Volume 22 - Novembro de 2017
Editores: Giovanni Torello e Walmor J. Piccinini

 

Dezembro de 2008 - Vol.13 - Nº 12

France - Brasil- Psy

Coordenação: Docteur Eliezer DE HOLLANDA CORDEIRO

Quem somos (qui sommes-nous?)                                  

France-Brasil-PSY é o novo espaço virtual de “psychiatry on  line”oferto aos  profissionais do setor da saúde mental de expressão  lusófona e portuguesa.Assim, os leitores poderão doravante nela encontrar traduções e artigos em francês e em português abrangendo a psiquiatria, a psicologia e a psicanálise. Sem esquecer as rubricas habituais : reuniões e colóquios, livros recentes, lista de revistas e de associações, seleção de sites.

Qui sommes- nous ?

France-Brasil-PSY est le nouvel espace virtuel de “psychiatry on line”offert aux professionnels du secteur de la santé mentale d’expression lusophone et française. Ainsi, les lecteurs pourront désormais y trouver des traductions et des articles en français et en portugais  concernant la psychiatrie, la psychologie et la psychanalyse. Sans oublier les rubriques habituelles : réunions et colloques, livres récentes, liste de revues et d’associations, sélection  de sites

SOMMAIRE (SUMÁRIO):

 

  • 1. UM LOUCO JULGADO CULPADO
  • 2. PSIQUIATRIA : O PRESIDENTE QUER "DAR SEGURANÇA"
  • 3. QUANDO UM AUTISTA APRENDE A TOCAR PIANO
  • 4. REVISTAS
  • 5. ASSOCIAÇÕES
  • 1.UM LOUCO JULGADO CULPADO

    Alain Salles

    Le Monde de 1/11/08

    Tradução e resumo:Eliezer de Hollanda Cordeiro

    Zuber G. responde  ao juiz  de maneira lenta e  incoerente, ficando prostrado  o resto do tempo. O olhar distante e vazio, parece entretanto seguir os debates, ajudado por um coquetel  de psicotrópicos que ele toma 4 vezes ao dia. Aos 34 anos, diagnosticado esquizofrênico aos 22, foi julgado  e condenado a 10 anos de prisão pelo Tribunal do Var de Draguignan , que o julgou responsável pelo incêndio do quarto  em que estava encarcerado, causando a morte de outro prisioneiro.  Ele explica ao juiz que um dos residentes colocou ectasy  na bebida que tomava. Então adoeceu, e ficou encandeado pelo  Sol, com que costumava conversar. A diretora chamou a polícia e ele  acordou num hospital psiquiátrico.

     

    ITINERÁRIO PSIQUIÁTRICO

     

    O Juiz lhe pergunta: "qual é o seu problema " ? "Não sei". Mas  se lembra de  maneira mais precisa da sua infância e do seu itinerário psiquiátrico.

    O hospital Chalucet de Toulon  não quis acolhê-lo  em maio de 2005, embora tivesse pedido para ser hospitalizado. Zuber afobou-se e quebrou uma vidraça. Foi condenado a 8 meses de prisão. Ao chegar à prisão de La Farlède de Toulon, ateou fogo no quarto em que se encontrava. Durante a audiência, deu tres explicações  diferentes para o seu gesto : a mudança de quarto, o suicídio de um prisioneiro e os  guardas que mangavam dele.

     

    O incêndio  ocorreu  em  agosto de  2005. Seu companheiro de cárcere,  Othoman B., morreu quatro meses depois. No momento em que Othoman B. foi colocado  numa maca para ser levado ao hospital, a diretora adjunta perguntou a Zuber,  "se foi ele que provocou o incêndio".  Ele balançou a cabeça e murmurou um pequeno "sim", explicou Louisa Yazid, que faz parte da  administração penitenciária.

    Quatro vigias vieram ao tribunal e deram versões diferentes. Durante o inquérito, o acusado negou constantemente ser o autor dos fatos.O advogado de Zuber,  Lionel Febraro,  disse : "Se a administração penitenciária tivesse colocado colchões ignífugos, Othoman B. não teria morrido.Se o acusado estivesse num quarto individual, o drama não teria ocorrrido. Existem elementos suficientes para colocar em causa a administração penitenciária".

    OS PERITOS ENTRAM EM CENA: ALTERAÇÃO DO DISCERNIMETO?

    Começa o debate com os peritos.Para o professor Jean-Michel Azorin, "os distúrbios psiquiátricos do paciente alteraram-lhe o discernimento, sem aboli-lo completamente porque suas alucinações desapareceram.Porém  uma sanção penal não pode ser aplicada ao réu.A idéia de que a condenação vai permitir que Zuber pague  sua dívida a sociedade não tem nenhum sentido para ele".O professor Azorin considera que o delito que ele cometeu  "resulta de sua esquizofrenia".

    Por sua vez, o doutor Daniel Glezer, outrora chefe do serviço  médico-psiquiátrico regional  (SMPR) de Marseille, fornece outra explicação. Além da esquizofrenia, Zuber  apresenta distúrbios da personalidade, responsáveis  da passagem ao ato violento.Então, ele deve ser punido ? "Ele compreende um pouco a necessidade da punição", declara o médico.

