Volume 22 - Novembro de 2017
Editor: Giovanni Torello

 

Novembro de 2007 - Vol.12 - Nº 11

Coluna da Lista Brasileira de Psiquiatria



Assuntos:

A recente audiência pública realizada pela Comissão de Seguridade Social e Família para debater o transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) pediram apoio dos deputados para incluir a doença na legislação dos portadores de necessidades especiais. A representante do governo no debate, a coordenadora- geral de Articulação da Política de Inclusão da Secretaria de Educação Especial do Ministério da Educação, disse que o ministério vai colher até dezembro sugestões para garantir a inclusão escolar e o atendimento especializado de crianças com necessidades especiais, o que compreende o TDAH. A diretora-executiva da Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA), Iane Kestelman, alertou para a responsabilidade dos educadores na identificação de portadores de TDAH. Segundo ela, os professores devem conhecer os sintomas para alertar os familiares e indicar serviços profissionais para tratamento. A professora lembrou que as crianças portadoras da doença são consideradas sem limites, mal-educadas e, na maioria dos casos, são marginalizadas. Segundo ela, na adolescência e na vida adulta, essas crianças têm mais tendência a abusar do álcool e de drogas. Alertou ainda para a responsabilidade dos educadores na identificação de portadores de transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH). Segundo ela, os professores devem conhecer os sintomas para alertar os familiares e indicar serviços profissionais para tratamento.

 

Este assunto gerou a seguinte discussão na LBP.

 

Acredito que se refiram a "diagnóstico" pedagógico feito por professores e não diagnóstico médico. Mais de 10% das crianças apresentam graus importantes de transtornos de atenção: depressão? transtornos de ajustamento? abusos? problemas físicos não diagnosticados? privação de sono? transtorno de déficit de atenção com hiperatividade? O problema é que não temos psiquiatras de crianças e adolescentes em número suficiente para o trabalho de diagnóstico/tratamen to, esta tem sido uma área negligenciada. Medicamentos podem ser essenciais se o diagnóstico for correto, também recomendações essenciais caso a caso tornam-se necessárias e finalmente métodos psicopedagógicos específicos para cada criança. Silvio Saidenberg

 

Trabalho em conjunto com uma escola em Bento Gonçalves e recebo com muita freqüência alunos “encaminhados” por professores com “diagnóstico” de TDA/H. Na maioria dos casos são alunos considerados “problema”, com uma importante desestrutura familiar, falta da função paterna, vítimas de maus tratos em casa. Quando vou explicar para os professores que esses alunos precisam é de manejo, ambientoterapia, eles ficam indignados: “Mas como esse menino não vai ser medicado?” ; Fico imaginando como vai ficar com essa política da ABDA... Jonas Carvalho Gonçalves

 

AINDA O TEMA DA “REFORMA” PSIQUIÁTRICA...

 

Aos amigos da Lista:
Gostaria de opinar sobre o tema dos CAPS na Reforma Psiquiátrica.
Esse sistema foi criado para substituir o hospital. De um sistema hospitalocÊntrico passa a um sistema capscêntrico (já fiz um relatório para o Min Público dizendo que o sistema torna-se capsioso). No esquema atual o caps centraliza tudo. Somente o CAPS III tem internações curtas mas quase não existem esses locais.
O plano é tornar o CAPS o ponto mais importante da rede de saúde mental. Quem precisar de assistência, vai ao CAPS e lá, apos passar pelas triagens é encaminhado par a onde deve ser atendido ou permanece lá. Pela lei, o CAPS emite a AIH (autorização de internação hospitalar) e encaminha orientado pela central de regulação, para onde deve encaminhar cada caso.
Tudo isso é muito interessante, mas acontece que o sistema não está funcionando. No Rio onde seriam necessários mais de 25 CAPS há somente 12 Resultados, agendas lotadas e marcação de consulta em alguns somente 3 meses depois da inscrição. Alguns CAPS não tem comida (obrigatória por lei) e já motivou ações civis multando diariamente esta falha. Há medicação disponível. A coordenação dos CAPS  raramente fica com psiquiatras. Desta forma já houve um CAPS no Rio coordenado por um veterinário.Como a emissão de AIH tem CID e indicação clínica todo CAPS deveria ter psiquiatra mas muitos não tem. Resultado, acaba o Hospital Geral emitindo pelo psiquiatra a AIH em diversas localidades.
O tratamento nos CAPS são feitos nas oficinas (havendo uma tendência a torná-lo uma ação psico-pedagógica) e nos grupos chamados terapêuticos. No entanto poucos sabem o que é "grupo operativo" o que é uma aberração a meu ver. Resultado os CAPS tendem a tornar-se redutos de psicólogos sequiosos de pacientes que formem uma clinica (isso acontece em CAPS infantis). A conseqüência dos CAPS seriam as residências terapêuticas mas o sistema esta ameaçado pela inviabilidade econômica (as reuniões do min da saúde com a saúde mental estadual e municipal no Rio atravessam serias dificuldade tendendo-se para os lares abrigados antes abominados pela reforma. Enfim, tudo muito bonito no papel mas muito deficiente na realidade.Espero ter  contribuído de alguma forma. José de Matos

