Volume 11 - Março de 2006
Editor: Giovanni Torello

 

Julho de 2000 - Vol.5 - Nº 7

Psicanálise em Debate

Miscelânea

Dr. Sérgio Telles

1) UMA COMUM FANTASIA SOBRE A ANÁLISE – o que acontece quando um paciente volta à análise?
2) NOTÍCIAS SOBRE OS "ESTADOS GERAIS DA PSICANÁLISE"- PARIS, 8-11 DE JULHO DE 2000

1.) UMA COMUM FANTASIA SOBRE A ANÁLISE – o que acontece quando um paciente volta à análise?

Uma fantasia negativa comum sobre o trabalho analítico é aquela que gira em torno da idéia de que o analista estimula a neurose do paciente para explorá-lo. O analista faria todo esforço para que o paciente não abandone a análise, no intuito de explorá-lo, sugar-lhe todas as forças (o dinheiro). Em nenhuma hipótese pensaria numa interrupção do processo, seu desejo é perpetuá-lo. A análise deixaria os pacientes "dependentes", no mesmo sentido em que a palavra é usada em relação à droga.

Não é à toa que existe esta fantasia. Ela representa, de forma projetada, o desejo infantil de fusão com o seio materno, de reencontro com a Coisa lacaniana, de reconstrução do narcisismo primário, do gozo com o corpo da mãe, do alcançar a plenitude definitiva. É a projeção da voracidade infantil frente ao seio bom materno. O analista é colocado no lugar da criança voraz que suga indefinidamente o seio inesgotável representado pelo paciente.

Esta fantasia, que ataca a análise e o analista, tem pois um fundo de verdade, na medida que aponta para o desejo mais profundo do ser humano. Esse desejo é assim reconhecido, articulado mas expresso de forma paranóica, ou seja, projetada no outro, aqui representado pelo analista.

Muito bem, se este no fundo é a projeção que a cultura faz sobre o analista, é o desejo do paciente de restaurar a relação narcísica com a mãe, de fundir-se com ela, qual é o desejo do analista?

O analista, para usar o modelo médico, quer que o paciente "evolua bem". O que é esse "evoluir bem" ? É o paciente poder superar padrões infantis de relacionamento com o mundo. É não mais atualizar permanentemente seu passado nas relações atuais, quebrando as amarras da compulsão à repetição. É poder prescindir do analista por ter integrado em seu psiquismo aspectos até então negados, cindidos, reprimidos. É ter ele condições de manter uma auto-análise que o deixe capaz de administrar bem seu conflito interno, sendo capaz de lidar com as formações que o Inconsciente continuará a produzir. É ter ele compreendido seu funcionamento psíquico. É ele ter crescido.

Irônicamente, assim, vemos que o desejo do analista é o exato oposto daquele que lhe atribuem. Ao contrário de querer reconstruir a díade narcísica mãe-bebê, que é o desejo do paciente, a meta maior do analista é exatamente destruir esta díade, é romper com a estrutura narcísica do paciente e – representante do nome-do-pai, da lei - fazê-lo aceitar a castração simbólica, reconhecer sua limitação e incompletude, acatar o outro como diferente de si, admitir o outro sexo, perder sua onipotência infantil. Embora isso implique em severas perdas, são elas a base imprescindivel para o acesso aos efetivos ganhos dentro da realidade.

Estamos dentro de assunto polêmico, o "desejo do analista". Todos conhecem a afirmação de Bion ("o analista não deve ter memórias nem desejos"), que tantas vezes e equivocadamente é entendida ao pé da letra. Lacan afirma ser o desejo do analista diferente do desejo do paciente. Este – como ilustra a fantasia acima - tem um caráter mortífero, por objetivar a fusão com o objeto, a indiscriminação, a negação da diferença. A consequência é a destruição do objeto. Já o desejo do analista tem por meta a "diferença absoluta" – o rompimento do narcisismo.

