Volume 22 - Novembro de 2017
Editores: Giovanni Torello e Walmor J. Piccinini

 

Janeiro de 2009 - Vol.14 - Nº 1

France - Brasil- Psy

Coordenação: Docteur Eliezer DE HOLLANDA CORDEIRO

Quem somos (qui sommes-nous?)                                  

France-Brasil-PSY é o novo espaço virtual de “psychiatry on  line”oferto aos  profissionais do setor da saúde mental de expressão  lusófona e portuguesa.Assim, os leitores poderão doravante nela encontrar traduções e artigos em francês e em português abrangendo a psiquiatria, a psicologia e a psicanálise. Sem esquecer as rubricas habituais : reuniões e colóquios, livros recentes, lista de revistas e de associações, seleção de sites.

Qui sommes- nous ?

France-Brasil-PSY est le nouvel espace virtuel de “psychiatry on line”offert aux professionnels du secteur de la santé mentale d’expression lusophone et française. Ainsi, les lecteurs pourront désormais y trouver des traductions et des articles en français et en portugais  concernant la psychiatrie, la psychologie et la psychanalyse. Sans oublier les rubriques habituelles : réunions et colloques, livres récentes, liste de revues et d’associations, sélection  de sites

SOMMAIRE (SUMÁRIO):

 

  • 1.ATRIBULACÕES DA PSIQUIATRIA FRANCESA
  • 2. DOENTES MENTAIS TRANCADOS NAS RUAS
  • 3. REVISTAS
  • 4. ASSOCIAÇÕES
  • 1. ATRIBULAÇÕES DA PSIQUIATRIA FRANCESA

    Eliezer de Hollanda Cordeiro

    Referências :  Christine GINTZ e Pierre FARAGGI

     

    No artigo  « O Presidente quer dar mais segurança », escrevi sobre o projeto de lei destinado a reformar o funcionamento dos hospitais públicos franceses. O projeto inclui, entre outras medidas,  a hospitalização obrigatória dos doentes julgados perigosos, o contrôle rigoroso de suas  permissões de saída,  o aperfeiçoamento  da segurança nos estabelecimentos psiquiátricos e o uso de uma pulseira eletrônica.

     

    LOUCURA E PERICULOSIDADE

    O projeto  está sendo ressentido como perigoso por muitos psiquiatras e atores da saúde pública, donde as manifestações de descontentamento, as petições e manifestos que circulam nas mídias e na Internete, denunciando a assimilação que o projeto de lei corre o risco de estabelecer entre loucura e periculosidade. Ao mesmo tempo, os peticionários clamam que  a falta de recursos humanos e materiais são a causa dos  recentes disfuncionamentos ocorridos  nos hospitais.Porém,  o  governo sustenta que o problema não decorre de uma falta de investimentos mas de uma organização deficiente  dos serviços existentes.

    Foi neste contexto que Christine GINTZ  escreveu o artigo  ’La Psychiatrie Française est devenue folle’’( A Psiquiatria Francesa virou louca), publicado no blog  Bakchich Infos (9/12/2008). Notemos as seguintes passagens :‘’Uma coisa é certa, os loucos não são os mais perigosos no mundo em que vivemos. Por trás do louco existe a sociedade e o que ela faz da instituição psiquiátrica(…) Quando esta sociedade aplica soluções rápidas e egoistas, quando  ela gerencia  a psiquiatria como se fosse  uma empreza,  e considera que a demência pode ser rentabilizada,  a sociedade  torna-se mais louca do que os loucos, ela se torna perigosa.’’

    A colega psiquiatra  testemunha : ‘’Desde que me formei em psiquiatria, nunca tive problema com a agressividade ou com a violência de meus pacientes. Nunca tive a impressão de exercer um trabalho arriscado.’’ Ela deplora que o drama de Grenoble- o homicídio de um estudante  de 26 anos, cometido por um esquizofrênico fugido do hospital-  tenha   tornado os doentes mentais suspeitos, em vez de suscitar um questionamento sobre a evolução imposta à psiquiatria nos últimos 20 anos. E isto  ‘’em nome do modelo econômico universal no qual pedem-nos para entrar.’’

    RELAÇÃO MÉDICO-PACIENTE OU  RELAÇÃO  CUSTO-EFICIÊNCIA ?

    Christine GINTZ ataca o projeto do governo com outro argumento : ‘’não se pode negar  que a descoberta dos neurolépticos tenha sido  um progresso extraordinário para a psiquiatria,  permitindo  que muitos loucos deixassem os hospitais e fossem tratados em ambulatórios. Mas a predominância do modelo econômico atual transformou a revolução dos neurolépticos em  pretexto para se esvaziar os hospitais psiquiátricos, portanto o único lugar onde determinados pacientes podem se refugiar  e se tratar. Foi  assim que o esvaziamento dos hospitais transformou  bom número de esquizofrênicos, que precisavam de  tratamentos, em pacientes sem domicílio fixo ou em detentos.’’

    Mais ainda, ela denuncia a lógica mercantil que conduziu à redução acelerada não somente do número de leitos mas também do número de psiquiatras e enfermeiros. Nesta perspectiva,  o que conta  não é a relação médico-paciente, mas a relação  custo-eficiência.

