Volume 11 - Março de 2006
Editor: Giovanni Torello


Julho de 1996 - Vol.1 - Nş 1

Navegar é Preciso

Giovanni Torello

A minha aventura pessoal na Internet começou há menos de 1 ano atrás, quando, finalmente, com um atraso de vários anos, a Embratel disponibilizou o acesso à rede a todos os interessados, acesso esse antes restrito apenas à alguns centros de ensino e pesquisa.

Interessados indubitavelmente muitos, porém, com o necessário conhecimento técnico e possuidores de equipamentos compatíveis com o funcionamento da rede, certamente muito poucos.

Por isso usei a palavra aventura. As dificuldades, as frustrações, as informações desencontradas, as horas gastas nas tentativas de conectar-me à famosa Internet, foram muitas. Tantas, que deixo para uma próxima oportunidade a proposta de escrever um artigo detalhando passo a passo, todas as etapas necessárias para entrar na Internet, para que os colegas desejosos de se lançar nesse universo possam faze-lo de forma talvez, menos aventurosa.

Mas, conseguir conetar-se a Internet é, sem duvida, apenas o começo. Após o entusiasmo que toma conta de todo o "surfista" iniciante, deslumbrado frente à avalanche de mensagens, informações e imagens que se descortina, tela após tela, no monitor do computador, o usuário mais amadurecido inevitavelmente se pergunta: o que fazer com tudo isso?

Depende. E depende essencialmente do interesse de cada um. Eu, como psiquiatra, comecei a procurar informações sobre psiquiatria, de forma curiosa, sem sistematização alguma.

O que encontrei foi, como é de praxe na Net, um amontoado de informações distribuídas em "sites", dos mais diversos, com conteúdos muitas vezes extremamentes interessantes, outras nem tanto.

Nas minhas andanças a esmo, usando a Psiquiatria como tema de busca, acabei algum dia acessando às páginas de "Psychiatry on Line". Achei o "site" bem construido, com informações uteis e distribuídas de forma organizada, facilmente utilizaveis por quem estivesse interessado.

Havia tambem uma peculiaridade nessa revista eletronica: a existencia de secções regionais, na língua de cada País, com informações e artigos originais daquele País.

Já existiam algumas em pleno funcionamento. Movido em grande parte pela curiosidade, sendo Italiano de origem, fui logo me interessando pelo "site" da Psychiatry on Line - Itália.

Comecei a trocar correspondências com o editor da Psyc-on-line-Italia, Dr. Francesco Bollorino e com o seu redator. Dr. Raffaello Biagi. Foram alguns meses de trocas de "e-mails" que acabaram culminando com um emocionante encontro pessoal com o Raffaello no "annual meeting" da APA em New York no começo de Maio.

Ouvindo sobre a experiência editorial de uma revista eletrônica de psiquiatria, a idéia de uma atuação ativa na Internet, que desde as primeira navegadas rondava a minha mente, foi amadurecendo.

A internet não é um meio de comunicação passivo, como por exemplo o Radio ou a TV. Uma das maravilhas da Net é justamente o fato de possibilitar uma troca ativa, rápida e eficiente de informações de toda espécie. Tudo ainda é muito incipiente e o potencial da rede é imenso. A rapidez, com que mudanças substanciais na forma e no conteúdo do material disponível na Internet ocorrem, é espantosa: da ordem de semanas.

E a idéia da secção Brasileira da Psychiatry on Line foi tomando forma. Escrevi para o Dr. Ben Green, editor chefe da revista na Inglaterra e começamos os contatos preliminares que acabaram culminando nesse primeiro número da Psychiatry on Line - Brazil.

Estamos apenas começando com um conteúdo ainda muito reduzido. Somos poucos, ocupados com outras atividades profissionais, mas com muita vontade de crescer e de transformar esse espaço num local de referência, onde o Psiquiatra Brasileiro possa encontrar algo mais, além de artigos e trabalhos do seu interesse, fato que tantas outras revistas proporcionam.

Queremos ser um local que possa servir de ponto de partida para buscas na nossa area de interesse, oferecendo por exemplo:

  • referências a outros "sites" psiquiátricos na Net;
  • endereços e informações a respeito das várias "mailing list" psiquiátricas existentes (a meu ver, o instrumento mais fascinante e util para o médico de qualquer especialidade);
  • um espaço onde o Psiquiatra Brasileiro possa interagir, deixando lá a sua mensagem, o seu recado, que no futuro possa vir a se transformar numa "mailing list" psiquiátrica brasileira, em português.

Para que isso aconteça precisamos da colaboração de todos os colegas que estejam dispostos a ajudar nessa iniciativa.

A você, que acessou as nossas páginas, e acabou de ler esse texto, peço a gentileza de mandar um e-mail (poucas palavras bastam) dando sua opinião. Meu endereço é <[email protected]>.

E se existir vontade de colaborar, será benvindo.


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