São teorizações mais atuais que em nada contradizem as claríssimas instruções de Freud sobre a técnica e o manejo da transferência. Dali se depreende a exigência ética de o analista compenetrar-se de sua responsabilidade, sabedor que é do extraordinário poder que pode ter sobre o paciente, que com ele reatualiza o desamparo infantil, que o idealiza como figura paterna amada e odiada. É preciso que o analista saiba não usar essa situação para satisfazer o próprio narcisismo e sim para ajudar a seu paciente a sair do dele, enfrentando a castração.

Se o desejo do analista é a "diferença absoluta", é que o paciente "evolua bem", "cresça", como vê ele o paciente que retorna à analise, um veterano que volta à luta? É um problema vasto, que circunscrevei a duas situações típicas.

Todo analista sabe como o curso da análise, sempre singular, tem momentos turbulentos que podem levar a desfechos inesperados e indesejados, como sua interrupção prematura. Os conflitos atualizados na transferência transbordam e não é possível interpretá-los a tempo. O paciente atua e vai embora. Se este paciente retorna à análise é provável que contra-transferencialmente predomine no analista uma atitude de aceitação, pois entende a volta como uma evidência de sua atuação adequada e pertinente, a qual o paciente reconhece passado o calor do conflito que o fizera interromper o trabalho.

Coisa diferente ocorre quando retorna à análise um paciente que recebeu "alta" – momento importante, cujas complexidades não abordarei agora. A reação contra-transferencial do analista pode ser bem mais ambivalente.

Ao contrário da situação anterior, quando a volta do paciente é entendida como um sucesso de seu trabalho, agora essa volta pode colocar em questão os critérios de alta e sua eficácia como analista.

O analista não pode deixar de reconhecer que o paciente o reteve como um objeto bom a quem pode recorrer em momentos de maior necessidade. Se está num momento de integração, sabe que os descaminhos da vida levam a complicados impasses, a situações que podem desencadear as mais variadas regressões no paciente, deixando-o desarmado para enfrentá-las, por melhor que tenha trabalhado. O retorno aponta para uma nova fase da análise, onde pontos que não foram adequadamente abordados virão à tona. Sente-se motivado para reiniciá-la.

Se está vivendo um momento menos integrado, pode sentir o retorno do paciente dentro de uma perspectiva melancólica: é um fracasso seu, uma prova de que não o ajudou o suficiente, caso contrário não estaria ele ali novamente pedindo auxílio. Ou, o que é pior, na linha paranóide: o paciente retorna para acusá-lo de incompetência pessoal ou para denunciar a análise como uma falácia ilusória .

Nestes momentos de menor integração, o paciente fere o narcisismo do analista com sua volta. Ele está distante do desejo de "absoluta diferença". Estabelece uma relação narcísica com o paciente, funde-se com ele, passa a vê-lo como um objeto persecutorio que o atormenta, não tendo cumprido com o papel de objeto bom tranquilizador, que em sua "evolução", cumprindo com os deveres do "bom paciente", daria evidência de sua competência..

O analista pode tentar isentar-se de qualquer responsabilidade frente ao que está sendo visto como um fracasso, atribuindo-o inteiramente ao paciente, cuja patologia pensa ter reincidido independente de qualquer esforço contrário seu anteriormente empreendido.

O analista tem de lidar com fortes sentimentos negativos de rejeição frente ao paciente. Não quer mais aceitá-lo em análise, "entrega os pontos", acha que deve encaminhá-lo a um colega.

Mais do que nunca, o analista deve ficar muito atento e procurar exercer sua auto-análise. Ao pensar em encaminhar o paciente para outro colega, não deixa de ter suas razões. Não é impossível que seus pontos cegos tenham impedido de analisar adequadamente aspectos daquele paciente, coisa que não aconteceria com outro profissioanal, cujos escotomas dificilmente coincidiriam com os seus próprios. Assim, seria benéfico o encaminhamento.

Precisa discriminar bem se sua relutância em receber de volta o paciente deve-se ao reconhecimento de que efetivamente não tem mais condições contra-transferenciais de atendê-lo (o que é uma possibilidade), ou se decorre de seu narcisismo ferido.

