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Volume 22 - Novembro de 2017
Editor: Giovanni Torello

 

Fevereiro de 2013 - Vol.18 - Nº 2

Psicologia Clínica

CONSIDERAÇÕES FENOMENOLÓGICAS SOBRE AS HABILIDADES SOCIAIS: TERAPIA COGNITIVA FENOMENOLÓGICA, NEUROSE E PSICOSE E O CONTINUUM ASSERTIVIDADE/EMPATIA

Braz Werneck Filho
Mestre em Psicologia (UFRJ)
Terapeuta Familiar
Terapeuta Cognitivo-Comportamental


Resumo

O objetivo deste trabalho é fazer uma reflexão sobre as habilidades sociais no ambiente da psicoterapia, amparada pelos norteadores da Terapia Cognitiva Fenomenológica. Esta proposta tem três pontos centrais. O primeiro é a ideia de uma abordagem complementar do binômio assertividade/empatia, que, pensamos, poderiam fazer parte de um continuum. O segundo é a problematização da questão das habilidades sociais em pacientes neuróticos e psicóticos. Para isso, consideramos relevante uma discussão sobre o uso que fazemos dos conceitos de neurose e psicose e de sua viabilidade para os dias atuais. Por último, uma reflexão sobre a empatia como característica necessária ao terapeuta para que possa fazer uma avaliação coerente. A ideia de que a empatia no terapeuta não pode ser adotada simplesmente, como qualquer técnica, mas deve ser uma atitude tão próxima de sua própria essência quanto for possível. Esperamos, com este estudo, fomentar a discussão na área das habilidades sociais para que elas não se restrinjam a um tema trabalhado pela terapia cognitiva, posto que grande parte das queixas de terapia tenha uma dimensão relacional envolvida.

 

Descritores: Habilidades Sociais, Terapia Cognitiva Fenomenológica, Psicologia Clínica.

Introdução

Frequentemente, no ambiente de psicoterapia, nos encontramos diante de um questionamento sobre aspectos relacionais do indivíduo. Não nos parece exagero dizer que qualquer tipo de psicoterapia chega, em algum momento, a ter como tema as relações interpessoais do paciente.

            Entretanto, percebemos, também de acordo com nossa experiência clínica, que os problemas sociais que os pacientes experimentam, muitas vezes podem ser parecidos no relato, mas diferentes em sua essência. Este exemplo vale para uma dificuldade muito comum, que aparece frequentemente como queixa no consultório de psicoterapia: a dificuldade de dizer “não”. Por que um sujeito tem dificuldade de se posicionar negativamente? Todos terão esta dificuldade pelo mesmo motivo? A experiência clínica nos mostra que não.

            Partindo dos estudos de Zilda e Almir Del Prette, teóricos de renome na área das habilidades sociais, e buscando a orientação oferecida pela Fenomenologia, resolvemos nos debruçar sobre esta questão, só que agora, seguindo os pressupostos da Terapia Cognitiva Fenomenológica.

            Tomando como referência o treino de habilidades sociais que é proposto na terapia Cognitivo-Comportamental, trazemos algumas reflexões que esperamos contribuir para uma ampliação do olhar clínico do profissional.

            No campo das habilidades sociais, a assertividade e a empatia são retratadas como duas das mais significativas e talvez mais abrangentes dentre elas. Os estudos de Del Prette e Del Prette (2002; 2004) e de Caballo (2004) conferem grande destaque ao estudo da empatia e da assertividade, com destaque para esta última. De fato, vele questionar se as habilidades sociais podem ser definidas como um espectro de assertividade, variando em intensidade e eficiência.

Com o olhar voltado para estes trabalhos, construímos então, alguns questionamentos.

Como primeira questão, nos perguntamos se é possível trabalhar com a ideia de que a assertividade e a empatia apareçam no indivíduo como que em um contínuo linear complementar? Assim, de acordo com nossa observação clínica, seria possível que o individuo fosse tanto mais assertivo, quanto menos empático e vice-versa. Por este olhar, uma de nossas tarefas como terapeutas seria a de proporcionar um espaço possível para a construção de alternativas mais equilibradas, partindo da premissa de que tanto a assertividade quanto a empatia seriam características desejáveis no sujeito.

