Psyquiatry online Brazil
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Volume 22 - Novembro de 2017
Editor: Giovanni Torello

 

Maio de 2013 - Vol.18 - Nº 5

France - Brasil- Psy

Coordenação: Docteur Eliezer DE HOLLANDA CORDEIRO

Quem somos (qui sommes-nous?)                                  

France-Brasil-PSY é o novo espaço virtual de “psychiatry on  line”oferto aos  profissionais do setor da saúde mental de expressão  lusófona e portuguesa.Assim, os leitores poderão doravante nela encontrar traduções e artigos em francês e em português abrangendo a psiquiatria, a psicologia e a psicanálise. Sem esquecer as rubricas habituais : reuniões e colóquios, livros recentes, lista de revistas e de associações, seleção de sites.

Qui sommes- nous ?

France-Brasil-PSY est le nouvel espace virtuel de “psychiatry on line”offert aux professionnels du secteur de la santé mentale d’expression lusophone et française. Ainsi, les lecteurs pourront désormais y trouver des traductions et des articles en français et en portugais  concernant la psychiatrie, la psychologie et la psychanalyse. Sans oublier les rubriques habituelles : réunions et colloques, livres récentes, liste de revues et d’associations, sélection  de sites

SOMMAIRE (SUMÁRIO):

 

  • 1. PSIQUIATRIA, DSM-5, O MANUAL QUE CAUSA LOUCURA
  • 2. LIVROS RECENTES
  • 3. RÉUNIÕES E COLÓQUIOS
  • 4. REVISTAS
  • 5. ASSOCIAÇÕES


  • 2) 1) PSIQUIATRIA, DSM-5, O MANUAL QUE CAUSA LOUCURA

    LE MONDE SCIENCE ET TECHNO | 13.05.2013 à 17h35 • Mis à jour le 13.05.2013 à 20h41

    Autora do artigo : Sandrine Cabut 

    Abonnez-vous
    à partir de 1 €
    Tradução e resenha:  Eliezer de Hollanda Cordeiro

    O título do artigo evoca as petições, declarações e livros publicados  por  especialistas denunciando um obra ‘’perigosa’’ que fabrica doenças mentais sem fundamento científico e incita o mundo inteiro a consumir psicotrópicos... Nos Estados-Unidos e em muitos outros países, inclusive a França, a tensão está aumentando na comunidade dos psy,às vésperas  da apresentação oficial da nova edição do DSM (Manual diagnóstico e  estatístico dos distúrbios  mentais), no congresso anual da Association de psychiatrie américaine (APA) que será realizado, entre  18 e  22 de maio,  na cidade  de São Francisco.

    No fundo, não se deve esperar muitas novidades deste congresso. O essencial do conteúdo desta quinta edição da ‘’bíblia’’ da psiquiatria já foi anunciado pelo editor e sponsor do compêndio, l'APA. Aliás, uma versão prelilinar do  DSM-5 já foi publicada pela  Internete em 2010, levando em conta sugestões, críticas e  e eventuais revisões.

    CONTROVÉRSIAS

    Se as revisões anteriores - as duas últimas ocorreram em 1980 e em 1994 - provocaram polêmicas, estas nunca foram tão importantes  como as suscitadas  por esta nova versão. Como salienta, com humor, um artigo publicado no dia 25 de abril na revista  Nature, uma das  únicas  sugestões que não levantou gritos de protestos durante o processo de revisão foi... a mudança de nome, DSM - IV para  DSM - 5.

    Foi  o psiquiatra Allen Frances o iniciador  do movimento anti-DSM nos Estados Unidos, embora ele tenha  dirigido  a edição anterior ( o DSM - IV), publicada em 1994. Organismos profissionais, incluindo uma filial   da Associação americana de Psicologia, também protestaram. E, em 4 de maio, o prestigioso Instituto americano de saúde mental (Instituto Nacional de Saúde Mental, NIMH), o maior financiador da pesquisa  de saúde mental em todo o mundo,  também desaprovou  o DSM-5.

     "Os pacientes que sofrem de doenças mentais valem mais do que isso", justificou o seu diretor, Thomas Insel, num comunicado, explicando que a NIMH reorientava suas pesquisas  sem levar em conta  as categorias de DSM, considerdas  como muito fracas  do ponto de vista científico.

