Volume 22 - Novembro de 2017
Editores: Giovanni Torello e Walmor J. Piccinini

 

Janeiro de 2008 - Vol.13 - Nº 1

Psicanálise em debate

"Santiago" de João Moreira Salles - uma meditação sobre a memória

Sérgio Telles *
psicanalista e escritor

Recentemente, o filme “Santiago”, de João Moreira Salles foi adquirido pelo MOMA de Nova York, honra concedida a poucos, e ganhou mais um prêmio em Londres.

Aparentemente, “Santiago” é um documentário sobre o ex-mordomo dos Moreira Salles, um capricho de menino rico filmando um velho empregado.

Na verdade, “Santiago” é uma refinada meditação sobre o passado, e seu correlato, a memória, expressa quer seja nas lembranças afetivas pessoais, quer seja no registro formal dos documentos.

Em “Santiago”, o passado nos é apresentado em várias camadas superpostas – o passado de João Moreira Salles, tentando recordar a infância através do mordomo e suas lembranças; o passado pessoal do próprio Santiago, suas recordações sobre os parentes italianos e a imigração para a Argentina;  o passado sedimentado na história de antigas dinastias e impérios que Santiago copia obsessivamente, tentando captar-lhes o sentido e o perdido esplendor. E há o passado recente do diretor, o intervalo de 11 anos entre as filmagens e a efetiva realização do filme, tempo que lhe possibilita uma reflexão sobre os objetivos que tinha na ocasião em que filmava e como os vê ao retomar os registros para finalizar a obra.

O texto completo deste artigo está no livro "O psicanalista vai ao cinema II", da Editora Casa do Psicólogo, São Paulo, 2008.


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