 

 

Tenho observado que parentes tomam decisões de tratamento sem conhecerem os recursos existentes na rede de saúde mental. Quando um equipamento - por exemplo, um Caps - recusa o tratamento, normalmente informa que não pode oferecer o cuidado desejado pelo solicitante. Mas deixa de informar o caminho a ser percorrido para a obtenção do requerido tratamento. Às vezes, como pode ser o caso dessa cidade na Bahia, não há hospital geral com psiquiatra e aí os trabalhadores do Caps não tem como encaminhar o paciente. Seria necessária a remoção para outro município. Há, então, uma série de fatores em jogo: 1. escassez de equipamentos; 2. falta de informação; 3. falta de recursos humanos especializados e, por último, mas não menos importante, 4. a incompetência dos jornalistas e a má fé dos meios de comunicação de massa, que estão sempre atrás de um "escândalo" para venderem seus veículos. Manoel Berlinck

 

 

Berlinck, Numa mesa redonda no congresso de psiquiatria foi revelado num trabalho da Bahia que foram fechados 80% dos leitos lá. Ninguém interna em lugar nenhum! Dá pra pensar nisso? José de Matos

 

 

José,

Dá para pensar sim. Entre outros pensamentos é necessário não esquecer que o Brasil é muito desigual. A municipalização da Saúde Mental reflete as desigualdades regionais existentes.

Os Caps também refletem essas extremas diferenças. A escassez de Caps no Rio de Janeiro se deve à política de saúde da Prefeitura do Rio e é ela que deve ser responsabilizada por essa situação. Veja, por exemplo, as narrativas escritas por numerosos municípios do Brasil possuem Caps que funcionam muito bem. Há muitos municípios onde os Caps não funcionam ou funcionam de forma muito deficiente.

A municipalização da Saúde Mental não foi imposta pelo Ministério da Saúde. Houve consulta aos municípios e estes, na sua grande maioria, aceitaram essa política porque acreditavam que iriam receber polpudas verbas federais. E receberam. Mas não tão polpudas assim. E receberam junto um pipinal.

    Fechar 80% dos leitos não quer dizer muita coisa. Quantos leitos havia, em números absolutos? Quais os leitos que foram fechados? Quantos leitos há em Hospitais Gerais, com assistência psiquiátrica? Eles também foram fechados? Quantos psiquiatras há na Bahia? Quantos são trabalhadores de Saúde Mental? Manoel Berlinck

 

 

Vou sair da minha já confessa moitice para também palpitar acerca da discussão. Acho que me encontro em uma posição interessante para opinar, pois, no momento, sou psiquiatra trabalhando na saúde pública municipal em Caxias do Sul (ambulatório e equipe matricial) e, concomitantemente, faço especialização em psicoterapia de orientação analítica, ouvindo, assim, várias e diversas opiniões sobre o tema da reforma. Já fui vista como parte da gangue de médicos mercenários que nunca ouviram falar em atendimento "humanizado" e rotula os "usuários" de "dementes", e também como a traidora do sangue que perverte a psiquiatria com o vocabulário "reformista" . Acho sempre que o meio-termo é o melhor caminho.

 Concordo que o termo "reforma psiquiátrica" é ofensivo. Que há, sim, uma tendência ao desrespeito da opinião médica e que muitas das pessoas que trabalham com saúde mental nunca viu um paciente psicótico na vida. Que os recursos são escassos, mal distribuídos e o que norteia tal distribuição geralmente não é o bem-estar e o adequado tratamento do paciente, sempre aquém dos interesses e das marés políticas.

