Volume 22 - Novembro de 2017
Editor: Giovanni Torello

 

Agosto de 2010 - Vol.15 - Nº 8

História da Psiquiatria

HOSPITAL PSIQUIÁTRICO SÃO PEDRO

Walmor J. Piccinini

Neste mês de agosto estamos apresentando um grande trabalho desenvolvido no Serviço de Memória Cultural do Hospital Psiquiátrico São Pedro de Porto Alegre. Seu autor é o historiador Edson Medeiros Cheuiche que, junto com a Diretora do SMC-HPSP, Dra. Neusa Barcellos, exercem uma atividade incessante na preservação da história daquele velho e querido hospital dos gaúchos.

Desde 2007, sob a direção do Dr. Luiz Ilafont Coronel e do Diretor Técnico Dr. Gilberto Brofman aquele hospital vem apresentando inúmeras conquistas. Voltou a ser um grande centro de formação profissional com estágios de inúmeras Universidades Gaúchas. Tornou-se um Centro de Referência no enfrentamento da epidemia do “Crack” e dando cobertura a mais de três milhões de gaúchos em vários municípios.

A recuperação da história do São Pedro é permanente e está relatada pelo nosso historiador em http://www.saude.rs.gov.br/wsa/portal/index.jsp?menu=organograma&cod=2941

 

Vamos aproveitar um resumo desse trabalho numa Linha de Tempo que, não chega até nossos dias, mas que será completada brevemente.

 

HOSPITAL PSIQUIÁTRICO SÃO PEDRO

 

“LINHA DE TEMPO”

(1874 a 1957)

 

Edson Medeiros Cheuiche

Historiador do SMC-HPSP

http://www.saude.rs.gov.br/wsa/portal/index.jsp?menu=organograma&cod=2941

 

·        1874 – Criado o asilo de alienados em Porto Alegre na Província de São Pedro (Lei nº 944, de 13 de maio).

 

·        1876 – Autorizada a aquisição de um terreno para a edificação do asilo de alienados (Lei nº 1220, de 16 de maio).

 

·        1879 - No governo de Carlos Thompson Flores, a Fazenda Provincial comprou um terreno com trinta e três hectares, por vinte e cinco contos de réis da viúva Clara Rabelo, conhecido como a chácara da "Saúde", para a edificação do Hospício (escritura de compra e venda).

 

·        1879 – Lançada a pedra fundamental do asilo de alienados na presença das autoridades e notáveis da província de São Pedro (Ata do lançamento).

 

·        1884 – Estabelecido o Regulamento do Hospício São Pedro (Ato nº 58A, de 13 de junho).

 

·        1884 – Ata da sessão da Mesa Administrativa da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre aprovando o encargo de administrar o Hospício São Pedro (Ata de 16 de junho).

 

·        1884 – Ato do Presidente da Província nomeando os 12 Grandes Protetores do Hospício São Pedro (Ato nº 69, de 25 de junho).

 

·        1884 – Ato do Presidente da Província nomeando as 12 Grandes Protetoras do Hospício São Pedro (Ato nº 70, de 25 de junho).

 

·        1884 – Inaugurado o Hospício São Pedro com a internação de 41 alienados - 24 homens e 17 mulheres - provindos da Santa Casa e da cadeia civil. O quadro de pessoal previsto era de quatorze funcionários, entre os quais um médico, dois enfermeiros e uma enfermeira. Nem todas as funções foram preenchidas como o a de farmacêutico que foi ocupada em 1897.

 

·        1884 – Jornal “Mercantil” noticia a fundação do Hospício São Pedro (fotografia da edição do Mercantil de 30 de junho de 1884 – segunda-feira).

 

·        1884 – Emitido o primeiro relatório sobre o Hospício São Pedro pelo médico-diretor Carlos Lisboa ao coronel Joaquim Pedro Salgado, provedor da Santa Casa (fotografia do diretor e Relatório de 20 de dezembro).

 

·        1885 – Jornal “Mercantil” noticia sobre a visita da Princesa Izabel ao Hospício São Pedro (fotografia da edição do Mercantil de 03 de fevereiro de 1885– terça-feira).

