Volume 22 - Novembro de 2017
Editor: Giovanni Torello

Junho de 2011 - Vol.16 - Nº 6

Psiquiatria na Prática Médica

SINTOMAS PSIQUIÁTRICOS EM PACIENTES INTERNADOS EM HOSPITAL GERAL

Gabriela Assumpção
Prof. Dra. Márcia Gonçalves


No Brasil 20 a 60% dos pacientes internados apresentam transtornos do humor. Tamanha variação se deve a características sociodemográficas, tipo de enfermidade, gravidade, cronicidade. Os sintomas mais comuns são de natureza indiferenciada como preocupações excessivas, ansiedade, depressão e insônia.

O diagnóstico é dificultado pelo fato de sintomas vegetativos (fadiga, insônia, taquicardia, falta de ar, anorexia, diminuição da libido, e outros) serem freqüentemente descritos tanto em patologias orgânicas como mentais, neste contexto, um terço dos pacientes acometidos com transtornos do humor não são corretamente diagnosticados1.

Machado et al, investigaram a detecção de sintomas depressivos por especialistas não-psiquiatras em pacientes internados, indicando que estes detectaram depressão em grau menor do que os psiquiatras, tal dificuldade de diagnóstico, provavelmente, deve-se ao fato das características psicopatológicas da depressão dos pacientes com doença clínica serem diferentes daquelas encontradas em pacientes com depressão primariamente psiquiátrica, pelos fatores emocionais, físicos e psicológicos estarem diretamente ligados a doença clínica à qual a depressão está associada.

A prevalência de transtornos depressivos é mais elevada na presença de condições médicas, tanto em estudos nacionais como internacionais, variando de 12% a 83%, sendo em geral subdiagnosticada3.

A co-morbidade da depressão em pacientes internados é preocupante, pois pacientes com depressão tem menor aderência ao tratamento,  pior controle de sua doença de base, pior qualidade de vida, maior prejuízo funcional e maior mortalidade4. Além  destes fatos, a depressão pode aumentar o tempo de internação, a mortalidade no pós-operatório ou após o infarto agudo do miocárdio, diminuir a adesão ao tratamento e à reabilitação, e, em cardiopatas, constituir um dos principais fatores de risco para complicações cardíacas3.

 

                                     Prevalência

Cigognini & Furlanetto realizaram um estudo para avaliar a prevalência de transtorno depressivos em pacientes internados no Hospital Santa Isabel, Blumenau-SC, de janeiro a julho de 2002; 26% dos pacientes apresentaram depressão e apenas 43% destes receberam tratamento antidepressivo.

A maioria dos pacientes depressivos tratados (62,5%) utilizou benzodiazepínicos. Dentre os psicofármacos, destacaram-se o diazepam e a fluoxetina.

Apesar de cerca de ¼ dos pacientes internados apresentarem transtornos depressivos menos da metade receberam tratamento antidepressivo, as maiores taxas de depressão foram observadas em mulheres com história prévia de depressão, baixa renda e em uso de benzodiazepínicos, devendo este grupo ser observado com maior cuidado pelos médicos.

Botega et al estimaram a prevalência de transtornos do humor em enfermaria de clinica médica e detectaram prevalência instantânea de 39% de transtornos do humor (20,5% de "casos" de ansiedade e 33% de "casos" de depressão) observando uma combinação de sintomas de preocupação, depressão, ansiedade e insônia.

No Brasil as pesquisas sobre o tema são escassas e a presença de serviços de psiquiatria em hospital geral é modesta, sendo necessário maior investimento em pesquisas correlacionando pacientes internados e transtornos psiquiátricos devido à importância das patologias mentais na qualidade de vida e recuperação dos pacientes.

Referencias:

1.        BOTEGA, N. J. et al . Transtornos do humor em enfermaria de clínica médica e validação de escala de medida (HAD) de ansiedade e depressão. Rev. Saúde Pública, São Paulo, v. 29, n. 5, Oct. 1995 . Available from http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-89101995000500004&lng=en&nrm=iso>. access on 26 June 2011. doi: 10.1590/S0034-89101995000500004.

2.         MACHADO, S. C. E. P. et al. Depressão no hospital geral: II. Habilidade de detecçäo de sintomas depressivos pelo especialista näo-psiquiatra / Depression at general hospital: II. Ability to detect depressive symptoms by none-psychiatrists. Rev. ABP-APAL;11(3):97-100, jul.-set. 1989.

3.        FRAGUAS JUNIOR, R. et al. Depressão no Hospital Geral: estudo de 136 casos. Rev. Assoc. Med. Bras., São Paulo, v. 48, n. 3, Sept. 2002 . Available from  /www.scielo.br/scielo.php? script=sci_arttext&pid=S0104-42302002000300035&lng=en&nrm=iso>. access on 26 June 2011. doi: 10.1590/S0104-42302002000300035.

4.        FURLANETTO, L. M. et al. Diagnosticando depressão em pacientes internados com doenças hematológicas: prevalência e sintomas associados. J Bras Psiquiatr, 55(2): 96-101, 2006.

5.        CIGOGNINI, M. A.; FURNALETTO, L. M. Diagnosis and pharmacological treatment of depressive disorders in a general hospital. Rev. bras. psiquiatr;28(2):97-103, jun. 2006.


TOP