 Porém... também vejo outras coisas na realidade na qual trabalho. O gestor minimamente bem intencionado já percebeu que o problema não está na psiquiatria, que doença mental existe de verdade, não é só uma construção social, e que a solução dos problemas não é a colocação mágica de um CAPS para organizar o caos que até então reinava. Mas, vamos combinar, quando o trabalho é bem feito, os pacientes melhoram, readquirem algumas habilidades, se mantêm mais estáveis. O clínico que é alfabetizado em psiquiatrês se interessa pelo assunto, avalia melhor os seus pacientes, tem uma visão mais ampla do indivíduo do que o queixa-receita. O trabalho junto ao PSF tem feito aparecerem pacientes com quadros graves que, não fosse pela existência da equipe de saúde, jamais teriam sido vistos por um psiquiatra - pacientes em cárcere privado, famílias com esquizofrênicos agressivos, psicóticos idosos morando sozinhos. E não acredito que o propósito da reforma tenha sido mexer com um sistema que funcionasse bem. Em muitos lugares, nem sistema havia - já trabalhei em cidades do interior nas quais falar em avaliação psiquiátrica é xingamento, e a noção de tratamento era colocar o "louco" amarrado numa ambulância e despachar para a internação no hospital de referência, que fica a 500km. Depois da alta, nada, nenhuma orientação de como seguir o tratamento, como acompanhar. Nestes locais, o CAPS fez - faz - diferença.

 E - isto falo baseada na minha atual experiência de trabalho - seja lá pelas razões históricas que forem, os serviços hospitalares não foram, e ainda não são lá essas coisas, salvo honrosas exceções. Os instrumentos de avaliação do Ministério são, sim, falhos e tendenciosos, mas visitar uma destas instituições choca, mais pelo descaso na terapêutica do que pela precariedade da área física. Relatos de trabalho escravo de pacientes internos, à guisa de "terapia ocupacional" ; ECT feita num quarto comum, por um cirurgião; entrevistas de minutos com o psiquiatra assistente, em pé e em grupo; medicações de alta sendo as mesmas da baixa; ausência completa de contra-referê ncias; familiares tendo informações médicas repassadas pelo serviço social, nunca pelo médico; o registro do plano terapêutico individual preenchido, sim, mas com a mesma frase padrão em todos os prontuários. Aqui não é incomum ver pacientes com vinte, trinta internações, por quadros de ansiedade, transtornos de personalidade jamais diagnosticados, alcoolismo em qualquer grau - cujo consenso popular, criado pelo atendimento disponível até então, é que só pode ser tratado com internação de, no mínimo, trinta dias. Por fim, a cena surreal em uma das clínicas da cidade, onde participei de uma vistoria com o Ministério Público devido a diversas denúncias; encontramos lá, eu e outro colega psiquiatra, um paciente que conhecíamos há vários anos, da época de nossa residência em outra cidade, e que estava desaparecido há bastante tempo daquela localidade. Paciente este com um transtorno bipolar grave e cronicamente psicótico, nos recebeu dizendo que seu nome não era X, mas Y, evidentemente um pensamento delirante. Verificamos que estava registrado sob o nome de Y, e informamos o fato à assistente social, à psicóloga, a duas enfermeiras e ao administrador da instituição. Estes se limitaram a nos ouvir e informar que, uma vez que o paciente internou através de outro município, este próximo a Caxias, a obrigação de ir atrás dos dados do paciente era do serviço social deste último município. Nem um papel, sequer a anotação do nome real do paciente, muito menos de qualquer contato da cidade onde se poderia buscar mais informações a seu respeito. E isto na frente do promotor que acompanhava a vistoria, demonstrando que a instituição considera estar provendo um tratamento adequado! E esta era, até há alguns anos, a principal fonte de tratamento em saúde mental do município. Enfim, mas um desabafo do que um apontar de causas, mas principalmente a idéia de que os dois lados têm posturas totalitárias que seguem impedindo uma discussão madura dos rumos a tomar. Ana Paula Bassi.

 

 

É Ana Paula, quem sabe a gente concorda que num sistema de atendimento ao doente mental precisamos de bons programas comunitários e bons hospitais?.. . Porque as equipes das duas intituções não podem  trabalhar em harmonia, uma contando com a outra?...Ah! Acho que sei - em termos, porque cada vez acho que sei menos- talvez as equipes hospitalares se degladiem com as equipes comunitárias porque são informadas de que o dinheiro é o mesmo: os programas comunitários só podem se desenvolver com o dinheiro que vem do fechamento dos hospitais... Aí a coisa complica para quem trabalha ganhando o pão de cada dia... Vi isso nos USA... e... pelo menos lá não deu certo. Tiveram de voltar atrás. Mas aqui -é aqui, Brasil. Hmm...vou deixar de falar nos USA... Marcio Pinheiro

 

 