 

·        1886 – O relatório emitido pelo engenheiro Álvaro Nunes Pereira, diretor da Repartição de Obras Públicas da Província de São Pedro, registrou a conclusão do 3º pavilhão do São Pedro (Relatório presidencial RP).

 

·        1886 – Os registros do relatório do chefe de polícia Joaquim Corrêa de Oliveira Andrade traçam considerações piedosas sobre os 11 alienados e 04 alienadas que por falta de vagas no Hospício São Pedro, permaneciam na cadeia civil de Porto Alegre.

 

·        1888 – Com o falecimento do médico-diretor Carlos Lisboa, do Hospício São Pedro, o provedor da Santa Casa indicou para médico-diretor o doutor Olympio Olinto de Oliveira (Ata da Mesa da Santa Casa).

 

·        1889 – Publicado Ato do Governador Político do Estado que transferiu a administração do Hospício São Pedro, da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre para um médico nomeado pelo Governador do Estado, com atribuição de propor todas as alterações que fossem necessárias no regulamento em vigor (Ato nº 04, de 28 de novembro). O médico indicado foi o doutor Francisco de Paula Dias de Castro.

 

·        1892 – Estipulado um novo Regulamento para o Hospício São Pedro na administração do médico-diretor Francisco de Paula Dias de Castro. O quadro de pessoal previsto era de 28 funcionários, entre os quais 01 diretor-médico e 01 médico adjunto, 05 enfermeiros e 04 ajudantes, 03 enfermeiras e 03 ajudantes. (Ato nº 346, de 08 de outubro).

 

·        1893 - O São Pedro passou a asilar 192 alienados, em 106 celas e 07 salas, disponíveis para o alojamento de somente 160 alienados.

 

·        1897 – Fundada a farmácia do São Pedro com o gerenciamento do cidadão Reinaldo Hilt. Foram manipuladas nos primeiros 100 dias de funcionamento, 1.361 prescrições.

 

·        1898 – Com as obras do 4º pavilhão em andamento foram iniciadas as edificações do 5º pavilhão do São Pedro (Foto e relatório – Secretaria de Obras).

 

·        1900 – No final do ano o São Pedro asilou 471 alienados, sendo 441 indigentes e 30 pensionistas, caracterizando uma modesta arrecadação financeira dos alienados contribuintes.

 

·        1902 – Efetivado como diretor do São Pedro o clínico e médico adjunto Tristão de Oliveira Torres. Para a vaga de médico adjunto foi nomeado o doutor José Carlos Ferreira.

 

·        1903 – Um novo Regulamento para o Hospício São Pedro foi organizado pelo diretor Tristão de Oliveira Torres. O quadro de pessoal previsto era de 37 funcionários, entre os quais 01 diretor-médico e 01 médico adjunto, 05 enfermeiros e 09 ajudantes, 03 enfermeiras e 05 ajudantes. (Decreto nº 595, de 07 de fevereiro).

 

·        1903 - No relatório emitido pelo secretário de Estado dos Negócios das Obras Públicas, João José Pereira Parobé, endereçado ao presidente do Estado, Antonio Augusto Borges de Medeiros, ficou registrado a conclusão dos atuais 06 pavilhões da ala sul do projeto original, com capacidade para 450 internos. O Hospício São Pedro, por sua grandiosidade, foi motivo de cartão postal.

 

·        1903 - A primeira legislação voltada para os alienados no Brasil foi estabelecida no dia 22 de dezembro de 1903, por meio do Decreto n° 1.132, quando o presidente brasileiro, Rodrigues Alves, sancionou a Resolução do Congresso Nacional. A legislação colocou o médico alienista como o responsável pelo tratamento dos alienados e proibiu o acolhimento dos insanos nas cadeias dos municípios brasileiros.

 

·        1905 – Na administração do doutor Tristão Torres persistiu a ausência de uma anamnese completa de alienado por ocasião das internações no São Pedro. Este foi um problema contínuo desde a inauguração do hospício, sendo motivo de constantes registros nos relatórios emitidos pelos médicos-diretores que se sucederam.

