicar-se à assistência aos doentes mentais do Rio de Janeiro, e através dos anúncios das suas Casas de Saúde, nos jornais, almanaques e revistas, que podemos avaliar o quão foi movimentada a sua vida profissional, em tão curto período, desde a fundação da Casa de Saúde Nossa Senhora da Ajuda, em 1863, até ao seu falecimento em 29 de julho de 1889. Fundou, reformou, ampliou, vendeu, comprou três dos mais importantes estabelecimentos hospitalares da época.

 Durante um período a Casa de Saúde Dr. Eiras, chamou-se Casa de Convalescença e Saúde e nos seus anúncios acrescentava antiga Casa Peixoto, que só foi retirado em 1877.

O Dr. Eiras, nasceu em Pernambuco, em 14 de abril de 1828, filho do médico docente da Faculdade de Medicina de Pernambuco, Dr. José Fernandes Eiras. Aos 14 anos viajou para a Europa para efetuar os seus estudos, como era comum aos filhos da elite da sociedade da época, retornando ao Brasil dois anos depois para ingressar na Faculdade de Medicina, onde se formou em 1850.

O Dr. Eiras casou-se em segundas núpcias com D. Laura Dias (que depois de viúva, casou-se com Adolpho de Souza Vianna), com quem teve duas filhas: Dulce Dias Eiras e Helena Kahu (Kahu, por haver se casado com Eugênio Kahu).

Necrológico publicado em O Paiz.

 NECROLOGIA - Com 61 annos de idade falleceu hontem o amigo e
respeitável clinico Sr. Dr. Manoel Joaquim Fernandes Eiras medico alienista
bastante conhecido, fundador e director de importantes estabelecimentos, de
que é exemplo o hotel balneário da Rua Olinda em Botafogo, hoje a cargo do
Dr. Carlos Eiras, seu digno filho.
  O finado era natural da Província de Pernambuco, onde nasceu em
14.04.1828. Formou-se em medicina pela Faculdade do Rio de Janeiro em 1850.
Ocupou differentes cargos de eleição popular e recebeu varias distinções
honoríficas do governo brasileiro.
  Era trabalhador infatigável. Os seus estudos voltaram-se especialmente
para o tratamento de moléstias mentaes, e , quer na imprensa, quer na tribuna
de conferencias, quer na pratica, demonstrou o Dr. Eiras a sua ilustração sobre
esse difícil ramos da sciencia em que era acatado por todos os collegas.
  Os bons serviços ficam assinalados por factos que perpetuarão a
memória do seu nome.       (O Paiz. 30/07/1889:p.2 )

DR. MANOEL JOAQUIM FERNANDES EIRAS – administrou no período de 1863 a 1889.

  Este período administrativo foi o que lançou as bases sólidas de sua estrutura e já foram amplamente descritos nos itens anteriores.

No início de 1864, o Dr. Eiras assume a direção da Casa, mudando o nome para Casa Imperial de Saúde e de Convalescença; mesmo no curto período de sua nova existência, quando foi fechada em 1865, fez anunciar nos jornais, revistas e almanaques da época que a Casa com banhos e quartos especiais para alienados.

  DR. CARLOS FERNANDES EIRAS – administrou no período de 1889 a 1920.

  Com a morte de seu pai, assume a direção da Casa o Dr. Carlos Fernandes Eiras.

O Dr. Carlos Eiras, formou-se em medicina em 1877, na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro defendendo a tese das Indicações e Contra Indicações da Hydrotherapia no Tratamento das Moléstias do Sistema Nervoso.

Nessa época Francisco Franco da Rocha fez estágio na Casa de Saúde.

DR. WALDEMAR DA PONTE RIBEIRO SCHILLER - 1920 a 1940.

  Em nove de abril de 1920, o Dr. Waldemar Schiller compra a da Casa de Saúde Dr. Eiras, onde já atuava como colaborador.

  O Dr. Schiller era um psiquiatra de formação universitária, estudou na França e na Alemanha (três anos), e procurou dar a Casa de Saúde uma direção técnico-científica psiquiátrica da Escola Kraepeliniana, poliglota falava inglês, francês, italiano, espanhol e alemão.