Interessante acompanhar a discussão, ainda mais nesta fase de formação (sou R1).
A situação me parece passar, inevitavelmente, pelo papel dos gestores, com citou a Ana Paula. E a sensação que tenho é de que o compromisso da maioria deles é o mesmo que nós vemos no cenário político nacional. O raciocínio que os norteia parece ser basicamente o "quanto custa" ou "isto dá retorno político"?  Se as resposta forem interessantes para eles, temos alguma chance. Caso contrário, não. Há alguns anos que vem se fechando leitos e limitando-se o $ destinado à saúde mental, mas os serviços substitutivos não aparecem na mesma proporção da desassistência hospitalar. Quando aparecem, muitos deles trabalham com uma limitação logística (profissionais qualificados, suporte farmacológico. ..) que praticamente os impede de apresentar resultados dignos.  Não é raro eu ouvir dos pacientes que atendemos na Residência que falta lítio, haloperidol, levomepromazina. Uma outra discussão que proponho levantar é sobre a qualidade altamente duvidosa dos fármacos que o SUS disponibiliza. É notável que existe uma diferença entre estes remédios e os de laboratórios confiáveis. E sinceramente, não me considero vendido para a indústria. Não mesmo. Mas que eu percebo a diferença, percebo.
A falta de integração entre os diferentes níveis de serviço, como comentou o Márcio, também é um ponto a ser considerado. É mais complicado trabalhar "isolado". Tem-se uma leitura parcial da situação, do paciente que chega muitas vezes sem encaminhamento ou com um encaminhamento insuficiente, e o mesmo acontece no retorno. Muitas vezes não se consegue um diálogo eficiente (se é que se consegue algum) com a outra ponta do sistema.
A sensação que me dá é de que temos um hiato considerável entre o que as diretrizes propõem e o que temos na prática. E a vontade política envolvendo a questão da saúde mental é, digamos... uma negação. Como pouco entendo dos mecanismos de defesa do ego, fico por aqui. Mas nega-se um bocado... aliás, penso ser justamente a negação um dos motivadores a fechar-se leitos psiquiátricos. Quem sabe assim, os "loucos" desaparecem. .. Henrique Fogaça.

 

 

Marcio, Se entendo direito essa Reforma, a rede deve conter dispositivos de internação para pacientes ou, como querem os trabalhadores, usuários em crise. Além disso, há usuários que não tem a menor condição de sairem do hospital onde se encontram.

A política de fechamento de hospícios respeitou um processo de avaliação das condições de tratamento. Havia numerosos hospícios sem a menor condição de operação. Esses foram fechados. Outros, passaram por uma reorganização, diminuiram os leitos e continuam em operação.

A Reforma não visa, então, acabar com os hospitais e muitos são mantidos. Visa, sim, acabar com depósitos, prisões disfarçadas, sem nenhuma condição. A municipalizaçã o, entretanto, precipitou um processo e entregou para os municípios os cuidados com a saúde mental. Estes, por sua vez, nem sempre tem cuidado com os usuários e adotam política descabida. Quero dizer, com isso, que a situação é muito complexa, desigual e combinada.

É claro que nem todo usuário pode ser tratado na comunidade. É claro, também, que há muitos usuários retidos pelas famílias em casas-prisões, como revela o interessantíssimo comentário da colega Bassi. E tem mais. Mas fica para uma próxima. Manoel Berlinck

 

 

Acho que essa discussão necessita alguns parâmetros:

1. Ninguém, de sã consciência, vai defender o velho hospício, manicômios ou o macro hospital.

2.Muito antes da chamada Reforma, houve uma progressiva diminuição de leitos e de internações.

3.A atenção terciária era feita na comunidade e procurava-se levar os pacientes para suas regiões de origem.

4. A defesa do atendimento ambulatorial sempre foi objetivo primeiro dos psiquiatras.

5. O CAPS, desde que fosse uma solução séria, pode ser uma forma de atendimento ambulatorial de baixo custo. O que não pode é torná-los asilos ambulatoriais.

6. Não é possível fazer atendimento psiquiátrico sem psiquiatra.

7. O gasto em Saúde mental caiu pela metade e isso pode ser visto nas ruas. Ontem mesmo uma enfermeira idosa 78 anos, que mantinha uma casa de internação para seis pacientes, aqui em Porto Alegre, foi assassinada por um paciente. Esse tipo de assistência improvisada tem proliferado no rastro do desespero das famílias.

8.O HPSPedro, depois de todas as campanhas para dar alta aos pacientes ficou com uma população de 680 pacientes. Desses, 90% são idosos, doentes, sem família e sem ter para onde ir. A nova direção resolveu criar um hospital geriátrico dentro do próprio hospital. Isso implica em menores custos e evita despejar essas pessoas nas ruas.

9.Existem muitas opções criativas, sem essa campanha ferrenha contra a psiquiatria e os psiquiatras.

10. Como bem disse o Portela. Rico recebe atendimento. Pobre é jogado nas ruas.

11. vocês já se deram conta que as condições habitacionais da nossa população em geral, são bem piores que as piores condições dos assim denominados manicômios.