Outra discussão que consideramos relevante é sobre as questões envolvendo as características dos pacientes quanto à separação entre neurose e psicose. Sabendo que esses termos vêm sendo criticados atualmente, como entidades nosológicas, nos deparamos, na clínica, com algumas diferenças incontestáveis quanto ao comportamento social entre indivíduos com diagnóstico de transtornos psicóticos e indivíduos com diagnóstico de transtorno não psicótico.

Pela Terapia Cognitiva Fenomenológica, como visto em trabalhos anteriores, retornamos aos referidos conceitos por sua relevância clínica. Propomos então uma discussão sobre as diferenças entre neuróticos e psicóticos no que diz respeito às habilidades sociais.

Além dessas discussões, trazemos a questão da importância que as habilidades empáticas possam ter numa terapia voltada essencialmente para a compreensão existencial da vivência que o paciente nos traz, como propomos para o funcionamento da Terapia Cognitiva Fenomenológica (TCF).

Habilidades Sociais e Competência Social

Para este trabalho, portanto, tratamos as habilidades sociais não como um conjunto de habilidades específicas, mas como um repertório comportamental influenciado por fatores cognitivos e direcionado para o relacionamento interpessoal. Alguns autores, como Caballo e Irurtia (in Knapp, 2004) costumam utilizar o termo competência social quando se referem a questões relacionadas às habilidades sociais.

Neste estudo, entretanto, escolhemos a visão oferecida por Del Prette e Del Prette (2002) que evita a utilização do termo competência social, porque este termo estaria carregado de uma atitude avaliativa, ao passo que o termo habilidades sociais é associado por esses autores a uma forma descritiva. Ora, norteados que somos pela atitude fenomenológica na Psicologia Clínica, a versão que se aproxima mais de uma descrição do que de uma avaliação nos parece mais de acordo com nosso trabalho.

            Vale dizer ainda, que Del Prette e Del Prette (ibidem) assinalam a dificuldade teórica para uma definição precisa do que sejam as habilidades sociais. Na tentativa de tentar ampliar as possibilidades, nos deteremos, neste artigo, à exploração das habilidades sociais relacionadas à assertividade e à empatia. Esta delimitação se deve ao fato de que as habilidades empáticas e assertivas são mais bem exploradas teoricamente pelos autores até agora citados e também nos parecem clinicamente mais acessíveis para um estudo desta ordem.

Evitaremos assim, dar nome a várias habilidades sociais, tentando manter o nosso foco sobre a ideia de espectro assertivo/empático, e também nos afastando da ideia pragmática de que uma habilidade social deva ou possa ser considerada em separado de outras. A abordagem espectral, que muitas vezes pode ser criticada em psicopatologia, talvez faça algum sentido neste caso.

Começando com uma localização do tema, dentro do campo da psicoterapia, passamos a uma breve exploração teórica, fornecida pela literatura da terapia Cognitivo-Comportamental, passamos para reflexões norteadas pela abordagem fenomenológica, tentando propor um quadro compreensivo que possa nortear a atuação clínica. Fechando então, com alguns fragmentos de casos clínicos que possam ilustrar nossa proposta.

 

Psicopatologia e Habilidades Sociais

A tarefa mais fácil que podemos encontrar neste assunto, talvez seja a de relacionar as dificuldades no relacionamento social à Psicopatologia. Com frequência, no ambiente clínico, nos deparamos com situações de dificuldade de comunicação, de relacionamento etc. que possam ser trabalhadas a partir de um foco dirigido especificamente para determinado comportamento, determinada habilidade.

            Caballo e Irurtia (in Knapp, 2004) propõem, baseados em uma série de estudos anteriores, que as habilidades sociais deficitárias estejam amplamente relacionadas à psicopatologia e às várias formas de conduta disfuncional. Essa proposta serve como embasamento teórico para a elaboração de um treinamento específico de habilidades sociais no contexto terapêutico.

            As complicações sociais aparecem em quadros clínicos mais variados. Comumente podemos observar pela própria queixa principal do paciente o teor relacional de seus problemas. Em quadros de transtornos da ansiedade, por exemplo, notadamente na fobia social, encontramos o que poderíamos chamar de genuíno problema de habilidades sociais.

Chamamos aqui de problema genuíno de habilidades sociais o quadro clínico em que as queixas do paciente regridem sensivelmente ou, até mesmo, cessam após o enfoque dado às relações interpessoais em terapia.