   O Dr. Schiller nasceu em Sete de dezembro de 1880, vindo a falecer em Quatro de junho de 1940; assumiu a direção da Casa o seu filho mais velho Maurício Brandon Schiller, até 1943. Seu filho José Duarte Schiller, chegou a participar de um grande projeto terapêutico na Casa de Saúde, A Rádio Fora do Ar.

  DR. LEONEL TAVARES MIRANDA DE ALBUQUERQUE - 1943 a 1986.

  Em 24 de agosto de 1943, uma sociedade composta pelos Drs. Arnaldo Guinle, Jorge Jabour, Sarmento Barata, Paulo César de Andrade e Leonel Miranda compra a Casa de Saúde dos herdeiros do Dr. Schiller, porém com o falecimento ou afastamento dos demais membros da administração, a propriedade e a direção da Casa passa a pertencer unicamente ao Dr. Leonel Miranda.

  Nascido na Paraíba, em 29 de julho de 1903, começou os seus estudos de medicina na Faculdade de Medicina de Salvador - Bahia, transferindo-se depois para a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, aonde veio a forma-se, em 1927, em Clínica Geral e Cirúrgica.

  Casado, com a Dra. Mercedes Gross Miranda, com quem teve dois filhos Maria Helena Gross Miranda e Carlos Gross Miranda, ambos, economistas e empresários.

  A sua carreira médica teve início como interno no Chalet Olinda, de onde se afastou para fundar o Instituto Policlínico de Madureira, que vendeu para associar-se ao Dr. Paulo César de Andrade na compra do Sanatório Rio Comprido, no Rio Comprido, que vendeu logo depois para o Corpo de Bombeiro, onde funciona atualmente o Hospital do Corpo de Bombeiro. Com a compra da Casa de Saúde Dr. Eiras, a sociedade compradora convidou-o para assumir a direção da Casa, integrando-se, também, como sócio.

  Contando com a cooperação de uma equipe formada por professores e médicos conceituados, tais como: Drs. José Caruso Madalena, Paulo Niemeyer, Amim Curi, Manoel Álvaro Velloso, Manoel Maria Cruz Rangel e outros; a sua administração vai transformar toda a estrutura física e de atendimento médico da Casa.

  O pioneirismo da Casa de Saúde Dr. Eiras, se faz presente mais uma vez, quando em seis de junho de 1944 é firmado o primeiro convênio para assistência médica psiquiátrica e previdenciária no Brasil, assinado entre a Casa de Saúde e a Caixa de Aposentadoria e Pensões de Serviços Públicos do Distrito Federal, fazendo posteriormente outros convênios com instituições para-estatais, como: a Caixa de Aposentadoria e Pensões de Serviços Públicos do Distrito Federal (19 de agosto de 1946 ), o Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Ferroviários da Central do Brasil ( 1 de outubro de 1946 ), o Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Comerciários ( 1 de setembro de 1947 ) e a Prefeitura do Distrito Federal. Na época a cidade do Rio de Janeiro era chamada de Distrito Federal, por ser a capital do Brasil.

Contando com a cooperação de uma equipe formada por professores e médicos conceituados, tais como: Drs. José Caruso Madalena, Paulo Niemeyer, Amim Curi, Manoel Álvaro Velloso, Manoel Maria Cruz Rangel e outros; a sua administração vai transformar toda a estrutura física e de atendimento médico da Casa.

Com tantos convênios aumentou a demanda de atendimentos médicos e hospitalares, sendo necessárias ampliações e modernizações das instalações da Casa de Saúde. Na década de 50, foram construídos os prédios dos Pavilhões: N.S. de Fátima, Santa Teresa e São José, aumentando a capacidade de leitos de 90 para 600 aproximadamente; os Drs. Jack Ewaldt e Daniel Blain, ex-presidentes da American Psychiatric Association, quando visitam o país e visitaram a Casa de Saúde elogiaram as suas instalações.