12. Quem sabe alguém leva para casa um deficiente mental agitado, que joga fezes pelas paredes, rasga as roupas, morde quem dele se aproxima etc. Vamos encarar o mundo real. é bem pior que as mentes foucaultianas admitem. Walmor Piccinini

 

 

 

(Marcio responde a Berlinck)

Marcio,
    Se entendo direito essa Reforma, a rede deve conter dispositivos de internação para pacientes ou, como querem os trabalhadores, usuários em crise. Além disso, há usuários que não tem a menor condição de saírem do hospital onde se encontram.
         Que bom Berlink, isso coincide com a minha visão, naturalmente sujeita a chuvas e trovoadas. Então existe o lugar do Asilo (no bom sentido de proteção) e o lugar do hospital a curto prazo para pacientes em crise. Imagino que a permanência num hospital pode também ser a médio prazo em alguns casos.
A política de fechamento de hospícios respeitou um processo de avaliação das condições de tratamento. Havia numerosos hospícios sem a menor condição de operação. Esses foram fechados. Outros, passaram por uma reorganização, diminuíram os leitos e continuam em operação.
         Isso já é diferente, hospitais são fechados porque não tinham a menor condição de operação. Claro, mas precisamos também ver como pode ser um hospital com as diárias que são pagas pelo SUS. Já temos um modelo, um hospital psiquiátrico que atenda pelo SUS e que ofereça tratamento perto do adequado?

    A Reforma não visa, então, acabar com os hospitais e muitos são mantidos. Visa, sim, acabar com depósitos, prisões disfarçadas, sem nenhuma condição.
         Entendo e concordo. Não podemos jogar fora o bebê junto com a agua do banho...

    A municipalização, entretanto, precipitou um processo e entregou para os municípios os cuidados com a saúde mental. Estes, por sua vez, nem sempre tem cuidado com os usuários e adotam política descabida.
         Essa parte eu não entendo bem. Imagino que o atendimento na comunidade deve incluir CAPS, Clinicas de Saúde Mental, Centros de Convivência e Residências Supervisionadas. Tudo bem organizado. Lá em Maryland esses programas comunitários são administrados por empresas particulares sem fins lucrativos. Conheço um bom programa: Key Point. Tem Clinica de Saúde Mental, Centro de Convivência, Hospital DIas e Apartamentos Supervisionados. Funciona muito bem numa determinada área da cidade.
Quero dizer, com isso, que a situação é muito complexa, desigual e combinada.
         Concordamos.
 É claro que nem todo usuário pode ser tratado na comunidade. É claro, também, que há muitos usuários retidos pelas famílias em casas-prisões, como revela o interessantíssimo comentário da colega Bassi.
         Sim. Muito obrigado. Vamos refletindo.. . examinando esse elefante complicado. Marcio Pinheiro

 

 

Marcio,

    O maior problema da Reforma Psiquiátrica Brasileira (o nome não fui eu que dei) não é operacional ou organizacional.

    É clínico.

    Como realizar a inclusão de autistas-esquizofrê nicos, paranóicos, melancólicos etc numa sociedade capitalista e democrática? Isso é possível? Como?

    Deixo de lado o capítulo da periculosidade, que é assombroso.

    Não basta retirá-los do hospício e colocá-los na cidade. A cidade precisa incluí-los. Como?

    A cidade está voltada para a a produção, a acumulação de capital, a política sem partido e partidária, de rotinas cotidianas que exigem racionalidade, iniciativa e bom senso etc. Esses usuários não possuem essas capacidades. Isso não quer dizer que não tenham organização psíquica. Ao contrário. Muitos são, como sabemos, ajuízados. Mas esse juízo não basta. Mas a sua organização é excêntrica em relação à organização dominante. Eles produzem o que a cidade não quer e a cidade produz o que eles não querem. Como articular tipos tão diferentes em sociedade? Ou será que isso já está acontecendo e não estamos percebendo?

    De qualquer forma, os procedimentos clínicos para a realização desse projeto são desconhecidos.

    O primeiro passo foi retirá-los dos hospícios que não ofereciam qualquer tratamento.

    O segundo passo foi criar equipes multi em Caps. Mas, quais são os procedimentos clínicos adotados por essas equipes e esses Caps?

    O Laboratório de Saúde Mental www.fundamentalpsyc hopathology. org é uma iniciativa que reúne narrativas clínicas de trabalhadores de saúde mental visando criar uma base para a elaboração de generalizações sobre o assunto. Ainda é cedo, pois essa pesquisa está no início. Mas ela é promissora. Veja as narrativas que estão no portal.