Outro desfecho acontece em vários outros casos, quando a queixa principal do paciente é a dificuldade de se relacionar e, aos poucos, ao longo do processo, percebemos que se torna ineficaz um trabalho voltado apenas para as habilidades sociais, restando a necessidade de um olhar mais aprofundado a questões afetivas e existenciais do paciente.

            Em casos de quadros com sinais e sintomas psicóticos, consideramos que as habilidades sociais possam ser treinadas e até aprendidas, mas que sempre serão um problema por causa das peculiaridades existenciais e relacionais de indivíduos esquizofrênicos  ou com outros transtornos psicóticos.

 

O continuum Assertividade/Empatia

Venho observando, em casos clínicos onde a ansiedade se mostra um dos componentes mais importantes, a relevância de se aprofundar no estudo das habilidades sociais. Em meu trabalho, procuro realizar qualquer tipo de investigação teórica em conjunto com o paciente. Esse procedimento facilita a vinculação e a emersão de problemas muitas vezes mais enraizados na personalidade e que podem ser instantaneamente apreendidos pelo terapeuta, quando de uma atividade conjunta, onde os papéis percam a clara definição que tinham no início.

            Uma das grandes dificuldades que muitos pacientes socialmente ansiosos  costumam demonstrar é em relação à assertividade. A preocupação com o que os outros irão pensar, somada à crença de que devemos ser sempre agradáveis com esses outros, resultam, grande pare das vezes, em comportamentos que anulam a autenticidade do indivíduo, que passa a ser a pessoa que “engole sapos”.

            Por outro lado, as pessoas que mantém a postura inassertiva, geralmente apresentam uma postura altamente empática, no sentido de compreender o que o outro pensa, sente e faz. O que se nos apresenta como motivo para uma atividade terapêutica é a nossa percepção de que o paciente acaba colocando o outro como figura mais importante em sua vida do que ele próprio. Sendo assim, o indivíduo que desenvolvesse exponencialmente a sua habilidade para perceber e legitimar os sentimentos e estados de outra pessoa, acabaria por prejudicar a habilidade de discordar e de estabelecer limites para esta mesma pessoa.

            Del Prette e Del Prette (2002) se utilizam de uma concepção de Goleman, construída, segundo esses autores, em 1995, de que a empatia seria a habilidade de  perceber a experiência subjetiva de outra pessoa. A esse pensamento, Del Prette e Del Prette somam a ideia de expressar a referida compreensão dos sentimentos, proposta por Roberts e Stryer (1996).

            Consideramos que algumas pessoas, por questões idiossincráticas, passem pelo processo de aquisição ou aprimoramento de sua empatia de modo radical, ou mesmo que já seja esse o seu funcionamento natural. Sendo pessoas que tendem a encontrar uma justificativa para os comportamentos desagradáveis e reprováveis dos outros.

            Em muitos casos que vimos observando nos últimos anos, pacientes ansiosos têm demonstrado a tendência a relevar, perdoar e deixar para trás, comportamentos que em outro momento foram classificados por eles mesmos como altamente reprováveis. Além disso, costumam dar a isso o título de Compreensão do outro. A compreensão, aqui, se transforma em aceitação do comportamento internamente avaliado como ruim, errado, ou coisa que o valha.

            Nesses pacientes, é particular a dificuldade de se estabelecer metas em relação à assertividade. Muitas vezes, são pessoas que dão vida ao dito popular “pagar para não se aborrecer”. A evitação de um confronto ou conflito, muitas vezes é mais importante do que a manifestação dos próprios sentimentos, ou do que o esclarecimento das coisas consideradas certas e justas.

            A partir de tais observações, construímos a ideia do continuum  assertividade/empatia. Nesse espectro, assertividade e empatia funcionariam como os dois extremos de um segmento de reta. Conforme o paciente adquira mais uma das características, faz com que a outra perca espaço e força.

