Psychiatry on line Brazil

Volume 11 - Março de 2006
Editor: Giovanni Torello


Agosto de 1996 - Vol.1 - Nş 2

A Informática em Psiquiatria

Walmor J. Piccinini
Psiquiatra brasileiro em estágio na Universidade de Michigan - EUA.

Nos últimos tempos, apareceu nas livrarias uma série de livros com títulos, no mínimo, curiosos: "O Fim da História, O Fim do Trabalho (Rifkin), O Fim da Ciência, o Fim do Mundo"e outros. Todos têm em comum a idéia de que estamos entrando numa Nova Era, a Era da Informação (Alvin e Heidy Tofler). A pergunta que nos psiquiatras devemos fazer é a seguinte: estamos preparados para esta nova Era?

A resposta parece evidente: temos muito que aprender. E para que aprender ? Os céticos dirão que o seu trabalho em nada será afetado pela Informática. Os otimistas perceberão mil possibilidades. Acho que podemos encontrar um meio termo entre esses extremos, mas,independentemente do que pensarmos, há um fato do mundo real que já está aí.

A prática médica, em geral, está sendo enriquecidada pela informática, e, no mínimo, nós psiquiatras teremos que acrescentar esta área do conhecimento ao nosso dia a dia ou ficaremos para atrás e iremos depender de terceiros para o desenvolvimento da nossa especialidade. Acho fácil apontar a presença de psicológos, de psicofarmacologistas , de neurocientistas , em geral, ditando os novos rumos da investigação e da terapêutica psiquiátrica. Parece exagero? Observem a tendência dos guidelines, do uso cada vez maior de algoritmos e da diminuição da importância dos psicoterapeutas .

Um dos psiquiatras que vem batalhando para despertar a atenção dos seus colegas para esse desafio é o Dr. Norman Alessi, Diretor da Divisão de Psiquiatria da Infância e Adolescência da Faculdade de Medicina da Universidade de Michigan. Seu parceiro nessa empreitada é o Dr. Milton Huang, primeiro fellow em Psychiatric Informatics dos EUA. Eles escreveram um artigo no Psychiatric Times em junho/96, com o título Cavalgando a Terceira Onda: Psiquiatria na Era da Informação. Neste artigo, eles discutem alguns pontos de vista: não é o managed care que ameaça os psiquiatras e sim os novos meios de avaliação, de tecnologia da informação e da análise dos resultados que determinam o que é ruim, o que é eficiente, o que dá resultados e o que precisa ser eliminado. Segundo esses autores "na medida em que caminhamos para essa nova era, nós temos que estar conscientes que existem muitas pessoas com grande conhecimento na implementação deste processo. Essas pessoas podem não ver a necessidade da existência da psiquiatria." Existem pelo menos 40 mil pessoas que acreditam no oposto, como por exemplo, os membros da American Psychiatric Association. Mas, nós devemos lembrar que recentemente a AT&T demitiu 40 mil trabalhadores (aproximadamente 8,5% dos seus empregados).

Alessi e Huang propõem uma estratégia com quatro componentes para enfrentar esses problemas:

  • o desenvolvimento de um currículo standard envolvendo a psiquiatria informática durante a residência.
  • formação de uma Sociedade de Psiquiatria Informática (ja foi formada)
  • desenvolvimento de fellowships na área
  • maior espaçoo para a informática nos encontros psiquiátricos ( o de New York já mostrou essa abertura).

Acho que para o Brasil, muitas dessas idéias podem ser aplicadas, mas, precisamos trabalhar mais o básico: introduzir o computador no meio psiquiátrico,estimular o uso da Internet, aproveitar o recurso da E-mail para acelerar as comunicações, criar um departamento de informática dentro da ABP e estimular esse grupo de psiquiatras pioneiros.

ÁREA DE ATUAÇÃO

A Psiquiatria Informática está dentro do campo geral da Informática Médica. Nós podemos dividir seu campo de ação nas áreas de trabalho, ensino, pesquisa e orientação ao público. Não é objetivo dessa comunicação inicial aprofundar esses temas, pois, desta forma, teríamos uma comunicação muito extensa. A área do trabalho envolve a atuação profissional, por exemplo em recursos para a informatização do consultório ou da clínica. Isso vai desde o manejo dos prontuários até a cobrança de honorários.

A utilização de softwares na prática clínica ocorre, por exemplo, com o uso de testes psicológicos computadorizados e de programas interativos com os pacientes. Existem programas usando a realidade virtual para tratar fobias ou programas para o diagnóstico e tratamento das Attention Disorders.

Na área de ensino , além do uso da Internet e dos E-mail , os grupos de discussão através da Internet (permite que diferentes computadores " falem" entre si ) facilitam o contato entre os profissionais, estudantes e alunos . O MayoWeb funciona dentro desse sistema. O Bringham Womens Hospital ,em Boston, utiliza um network de computadores com um programa que facilita a atuação do médico em sua prática de rotina: chama a atenção do médico sobre a dosagem inadequada de um remédio, informa a respeito de um antibiótico de terceira geração que poderia ser substituído e, ainda, avisa se o médico esqueceu de solicitar um determinado exame que faz parte da rotina para o diagnóstico de certas doenças. Além disso, existem os recursos da Internet a disposição de todos. A facilidade de acessar bibliografias com o uso de biblioteca eletrônica e a disposição eletrônica dos dados, permite um rendimento melhor para o pesquisador. Os direitos do paciente, a confidencialidade das informações são objetos de grande estudo. Enfim, é uma área nova, de crescimento explosivo e que aumenta a eficiência do desempenho individual e coletivo.


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