Berlinck 

 

 

MARCIO: ASILO É UM TERMO DEPRECIATIVO USADO PELA REFORMA (O UNICO ASILO ADMITIDO NO MOMENTO E MESMO ASSIM INICIANDO A SOFRER PRESSÃO PARA ABANDONAR ESSE NOME É AQUELE QUE ABRIGA IDOSOS). TANTO É DEPRECIATIVO QUE, PARA A DOENÇA MENTAL, PASSOU-SE A DESIGNAR COMO "SOFRIMENTO PSÍQUICO" QUE, A MIM, SOA FALSO. AFINAL QUALQUER UM FICA EM SOFRIMENTO PSÍQUICO QUANDO NÃO CONSEGUE PAGAR SUAS CONTAS.
BERLINCK: TEORICAMENTE, PELO MENOS NO RIO, TODOS PARECEM CONCORDAR COM A INTERNAÇÃO DE CRISES EM HOSPITAIS. MAS, QUANDO SE FALA EM CAPS III, FALA-SE TAMBÉM NO LEITO "DE OBSERVAÇÃO" QUE NA VERDADE RECEBERIA PACIENTES EM CRISE. FALA-SE TAMBÉM QUE OS HOSPITAIS GERAIS, PODEM RECEBER AS CRISES MAS, ESTRANHAMENTE, ESTES HOSPITAIS NÃO PODEM PASSAR DE 72HS EM SUAS INTERNAÇÕES. NESTE ESQUEMA, NÃO HÁ LUGAR PARA O HOSPITAL PSIQUIATRICO. ISTO TUDO PORQUE A LEI É 10.216/01 MAS OS GESTORES SÃO OS DO PROJETO DE LEI PAULO DELGADO E TENTA-SE PASSAR GATO POR LEBRE.VOCE DISSE QUE ESSE SERIA O RESULTADO DE UMA AÇÃO MUNICIPAL MAS, NA VERDADE, O SISTEMA TRIPARTITE, COMPARTILHA O MESMO OBJETIVO: ACABAR COM A INICIATIVA PRIVADA MANTENDO SOMENTE, ATÉ ONDE SE AGUENTAR, O HOSPITAL PÚBLICO. ACHO ISSO LAMENTÁVEL PORQUE A CLASSE PRIVILEGIADA MANTÉM LOCAIS COM HOTELARIA 5 ESTRELAS ASSISTIDOS PELOS PSIQUIATRAS INTERNANTES ENQUANTO O TRABALHADOR OU FICA NO HOSPITAL AGONIZANTE EM VIAS DE SER DESLOCADO PARA CAPS CADA VEZ MAIS SUPERLOTADOS.