 

·        1907 – Houve a demarcação dos limites da chácara do São Pedro através do seu cercamento com aramado e moirões de granito.

 

·        1908 - Nomeado diretor do Hospício São Pedro o doutor Dioclécio Sertorio Pereira da Silva, que permaneceu no comando da instituição até 1924.

 

·        1908 - O doutor Dioclécio Pereira comunicou ao secretário de Estado do Interior e do Exterior, Protásio Alves, que o Hospício São Pedro estava disponível para a instalação da clinica psiquiátrica que a Faculdade de Medicina e Farmácia de Porto Alegre pretendia inaugurar a qualquer momento (RP).

 

·        1909 - Foram empossados no São Pedro o farmacêutico André Viveiros Machado e o médico clínico José Hecker. Também a Faculdade de Medicina de Porto Alegre recebeu do Hospício São Pedro o material necessário para que se procedessem "lições de clínica psiquiátrica."

 

·        1909 - Dentre os 543 alienados que compunha a população manicomial no São Pedro, 70 eram italianos, 14 alemães, 03 portugueses, 02 franceses e 44 de outras nacionalidades.

 

·        1910 – As primeiras 04 Irmãs da Congregação de São José de Chambêry (França), 02 francesas e 02 do Noviciado de Garibaldi (RS) assumiram o apostolado no São Pedro, como primeira missão da Ordem no Estado do Rio Grande do Sul. A comunidade atingiu o ápice em atividade em 1964, quando 87 Irmãs se dedicavam aos árduos serviços exigidos no atendimento aos internos (fotografias).

 

·        1911 - A disciplina de Clínica das Moléstias Mentais da Faculdade de Medicina de Porto Alegre prosseguiu sendo oferecida regularmente no Hospício São Pedro (RP).

 

·        1912 - O Serviço Sanitário do São Pedro foi dividido em duas Seções: a das moléstias mentais, a cargo do médico-adjunto José Carlos Ferreira, e o das moléstias somáticas, sob a gestão dos médicos Dioclécio Pereira e José Hecker.

 

·        1912 - A aplicação da clinoterapia no Hospício São Pedro, um tratamento para alienados agitados através do repouso no leito, terminou com a agitação sonora que perturbava os alienados considerados tranquilos (RP).

 

·        1913 – O doutor José Luiz Guedes assumiu na vaga aberta no São Pedro pela demissão a pedido do doutor José Hecker.

 

·        1913 - O doutor José Carlos Ferreira, chefe do Serviço de Moléstias do Hospício São Pedro, registrou a presença de 23 alienados criminosos entre a população de alienados asilados.

 

·        1913 – Um novo quadro de pessoal foi estabelecido no Hospício São Pedro para o ano seguinte com 49 funcionários, entre os quais 03 médicos (01 diretor-médico, 01 médico adjunto e outro médico), 07 enfermeiros e 09 ajudantes, 03 enfermeiras e duas ajudantes e 06 enfermeiras religiosas.

 

·        1914 – No relatório anual da direção do São Pedro foi registrada a conveniência de se criarem enfermarias para os casos agudos de doentes com moléstias mentais em hospitais de caridade subvencionados pelo Estado, diminuindo as longas e penosas viagens dos alienados para Porto Alegre e consequentemente, a superpopulação do São Pedro. As cidades seriam distribuídas geograficamente e não escolhidas por importância política ou econômica.

 

·        1914 - O crescimento da população manicomial foi motivo de um acordo da direção do Hospício São Pedro com a Repartição das Obras Públicas para a construção de mais um pavilhão para o acolhimento dos alienados, sendo definitivamente abandonado o primitivo plano arquitetônico de edificação do Hospício São Pedro.

 

·        1915 – Aconteceu a primeira aposentadoria no Hospício São Pedro. O servidor, após 21 anos de ofício público, foi jubilado por ter-se “inutilizado” no serviço, conforme inspeção de saúde a que foi submetido.