    Mas em que consiste a eficiência em questão ? E qual é o projeto terapêutico que norteia esta eficiência?

    Sabendo-se que um autêntico  projeto terapêutico é necessariamente longo e implica uma continuidade dos cuidados, deduzimos que a lógica do modelo econômico em vigor, baseada  na procura de soluções rápidas, não constitue uma resposta terapêutica apropriada. Consequência : ‘’os terapeutas  não têm mais tempo para se dedicar ao diálogo com os pacientes. Nem  para canalizar  a agressividade e o delírio. Eles não têm outra solução porque  a contingência impõe o  medicamento e o quarto de isolação.’’

    SERVIÇOS ABERTOS OU FECHADOS ?

    A política que restringe os meios atribuidos à psiquiatria explica porque quartos e janelas estão sendo fechados.Assim, procurando  adaptar-se  às novas exigências administrativas,  a psiquiatria  tornou-se mais repressiva. Resultado :os mesmos serviços  que haviam aberto as suas portas quando a  psiquiatria de setor  foi instaurada, pouco a pouco fecharam-nas de novo.

    Christine GINTZ dá um exemplo. Ela encontrou recentemente  uma enfermeira que retomou o trabalho no mesmo serviço em que trabalhara anos atrás. Quando partiu, a enfermeira havia deixado um lugar aberto. Ao voltar e encontrá-lo fechado,  perguntou para a equipe : quem tomou a decisão de trancar as janelas ?  De fechar as portas ? E porque ? Ninguém foi capaz de  lhe dar uma resposta.

    Resultado, hoje em dia, quando um doente salta pela janela, a questão que se coloca  não é mais : ‘’porque o paciente fez isto’’ ? Mas, ’’a maçaneta da janela era conforme às normas ?’’  

    Ela termina  dizendo haver conhecido  a psiquiatria hospitalar  numa época em que a abertura dos hospitais psiquiátricos era uma realidade. E que os colegas mais antigos afirmavam ‘’que isto havia levado a uma diminuição considerável da violência .’’

    Esta idéia é também defendida por Pierre FARAGGI,  presidente da Confederação dos psiquiatras dos hospitais, no artigo ‘’ Le fou, ou les figures de la peur’’( ‘’O louco ou as figuras do medo’’, publicado no jornal Le Monde de 30 de dezembro 2008). Ele  escreveu que a ‘’ofensiva consistindo em estigmatisar o doente mental(…) reforçou a idéia  de que a  loucura é perigosa. Mas as  estatísticas policiais e judiciárias provam o contrário : o doente mental é muito mais vítima do que autor de atos agressivos. E, quando ele comete um homicídio,trata-se de uma ocorrência  muito rara e que se passa,  na maioria dos casos,  no meio intra-familiar.’’

     

    2. DOENTES MENTAIS TRANCADOS NAS RUAS

    Nota do tradutor : A jornalista Virginie Roels, acompanhou  uma brigada da prefeitura de polícia parisiense, encarregada de dar assistência às pessoas que vivem nas ruas. Ela relatou sua experiência em artigos publicados na edição em linha da revista Marianne, cuja tradução resumida apresentamos aos leitores de nossa coluna.

    QUINTA-FEIRA  18 DE DEZEMBRO DE 2008

    ENFERMÉS DEHORS, PAR VIRGINIE ROELS

    Tradução e resumo: Eliezer de Hollanda Cordeiro

     

     ‘’Os distúrbios psíquicos  são uma das razões capazes de explicar o processo que leva uma pessoa a viver na rua. E os mesmos  distúrbios psíquicos  constituem  obstáculos para aqueles  que procuram ajudar os SDF (Sem domicílio fixo). Com efeito, como entender que os SDF recusem tantas  vezes  serem ajudados,  receberem um cobertor, tomarem um café, mesmo quando o frio é tão grande ? Foi o que pudemos constatar, acompanhando uma equipe da BAPSA  (Brigada de assistência às pessoas  sem alojamento) pelas ruas de Paris. Constatámos que era quase impossivel, para quem não conhecesse a psiquiatria,  tentar encontrar tais pessoas  com o intuito de ajudá-las.
    No dia em que partimos com a Bapsa, a temperatura externa estava abaixo de zero, enquanto  a chuva caia sem cessar. Um pesadelo para  estas pessoas sem alojamento, cujas parcas bagagens estavam geladas e húmidas. Mesmo assim,  nenhuma quis seguir os membros da brigada. Todas preferiram ficar na rua.’’

    SEXTA-FEIRA  19 DE DEZEMBRO

    Virginie Roels cita o historiador  Roland Hureaux, a propósito do aumento dos SDF na França.