Se o analista consegue analisar a relação narcísica que estabeleceu temporariamente com o paciente, ele entende as exigências de seu super-ego e ideal do ego, vence seu narcisismo que o leva a desejar pacientes perfeitos (filhos perfeitos) que mostrem a todos como ele é capaz e competente, que o reassegurem frente às angústias próprias da prática analítica. Aí tudo muda, pode retomar o desejo da "absoluta diferença".

A volta do paciente deixa de ser sentida como um fracasso seu ou dele. Passa a ser um fato complexo, decorrente de muitas variáveis. A retomada implica em abordar aspectos não analisados anteriormente quer seja por escotomas que apresentava na época (e que talvez não os tenha da mesma forma no momento), ou por situações existenciais que fizeram emergir conflitos que até então não tinham se configurado para o paciente.

Desta forma sai de uma formulação maniqueista, que só reconhecia a polaridade fracasso-sucesso, proporcionando-se um ângulo de visão mais amplo. Ao aceitar o paciente, com suas queixas e regressões, aceita também suas próprias limitações e as limitações da análise, as imposições da vida.

Se isso acontece, o paciente se sente acolhido e não um filho fracassado que decepciona as expectativas do pai. O analista também se sente mais integrado, menos paranóico ou melancólico, podendo reavaliar o caso, reconhecendo o valor do trabalho anteriormente realizado, que apesar de limitações, deve ter ajudado o paciente, evitando situações de risco e infelicidades maiores, como o fato de ter ele voltado indica.

Com tudo isso, sai da compulsão à repetição e reinicia a análise de forma revitalizada.

2) NOTÍCIAS SOBRE "OS ESTADOS GERAIS DA PSICANÁLISE" – PARIS, 8-11 DE JULHO DE 2000

Dado a importância do evento, transcrevo a nota sobre os ESTADOS GERAIS DA PSICANÁLISE divulgada por Maria Cristina Rios Magalhães, organizadora e coordenadora do grupo brasileiro e membro do comitê internacional. Participarei do encontro e em nosso próximo número, darei notícias sobre o mesmo.

RESUMO DE ALGUMAS ATIVIDADES DOS "ESTADOS GERAIS DA PSICANÁLISE" NO E A PROPOSTA DE CONTINUAÇÃO PARA OS TRABALHOS

Caro(a) colega,

Entre 8 à 11 de julho deste ano, se encontrarão em Paris, vindos de várias partes do mundo, mais de 1500 psicanalistas, entre eles estarão cerca de 150 psicanalistas brasileiros, que se engajaram na proposta de René Major: Os Estados Gerais da Psicanálise - 2000.

Envio-lhe notícias sobre os efeitos que esta proposta de trabalho produziu no Brasil, bem como os reflexos desses acontecimentos no debate internacional.

Os Estados Gerais: novos territórios e fronteiras na Psicanálise.

Esse movimento foi proposto por René Major, em fevereiro de 1997, por ocasião do lançamento, em Paris, do livro de Helena Besserman Viana, Politique de la psychanalyse face à la dictature et à la torture, pela editora L’Harmattan.

Todos os psicanalistas do mundo, independentemente de sua filiação institucional ou teórica ou do motivo pela qual elas possam ter sido recusadas, foram convocados para a criação de espaços de produção de pensamento e debate sobre o estado atual da Psicanálise. A clínica da psicanálise, suas instituições, sua relação com a sociedade, com a cultura e com os outros saberes da contemporaneidade estão sendo profundamente questionados. Um grande número de psicanalistas respondeu, em todo o Brasil, a essa convocação. Possibilidades vigorosas foram inauguradas entre nós.

Com a condição imprescindível de que esses espaços não pertençam a nenhuma instância individual ou coletiva, os Estados Gerais da Psicanálise não podem ser reivindicados por grupos já constituídos. Mesmo aqueles que, hoje, tomam a iniciativa e a responsabilidade de realizá-los, não detêm a sua propriedade. Esta é uma posição reconhecidamente pertinente ao dispositivo psicanalítico, onde a liberdade de associação e a transferência não podem ser apropriadas.