A criação da Casa de Saúde Dr. Eiras de Paracambi, em 1962, também foi obra da administração Dr. Leonel Miranda, que indicou para assumir a primeira direção administrativa da Casa o Dr. Manoel Maria Cruz Rangel e a direção técnica o Dr. Manoel Álvaro Velloso.

Em 25 de outubro de 1960, foi criado o Centro de Estudos da Casa de Saúde Dr. Eiras e seu órgão oficial a Revista Brasileira de Psiquiatria, filiada a Associação Brasileira de Psiquiatria desde a sua fundação, em 14 de agosto de 1966; o anteprojeto dos Estatutos da Associação foi feito pelos Drs. Carlos Alberto Teixeira Basto, Denis Malta Ferraz, José Caruso Madalena e Jarbas da Motta, os três primeiros psiquiatras da Casa de Saúde Dr. Eiras.

O Dr. Leonel Miranda foi Ministro da Saúde do Governo do Presidente Costa e Silva, onde em 1968 idealizou o Plano de Coordenação das Atividades de Proteção e Recuperação da Saúde, que tinha todas as características do atual Sistema Único de Saúde (SUS); este plano com detalhados estudos da área de saúde no Brasil foi rejeitado apenas por ser descentralizador, quando o governo ditatorial pregava a centralização para maior controle.

Durante o período em que foi Ministro da Saúde, o Dr. Leonel Miranda teve a colaboração do Dr. Romeu Honório Loures, médico da Casa, que se especializou em Clínica Médica nos famosos Serviços Universitários da Espanha. O Dr. Romeu chefiou a comissão que elaborou os Programas de Saúde do Ministério.

Neste período a Casa de Saúde passou a ser dirigida pelos Drs. Epaminondas Pires de Castro, Amim Curi e pelo advogado Dr. Alfredo Nader e foi durante esta gestão que circulou, com grande sucesso, o Jornal Eiras, sob a direção do Advogado Dr. José Zenalvo Tenório.

Em 14 de março de 1983, nas instalações do Chalet Olinda, falece o Dr. Leonel Miranda, após prestar 43 anos de sua existência dedicada à Casa de Saúde Dr. Eiras, ajudando a escrever a sua história, com o período administrativo mais produtivo e longo, entre todas as administrações e na História da Medicina Psiquiátrica do Brasil. Assumiu a direção da Casa a sua esposa Dra. Mercedes Gross Miranda.

DR. CARLOS GROSS MIRANDA - 1991.

Em julho de 1991, assumiu a direção da Casa de Saúde, Carlos Miranda, filho do Dr. Leonel Miranda, e pela primeira vez na sua história um proprietário e Diretor-Presidente Efetivo que não exerce a medicina, é economista.

A administração Carlos Miranda, pretende marcar a sua passagem pela História da Casa de Saúde Dr. Eiras, com um audacioso projeto, em andamento, a construção na parte de frente da Casa de um Hospital Geral, num prédio de nove andares, com luxuosas instalações e tecnologia de ponta, com uma previsão de construção para vinte meses.

Assim sendo a Casa de Saúde volta ao seu passado como estabelecimento hospitalar de Clínica Geral e Psiquiátrica.

INSTALAÇÕES.

Iniciando as suas funções no Chalet Olinda, também chamado de Maison Santé, por ser o Hospital de La Marine Imperial Française; a Casa de Saúde foi ampliando as suas instalações, acompanhando o progresso da cidade e da saúde na cidade do Rio de Janeiro, atendendo a demanda cada vez mais acentuada pelos bons serviços prestados não só na área de medicina geral, como também pela especialização cada vez maior na área psiquiátrica.