    ‘’As críticas de Michel Foucault e de outros autores sobre o encarceramento, bem como  as correntes da antipsiquiatria, explicam porque   somente poucos pacientes  são  hospitalizados. Os outros devem ser treinados para  viverem  de seus  próprios recursos, voltarem para as suas casas  e  serem acompanhados fora dos hospitais. A finalidade de tudo isto não é de se fazer economias : cortar a França em setores psiquiátricos, quadriculando a totalidade da população, custa mais caro do que  os antigos asilos. [O que  se passa atualmente] ‘’é o resultado desta política louca, postulando que todo doente é um homem potencialmente com boa saúde e que basta ajudá-lo um pouco na vida (na rua) para que volte a ser um homem normal.’’

    A JORNALISTA ENTREVISTA O DOUTOR MERCUEL.

     Ela quer saber porque tantos pacientes recusam ser ajudados.

    ‘’Buscando  encontrar uma explicação para esta atitude, encontramos o Doutor  Alain  Mercuel, psiquiatra no Hospital  Saint Anne, em Paris, que organizou um serviço  inteiramente dedicado à ajuda psiquiátrica dos SDF. A equipe que ele dirige propõe  ajudas terapêutica em ambulatórios mas também  nos próprios locais onde são encontrados. O psiquiatra  nos explicou que  os SDF as vezes recusam  uma ajuda porque interpretam-na como uma agressão.’’

     QUE PENSA O FUNDADOR DO SAMU SOCIAL?

    ‘’Pedimos também uma explicação ao  Doutor Xavier Emmanuelli, fundador do Samu Social. Há 15 anos que suas equipes fazem um trabalho formidável nas ruas, ajudando física e psicologicamente os marginalizados. Para ele, a sociedade é responsável pela situação atual e deve encontrar uma solução  consistindo em obter não somente um alojamento digno e espacioso para os SDF, mas também dar-lhes uma assistência psiquiátrica permanente. E não somente  quando  há uma urgência.’’

    30% DOS  DESABRIGADOS SOFREM DE UMA DOENÇA MENTAL GRAVE.

    ‘’Trata-se de uma porcentagem tabu porque recobre duas realidades que   amedrontam : a vagabundagem  e a loucura. Como a cada inverno, a França descobre  seus pobres, se inquieta e promete encontrar um domicílio para todos els. Infelizmente, os SDF tornaram-se o que o jargão da imprensa chama um castanheiro : um sujeito que volta a cada ano na mesma época. Por causa da crise, o número dos SDF parece ter aumentado ainda mais do que nos anos precedentes. Veremos então as  mesmas reportagens, as mesmas histórias sobre esta  engrenagem terrivel - desemprego-divórcio-aluguel não pago - que conduzem um cidadão de poucos recursos  à vagabundagem. Mas, como sempre,  não  se falará do verdadeiro tabu da rua: a loucura.

    Avalia-se  que 30%  dos SDF sofrem de patologias mentais graves.Alguns dizem que a porcentagem das pessoas apresentando distúrbios psíquicos  pode atingir os 80%. De qualquer maneira,  este assunto é muito pouco abordado, e, quando isto ocorre, é somente esboçado.

    Na realidade,  os SDF  são duas vezes  vítimas : da crise econômica  e da crise da psiquiatria francesa. A rua não é um espaço de liberdade para eles. É o asilo mais insuportável.’’

    3. REVISTAS

    * L’Évolution pychiatrique,

    *L’Information Psychiatrique

    *Impacte medecine

    *La revue française de psychiatrie et de psychologie medicale *L’encephale

    *Neuropsy

    *Psychiatrie française

    *Evolution psychiatrique

    4 ASSOCIAÇÕES

    *Mission Nationale d’Appui en Santé Mentale

    *Association française pour l’approche integrative et eclectique en psychotherapie (afiep)

    *Association française de psychiatrie et psychologie legales (afpp)

    *Association française de musicotherapie (afm)

    *Association art et therapie

    *Association française de therapie comportementale et cognitive (aftcc)

    *Association francophone de formation et de recherche en therapie comportementale et Cognitive (afforthecc)

    *Association de langue française pour l’etude du stress et du trauma (alfest)

    *Association de formation et de recherche des cellules d’urgence medico-psychologique (aforcump)

    *Association nationale des hospitaliers pharmaciens et psychiatres (anhpp)

    *Association scientifique des psychiatres de secteur (asps)

    *Association pour la fondation Henri Ey

    *Association internationale d’ethno-psychanalyse (aiep)

    *Collectif de recherche analytique (cora)

    *Ecole parisienne de gestalt

    *Ecole française de sexologie

    *Ecole de la cause freudienne

    *Groupement d’études et de prevention du suicide (geps)

    *Groupe de recherches sur l’autisme et le polyhandicap (grap)

    *Groupe de recherches pour l’application des concepts psychanalytiques a la psychose (grapp)

    *Société française de gérontologie

    *Société française de thérapie familiale (sftf)

    *Société française de recherche sur le sommeil (sfrs)

    *Société française de relaxation psychotherapique (sfrp)

    *Fédération française d’adictologie

    *Société ericksonienne

    *Société de psychologie medicale et de psychiatrie de liaison de langue française

    *Société médicale Balint

    *Union nationale des amis et familles de malades mentaux (unafam)

    *Association Psychanalytique de France (apf)

    *Société Psychanalytique de Paris (spp)


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