Na ausência de referências às hierarquias, às garantias e legitimidades prevalentes, cada participante é responsável pelo seu destino e organização. Os Estados Gerais da Psicanálise são independentes. Os seus compromissos são livres. Eles mesmos devem poder debater sua própria legitimidade.

Os Estados Gerais reconhecem a importância das instituições. Eles reconhecem, também, que freqüentemente elas são conclamadas a serem conservadoras, enquanto a conduta psicanalítica é libertadora. O engessamento em modelos, a ausência de pensamento em liberdade e a vulgarização são aniquiladores do saber.

Os Estados Gerais da Psicanálise, de acordo a sua convocação, serão dissolvidos em julho de 2000, ao término do encontro em Paris.

Essa proposta engendrou a criação de:

  • Grupos de debate e produção de textos em vários pontos do país.
  • Site Internacional dos Estados Gerais da Psicanálise no Brasil:

http://www.geocities.com/HotSprings/Villa/3170/EG.htm

(Clique para entrar)

  • Rede Internacional de Endereços Eletrônicos.
  • Encontro Sul-Americano dos Estados Gerais da Psicanálise.
  • Uma participação de quase 30% dos trabalhos inscritos no Congresso Mundial dos Estados Gerais da Psicanálise, neste ano, em Paris.
  • Adoção do Português como uma das línguas oficiais do Congresso, fato raríssimo nos congressos internacionais.
  • Proposta de prosseguimento para o movimento no mundo.

Grupos de debate e produção de textos em vários pontos do país.

Em agosto de 1998, René Major (Paris, Fr), responsável pela coordenação do movimento mundial, Helena Besserman Viana (Rio de Janeiro), Fernando Coutinho Barros (Rio de Janeiro), membros do comitê internacional de preparação em formação reuniram-se, a convite de Maria Cristina Rios Magalhães (membro do comitê internacional de preparação em São Paulo), com aproximadamente 40 psicanalistas de diversas filiações. O evento teve lugar em São Paulo e contou com a presença de psicanalistas de vários Estados do Brasil.

Discutiu-se a convocação, as bases do movimento e a constituição de um comitê internacional de preparação. Notícias mais detalhadas da organização em Paris e em outros países foram transmitidas. Fernando Coutinho Barros relatou a experiência do primeiro grupo engajado nas preocupações e propostas dos Estados Gerais da Psicanálise no Brasil. Um grupo coordenado por ele e por Miguel Calmon du Pin e Almeida, também membro do comitê internacional de preparação, já havia iniciado as suas atividades.

A partir desse encontro várias plenárias se realizaram. Psicanalistas de diversas filiações e associações, de diferentes lugares do Brasil participaram expondo suas queixas. Uma análise da situação da psicanálise no Brasil foi sendo desenvolvida.

De uma situação na qual a psicanálise era preponderantemente uma reprodução de modelos estrangeiros, em que a nossa produção escrita era parca, quase inexistente, transformações significativas foram notadas.

Nos últimos 30 anos, a psicanálise no Brasil adquiriu múltiplas feições. O número de instituições, de psicanalistas, de publicações nacionais e de traduções se multiplicou. A demanda por análise e a produção de pensamento evidentemente se adensou. Atualmente, o número de publicações psicanalíticas de autores brasileiros tende a ser maior do que as traduções. Como praticamos, hoje, a psicanálise? A psicanálise no Brasil é inglesa? Ela é francesa? Ela é universitária? Existe uma psicanálise brasileira? Psicanálise tem nacionalidade? O que a psicanálise tem a contribuir na contemporaneidade?

O interesse em aprofundar o conhecimento sobre a psicanálise no Brasil em sua relação com a contemporaneidade, numa organização facilitadora de fluxos, de apresentações e de pensamento, engendrou a concepção da organização dos Estados Gerais da Psicanálise entre nós. A necessidade de estimular a produção de conhecimento e o seu debate, da maneira mais livre e democrática possível, configuraram a nossa proposta e contribuição para os Estados Gerais e para a Psicanálise.