    Na França, a luta contra o DSM-5 começou há tres anos com o  coletivo intitulado ‘’stop DSM’’, constituido de profissionais próximos da área  psicanalítica. Eles protestaram   contra o "pensamento único" do manual,muito mais presente do que  na sua última edição.

    CRÍTICAS VIRULENTAS

    Mas como entender  que um livro, antes de tudo  destinado aos especialistas e pesquisadores, esteja suscitando tantas preocupações e críticas virulentas? Publicado pela primeira vez em 1952, com uma lista de menos de 100  patologias (de inspiração freudiana, como a segunda edição em 1968), o manual diagnóstico e estatístico evoluiu para uma abordagem mais classificatória  da doença mental desde 1980. Assim fazendo, tornou-se uma espécie de livro de conversação entre especialistas e uma ferramenta indispensável ao mundo da saúde mental. A linguagem do DSM passou  até para o domínio   público,  termos como "TOC" (transtorno obsessivo-compulsivo) ou mesmo "fobia social" tornaram-se banais.

    Nos Estados Unidos e em muitos outros países, incluindo a França, a tensão dos psiquiatras e psicólogos foi  aumentando, dias antes da apresentação oficial da nova edição do DSM. A atual edição, o DSM - IV , lista 297 patologias, classificadas em grandes  categorias. É essa classificação que se tornou uma referência para as  pesquisas sobre  as patologias mentais, que se trate  de estudos epidemiológicos ou de trabalhos  realizados pelos  laboratórios para avaliar seus  medicamentos (antidepressivos, ansiolíticos ou outros neurolépticos).

    INSTRUMENTO CLÍNICO

    "Nos Estados Unidos e na Austrália, o DSM , de uma certa maneira, dita a lei para os  reembolsos pelas companhias  de seguros. E isso é o que é ensinado, por exemplo,  nas faculdades de medicina ou  de psicologia francesas. Hoje, se referir ao DSM é  uma passagem obrigatória para se fazer uma carreira", afirma Patrick Landman, psiquiatra e psicanalista, inventor do movimento Stop DSM e autor do livro ‘’Tristesse business. O escândalo do DSM 5’’ (Max Milo, p. 128, 12 euros).Habituado ao  DSM - IV durante seus estudos, Richard Delorme, jovem pedopsiquiatra no hospital Robert-Debré (Paris), vê este  manual como uma ferramenta clínica. "O DSM é um modelo sem teoria, não-ideológico. Para mim, ele ajuda  a hierarquizar um raciocínio intelectual, mas não é uma finalidade."

    Iniciado há uma década, o processo que deu lugar ao  DSM - 5 mobilizou centenas de profissionais de todos os países, divididos em 13 grupos de trabalho. "A ambição inicial  dos responsáveis  da revisão era a de integrar dados das neurociências. Esta missão não poude ser  totalmente realizada porque os critérios biológicos ainda não são muito sólidos’’, salienta  o doutor Delorme. Mesmo assim, o DSM-5 é  mais preciso do que o DSM - IV porque  leva em conta estudos genéticos  e mostra que os limites nosográficos habituais são permeáveis.

    AQUISIÇÃO DA INDÚSTRIA FARMACÊUTICA

    Esta nova edição, que custou à Associação Americana de Psiquiatria, 25 milhões de dólares (19 milhões de euros), ainda deixa muito a desejar em termos de qualidade científica, acusam os críticos do DSM-5. Uma das principais críticas, já bastante antiga, refere-se à influência  da indústria farmacêutica sobre os peritos que participam da elaboração  do DSM. Isto foi bem demonstrado pelo historiador americano Christopher Lane, em seu livro “Comment la psychiatrie et l'industrie pharmaceutique ont médicalisé nos émotion  (Como a psiquiatria e a indústria farmacêutica medicamentaram nossas emoções)(Flammarion, 2009), e, mais recentemente, pelo  filósofo de Quebec Jean-Claude St-Onge, no livro “Tous fous” (Todos loucos)? (Écosociété, p. 236, 19 euros).

    Esta influência dos laboratórios  levou o professor Allen Frances, da Universidade de Duke (Carolina do Norte), que havia aliás coordenado o DSM - IV, a denunciar   "os conflitos de interesses intelectuais" que atingem  especialistas dos grupos de trabalho: eles  somente vêm  os benefícios possíveis, mas ignoram certos riscos". Acima de tudo, lamenta Allen Frances, "o procedimento  é secreto, fechado, incapaz de autocorreção eS de incorporar respostas vindas  de fora. Assim, os peritos rejeitaram o apelo de 57 associações de saúde mental que propunham  um exame científico independente."