 

·        1915 – Oficializado o Regulamento da Colônia do Jacuhy, que foi a primeira colônia agrícola do Hospício São Pedro, localizada à margem direita do rio Jacuhy, no município de São Jerônimo. O quadro de pessoal previsto era de 23 funcionários, entre os quais 04 enfermeiros e 06 ajudantes ou guardas. O médico responsável deveria visitar a Colônia pelo menos uma vez por semana ou quando se tornasse necessário, mesmo quando nela houvesse médico residente. O médico deveria prestar seus serviços profissionais também aos servidores da Colônia (Decreto nº 2.144 A, de 03 de julho).

 

·        1915 – Nomeado o doutor Antonio Carlos Penafiel, para o cargo de médico alienista do São Pedro, para atuar no Serviço Clínico e na observação dos 19 alienados criminosos abrigados na Instituição.

 

·        1916 - Os serviços da farmácia do Hospício São Pedro foram entregues para a Irmã Gertrudes e sua ajudante, Irmã Irene, ambas da Congregação São José.

 

·        1917 - Implantada no Hospício São Pedro a mesma “Classificação da Sociedade de Neurologia, Psiquiatria e Medicina Legal” utilizada no Hospital Nacional de Alienados do Rio de Janeiro. Também foi inaugurado o Serviço de Cirurgia Dentária com a nomeação do dentista Rache Vitello.

 

·        1918 - Nomeado o médico-cirurgião Octacílio Torres Rosa para o lugar de médico de moléstias intercorrentes do Hospício São Pedro.

 

·        1918 - Inaugurada a Colônia do Jacuhy. No primeiro momento aconteceu a transferência de 60 alienados do São Pedro para a Jacuhy. A Colônia do Jacuhy encerrou suas atividades em 1937.

 

·        1918 - Houve um movimento transitante no Hospício São Pedro de 947 alienados, sendo 135 de 1ª, 2ª e 3ª classes (pensionistas) e 812 alienados de 4ª classe (indigentes) incluindo os 60 alienados da Colônia do Jacuhy. O odontologista João Rache Vitello atendeu durante o ano, 3.200 alienados, com cerca de 1.400 extrações dentárias.

 

·        1918 - Um novo quadro de pessoal foi estabelecido no Hospício São Pedro para o ano seguinte com 53 funcionários, entre os quais 04 médicos (01 diretor-médico, 01 médico adjunto, 01 médico psiquiatra e 01 médico de moléstias somáticas). Também foi estipulado o quadro de pessoal dos 22 funcionários da Colônia do Jacuhy.

 

·        1919 – Seguiu em viagem de estudos para os Estados Unidos da América, comissionado pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul, o doutor Otacílio Torres Rosa. A viagem de um ano teve o propósito de observar as cirurgias específicas para alienados, a relação da ginecologia com as moléstias mentais e tudo que fosse útil à assistência aos alienados no Hospício São Pedro.

 

·        1920 - Diversas medidas foram planejadas para qualificar o atendimento aos alienados do São Pedro, dentre as quais a criação de um instituto médico-pedagógico como uma medida higiênica para os alienados de idade infantil que estavam nas seções dos insanos adultos.

 

·        1921 - Na 1ª Divisão do São Pedro transitou 458 alienados, cujos diagnósticos mais frequentes foram psicoses hetero-tóxicas (alcoolismo) e demência precoce. Na 2ª Divisão, o movimento foi de 486 alienadas, cujo diagnóstico  mais comum foi psicose maníaco-depressiva. Foram aviadas ao longo do ano na farmácia do Hospício 12.118 fórmulas, sob a orientação da Irmã Gertrudes e da assistente Irmã Beatriz.

 

·        1921 - No último dia do ano, 672 alienados permaneceram no São Pedro. Do total, 03 alienados tinham até 10 anos de idade e 55, de 11 a 20 anos de idade.

 

·        1922 - A praxiterapia continuou facilitando a manutenção administrativa da instituição. O trabalho como meio terapêutico e econômico na 1ª Divisão foi concentrado nas tarefas de limpeza da cozinha, dos refeitórios, das cavalariças, das cocheiras, da caiação e pintura dos pavilhões; na 2ª Divisão, as ocupações prevaleceram na lavanderia, nas costuras, no serviço de asseio, na pintura de utensílios, no cuidado do jardim e na pequena horta das religiosas de São José.

