Volume 22 - Novembro de 2017
Editor: Giovanni Torello

 

Fevereiro de 2011 - Vol.16 - Nº 2

France - Brasil- Psy

Coordenação: Docteur Eliezer DE HOLLANDA CORDEIRO

Quem somos (qui sommes-nous?)                                  

France-Brasil-PSY é o novo espaço virtual de “psychiatry on  line”oferto aos  profissionais do setor da saúde mental de expressão  lusófona e portuguesa.Assim, os leitores poderão doravante nela encontrar traduções e artigos em francês e em português abrangendo a psiquiatria, a psicologia e a psicanálise. Sem esquecer as rubricas habituais : reuniões e colóquios, livros recentes, lista de revistas e de associações, seleção de sites.

Qui sommes- nous ?

France-Brasil-PSY est le nouvel espace virtuel de “psychiatry on line”offert aux professionnels du secteur de la santé mentale d’expression lusophone et française. Ainsi, les lecteurs pourront désormais y trouver des traductions et des articles en français et en portugais  concernant la psychiatrie, la psychologie et la psychanalyse. Sans oublier les rubriques habituelles : réunions et colloques, livres récentes, liste de revues et d’associations, sélection  de sites

SOMMAIRE (SUMÁRIO):

 

  • 1. HISTÓRIA DA LOUCURA
  • 2. EUTANÁSIA E LEGISLAÇÃO FRANCESA
  • 3. REVISTAS
  • 4. ASSOCIAÇÕES
  • 1) HISTÓRIA DA LOUCURA

    Doutor Eliezer de Hollanda Cordeiro

     

    Quando apresentamos o livro do Dr. Claude Quetel, intitulado  HISTOIRE DE LA FOLIE (História da loucura), na edição da Polbr de outubro de 2009, tínhamos a intenção de retomar esta questão  para  desenvolvê-la. Uma entrevista do mesmo autor concedida  ao jornalista  Patrice Gélinet, deu-me o ensejo de enriquecer  o artigo outrora apenas esboçado. 

    INTRODUÇÃO

    A loucura seria uma  doença do corpo ou da alma? A consequência de  uma  insuficiência física ou psíquica? Um castigo de Deus ou  uma obra do Diabo? Sempre existiu uma  nosografia da loucura,  isto é descrições e explicações  sobre este fenômeno, mas esta  nosografia  mudou ao longo do tempo:  na antiguidade  falava-se dos frenéticos, maníacos, melancólicos,  hidrofóbicos... A própria  significação do termo ‘’psicologia’’ mudou:  inicialmente descrita como a ‘‘ciência do aparecimento dos espíritos’’(Século XVI) ,  ela tornou-se ‘’ a ciência da alma’’(Século XVII), como podemos ler

    no ‘’Dictionnaire  étymologique du  français’’, Le RobertNo mesmo dicionário,  encontramos as  datas  do aparecimento  de outros termos: psiquico(SéculoXVI); psiquismo, psicose, psicopata, psicopatologia(Século XIX); psicótico, psicanálise, psicoterapeuta(Século XX).

    O termo ‘’psiquiatria’’,  empregado pela primeira vez por  Johann Christian Reil  em 1808,  também é uma criação,  um momento da história da medicina.’’ Psiquiatria’’  deriva do vocábulo grego   psyche ( alma ou espírito) , e iatros (que significa médico ). Literalmente, psiquiatria quer dizer a medicina da alma.

    OS PRIMÓRDIOS DO  TRATAMENTO DA LOUCURA

     

    Claude Quetel, estudou os diferentes tipos de tratamento da loucura, desde os tempos em que ela era considerada em função de crenças religiosas monoteistas ou politeistas. Por exemplo, a descrição de um Deus violento e vingador pelo  Antigo Testamento, influenciou  os homens  a tratarem os loucos  de maneira muito dura. Ao contrário, os deuses  greco-latinos toleravam a loucura, pensadores   meditaram sobre a relação entre a alma e o corpo,  uma  tradição médico-filosófica muito  antiga.  Sobre esta questão, o livro de Jacquie Pigeaud, La maladie de l’âme, edição Les belles lettres.com, retoma o coceito  de doença da alma, eleborado  500 anos antes de Cristo.

    Hipócrates, pensava que a loucura era causada  pelos humores enquanto outros pensadores  descartavam o aspecto demoníaco da loucura, idéia portanto sustentada pela religião cristã.

    Notemos também  o desenvolvimento  da dupla versão cultural e médica da loucura no livro de Quetel. O bouffon( bobo  da corte) era aceito, desempenhava um papel salutar,  caçoava  dos cortesãos e até dos reis.

