Volume 11 - Março de 2006
Editor: Giovanni Torello


Outubro de 1998 - Vol.3 - Nº 10

Coluna do Leitor

Coordenação: Dra Cintia Dias*
* Residente do 3º ano de Psiquiatria do  Departamento de Psiquiatria da UNIFESP/EPM

Convidamos a Dra Cintia Dias, psiquiatra do Departamento de Psiquiatria da UNIFESP/EPM, para coordenar essa nova coluna da Psychiatry On Line Brazil: a coluna do leitor. Este espaço, pioneiro, está direcionado ao público leigo que tenha interesse, dúvidas ou necessite de informações na área de Psiquiatria. Estaremos publicando os e-mails de nossos leitores, as respostas de nosso corpo editorial e de professores convidados de acordo com o tema.

Sempre que possível estaremos mostrando outros de sites de informação sobre Psiquiatria para leigos. O nosso principal objetivo é criar um canal de comunicação mais direto entre os profissionais da área (psiquiatras,psicólogos, terapeutas ocupacionais) pacientes, familiares e todos os interessados nesta área, fornecendo material informativo atualizado, de alta qualidade e prestando um serviço de conscientização sobre as doenças mentais para o público em geral.

Neste mês vamos abordar um tema importante do momento: o envelhecimento patológico, a Demência ou simplesmente esclerose.

Destacamos como sites interessantes para informações complementares: o Manual dos Cuidadores de Alzheimer do Dr Paulo Henrique Ferreira Bertollucci, chefe do Setor de Moléstias Neurológicas Degenerativas da Unifesp/EPM no http://brazil.emb.nw.dc.us/NIB/biosint/nccuida.htm , a página americana do Alzheimer´s Caregivers Page for dealing with Dementia no http://www.alzwell.com a a página brasileira da Associação Brasileira de Alzheimer, Convivendo com Alzheimer no http://www.terravista.ciclone.com.br/claridade/1193 .

Descrevemos aqui algumas informações gerais sobre o que é a Demência, como identificá-la e quais os seus sintomas. Colaboraram nesta coluna a Dra Cintia Dias e a Dra Andrea Freirias (Unifesp).

Esperamos que nossos leitores façam perguntas, comentários e sugestões sobre esse tema para que possamos publicá-los. Os e-mails devem ser endereçados para a Dra Cintia Dias ([email protected]) e no campo de assunto deve ser colocado "Coluna do Leitor".

Participem, que o éspaço é de vocês!

   

O que é Demência ou "Esclerose"

Noções Gerais

Uma das muitas formas de demência ou esclerose é a chamada doença de Alzheimer. Conhecida pelo leigo com o nome de "esclerose", a demência é uma doença cerebral ? e, portanto, não faz parte do envelhecimento normal. Nela, há perda progressiva das capacidades mentais, como a memória, a capacidade de realizar cálculos, lidar com dinheiro, etc.

Ainda não se conhecem as causas da doença de Alzheimer. Sabe-se que 5 a 6% da população idosa sofre de algum tipo de demência, sendo a doença de Alzheimer a forma mais comum. É importante notar que no idoso, nem todo lapso de memória é sinônimo de demência. Como, então diferenciar simples lapsos de memória e a demência? Nos estágios iniciais, não é fácil. Na chamada perda de memória benigna da senilidade, vista em idosos saudáveis, os "esquecimentos" progridem até certo ponto e depois se estabilizam. Nesta forma benigna o prejuízo é quase sempre restrito aos fatos recentes como, por exemplo, o que o idoso comeu pela manhã. Além disso, outra doença que pode ser confundida com demência, no idoso, é a depressão, na qual o indivíduo apresenta problemas de memória, embora estes não sejam de caráter progressivo.

Sintomas e Sinais

O início da doença ocorre com a perda da memória principalmente para fatos recentes: esquecendo onde colocaram as coisas, repetindo perguntas, trocando os nomes de pessoas conhecidas. Também podem estar presentes:

  • alterações do humor - irritação, isolamento social, agitação;
  • prejuízo da capacidade de aprendizado, com dificuldade para enfrentar novas situações, como mudar de casa;
  • perda da atenção ? torna-se difícil a realização de cálculos (contar dinheiro);
  • diminuição do rendimento na realização de tarefas, como cuidar do lar, vestir-se;

Esta fase dura cerca de 2 a 3 anos, e então começam a surgir mais déficits: a memória piora, a pessoa começa a esquecer palavras, nomes de objetos comuns, e tem dificuldade em entender o que lhe é dito. Também existe dificuldade da pessoa orientar-se: às vezes se perde no caminho para casa.

No estágio final, existe perda da capacidade de comunicar-se e a fala é substituída por gemidos ou repetição de uma mesma palavra sem sentido. Também há perda da capacidade de conter urina e fezes, e da capacidade de andar. Até este estágio pode levar, em média, de 8 a 12 anos.

Diagnóstico

O diagnóstico de certeza da doença só pode ser feito na autópsia, pelo exame microscópico do cérebro. Assim, em vida só é possível fazer o diagnóstico de "provável doença de Alzheimer", quando são excluídas outras causas de demência. Isto pode ser feito através de diversos exames, tais como: exame clínico cuidadoso, exame neurológico, exame psiquiátrico, tomografia cerebral ou ressonância magnética, exames de sangue.

Tratamento

Embora a doença de Alzheimer ainda não seja ainda "curável", seu tratamento promove melhora significativa da qualidade de vida de pacientes e familiares, além de reduzir a velocidade de progressão da doença. As principais metas no tratamento destes pacientes são detectar e prevenir a ocorrência de doenças secundárias, bem como melhorar a qualidade de vida dos pacientes e seus familiares. Na edição do próximo mês, serão abordadas as formas de tratamento, e os cuidados mais adequados.

Cintia Dias e Andrea Freirias*
(Residentes do 3º Ano de Psiquiatria do Depto de Psiquiatria da UNIFESP/EPM
 Dúvidas, críticas e sugestões, escreva-me:
[email protected] 


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