    Os dois peritos estão de acordo pelo menos sobre um ponto: o diagnóstico da miséria da psiquiatria, de sua pauperização, "responsável dos  problemas  que podem ser encontrados  na prisão", explica o doutor  Glezer. O professor Azorin ajunta que "os hospitais psiquiátricos tradicionais não são adequados para acolher tais pacientes. E as equipes ficam com medo". Ele avança um outro argumento: "Tudo isto custa muito caro. As pessoas são formadas  à idéia de que os doentes devem ficar o mínimo de tempo possivel no hospital. A prisão não é também adaptada. O acompanhamento dos doentes mentais  presos  é um problema sério", reconhece o doutor  Glezer.

    A audiência mostrou que Zuber  havia deixado de tomar seus neurolépticos alguns dias antes do incêndio. Meses mais tarde, houve un outro incêndio num quarto  vizinho ao dele, no SMPR des Baumettes. Um enfermeiro acordou-o para que ficasse com outro prisioneiro que tinha idéias suicidas. A história não acabou aí. Por haver protestado, Zuber findou espancado. O vigia responsável foi condenado a dois meses de prisão  mas deixado em liberdade condicional.

    2. PSIQUIATRIA : O PRESIDENTE QUER  DAR MAIS SEGURANÇA

    LEMONDE.FR avec AFP | 02.12.08 | 13h58  •  Mis à jour le 02.12.08 | 19h30

    Tradução e resumo:Eliezer de Hollanda Cordeiro

    Após a morte de um rapaz, apunhalado nas ruas de Grenoble por um doente mental que havia fugido de um hospital psiquiátrico,  Nicolas Sarkozy prometeu uma profunda reforma da hospitalização psiquiátrica francesa.Na terça- feira 2 de dezembro, durante uma visita a um hospital psiquiátrico de Antony, perto  de Paris, ele traçou os limites desta reforma,  assegurando querer  encontrar  "o bom equilíbrio entre a reinserção do paciente e a proteção da sociedade. Nem angelismo exclusivo, nem apenas segurança.  Eu  não quero mais doentes mentais ou comportamentais  na prisão, não quero que os hospitais psiquiátricos se transformem em prisões,mas também não quero  que haja pessoas perigosas nas ruas"disse aos enfermeiros do hospital Erasme. E o presidente acrescentou: "Será necessário  fazer com que uma parte do hospital psiquiátrico  evolua afim de levar em conta a trilogia  – prisão,  rua, hospital".

    Este objetivo e a ideia de que "o drama de Grenoble  não deve se reproduzir", levaram a senhora  Roselyne Bachelot, Ministra da saúde, a preparar uma lei sobre a hospitalização obrigatória que atinge atualmente  13 % das pessoas  hospitalizadas. O  texto preparado  vai instituir  uma "obrigação efetiva de cuidados", precisou  Nicolas Sarkozy. "Não se pode admitir que um paciente recuse de se submeter aos cuidados que precisa", alegou.

    Quanto à permissão de saída que pode ser dada a  um paciente hospitalizado, ela caberá  únicamente aos prefeitos ou à justiça, após o parecer  de um "colégio". Farão parte desta equipe: o médico encarregado do tratamento,  o enfermeiro chefe do estabelecimento e um psiquiatra "que não poderá ser   aquele que cuida do paciente. A permissão de saída não pode ser tomada de maneira irrefletida", insistiu o Presidente, suscitando sussuros de protestos no auditório. Assim,  a decisão será tomada pelo Estado,  ou, "em alguns casos,  pela justiça e não pelo perito".

    70 MILHÕES DE  EUROS SUPLEMENTARES

    O chefe do Estado  não voltou a falar de seu projeto de criação de um  ficheiro para as  pessoas hospitalizadas de maneira obrigatória (…) porém indicou que os dossiês administrativos destas pessoas  serão  "comunicados a todos os departamentos. E que  o segredo médico será respeitado da maneira mais estrita".

    Sobre o aspecto financeiro, o presidente Sarkozy prometeu  70 milhões de euros, trinta sendo destinados a melhorar a segurança dos estabelecimentos (…) e  o contrôle  das entradas e saídas dos doentes, afim de  evitar fugas. Alguns pacientes hospitalizados contra a própria vontade usarão uma pulseira  eletrônica ou um outro dispositivo de geo-localização. As verbas prometidas  servirão também  para a construção de  outros 200 quartos de isolamento e de 4 estabelecimentos para doentes difíceis.