 

·        1923 - No último dia do ano, o Serviço de Enfermagem do São Pedro tratou 869 alienados internados, incluindo os 98 da Colônia do Jacuhy. Atendeu com enfermeiros leigos na 1ª Divisão e com religiosas, as alienadas da 2ª Divisão. Somente em 1961 os alienados indigentes do hospício foram atendidos pelas Irmãs de São José por solicitação do médico-diretor Luiz Ciulla.

 

·        1923 - Um novo quadro de pessoal foi estabelecido no Hospício São Pedro com 65 funcionários, entre os quais 04 médicos (01 diretor-médico, 01 médico ajudante, 01 médico psiquiatra e 01 médico de moléstias somáticas), 09 enfermeiros e 11 ajudantes, uma enfermeira e duas ajudantes, e 15 enfermeiras religiosas. O quadro de pessoal da Colônia constou com 23 funcionários, cujas autoridades superiores continuavam sendo o administrador e o enfermeiro-mór.

 

·        1924 – Com o falecimento do doutor Dioclécio Pereira assumiu a direção do Hospício São Pedro o médico adjunto José Carlos Ferreira, permanecendo até 1926.

 

·        1924 - Estabelecido o Regulamento para a Assistência a Alienados no Estado do Rio Grande do Sul, abrangendo os estabelecimentos particulares sob a fiscalização do Estado e o Manicômio Judiciário que foi instituído nas próprias dependências do Hospício São Pedro (Decreto nº 3.356, de 15 de agosto).

 

·        1924 – Nomeado diretor do Manicômio Judiciário o médico Jacintho Godoy. (Decreto nº 3.359, de 22 de agosto).

 

·        1924 – Estabelecido novos Quadros de Pessoal do Hospício São Pedro, da Colônia do Jacuhy e do Manicômio Judiciário para o ano seguinte. O Hospício São Pedro com 83 funcionários, entre os quais 05 médicos (01 diretor-médico, 01 médico adjunto, 02 médicos alienistas e 01 médico de moléstias somáticas), 12 enfermeiros e 19 ajudantes, uma enfermeira e duas ajudantes, e 20 enfermeiras religiosas. A Colônia do Jacuhy continuou com 23 funcionários e o Manicômio Judiciário com 08 servidores, entre os quais 01 diretor-médico, 01 enfermeiro e 04 guardas.

 

·        1925 - Criado o Regimento Interno para o Manicômio Judiciário. Foi o segundo manicômio implantado no Brasil. Acolheu, no seu início 13 alienados que estavam internados no Hospício São Pedro (Decreto nº 3.454, de 04 de abril de 1925).

 

·        1925 – Estipulado o Quadro de Pessoal do Manicômio Judiciário com 14 funcionários (01 diretor, 01 administrador, 01 ajudante, 01 enfermeiro-mór, 04 enfermeiros, 04 guardas, 01 porteiro e 01 servente) (Decreto nº 3.564, de 31 de dezembro).

 

·        1925 – Aprovado um novo Regulamento para o Hospício São Pedro, nomeado a partir de então como Hospital São Pedro (Decreto nº 3.550, de 29 de dezembro).

 

·        1925 – Aprovada a tabela do Quadro de Pessoal do Hospital São Pedro e os respectivos vencimentos. A área técnica contou com 05 médicos (01 diretor-médico, 03 médicos psiquiatra e 01 médico ginecologista) e 03 internistas. A farmácia continuava sendo atendida por uma religiosa farmacêutica e dois ajudantes religiosos (Decreto nº 3.563. de 431 de dezembro).

 

·        1926 - O doutor Jacintho Godoy Gomes foi empossado na direção da Assistência a Alienados no Rio Grande do Sul, que incluiu o comando do Hospital São Pedro e do Manicômio Judiciário (ROP). Foi o início de um período de reformas profundas, proporcionando um novo discurso médico-psiquiátrico voltado à promoção da saúde mental e uma nova prática terapêutica de avançada tecnologia à época.