BERLINCK: ISSO NÃO OCORRE NO RIO. HÁ DIVERSOS HOSPITAIS QUE SE REORGANIZARAM E NÃO ESCAPARAM DA VIGILANCIA SANITARIA (UM DELES ESTA INTERDITADO PORQUE OS DISJUNTORES DE ELETRICIDADE PIFARAM POUCO ANTES DA VISITA. ENQUANTO ISSO, UM HOSPITAL PÚBLICO COM ESGOTO QUE PASSA DENTRO DA COZINHA, NÁO FOI INTERDITADO) O PIOR: AQUELES QUE RESOLVERAM "MUDAR DE RAMO" E RESOLVERAM FECHAR PENARAM POR ANOS PORQUE A COORDENAÇÃO NÃO TINHAM MEIOS DE LIDAR COM TANTOS PACIENTES.
A DIÁRIA POR ESTABELECIMENTOS SUBORDINADOS AS SECR DE AÇÃO SOCIAL RECEBEM 3 VEZES MAIS QUE OS HOSPITAIS PSIQUIATRICOS SUBORDINADOS Á SECRETARIA DE SAUDE MENTAL. TODOS (INCLUINDO OS HONESTOS E BEM INTENCIONADOS) SE DECLARAM ASFIXIADOS E DIZEM-SE DISPOSTOS A FECHAR. EM LOS ANGELES O MAIOR REDUTO PSIQUIÁTRICO É NUM DE SEUS PRESIDIOS COM MAIS DE 3500 PRESOS DOENTES MENTAIS. ESSE É UM FUTORO PREVISIVEL PARA NÓS NO CASO DE FECHAMENTO EM MASSA.
DISCORDO. O OBJETIVO É CRIAR VAGAS PSIQUIATRICAS EM HOSPITAIS GERAIS E ACABAR COM HOSPITAIS PSIQUIATRICOS. NO RIO, EM SEIS MESES AS EMERGENCIAS SERIAM FECHADAS E DESLOCADAS PARA HOSPITAIS GERAIS SEM A MENOR PREPARAÇÃO. POR GRANDE PRESSÃO DO MINISTERIO PUBLICO O PLANO FOI ADIADO POR PELO MENOS 3 ANOS ENQUANTO CRIAM-SE CONDIÇÕES FISICAS E TECNICAS PARA ISSO.
NO RIO QUEM TEM CESAR MAIA SABE O INFERNO QUE É A SAUDE EM GERAL. MAS, NA VERDADE, O ESTADO PENSA DA MESMA FORMA (E É QUEM SUPERVISIONA TODO O PROCESSO DA REFORMA)E A UNIÃO AGORA, COM O TEMPORÃO, TENDE A MUDAR BASTANTE, PRIVILEGIANDO UMA VISÃO DE EFICIÊNCIA TÉCNICA SOBRE A EFICIÊNCIA POLÍTICA. NA CIDADE DO RIO HÁ UMA FORMA DE AÇÃO PSICOSSOCIAL MAIS EQUILIBRADA MAS NOS OUTROS MUNICIPIOS HÁ UMA VARIAÇÃO AS VEZES ASSUSTADORA. Os CAPS DE UMA LOCALIDADE NADA TÊM A VER COM O CAPS DE OUTRA LOCALIDADE. QUANDO UMA COORDENADORA DE CAPS ME PERGUNTOU QUEM ERA PICHON RIVIERE (O PSICANALISTA QUE "INVENTOU" O GRUPO OPERATIVO E QUE CONSTA NA LEI QUE IMPLANTA OS CAPS) E PERCEBI QUE O GRUPO DE RECEPÇÃO DAQUELE CAPS ERA IGUAL A RODINHA DE ESCOLA MATERNAL ONDE SE FALAVA DO FIM DE SEMANA DE CADA USUÁRIO. ESSES CASOS DE CASAS-PRISÃO TENHO ENCONTRADO (E MUITOS) EM FAMÍLIAS PEQUENAS EM QUE A MULHER TEM DE TRABALHAR E NÃO TEM COM QUEM DEIXAR O FILHO, MARIDO, IDOSO-PSIQUIÁ TRICO, ETC. NESSES CASOS ESTA PREVISTA UMA VISITA PELA EQUIPE DO CAPS PARA FAZER UM PROJETO TERAPÊUTICO EXEQUIVEL PARA O USUÁRIO E SUA FAMILIA. MAS ISSO É OUTRA CONVERSA!! José de Matos

 

 

Walmor, Concordo com seus 12 itens em gênero, número e grau. Você inclusive, fornece mais um exemplo de violência ampliada a partir dessa psiquiatria improvisada que vem reforçando um (até agora) mito: que o doente mental pode matar. Cresce o número de crimes perpetrados por psicóticos.
Por outro lado, temos vista diversos CAPS sem saber o que fazer com casos mais graves (havia um deles que não sabia o que fazer com um paciente que após a alta ameaçava de morte o psiquiatra que o liberara e outro que uma paciente com mais de 10 tentativas de suicídio teimava em voltar para o CAPS de onde fora expulsa). Neste último caso, a diretora de uma emergência, presente numa reunião sobre o problema me dizia no ouvido: "Doutor! Isso é psiquiatria! !!"
Na Inglaterra, Dr Dratcu (psiquiatra brasileiro que atua na saúde mental de lá) funda a psiquiatria hospitalar como solução para a internação de casos graves. No Brasil o novo código civil (ART 1777) determina para curatelados em crise que não podem conviver com familiares ameaçando-os ou colocando-os em risco que sejam internados em estabelecimentos apropriados para tal. Quer dizer: o futuro da psiquiatria no Brasil está na internação compulsória determinada pelo juiz. José de Matos

 

ÍNDICE BIBLIOGRÁFICO DA PSIQUIATRIA BRASILEIRA – AMPLIADO E REVISADO

 

É com satisfação que anunciamos que está disponível para pesquisas e visitas o Índice Bibliográfico Brasileiro de Psiquiatria. http://www.bibliose rver.com/ walpicci , inteiramente criado por Walmor J. Piccinini. 16.391 referências cobrindo toda a história da psiquiatria brasileira. Também está disponível em CD (para aquisição, consultar o autor).

