Volume 22 - Novembro de 2017
Editor: Giovanni Torello

 

Março de 2007 - Vol.12 - Nº 3

Psicanálise em debate

IMPOSSÍVEL SAIR DE MARIENBAD (*)

Sérgio Telles
psicanalista e escritor

O ANO PASSADO EM MARIENBAD – filme de Alain Resnais e roteiro de Alain Robbe-Grillet - sempre me suscitou um grande interesse. Vi-o pela primeira vez na década de 60, numa sessão de clube de cinema universitário em Fortaleza. Foi uma experiência de grande estranhamento, pois era uma cópia não legendada e eu não sabia (como continuo sem saber) falar francês! Mas ficaram comigo aquelas imagens hieráticas, iterativas, solenes. Grupos de pessoas a cumprir com um formalismo quase mecânico um complicado minueto social no espaço fantasmagórico de um magnífico palácio barroco e seu imenso jardim de simétrica e rígida geometria, vigiado eternamente por um casal de pedra em pose dramática. As estátuas – em sua veemência escultórica  - pareciam mais intensas e vivas que as pessoas que por elas passavam.

Muitos tempo depois, há uns oito anos, revi-o Centro Cultural Banco do Brasil aqui em São Paulo. Era uma cópia muito usada, cheia de falhas, riscos e traços brancos. Mas desta vez ali estavam as necessárias legendas e me foi possível seguir a narrativa que reverberava em inúmeras repetições e retomadas no relato de uma história de amor em clima de incertezas e desconfianças. Mais uma vez senti-me completamente arrebatado pela atmosfera marcada pelo palácio barroco e seu jardim, os quais  – um, com sua grandiloqüente arquitetura e pesada decoração; o outro, com sua matemática disposição racional do espaço - pareciam dominar a história, reger os destinos dos personagens principais.

O texto completo deste artigo está no livro "O psicanalista vai ao cinema II", da Editora Casa do Psicólogo, São Paulo, 2008.


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