Diversos grupos de debate e de produção de textos se organizaram. Coordenado por Regina Orth de Aragão e Luís Augusto Celes, membros do comitê internacional de preparação, o grupo de Brasília começou a se reunir. O grupo de Pernambuco, sob a coordenação de Paulina S. Rocha, também do comitê internacional, iniciou seus trabalhos. Em São Paulo, Beatriz Aguirre, Maria Auxiliadora Arantes, Manoel Tosta Berlinck (membro do comitê internacional de preparação), Márcia Coutinho de Carvalho, Paulo Roberto Ceccarelli, Cármen Cerqueira César, Rubens Coura, Mário Pablo Fuks, Mírian Magda Giannella, Sara Hassan, Caterina Koltai, Maria Teresa Lamberte, Isabel Marazina, Susan Markuschowre, Eliane Michelini Marraccini, Ana Cleide Guedes Moreira, Eliana Zmetek Naconecy, Alessandra Sapoznik, Maria de Fátima Siqueira, Clarissa Silbiger Ollitta, Élcio Gonçalves de Oliveira Filho e Maria Cristina Rios Magalhães, na coordenação, organizaram mais sete pequenos grupos de interlocução sobre temas específicos. Implementaram, com o apoio de vários membros do comitê internacional de preparação no Brasil, a realização do site internacional no Brasil, da rede internacional de correios eletrônicos, lançando as bases e a preparação do Encontro Sul-Americano dos Estados Gerais da Psicanálise. Um grupo coordenado por Luís Carlos Menezes (membro do comitê internacional), também discutiu, em São Paulo, uma série de questões.

Por meio da rede internacional de endereços eletrônicos o grupo argentino-ítalo-brasileiro e o grupo da Biblioteca Nacional, ambos de Buenos Aires, anunciaram suas atividades.

Rede Internacional de Endereços Eletrônicos.

Cerca de 2000 participantes se comunicam por meio do envio de artigos, notícias, debates, manifestos, propostas e convocações de reuniões. Aproximadamente 163 trabalhos latino-americanos, em sua maioria brasileiros, estão sendo distribuídos para leitura e discussão. A Rede propiciou o contato entre grupos e entre muitos participantes individuais. Alguns a sustentam financeiramente, assim como o site na Web.

Quem quiser participar é só se comunicar com:

Maria Cristina Rios Magalhães : [email protected]

Site Internacional dos Estados Gerais de São Paulo

http://www.geocities.com/HotSprings/Villa/3170/EG.htm

(Clique para entrar)

Nele são publicados manifestos, informações, notícias, textos e debates engendrados pelo movimento dos Estados Gerais. Devido ao grande número de trabalhos - 167 até o momento - à grande diversidade de questões e de abordagens, o site oferece uma boa amostra das questões às quais os psicanalistas se dedicam atualmente no Brasil, assim como uma amostra da qualidade da nossa produção escrita. Muitos trabalhos em Espanhol também se encontram no site.

O site é sustentado financeiramente pela rede de participantes e já recebeu quase 9.000 visitas.

O acesso ao site dos Estados Gerais de Paris pode ser realizado por meio do item Propositions no site acima.

Encontro Sul-Americano dos Estados Gerais da Psicanálise.

Psicanalistas de diversas filiações reuniram-se em São Paulo, em novembro de 1999. Oriundos de Buenos Aires e de várias cidades do Brasil, 160 participantes debateram, durante vários dias, em pequenos grupos simultâneos, 90 trabalhos. A rede de endereços eletrônicos e o site facilitaram a leitura prévia dos textos.