Ao lado do Chalet Olinda foi construído um prédio anexo, onde funcionava o Estabelecimento Hidroterápico. O Chalet iniciou o seu funcionamento com um cirurgião francês que era especialista em Traumatologia e foi aos poucos desenvolvendo os serviços de Doenças Nervosas e Clínica Geral, vindo posteriormente a priorizar o serviço de Doenças Nervosas, pois na época, o Hospício Pedro II e a Casa de Saúde Dr. Eiras, eram os dois principais centros de atendimento a doentes mentais, sendo dirigidos para este último o maior contingente de pacientes particulares, caminhando assim para o que viria ser o seu destino, o maior centro de tratamento psiquiátrico particular do Rio de Janeiro, núcleo formador de psiquiatras e também de atendimento a pacientes dos maiores especialistas da época, tais como: Juliano Moreira, Miguel Couto, Heitor Carrilho, Luiz Galloti, Henrique Roxo e outros que ali internavam os seus pacientes.

O Chalet Olinda começou a mudar a sua história em 1889, quando assumiu a direção da Casa o Dr. Carlos Fernandes Eiras, em razão da morte do seu pai o Dr. Manoel Joaquim Fernandes Eiras que, mais tarde, teve a colaboração do seu enteado Dr. Waldemar da Ponte Ribeiro Schiller que, posteriormente, veio a ser o proprietário único da Casa de Saúde.

Começa o processo de ampliação e modernização das instalações para satisfazer a crescente demanda de internações para tratamentos psiquiátricos, foram construídos os Pavilhões de Clínica Médica (com a primitiva farmácia), Santana, Santa Clarice e N.S. das Graças, ao lado do Chalet Olinda; um projeto arquitetônico eclético seguindo o modelo romântico francês, muito ao gosto da época, constituído de: um corpo central com dois pavimentos e nas laterais prédios com um pavimento, sua fachada com belas janelas e balcões complementam o seu estilo, e na frente um jardim com caminhos simétricos, seguindo o modelo francês

O Chalet passou a atender apenas aos casos de clínica médica, cirurgia e maternidade.

A década de 50 vai dar uma violenta modificação na estrutura física e na área de saúde, com a Casa sob o comando do Dr. Leonel Tavares Miranda de Albuquerque.

Com um projeto do arquiteto Oscar Niemeyer. São construídos: o Pavilhão Santa Tereza, com dez andares, destinado aos pacientes masculinos, o Pavilhão N.S. de Fátima, com cinco andares, para atendimento as pacientes femininas; mais tarde foi construído o Pavilhão São José, complementando este complexo hospitalar.

O conjunto arquitetônico da Casa de Saúde Dr. Eiras, compreende: a parte antiga, composta do Chalet Olinda e do Pavilhão Santana e parte nova, composta dos Pavilhões Santa Tereza, N.S. de Fátima e São José, abrangendo uma área construída de 18.000 m2, dentro de um terreno de 42.000 m2, que ainda mantêm no Morro Mundo Novo, uma pequena parte da Mata Atlântica, com muitas espécies de plantas originais.

SERVIÇOS.

Quando foi fundada, em 1863, na Rua da Ajuda, ainda como Casa de Saúde N.S. da Ajuda, a Casa sempre prestou serviços médicos em Clínica Geral e Cirúrgica, porém ao comprar a Casa de Convalescença na Praia de Botafogo No 26, em 1864, já introduziu o tratamento a doentes mentais, e ao estabelecer-se no prédio da Rua de Olinda, já oferecia todo o tipo de atendimento, trazido dos dois estabelecimentos hospitalares, que aos poucos foi sendo dirigido ao tratamento para doentes mentais.

No Chalet Olinda, com capacidade para cinqüenta leitos eram oferecidos atendimentos em Clínica Médica e Cirúrgica e Maternidade, e foi onde em 1951, foi instalada Clínica de Neurocirúrgica do Prof. Paulo Niemeyer, eminente médico que ali realizou inúmeras cirurgias, sendo algumas pioneiras, tornando-se um centro formador de profissionais da área, inclusive merecendo reportagens em revistas médicas internacionais. A clínica foi desativada, em 1992; com o fechamento da clínica, encerra-se, também, uma parte da História da Casa de Saúde Dr. Eiras, que a partir desta data passa a ser, exclusivamente, um Hospital Psiquiátrico.

O método de trabalho é multidisciplinar e deles participam médicos, psicólogos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais etc.

