Psyquiatry online Brazil
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Volume 22 - Abril de 2017
Editor: Walmor J. Piccinini - Fundador: Giovanni Torello

Março de 2017 - Vol.22 - Nº 3

France - Brasil- Psy

Coordenação: Docteur Eliezer DE HOLLANDA CORDEIRO

Quem somos (qui sommes-nous?)                                  

France-Brasil-PSY é o novo espaço virtual de “psychiatry on line”oferto aos profissionais do setor da saúde mental de expressão lusófona e portuguesa.Assim, os leitores poderão doravante nela encontrar traduções e artigos em francês e em português abrangendo a psiquiatria, a psicologia e a psicanálise.

Qui sommes- nous ?

FRANCE-BRASIL-PSY est le nouvel espace virtuel de “psychiatry on line” offert aux professionnels du secteur de la santé mentale d’expression lusophone et française. Ainsi, les lecteurs pourront désormais y trouver des traductions et des articles en français et en portugais concernant la psychiatrie, la psychologie et la psychanalyse.

SOMMAIRE (SUMÁRIO):

 

  • 1. CONSIDERAÇÕES SOBRE A HISTÓRIA DA PSIQUIATRIA NO BRASIL
  • 2. CONSIDERAÇÕES SOBRE A HISTÓRIA DA PSICANÁLISE NO BRASIL (Primeira parte)


  • 1. SOBRE A HISTÓRIA DA PSIQUIATRIA NO BRASIL

    A história da psiquiatria no Brasil seguiu de uma maneira geral as grandes etapas e progressos do movimento psiquiátrico, notadamente francês, alemão e norte-americano.

    É verdade que este último teve uma importância maior, graças sobretudo, à escola dita culturalista americana, tanto psiquiátrica como psicanalítica. Os livros dos autores pertencendo a essas escolas (Karen Horney, Erich Fromm, Clara Thompson, Sullivan), traduzidos em português depois de algum tempo, obtiveram bastante sucesso público e também nos meios psiquiátricos.

    Como escreveu Maurício Medeiros: a influência vinda da França foi muito importante. Assim, depois do gesto de Pinel liberando os doentes das correntes de ferro no hospital da Salpetrière, Sigaud, médico francês estabelecido no Brasil,escreveu num jornal um artigo que se tornou histórico, no qual ele chamava a atenção das autoridades para o espetáculo lamentável dos loucos deambulando nas ruas do Rio de Janeiro, sendo alvo dos risos e sarcasmos dos vagabundos.

    ‘’Um ano depois da lei francesa de 30 /06 /1838 sobre a proteção dos alienados, um médico italiano, De Simoni, lançou no Brasil a idéia da criação de um estabelecimento que foi inaugurado oficialmente em 1852’’.

    Maurício Medeiros, notou ainda, que a primeira lei brasileira regulamentando a assistência dos doentes mentais, em 1852, foi inspirada pelas idéias de Esquirol.

    Esta também foi a opinião de Pacheco e Silva, para quem as obras de Pinel e de Esquirol exerceram seguramente uma grande influência no espírito dos alienistas brasileiros, quando eles aconselharam o imperador para que mandasse construir um hospital psiquiátrico, segundo as instruções dos dois sábios, os quais tiveram suas estátuas colocadas na entrada do hospital Pedro II, nome do imperador.

    Pacheco e Silva assinala ainda que, antes da primeira guerra mundial, a psiquiatria francesa dominava nas escolas médicas do Brasil.

    Para terminar, lembremos ainda outras etapas importantes da história da psiquiatria no Brasil : a criação em Março de 1881, nas faculdades de medicina do Rio e da Bahia, das cátedras de doenças nervosas e mentais que permitiram o ensino da psiquiatria. Em seguida, este ensino ganhou progressivamente outros Estados do Brasil, onde foram aplicados os novos métodos psiquiátricos.

    Sobre este assunto, Mário Yahn mostrou como a malarioterapia, a insulina, o cardiazol,o electrochoque e a psicocirurgia, empregados muito cedo no Brasil inteiro, de maneira isolada ou não, suscitaram muitas esperanças nos psiquiatras brasileiros pelas perspectivas prometedoras que eles pareciam trazer.

    A terceira etapa foi aquela das importantes descobertas realizadas pela psicofarmacologia, descobertas que modificaram, no Brasil como no mundo, os métodos do tratamento psiquiátrico.

    2. SOBRE A HISTÓRIA DA PSICANÁLISE NO BRASIL (Primeira parte)

    Um fato interessante na história da psicanálise no Brasil foi a influência desenpenhada pela psiquiatria dita oficial representada pelo professor Franco da Rocha, titular da cátedra de psiquiatria da Faculdade de Medicina de São Paulo.

    Com efeito, numa conferência pronunciada em 1919 sobre o tema do delírio, Franco da Rocha falou sobre a importância da obra de Freud para a compreensão do delírio, dos sonhos e das obras literárias. Ao tomar conhecimento dessa conferência, o doutor Marcondes começou a se interessar pela psicanálise, fundando, em 1927, a primeira sociedade brasileira dessa disciplina, cujo presidente foi o psiquiatra Franco da Rocha. Freud comentou este acontecimento numa carta enviada a Ferenczi em janeiro de 1928.

    Um ano depois foi criada no Rio de Janeiro uma secção desta sociedade. Mais uma vez, seu primeiro presidente foi um célebre psiquiatra brasileiro, o professor Moreira.

    Anos mais tarde, em 1931, foram publicadas em português as Cinco lições sobre a psicanálise de Freud. E, em 1937, em São Paulo, foi instalado o primeiro centro de formação de psicanalistas na América Latina.

    Para a realização deste projeto, foi muito importante a ajuda da doutora Lucy Koch, (Adelheid Lucy (1896 - 1980), membro da Sociedade psicanalítica de Berlim. Ela havia deixado a Alemanha para escapar às perseguições dirigidas contra os Judeus.

    Foi no congresso psicanalítico internacional de Marienbad, que o doutores Ernest Jones e Otto Fenichel conferiram a Lucy Koch o direito de trabalhar no Brasil como psicanalista didática.

    Em 1944, a sociedade brasileira foi reconhecida de maneira provisória pela sociedade internacional, e, em 1951, ela foi reconhecida de maneira definitiva.

    Naquela época, o movimento psicanalítico no Brasil compreendia quatro sociedades: duas no Rio, uma em São Paulo e uma em Porto Alegre.

    Ao contrário da influência indiscutível exercida pela psiquiatria francesa, a psicanálise brasileira ignorou durante muito tempo os trabalhos dos psicanalistas franceses. Sobre esta questão, notemos que Ernest Jones havia previsto a divisão da sociedade inglesa de psicanálise, após as audaciosas idéias de Melanie Klein: «Eu não tenho nenhuma dúvida que isto vai ocorrer em todas as outras sociedades de psicanálise.»

    Este fenômeno ocorreu igualmente no Brasil, dando lugar a tomadas de posição radicais e a adesões incondicionais que dividiram os analistas entre Freudianos e Kleinianos.

    Sobre esta questão : um amigo e psiquiatra me disse um dia: « aqui no Brasil, Freud está fora de moda, nós estudamos sobretudo as obras de Melanie Klein » ! Mas assim fazendo, não correríamos os riscos de esquecer as próprias bases e o sentido da teoria kleiniana?


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