            A ideia de equilíbrio funciona como parâmetro para esta ideia. Caso se pense em atingir o grau máximo das duas características deve-se alcançar o centro da linha. Ou seja, a cada passo depois do centro, a habilidade que está no extremo oposto estará perdendo força. Assim, um indivíduo que se torne cada vez mais assertivo, se tornará cada vez menos empático. Acontece que, no início, ele pode estar apenas lapidando a empatia, que poderia ser excessiva. Mas, se continuar caminhando na direção do extremo empatia, estará diminuindo a empatia a um nível indesejável, e transformando a sua assertividade em uma assertividade exagerada e socialmente inaceitável e vice-versa. 

Assertividade   Empatia

 

 

            A partir desta ideia, começamos a formular uma tentativa de compreensão para comportamentos que parecem absurdos à distância, mas que adquirem sentido quando vistos mais de perto. 

 

Neurose, Psicose e Habilidades Sociais

Atualmente, a divisão tradicional Neurose/Psicose/Perversão não é tão didática e nem tão disseminada quanto foi até os últimos anos do século passado. No entanto, como nos orientamos pela perspectiva fenomenológica até mesmo para a condução de uma terapia cognitiva, podemos nos desprender das amarras que uma nomenclatura nos impõe.

            Conceitos como os de Neurose e Psicose tornam mais fácil o acesso a um trabalho clínico mais completo em saúde mental. Nós, que praticamos a Terapia Cognitiva Fenomenológica, não estamos interessados no que as determinações estatísticas nos possam trazer. A maior importância e a que mais aparece em primeira e última instância, é a importância da dimensão clínica.

A questão das chamadas estruturas psíquicas é muito mais profunda do que podemos abordar neste trabalho. No entanto, consideramos relevante um comentário por causa do que a Clínica nos mostra.

            Observando os estudos de Portela Nunes (1976), deparamo-nos com a dimensão relacional na diferenciação entre neurose e psicose. Essa dimensão se torna importante quando nos propomos a compreender as características de uma e outra estruturas com base no modo como se estabelece relação como o mundo e no lugar que o outro ocupa para o paciente nesse processo.

            Para o caso da Psicose, esse autor fala da relação direta, sem mediação entre o paciente e o mundo. Uma das consequências mais óbvias dessa peculiaridade é a dificuldade de apego ou respeito às normas consideradas de aceitação social. Como se o paciente não precisasse de nós e de nossas regras sociais para sobreviver. Sendo assim, seria razoável inferir que as habilidades sociais estariam amplamente comprometidas  nos pacientes com transtornos psicóticos.

            Já para o caso da Neurose, o autor fala sobre a mediação de que o sujeito precisa para se relacionar com o mundo. Tal mediação, feita por outras pessoas, provocaria em algum nível a necessidade de se relacionar da melhor forma possível, de se sentir aceito, querido pelo outro etc. Quando nos deparamos com a angústia relatada pelo paciente, quanto  relacionamentos amorosos e familiares, por exemplo, geralmente encontramos problemas causados pela dificuldade de comunicação, que poderia ser causada, por sua vez, por uma deficiência nas habilidades sociais.

            O que consideramos mais importante nessa ideia é a complexa relação que existe entre o problema e a estratégia terapêutica a ser utilizada. Um paciente que apresenta dificuldade de se colocar no lugar do outro, ou que não consegue manter comportamentos reforçadores pode ter vontade de modificar esse comportamento, mas também pode não se incomodar com isso.

            O trabalho na terapia Cognitiva Fenomenológica segue a orientação de, a partir de um contato tão próximo quanto possível do paciente, estabelecer uma vinculação para que o terapeuta possa estar realmente junto ao seu paciente e apreender a essência do problema.

            Para a terapia Cognitiva Fenomenológica, o trabalho com habilidades sociais em pacientes neuróticos deve ser bem diferente daquele conduzido com pacientes psicóticos.

            Deve-se fazer aqui uma menção ao que se chamava até poucas décadas atrás de estrutura perversa, e hoje se veicula como psicopatia. O tratamento voltado para as habilidades sociais em pacientes com esta característica não nos parece clinicamente relevante, pois não há registros em nossa clientela de um treinamento ou tratamento voltado para as habilidades sociais em pacientes psicopatas. Uma das hipóteses para esta amostra inexistente é a de que a aquisição de habilidades sociais não parece ser uma dificuldade para esses indivíduos, uma vez que costumam aparecer como pessoas boas e bem integradas ao meio social.