 

·        1926 – Extintos os cargos de diretor do Hospital São Pedro e do Manicômio Judiciário, sendo substituídos pelo diretor da Assistência a Alienados. Foi elaborado um novo Quadro de Pessoal para o ano seguinte. O Hospital São Pedro com 106 contou na área técnica com o médico – diretor da Assistência, 03 médicos-chefes das secções de doenças mentais, 01 cirurgião ginecologista, 01 cirurgião auxiliar, 01 médico-chefe de laboratório, 03 internistas, 01 cirurgião dentista. A presença intensa das religiosas no São Pedro pode ser observada pelas funções que desempenhavam na Instituição (uma farmacêutica e uma ajudante, uma enfermeira-mór e 24 enfermeiras, uma costureira e uma roupeira).

 

·        1927 – Instalada a rede telefônica interna no Hospital São Pedro (Relatório de Maria Mendes de Camargo – (RMM)

 

·        1927 – Durante todo o ano de 1927 foi feita uma classificação das “papeletas” (prontuários) dos internos, exigindo muitas vezes que se recorresse à identificação judiciária. A conclusão da classificação no final do ano permitiu que no primeiro dia do ano seguinte fosse colocado em execução o novo regime de papeletas e Livros de Admissão exigidos pelo Regulamento de Assistência a Alienados. O número de internos no final do ano de 1927 era de 1.080 alienados (RMM).

 

·        1927 – As Divisões antigas, 1ª e 2ª, foram renomeadas, respectivamente, para Divisão Pinel e Divisão Esquirol, homenageando os alienistas franceses Phillipe Pinel e Jean-Étiene Dominique Esquirol.

 

 

·        1927 – Em vésperas de deixar o comando do Estado do Rio Grande do Sul, em 25 de janeiro de 1928, o presidente do Estado, Borges de Medeiros, visitou o Hospital São Pedro em 31 de dezembro de 1927 (Livro do doutor Jacintho Godoy – (LJG).

 

·        1928 - Uma nova "colônia de psicopatas" contígua ao São Pedro foi fundada na "Chácara da Figueira", que foi adquirida da Intendência Municipal com reservas pecuniárias do próprio hospital. Localizada nos fundos do São Pedro o local tinha 84 hectares que incluía a atual área que hoje engloba a Escola Superior de Educação Física da UFRGS e o Jardim Botânico, limitada atualmente a oeste pela Rua Felizardo Furtado, a leste pela Avenida Cristiano Fischer, ao sul pela Av. Ipiranga e ao norte pelo prolongamento das ruas Saicã, doutor José C. Bernardes e eng. Antônio Carlos Tibiriçá (LJG).

 

·        1928 – Por iniciativa da direção do Hospital São Pedro a municipalidade de Porto Alegre criou o Posto de Psicopatas, uma enfermaria especial de observação e tratamento destinado a socorrer de urgência os doentes mentais (RMM).

 

·        1928 – O ilustre sanitarista Belizário Penna permaneceu no Estado por um período, estudando assuntos de saúde pública, quando visitou o Hospital São Pedro (LJG).

 

·        1929 – Em janeiro foram impaludados os primeiros doentes do Hospital São Pedro, dando início a prática terapêutica conhecida como Malarioterapia. O parasitologista Raul di Primio foi quem descobriu uma região endêmica de malária no município de Torres, (LJG).

 

·        1929 – O presidente do Estado, Getúlio Vargas, acompanhado do secretário do Interior, Oswaldo Aranha, visitaram em junho o Hospital São Pedro (LJG).

 

·        1932 – O Interventor Federal no Estado do Rio Grande do Sul, José Antonio Flores da Cunha, nomeou o alienista Luís José Guedes, chefe de seção do Hospital São Pedro, para exercer interinamente a função de diretor da Assistência de Alienados. (Ato nº 440, de 25 de novembro).