CASA DE SAÚDE DR. EIRAS - PARACAMBI

INSTALAÇÕES.

Em 1962, durante a administração do Dr. Leonel Miranda, foi fundada em partes desmembradas da histórica Fazenda de Santa Cruz, a Casa de Saúde Dr. Eiras de Paracambi; inicialmente para atendimento aos doentes crônicos transferidos da Casa de Saúde Dr. Eiras - Botafogo, baseado no modelo de Comunidade Terapêutica.

Paracambi (significa Macaco Pequeno), ao ser fundado recebeu o nome de Rio dos Macacos, passando para Tairetá e depois para o nome atual. Para a instalação da Casa de Saúde, foram comprados os sítios: Barreiros, Antas, Terras do Carneiro e Vila Atlas, perfazendo um total de 200 alqueires mineiros (8.809.600 m2), onde foi urbanizada uma área de 500.000 m2 e construída uma área de 60.000 m2, com capacidade para 2.500 leitos.

O acesso era facilitado pela a sua localização, entre a Via Dutra e a Estrada de Ferro Central do Brasil, que cortava ao meio as suas terras. A Casa de Saúde construiu uma estação ferroviária, a sua porta, batizou-a com o nome de Dr. Eiras e dou-a a Estrada de Ferro; a estação não mais existe, apenas a plataforma ainda está em funcionamento, apesar de operar em horário reduzido.

A fim de evitar as inconveniências de um macro-hospital, foram construídos pavilhões bem distanciados uns dos outros, com uma capacidade máxima de 400 leitos. O primeiro pavilhão a ser construído foi o São Miguel.

Diversos fatos viriam a alterar o projeto inicial da Casa de Saúde: em 1991, o então governador do Rio de Janeiro, o Sr. Leonel de Moura Brizola, desapropriou toda a área após a linha ferroviária, um total de 108 alqueires mineiros e em 1995, mais 2,5 alqueires mineiros foram dadas a Prefeitura de Paracambi, como pagamento de tributos.

A reformulação no atendimento hospitalar modificou a estrutura do estabelecimento que hoje conta com uma área de 119.0002 de área construída para atendimento aos pacientes, com disposição para nove Unidades Terapêuticas e o suporte de uma Unidade Clínica.

As Unidades Terapêuticas são os antigos pavilhões reformulados e que hoje são compostos de: enfermarias, consultório, posto de enfermagem, sala de recreação refeitório, um projeto novo pretende cria a Unidade Terapêutica Integrada, com o acréscimo de uma Unidade CERTA, Hospital Dia - Casa Viva, serviços já oferecidos pela Casa de Saúde Dr. Eiras de Botafogo.

Até aqui, boa parte do material apresentado deve ser creditado ao Pedro José Fernandes Filho. Vamos acrescentar mais alguns dados:

Numa época em que a produção científica estava presente em Centros de Estudos ligados a hospitais, o Centro de Estudos da Casa de Saúde Dr. Eiras, fundado em 25 de outubro de 1960, teve uma presença ativa no meio psiquiátrico brasileiro com sua Revista de Psiquiatria. Temos registrado no Índice Bibliográfico Brasileiro de Psiquiatria 196 trabalhos, alguns anteriores, a criação da revista, mas a maioria foi nela publicado. O Dr. João Caruso Madalena contribuiu com 44 trabalhos.

A primeira diretoria do Centro de Estudos tinha como diretores os Drs. Armin Curi e Edgar Pires de Castro. Os redatores eram os Professores Isaias Paim e João Caruso Madalena. No ano de 1975 os diretores eram o Dr. João Caruso Madalena e Manoel Álvaro Velloso. Os redatores eram o Dr. Talvane Marins de Moraes, Clóvis Almeida de Santana Lima e Paulo César Geraldes.

Considerações finais

A Casa de Saúde Dr. Eiras, tinha história, tradição e um corpo de profissionais de primeira linha e fica a pergunta, o que determinou seu fechamento?  Sobre isso me permito algumas considerações.