Por outro lado, quando o sujeito que não se engaja nas regras sociais, desprezando-as (diferentemente do psicótico que não se vincula e não mantém relação boa ou ruim com essas regras, em muitos casos) acaba deixando de ser um sujeito socialmente desejável, ou seja, a própria sociedade se encarrega de repelir sua presença. Vale ressaltar, entretanto, que esta hipótese não foi estudada e funciona apenas como sugestão para pesquisas futuras.

Empatia na Clínica da Terapia Cognitiva Fenomenológica (TCF)

Uma das grandes possibilidades de aproximação entre a Psicopatologia Fenomenológica e o estudo das habilidades sociais está, muito provavelmente, na condução do caso clínico, quando feita pelo terapeuta que apresenta uma atitude fenomenológica.

            A empatia aparece tanto na literatura cognitivo-comportamental quanto na literatura fenomenológica como uma habilidade para se colocar em contato e poder sentir com o paciente o que o paciente está sentindo ou apresentando ao mundo.

            O terapeuta cognitivo fenomenológico mantém uma atitude estar próximo e de se conectar com o mundo do paciente para poder compreender de uma forma genuína o que acontece com aquele sujeito.

            Uma vez conectados, o processo de vinculação se instaura definitivamente e o terapeuta passa a frequentar uma dimensão mais autêntica, por ser menos corruptível, da vida do paciente.

            O trabalho de Messas (2008) traz a ideia de transitar livremente pelas possibilidades de compreensão psicopatológica. Consideramos que esse caminhar livremente se dê, principalmente, a partir de uma relação intersubjetiva observada e vivenciada atentamente. O processo de apreensão das essências, como Husserl já propunha, acaba se tornando possível e natural a partir de uma relação de vinculação autêntica.

            Para que se possa empatizar com o paciente, para que se possa vibrar em consonância com o paciente, é preciso que se trabalhe em um nível diferente de relação terapêutica do que aquilo a que estamos acostumados.

Na TCF a técnica só é acessada após o estabelecimento de uma relação forte para suportar  distanciamento que uma relação profissional traz em si mesma. Quando o paciente percebe que não está sendo analisado como uma cobaia, ou que não será uma pessoa evitada por seu terapeuta em um encontro casual ocorre, em nossa opinião, a possibilidade de uma abertura genuína à vinculação. Neste ponto, podemos propor que a habilidade empática do terapeuta seja condição essencial para que o trabalho possa transcorrer.

            Ao mesmo tempo, o profissional que se utilizar da empatia como um instrumento para conhecer melhor o paciente e saber qual é o seu problema não poderá fazê-lo de forma calculada, planejada. Há que se desprender da imagem que a função emana em algum momento. Deve saber que não pode manipular a sua própria autenticidade, mas apenas deixar que ela apareça e manejar depois as consequências, aí, sim, direcionando o trabalho clínico.

            A experiência clínica nos mostra que alguns pacientes são altamente refratários a atividades terapêuticas diretivas, como tarefas de casa e preenchimento de questionários, por exemplo, ao passo que outros se apegam muito a essa dinâmica. Além  disso, o condicionamento é uma variável importante e inegável para a construção dos repertórios do indivíduo. O que tentamos fazer é adaptar o grau de diretividade e liberdade que a terapia deve ter. para fazer isso, entretanto, é preciso já ter passado pelo período de avaliação, no qual se decidiu que estratégia seria mais funcional utilizar no trabalho.

            Para fins de avaliação, consideramos que a atitude fenomenológica seja essencial, como dito em trabalhos anteriores, para que a realidade do problema se apresente em algum momento. Assim então, o profissional poderá trabalhar. Mas não se pode deixar de ressaltar a necessidade de que o terapeuta seja empático, ou se posicione com uma atitude empática, para que a avaliação seja tão coerente quanto possível.

 

 

 

Referências

Del Prette, Z. e Del Prette, A. Psicologia das Habilidades Sociais: terapia e educação. Petrópolis; Vozes (2002).

_______________________  Psicologia das Relações Interpessoais: vivências para o trabalho em grupo. Petrópolis; Vozes (2004).

Messas, G. P. Psicopatologia Fenomenológica Contemporânea. São Paulo; ROCCO (2008).

Portella Nunes, E. Obsessão e Delírio: neurose e psicose. Rio de janeiro; IMAGO (1976).


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