    DISTÚRBIOS COGNITIVOS MENORES

     quatro anos atrás, Allen Frances disse haver  encontrado um colega e amigo numa noitada, que então ele se deu conta    da extensão dos perigos e  começou  uma cruzada. "Esse  médico estava  muito excitado com a idéia de integrar uma nova entidade no DSM-5, a"Síndrome do risco psicótico",  para identificar o mais cedo possivel transtornos desta natureza. O objetivo era nobre, ajudar os jovens a evitar o peso de uma  grave doença psiquiátrica. Mas eu aprendi, trabalhando nas três edições anteriores do DSM, que o inferno é cheio de boas intenções. Eu não poderia ficar calado."

    Finalmente, este item de risco psicótico não foi adotado na versão atual do DSM-5. Mas Allen Frances e os outros que eram também contra, estão agora inquietos por causa de  outras entidades que foram adotadas  no novo manual. É o caso dos "transtornos  cognitivos menores". "A perda da memória fisiológica com a idade vai se tornar uma patologia em nome da prevenção da doença de Alzheimer, prevê  o coletivo Stop  DSM. Muitas são as pessoas que os médicos enviarão fazer testes  desnecessários e caros com medicamentos cuja eficácia não é validada e cujos efeitos a longo prazo são desconhecidos."

    "PATOLOGISAÇÃO DO LUTO "

    Patrick Landman e seus colegas, também combatem com muito afinco o que eles chamam  "a patologisação do luto”. "Ao fim de duas semanas, a aparência depressiva do enlutado poderá ser  diagnosticada  como um episódio depressivo maior e, por conseguite, devendo ser tratado com antidepressivos".

    Terceiro exemplo: a disruptive mood dysregulation disorder, segundo eles,  comporta o risco de introduzir no  DSM,  banais  cóleras infantis. "É uma interpretação errônea, avalia o doutor Viviane Kovess, psiquiatra epidemiologista, professor da Ecole des hautes études en santé publique (EHESP)( Escola de estudos avançados de saúde pública) . O disruptive mood dysregulation disorder (transtorno de desregulação do humor) leva em conta uma irritabilidade importante e permanente,  e  cóleras violentas e frequentes.   "O critério( uma irritabilidade perceptivel importante  e  três grandes cóleras  por semana durante mais de um ano) não é tão comum, e isto é feito de propósito   para evitar que  essas crianças sejam colocadas na categoria dos transtornos bipolares." Além disso, segundo Viviane Kovess, o DSM não diz que todo luto que dura  mais de 15 dias seja uma depressão. "Pelo contrário, ele diferencia melhor do que antes o fenómeno do luto do transtorno depressivo maior."

    RISCOS DO DIAGNÓSTICO EXCESSIVO

    Para Allen Frances, os riscos causados pelo excesso de diagnóstico e, por conseguinte, de medicalisação excessiva  são bem reais, especialmente em crianças. "Quando nós introduzimos a síndrome de Asperger no DSM – IV-  uma forma menos grave de autismo- estimamos que isto multiplicará o número de casos por três. Na verdade, eles foram multiplicados por quarenta, principalmente porque este diagnóstico permite o acesso a serviços específicos na escola e fora dela. Assim o diagnóstico foi colocado em crianças sem levar em conta  todos os critérios."

    Levando em conta  esses perigos, o psiquiatra americano convida os médicos a boicotar o DSM, e os  pacientes a se tornarem  consumidores bem informados. "Coloquem questões  e esperem respostas claras. Não aceitem medicamentos prescritos  de maneira negligente  para sintomas leves e transitórios que vão provavelmente ser resolvidos sem auxílio de ninguém", aconselhou. Dicas de bom senso que podem ser aplicadas além das doenças mentais.