 

·        1933 – O número de funcionários previstos para atuar no ano seguinte no Hospital São Pedro e Colônias foi de 180 servidores. O pessoal técnico era constituído por 01 médico-diretor da Assistência a Alienados, 05 alienistas chefes de seção das Divisões Pinel e Esquirol, 05 internistas, 01 cirurgião da Divisão Pinel e 01 cirurgião ginecologista da Divisão Esquirol, 01 cirurgião dentista, 01 farmacêutica religiosa e 03 ajudantes religiosas.

 

·        1935 – Foram construídos dois pavilhões na Colônia Agrícola situada nos fundos do Hospital São Pedro, para receber os alienados da Colônia do Jacuhy, recebendo a denominação de Dioclécio Pereira e José Carlos Ferreira, em homenagem aos dois ex-diretores do Hospital (RMM).

 

·        1837 – Transferidos os alienados da Colônia do Jacuhy para a nova Colônia Agrícola (RMM).

 

·        1837 – Retirado do prédio do Hospital São Pedro o Manicômio Judiciário e instalado em prédio próprio na área do próprio Hospital. Com a reforma da Repartição Central de Polícia, passou o Manicômio Judiciário a jurisdição da Chefia de Polícia (RMM).

 

·        1937 – Reassumiu a direção da Assistência a Alienados o doutor Jacintho Godoy que permaneceu até 1951.

 

·        1937 – Adquirido um aparelho de eletrocardiografia e organizado o Serviço de Eletrocardiografia do Hospital São Pedro pelo médico-internista Rubens Maciel.

 

·        1938 – Realizado um concurso para o preenchimento de vagas de psiquiatras no Hospital São Pedro. Foram aprovados os médicos Luiz Pinto Ciulla, Victor de Brito Velho, Mário Martins e Cyro Martins.

 

·        1938 – Fundada a Sociedade de Neurologia e Psiquiatria do Rio Grande do Sul, que teve como presidente o doutor Jacintho Godoy, vice-presidente o doutor Fábio de Barros e tesoureiro o doutor Cyro Martins.

 

·        1938 – Criada uma nova Divisão para substituir a Secção de Pensionistas, serviço misto, de alienados e alienadas. A Divisão foi nomeada de Morel, em homenagem a Benedict Augustin Morel, autor da primeira classificação das doenças mentais baseada na etiologia (RMM). (Autor do Tratado sobre Degenerescência)

 

·        1938 – O plantão médico, obrigatório por força do Artigo 4º, § único, do Decreto nº 24.559, de 03 de julho, até então a cargo de internistas remunerados, passou a ser efetuado por um médico residente. Foi criado o Serviço Aberto aos Alienados e o atendimento ambulatorial, embora o relatório emitido em 1884 pelo doutor Carlos Lisbôa tenha registrado que já praticava de forma tímida estes atendimentos no Hospício São Pedro. (RMM e RCL).

 

·        1938 – Começou a funcionar o Serviço de Assistência Social, sendo o Hospital São Pedro, o primeiro estabelecimento hospitalar no Estado a possuir um serviço de assistência social. Concretizado o Serviço de Raios-X, com a compra de um aparelho de 100.000 amperes e a nomeação do radiologista, doutor Norberto Pegas. Instaladas as Secções de Oftalmologia e Otorrinolaringologia, com completa aparelhagem, que ficaram a cargo, respectivamente, dos doutores Alfredo Schermann e Ruy Osório que substituíram os doutores Gastão Torres, falecido, e Ari Pinto, demissionário.

 

·        1838 – A convulsoterapia pelo cardiazol, que vinha sendo utilizada, foi substituída pela eletroconvulsoterapia, cujos aparelhos foram fabricados no próprio Hospital São Pedro pelo engenheiro Olmiro Ilgenfritz, supervisionado pelo doutor Murillo da Silveira, psiquiatra da Instituição.

 

·        1939 – Adaptado um pavilhão para acolher o Serviço Anatomopatológico subordinado á Diretoria de Laboratório. O pavilhão foi dotado de uma sala de necropsia e gabinete de histologia, com toda a aparelhagem necessária à pesquisa anatomopatológica, e anexo, uma câmara funerária.