     

    3.QUANDO UM AUTISTA APRENDE A TOCAR  PIANO

    Nouvel Observateur(Un autiste apprend à s'exprimer par le piano --par Krista Larson)
    Tradução e resumo:Eliezer de Hollanda Cordeiro

    NEW MILFORD, New Jersey (AP) – O ano passado, a mãe  de Paul DeSavino  não poude esconder seu nervosismo ao ver o filho sentado na cadeira do piano e sem poder começar a tocar. Isto ocorreu numa de suas primeiras representações públicas. De fato, passaram-se vários minutos antes que  Paul, diagnosticado autista pelos médicos há mais de 30 anos, começasse a tocar perfeitamente a melodia.
    Marlene DeSavino, sua mãe,  lembra-se haver dito ao filho, após o espetáculo: "Paul, você foi magnífico, mas porque demorou  tanto tempo antes de começar a tocar ?"  Resposta : "Mas mamãe, não se lembra ? Você me disse  que  não me apressasse, que me concentrasse e olhasse de frente."
    Co-administradora  dos serviços clínicos de musicoterapia da Universidade de Michigan, Cindy Edgerton afirma que a música oferece um meio de expressão  para  crianças e adultos autistas (…) permitindo-lhes   desenvolver a  linguagem e as capacidades necessárias  à interação social.
    As vezes, como ocorre com Paul, os  autistas possuem o que os peritos chamam de orelha absoluta. Contudo, as  dificuldades de  comunicação  dos autistas podem representar um obstáculo considerável  para o aprendizado musical.  
    "Não posso trabalhar com ele como trabalho  com meus outros alunos", afirma Cosmo Buono, o professor de piano de Paul. "Meu  problema mais importante é  de me convencer que ele compreende bem o que lhe explico; se for o caso, não haverá nenhum problema".

    Paul, que completou  seus 35 anos, vai dar um recital de 30 minutos na  Ópera do Estado de New Jersey,  numa  festa  caritativa destinada a obter donativos para pesquisas sobre o autismo.  
    Seu interesse pela música surgiu muito cedo, mas Paul só conseguiu aprender música clássica dezenas de anos depois.
    "Sua irmã começava a cantar,  ele parava e   retomava a canção num tom diferente", relembra sua mãe. "Pergutávamos porque fazia isto, compreendemos então que, na realidade, ele retomava a canção exatamente no mesmo tom que havia ouvido".
    Aos cinco anos de idade, Paul já se sentava na cadeira de piano, mas fugia quando alguém se aproximava dele. Só começou realmente a estudar há cerca  de sete anos.
    No iníco, sua mãe pensava que ele  se zangaria e se desencorajaria  quando começasse a aprender piano.
    "Mas como  adorava música,  continuou e nunca se desencorajou".
    "Espero que tudo dará certo ", confiou por sua vez Paul,  dias antes de interpretar  uma obra de Beethoven diante de centenas de pessoas.
    Polido e dotado de um vocabulário muito grande, Paul manifesta as vezes dificuldades para responder a uma questão direta.Mas quando toca  piano, suas hesitações cessam.
    "Sua capacidade de expressão aumenta cada vez mais, por isto eu penso que a música lhe fez bem.O importante é que ele continue a amar a música e não o que ele  fez", salientou Marlene DeSavino, que considera  os progressos do filho como uma recompensa extraordinária.

    4.REVISTAS

    * L’Évolution pychiatrique,

    *L’Information Psychiatrique

    *Impacte medecine

    *La revue française de psychiatrie et de psychologie medicale *L’encephale

    *Neuropsy

    *Psychiatrie française

    *Evolution psychiatrique

     

    5. ASSOCIAÇÕES

     

    *Mission Nationale d’Appui en Santé Mentale

    *Association française pour l’approche integrative et eclectique en psychotherapie (afiep)

    *Association française de psychiatrie et psychologie legales (afpp)

    *Association française de musicotherapie (afm)

    *Association art et therapie

    *Association française de therapie comportementale et cognitive (aftcc)

    *Association francophone de formation et de recherche en therapie comportementale et Cognitive (afforthecc)

    *Association de langue française pour l’etude du stress et du trauma (alfest)

    *Association de formation et de recherche des cellules d’urgence medico-psychologique (aforcump)

    *Association nationale des hospitaliers pharmaciens et psychiatres (anhpp)

    *Association scientifique des psychiatres de secteur (asps)

    *Association pour la fondation Henri Ey

    *Association internationale d’ethno-psychanalyse (aiep)

    *Collectif de recherche analytique (cora)

    *Ecole parisienne de gestalt

    *Ecole française de sexologie

    *Ecole de la cause freudienne

    *Groupement d’études et de prevention du suicide (geps)

    *Groupe de recherches sur l’autisme et le polyhandicap (grap)

    *Groupe de recherches pour l’application des concepts psychanalytiques a la psychose (grapp)

    *Société française de gérontologie

    *Société française de thérapie familiale (sftf)

    *Société française de recherche sur le sommeil (sfrs)

    *Société française de relaxation psychotherapique (sfrp)

    *Fédération française d’adictologie

    *Société ericksonienne

    *Société de psychologie medicale et de psychiatrie de liaison de langue française

    *Société médicale Balint

    *Union nationale des amis et familles de malades mentaux (unafam)

    *Association Psychanalytique de France (apf)

    *Société Psychanalytique de Paris (spp)

     


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