    2) LIVROS RECENTES

    *Idéologie et religion : une passion amoureuse-Mémoires, Histoire, Inconscient

    GLOPPE Dominique

    Paris, L’Harmattan, Collection Psychanalyse et civilisations

    2012 - 20 €

    *À la vie, à la mort : euthanasie : le grand malentendu

    BATAILLE Philippe

    Paris, Autrement, 2012- 12 

    *Sommes-nous libres

    ATLAN Henri, VERGELEY, Bertrand

    Paris, Salvator, 2012- 14 €

    *L’autre moi-même : les nouvelles cartes du cerveau,

    de la conscience et des émotions

    DAMASIO Antônio

    Paris, Odile Jacob, 2012 - 10,90 €

    *Correspondance : 1904-1938

    FREUD Sigmund, FREUD, Anna

    Paris, Fayard, 2012- 35€

    *Lettres à ses enfants

    FREUD Sigmund

    Paris, Aubier, 2012 – 27 €

    *Prisonniers du grand Autre : Jacques LACAN, Marc-François LACAN,

    Bernard SICHERE, Jean-Luc MARION, Jean-Christophe BAILLY,

    Pier-Paolo PASOLINI, Romeo CASTELLUCI

    Paris, EPEL, 2012-  23 €

    *Le discours mélancolique : de la phénoménologie à la métapsychologie

    Marie-Claude LAMBOTTE

    TOULOUSE, Erès, 2012, 22 €

    *Le packing avec les enfants autistes et psychotiques

    Pierre DELION

    TOULOUSE, Erès, 2012- 12 €

    *La clinique psychanalytique contemporaine

    André GREEN

    Paris, Les Éd. D’Ithaque, 2012- 22 €

    *Souffrance psychique des sans abris : vivre ou survivre

    Alain MERCUEL

    Paris, Odile Jacob, 2012 -  21,90 €

    *Médecins st sorciers

    NATHAN Tobie, STENGERS Isabelle

    Paris, Les empêcheurs de tourner en rond : La Découverte

    2012- 16 €

    *Le langage, l’inconscient, le réel

    Centre culturel international (Cerisy-la-Salle, Manche),

    Paris, Éd. du Champ lacanien, 2012 -  20 €

    *L’organo-dynamisme en psychiatrie : la modernité d’Henri Ey

    PALEM Robert

    Paris, L’Harmattan, 2012 -  218 €

    3) RÉUNIÕES E COLÓQUIOS

    JUNHO 2013

    *Em PARIS, dia 3: 20h 30, o Séminaire Babylone organiza um seminário sobre a arte, cujo tema é “Manet et Narcisse”, dirigido por Paul Denis.

    Informações e inscrições: Corinne DUGRÉ-LE BIGRE, 01-56 61 69 19

    Endereço eletrônico:   [email protected]   de noite, a partir de 20 h

    JULHO 2013

    *Em PARIS, dias 4 e 5: Psy et Crimino organiza um colóquio sobre o tems “Distúrbios da personalidade”.

    Informações e inscrições : Association Française de Thérapie du Traumatisme des Violences Sexuelles et familiales et de Prévention (AFTVS)

    Contactar Madame Valérie HERBST,  3 bis rue de l’Aigle, 92250, La Garenne6Colombes

    Telefone: 01 56 47 03 49

    Endereço eletrônico: [email protected]

    Site internete: www.psylegale.com

    4) REVISTAS

    L’Evolution pychiatrique

    L’Information psychiatrique

    Impacte Medecine

    La Revue Française De Psychiatrie Et De Psychologie Médicale

    L’Encephale

    Psychiatrie Française

    L’Autre, Culture et Sociétés

    5)ASSOCIAÇÕES

    *Mission Nationale d’Appui En Sante Mentale

    *Association Française De Psychiatrie Et Psychologie Legales (Afpp)

    *Association Française De Therapie Comportementale Et Cognitive (Aftcc)

    *Association Francophone De Formation Et De Recherche En Therapie Comportementale Et Cognitive  (Afforthecc)

    *Association De Langue Française Pour L’etude Du Stress Et Du Traumatisme (Alfest)

    *Association Pour La Fondation Henri Ey

    * Association Française de Thérapie du Traumatisme des Violences Sexuelles et familiales et de Prévention (AFTVS) Site internete: www.psylegale.com

    *Association Aquitaine pour L'information Médicale et l'Epidémiologie en Aquitaine AAPIMEP

    *Association Française des Psychychiatres. d'Exercice Privé AFPEP

    *Association  pour la Promotion de l'Assur. Qualité en Santé Mentale ANCREPSY

    *Association  Scientifique des Psychiatres de Secteur ASPS *Association Francophone de Formation et de Recherche en Therapie Comportementale et Cognitive (A.F.FOR.THE.C.C.)


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