    Ainda na Idade média, loucos e epilépticos  começaram  a ser  enviados aos Hospitais Gerais, iníciando o processo de internamento a partir de uma perspectiva de  assistência e  de acompanhamento dos doentes mentais, idéia que   começou a prevalecer em medicina. Mesmo um rei inglês foi tratado por um médico. Este ameaçou o soberano: ‘’Se Vossa majestade não quiser se tratar, mando-o para o asilo. O senhor é meu paciente, não é meu rei’’!

    Contudo,   os meios utilizados para se tratar a loucura ainda eram físicos : evacuar os  humores ruins, fazer uma sangria, aplicar ventosas, dar vomitivos e substâncias eméticas...Tempos depois surgiu a idéia de que o próprio lugar onde o alienado vivia, podia se tornar  um instrumento, um agente terapêutico. Foi o prenúncio da dimensão relacional dos cuidadosfalar com o doente, levá-lo a raciocinar,  aconselhá-lo, passear com ele... Já existia a busca de um diálogo.

    No Século XIX, os  loucos foram percebidos  como pacientes e  tratados não somente  com os medicamentos  da época  mas também a partir das idéias contidas  no ‘’ tratamento moral’’  inventado  por Pinel e aplicado por Esquirol. A Lei de 30 de Junho de 1838 sobre os alienados  constituiu um progresso para o acompanhamento dos pacientes, mas os ‘’ resultados terapêuticos eram muito limitados, a farmacopéia pouco desenvolvida, e as curas morais necessitavam meios importantes reservados aos privilegiados’’.

    Philippe Pinel foi também autor de uma reflexão sobre a loucura,  na qual levou em conta a importância da  parte sadia do louco durante o seu  acompanhamento, uma idéia que contribuiu para a fundação da psiquiatria.

    A situação dos loucos mudou consideravelmente  graças a descoberta de psicotrópicos eficientes nos anos de 1950. Os novos medicamentos  revolucionaram os serviços de psiquiatria e permitiram   a generalização das psicoterapias aos pacientes  psicóticos. A estes eram oferecidas mais chances de retornarem a seus domicílios ou de integrarem estruturas intermediárias.Este processo se desenvolveu na França e deu lugar, em 1960,  à criação da  psiquiatria de setor .Este  movimento continuou nos anos de1970, especialmente com o advento das psicoterapias psicanalíticas.

    A LOUCURA NEGLIGENCIADA

     

    A loucura continua incomodando, perturbando, desorientando, suscitando medo  e ao mesmo tempo ela não interessa muito  os governantes. No editorial da Lettre de Psychiatrie Française de janeiro 2011,o Professor  Bernard Gibello e o Doutor Jean-Yves Cozic  escreveram que ‘’a psiquiatria francesa está sendo ameaçada porque não existe uma política de cuidados bem clara, mas somente  uma política sanitária fundada a partir de argumentos  contabilísticos. O modelo psiquiátrico francês dito de setor, muito tempo considerado como um dos melhores do mundo, está sofrendo uma degradação contínua.’’

    Os autores do editorial pedem a mobilização  e a união dos psiquiatras com o objetivo de criar  ações para a defeza da psiquiatria . E eu ajuntaria para a defeza dos seus pacientes,  especialmente dos loucos,  estes eternos seres humanos negligenciados pelos poderes públicos.

    2) A EUTANÁSIA E SUA LEGISLAÇÃO NA FRANÇA

     

    A comissão sobre assuntos sociais do Senado informou haver adotado, terça feira, uma proposta de lei  sobre  a legalização da eutanásia. O primeiro artigo do texto votado diz  que "toda pessoa de maior idade e capaz, em fase avançada ou terminal  de uma afecção acidental ou incurável, causando-lhe um sofrimento físico ou psíquico não podendo ser  atenuado ou que a pessoa julgue insuportável, pode pedir e beneficiar  (...) de uma assistência medoicalisada permitindo, por um ato deliberado, uma morte rápida e sem dor".

    3. REVISTAS

     

    L’évolution pychiatrique

    L’information psychiatrique

    Impacte medecine

    La revue française de psychiatrie et de psychologie medicale 

    L’encephale

    Psychiatrie française

    L’autre, culture et societes

    4. ASSOCIAÇÕES

     

    Mission nationale d’appui en sante mentale

    Association française de psychiatrie et psychologie legales (afpp)

    Association française de musicotherapie (afm)

    Association art et therapie

    Association française de therapie comportementale et cognitive (aftcc)

    Association francophone de formation et de recherche en therapie comportementale et cognitive (afforthecc)

    Association de langue française pour l’etude du stress et du trauma (alfest)

    association de formation et de recherche des cellules d’urgence medico  psychologique (aforcump)

    Association pour la fondation Henri Ey

     


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