 

·        1939 – Fundada a Escola Profissional de Enfermeiros do São Pedro, prevista no Regulamento de 1925. O curso, com 02 anos de duração, funcionou por 14 anos, com 13 turmas, diplomando 191 alunos, entre os quais 20 Irmãs da Congregação São José. Os formandos prestaram juramento sobre o "Livro de Esquirol" (fotografias no livro do doutor Jacintho (LJG).

 

·        1941 – Ministrado no Hospital São Pedro o Curso de Biopsicologia Infantil, onde médicos da Instituição instruíram noções básicas de neuropsiquiatria aos professores das escolas públicas (LJG).

 

·        1944 – Introduzido pelo cirurgião, doutor Almir Alves, no Hospital São Pedro, o procedimento da psicocirurgia, sendo que de maio a junho, foram praticadas 25 intervenções (RMM).

 

·        1947 – Adquirido nos Estados Unidos da América material para a neurocirurgia, que vinha sendo praticada desde 1944, além de um aparelho de eletroencefalografia sob a supervisão dos médicos Almir Alves e Luiz Pinto Ciulla, que estavam em viagem de estudos naquele país. Primeiro e único aparelho no Estado, também serviu para atender organizações hospitalares do Exército, Brigada Militar, pronto Socorro e outras instituições médicas particulares.

 

·        1948 – O relatório anual do doutor Junot Barreiro, médico-chefe da Colônia Agrícola do São Pedro, registrou a composição do corpo técnico com 01 médico clínico residente, 01 médico visitador especializado em tisiologia, 01 odontólogo, enfermeiros e atendentes. O movimento de internos no último dia do ano foi 425 pacientes indigentes e 28 pensionistas.

 

·        1949 – Inaugurado o Gabinete de Identificação no Hospital São Pedro com o objetivo de identificar os internos, que era uma prática corrente em todos os hospitais de doentes mentais.

 

·        1950 – Estabelecida a Secção de Pessoal do Hospital São Pedro. Para uma população interna de 2.881 doentes mentais existia um quadro do Serviço Técnico com 165 servidores, entre enfermeiros, atendentes leigos e religiosas. A proporção exata deveria ser de 280 funcionários, ou seja, 01 auxiliar técnico para cada 10 pacientes. Houve um déficit de 115 funcionários técnicos. A falta de servidores técnicos no turno da manhã só foi suprida com o trabalho dos estudantes e praticantes da Escola Profissional de Enfermagem do Hospital São Pedro.

 

·        1957 – Criado no Hospital São Pedro o Curso de Formação em Psiquiatria da disciplina de Psiquiatria e Medicina Legal da Faculdade de Medicina da UFRGS, organizado pelos profs. David Zimmermann e Paulo Luiz Viana Guedes.

 

·        1957 – O Relatório de Atividades Gerais da Secção de Estatística do Hospital São Pedro registrou a presença de 16 psiquiatras, 20 clínicos e cirurgiões incluindo 01 radiologista e 01 laboratorista, 80 enfermeiros e 88 enfermeiras incluindo auxiliares, atendentes e religiosas, que compunham o Quadro Técnico em atividade.

 

·        1957 - De acordo com o Serviço de Estatística do Hospital São Pedro, a escala ascendente da população transitante, variou de 88 pacientes em 1884, para 613 em 1898, 1.494 em 1928, 3.068 em 1938, 5.492 em 1948, 6.103 em 1950 e 7.611 em 1957. A No final do último ano o número de asilados era de 3.280, sendo 1.740 homens e 1.540 mulheres. População transitante no São Pedro de 1929 a 1969 foi de 150.000 pacientes.

 

·        1957 – Concorreram às sessões de Psicoterapia de Grupo (modalidade nova de atendimento especializado, inaugurada no Serviço Aberto) 254 pacientes.

 

·        1961 – Foi fundada a Divisão Melanie Klein que abrigava os estagiários da Faculdade de Medicina da UFRGS e o Curso do David (Curso de Formação de Psiquiatras.

 


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