Na história da Casa está registrada a visita de alguns médicos ilustres, entre eles o Dr. Jack Ewaldt que foi o Presidente da Joint Comission for Mental Health que elaborou o Plano de Assistência Mental do Presidente Kennedy. Sua proposta básica era a descentralização de serviços, criação de ambulatórios e diminuição do número de internamentos psiquiátricos. Esse plano foi apresentado em 1963 com o nome de Action for Mental Health. O empresário, dono da Casa de Saúde Dr. Eiras, não percebeu a mudança de ventos e nesse mesmo ano colocava em ação um projeto ambicioso de desenvolvimento da Casa de Saúde Dr. Eiras - Paracambi, fundada no ano anterior. De forma bem objetiva poderíamos dizer que ele estava criando um hospital colônia com patrocínio do INPS (mais tarde INSS). O modelo de assistência dos primeiros anos do século XX era transplantado para Paracanbi cinqüenta anos depois. Na época, a impressão que tínhamos, é que era uma forma de ter uma fonte de renda permanente atendendo pacientes crônicos ou cronificados. Essa estratégia empresarial que era contrária aos novos rumos da psiquiatria só poderia ser vitoriosa com intensa participação política. Foi ai que o Dr. Leonel Miranda cometeu mais um erro. Tornou-se Ministro da Saúde do General Costa e Silva e participou dessa forma da mais nefasta idéia de repressão política, o AI5.

Essa é uma primeira aproximação para um exame de um fenômeno histórico que merece desdobramentos. Um ângulo que poderia ser pensado é o dos seus clientes famosos. Alguns referem sua experiência no hospital, por ex. o escritor Paulo Coelho aparece em várias reportagens relatando seus internamentos em 1966,67 e 68, Garrincha faleceu na Eiras, Heleno de Freitas foi lá hospitalizado.

Encontrei um texto que parece ser de Carlos Drummond de Andrade que relata o final de Garrincha: Apenas um esparadrapo com o nome Manoel da Silva identificava o corpo de Garrincha, 49 anos, na Casa de Saúde Dr. Eiras, onde foi hóspede habitual desde o agravamento de seus problemas com o alcoolismo e morreu no início da manhã vítima de um edema pulmonar. Velado no saguão do estádio Maracanã, foi enterrado no dia seguinte na cidade de Pau Grande, no interior do Rio, de onde saiu para driblar o mundo.

Esse comentário citado a seguir, certamente é de Drummond: Se há um deus
que regula o futebol,
esse deus
é, sobretudo,
irônico e farsante,
e Garrincha
foi um de seus delegados
incumbidos de zombar
de tudo e de todos,
nos estádios."
Carlos Drummond de Andrade

 

Cito apenas alguns dos nomes que aparecem na Internet com  relações com a Casa de Saúde Dr. Eiras.

Num artigo de Marcelo Camacho encontramos esse depoimento do escritor Paulo coelho Outra experiência da vida real que Paulo colocou no livro foi a observação de que muita gente encarava sua passagem pelo hospício com certa naturalidade. "Era confortável ser louco aos 18 anos. Significava que você não teria mais responsabilidades", diz. "Dentro do hospício, a comida era boa, eu tinha cigarros, via um filme no cinema interno uma vez por semana. Sabia que não era louco, mas achava que, para ser um escritor, precisava passar por aquilo. Tudo era uma grande aventura", resume o autor.

Uma outra figura famosa por sua vida trepidante e desafiadora foi à atriz Luz del fuego e há referências a um internamento seu na Casa de Saúde Dr. Eiras (Livro Luz del Fuego - A Bailarina do Povo, de Cristina Agostinho).

Revista de Psiquiatria no IBBP

 

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Notes: Este foi o tema da sua tese de Livre-Docência na Fac.Med.da USP em 1967

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(muitas das informações aqui relatadas são fruto do trabalho de Pedro José Fernandes Filho que resultou numa monografia para a obtenção do Diploma de Bacharel em Museologia e está na página http://www.hmattos.kit.net/historiadacasadesaude.html).


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