Assim realizou-se um encontro onde as diferenças, a igualdade, a cordialidade e a inteligência teceram as discussões. Os princípios e os objetivos dos Estados Gerais da Psicanálise criaram, nesse encontro, uma clareira em que as querelas, rivalidades e brigas cristalizadas entre escolas, associações e grupos, ficaram de fora. O grande interesse pelos trabalhos, pelo debate, o espírito de abertura e o rigor propiciaram o aprofundamento de várias questões que a sociedade, a ciência e a cultura propõem à psicanálise na emergência do século XXI.

Ao término da jornada de trabalho, uma assembléia elaborou uma proposta de prosseguimento dos Estados Gerais da Psicanálise no mundo, a ser apresentada no dia da dissolução do movimento prevista para julho deste ano no Congresso em Paris.

Proposta de prosseguimento do movimento dos Estados Gerais da Psicanálise no mundo.

A assembléia realizada no encerramento do Encontro Sul-Americano dos Estados Gerais da Psicanálise propõe que os psicanalistas engajados mantenham-se conectados em rede.

Por meio dos recursos que a Internet nos oferece (formação de redes de endereços eletrônicos, grupos de discussão, sites na Web) as notícias transmitidas pelos participantes dos Estados Gerais da Psicanálise, assim como seus trabalhos e debates poderiam ser acessíveis a todos os interessados.

Essa rede pode ter recortes diferentes, conforme as necessidades e os interesses do trabalho. Ela poderia ser utilizada na organização de pequenos grupos de discussão e encontros que precederiam um novo congresso mundial.

Ela propicia, também, o contato entre aqueles que participam individualmente.

Esses seriam os recursos utilizados tendo em vista o estreitamento das relações de trabalho entre os participantes. Essas seriam as estratégias para a preparação de um novo Congresso Mundial dos Estados Gerais da Psicanálise a ser efetivado em algum lugar, daqui a três anos. A convocação e as bases propostas por René Major continuariam balizando o movimento. A dissolução dos Estados Gerais da Psicanálise se realizaria, então, no último dia de trabalho desse futuro encontro mundial.

Se você quiser assinar esse documento e fazer sua essa proposta, envie-nos a sua concordância o mais rápido possível, por e-mail ou correio.

Cordialmente,

Maria Cristina Rios Magalhães

Membro do Comitê Internacional de Preparação;

Membro do Comitê de Preparação dos Estados Gerais da Psicanálise em São Paulo – Coordenação.

Rua Itápolis,1325
CEP 01245-000
São Paulo - SP
Fones/fax: (011) 3661-8434
(011) 3663-0236

e-mail: [email protected].com.br

    Assinam esse documento:

  1. Beatriz Aguirre - membro do comitê de organização em S. Paulo.
  2. Catherina Koltai - membro do comitê de organização em S. Paulo.
  3. Rubens MarceloVolich - S. Paulo.
  4. Elcio Gonçalves de Oliveira Filho - membro do comitê de organização em S. Paulo.
  5. Mario Pablo Fuks - membro do comitê de organização de S. Paulo.
  6. Paulina Schmidtbauer Rocha - Membre du Comité International de Préparation - Grupo de Recife - Coordenação.
  7. Joel Katz - S. Paulo.
  8. Maria de Fátima Siqueira de Madureira - Membro do Comitê de Organização em S. Paulo.
  9. Maria Rita Khel - S. Paulo.
  10. Felipe Lessa - S. Paulo.
  11. Maria Auxiliadora Arantes - Membro do Comitê de Organização em S.Paulo
  12. Ana Maria Sigal de Rosemberg - S. Paulo.
  13. Lucia Barbero Fuks - S. Paulo.
  14. Maria Teresa Ramos Martins Lamberte - Membro do Comitê de Organização em S. Paulo.
  15. Manoel Tosta Berlinck - Membre du Comité International de Préparation - S. Paulo.
  16. Sergio Telles - S. Paulo.
  17. Eliane Michelini Marraccini - Membro do Comitê de Organização em S. Paulo.
  18. Regina Orth de Aragão - Membre du Comité International de Préparation - Comitê brasiliense pelos Estados Gerais - Coordenação.
  19. Marcia Coutinho Carvalho - Membro do Comitê de Organização em S. Paulo.
  20. Rubens Coura - Membro do Comitê de Organização em S. Paulo.
  21. Izabel Madurureira Marques - S. Paulo.
  22. Aloysio Bello - Belo Horizonte.
  23. Isabel Victoria Marazina - Membro do Comitê de Organização em S.Paulo
  24. Sonia Alberti - Rio de Janeiro.
  25. Eliane Mendlowicz - Rio de Janeiro.
  26. Maria Lúcia Pilla - Rio de Janeiro.
  27. Denise Maurano - Rio de Janeiro.
  28. Ana Beatriz Zuanella Cordeiro - Recife.
  29. Ana Cleide Guedes Moreira - Belém do Pará.
  30. Isabel da Silva Khan Marin - S. Paulo.
  31. Henrique Figueiredo Carneiro - Fortaleza.
  32. Ana Maria Soares - S. Paulo.
  33. Rubia Mara do Nascimento Zecchin - S. Paulo.
  34. Suelena Werneck Pereira - S. Paulo
  35. Renata Cromberg - S. Paulo.
  36. Claudia Rohenkhol - S. Paulo
  37. Maria Isabel Tafuri - Grupo brasiliense pelos Estados Gerais.
  38. Janete Frochtengarten - S. Paulo.
  39. Paulo Roberto Ceccarelli - Membro do Comitê de Organização em S. Paulo.
  40. Claudia Paula Santos - S. Paulo.
  41. José Atílio Bombana - S. Paulo.
  42. Tania Rivera - Grupo brasiliense pelos Estados Gerais.
  43. Geraldino Alves Ferreira Neto - S. Paulo.
  44. Maria Lucia Homem - S. Paulo.
  45. Ana Yêda A Cirilo Carvalho - Recife.
  46. Maria do Carmo Vieira da Cunha - Recife.
  47. Maria Thereza L. de A C. Lins - Recife.
  48. Ana Elizabeth Cavalcanti - Recife.
  49. Cármen Cardoso - Recife.
  50. Maria Silvia Tachinardi - Comitê brasiliense pelos Estados Gerais.
  51. Luiz Augusto Celes - Membre du Comité International de Préparation - Comitê brasiliense pelos Estados Gerais - Coordenação.
  52. Maria Nilza Campos - Comitê brasiliense pelos Estados Gerais.
  53. Laurice Levy - Rio de Janeiro.
  54. Maria Cristina Ocariz - S. Paulo.
  55. Ilcéa Marques Borba - Uberaba.
  56. Daisy Justus - Rio de Janeiro.
  57. Marilucia Melo Meireles - S. Paulo.
  58. Elisabeth Antonelli Gaiarsa - S. Paulo.
  59. Monica Amaral - S.Paulo.
  60. Helena Besserman Vianna - Membre du Comité International de Préparation - Grupo do Rio de Janeiro.
  61. Miguel Calmon du Pin e Almeida - Membre du Comité International de Préparation - Grupo do Rio de Janeiro - Coordenação.
  62. Silvia Leonor Alonso - S. Paulo.
  63. Rosa Albé - Rio de Janeiro.
  64. Ana Maria Medeiros Costa - Porto Alegre.
  65. Roberto Menezes de Oliveira - Comitê brasiliense pelos Estados Gerais.
  66. Jeremias Ferraz - Membre du Comité International de Préparation Rio de Janeiro - Coordenação.
  67. Flávio Ferraz - S. Paulo.
  68. Gisela Barreiros - S. Paulo.
  69. Terezinha Féres Carneiro - Rio de Janeiro
  70. Wilson de Lyra Chebabi - Membre du Comité International de Préparation Grupo do Rio de Janeiro - Coordenação.
  71. Paulo Sternick – Membre du Comité International de Préparation - Grupo do Rio de Janeiro.
  72. Fernando Coutinho Barros - Membre du Comité International de Préparation - Grupo do Rio de Janeiro - Coordenação.

 

    A continuação da lista de assinaturas seguirá mais tarde.


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