 

OPINIÃO

 

O tema da periculosidade, jamais foi discutido seriamente pelos psiquiatras. Periculosidade é uma questão social e jurídica, porém absolutamente fora do campo psicopatológico. O que o psiquiatra pode dizer sobre o examinando restringe-se à sua saúde mental. Existem pessoas perigosíssimas sem nenhum problema psiquiátrico, e vice-versa.
O laudo de "cessação de periculosidade" deveria chamar-se laudo de "estado de saúde mental", somente. Quem tem que decidir sobre a periculosidade é apenas o juiz, que ganha especificamente para isso. Pressupõe-se que ele seja capaz de discernir se há vinculação entre uma coisa e outra.
O poder deve ser proporcional à responsabilidade assumida. Da maneira como está colocada atualmente a questão, os juízes ficam com o máximo poder e a mínima responsabilidade, enquanto que os peritos ficam com a máxima responsabilidade e o mínimo poder (os salários refletem este, não aquela).
A ambivalência, a leniência e a passividade dos psiquiatras está fazendo com que sejam crucificados por ação ou por omissão, mesmo quando legalmente não lhes caiba qualquer decisão. Se internam, são carcereiros; se não internam, são irresponsáveis, e por aí vai. Cláudio Lyra Bastos.

 

UM POUCO DE HISTÓRIA...

 

Luiz Salvador,meu irmão: Ao escrever sobre determinado livro,citaste o Dr.Miguel Arraes e em seguida um colega citou o Mestre José Otávio de Freitas Junior. Duas pessoas que estiveram muito perto de nós durante o tempo em que éramos acadêmicos internos concursados da Tamarineira e do Sanatório Recife, num convívio que persistiu até nossa indicação para o IPUB,para residência em psiquiatria. Lembrei do SAI,criação do governo Miguel Arraes.Serviço de alto alcance social e de baixo custo.O Serviço de Assistência Itinerante contava com um médico,um dentista,um enfermeiro,um técnico de enfermagem e dois acadêmicos de medicina que se alternavam.Nó s participamos das primeiras equipes.Eu fui para Correntes,uma cidade perto de Garanhuns e tenho essa semana de trabalho como uma das boas experiências da minha vida.O SAI era coordenado pelo Dr. Bianor Theodósio,marido de um ícone da pediatria pernambucana, Dra. Naíde Theodósio, e por um dentista simpático chamado Liedo. Penso que o SAI ainda hoje seria um boa alternativa de atendimento para o Brasil.Muito foi feito no campo da prevenção e do tratamento dos transtornos mentais.E o mestre Zé Otávio?Psiquiatra, sociólogo, antropólogo, literato. Muito,mas muito inteligente mesmo!Simples, disponível, sempre disposto a dividir os seus conhecimentos. Trabalhei com ele no seu Instituto de Psiquiatria Social,num prédio vizinho ao seu palacete, na Rua Dom Bosco, na Boa Vista.Era uma equipe que aplicava testes para motoristas e que se deslocava para o interior.Eu estive em Pesqueira.Eu tinha um livro escrito por ele ( o primeiro que escreveu,se não me engano) cujo título é Ensaio de Crítica de Poesia e infelizmente na "diáspora",desapareceu.Através dele conheci muitos intelectuais brasileiros. Oswaldo J.de Paula Barbosa.  

 

HOMENAGEM

 

 

… AO CAFEZINHO.

Segundo o médico Darcy Roberto Lima, professor no Instituto de Neurologia Deolindo Couto (INDC/UFRJ), esta bebida é um suco natural e saudável. A equipe de Darcy analisou consumidores de café para comprovar que esta bebida, além da cafeína, possui outras substâncias saudáveis que previnem, por exemplo, apatia, depressão, suicídio, alcoolismo e cirrose. Em mais de 20 anos de pesquisa, ainda há substâncias químicas desconhecidas no café. Entretanto, é possível destacar a presença de trigonelioca, responsável pela formação da vitamina PP (niacina, relacionada às enzimas respiratórias e vasodilatadoras) , e de minerais, tais como o potássio, o ferro e o zinco. Compostos fenólicos anti-oxidantes (ácidos clorogênicos) também compõem o café, gerando as lactonas, que atuam no cérebro e no corpo humano com efeitos benéficos. De todas estas substâncias a cafeína é a que ocorre em menor quantidade, apenas 1%. Outra característica é o cheiro. O café atrai o olfato humano, “principal sentido, mais impactante do que a visão, pois está ligado à memória e ao prazer. Ninguém esquece um odor ruim, bem como prefere um aroma bom e agradável”, explica o pesquisador.

Darcy esclarece que as lactonas possui “um efeito antagonista opióide no sistema mesolímbico, ou seja, na sinapse entre a área tegmental ventral e o núcleo acumbens do cérebro. Aí atuam o álcool, a nicotina, a morfina e a cocaína, facilitando a liberação de dopamina para o córtex cerebral, o que causa sensação de prazer. O bloqueio e modulação dos receptores opióides na área tegmental ventral feita pelas lactonas do café regulam o teor de dopamina para o cérebro, impedindo que a pessoa sofra de depressão, além de amenizar o desejo de auto-gratificaçã o e o impulso pela busca do consumo de álcool e drogas”. Resultados semelhantes são obtidos com os remédios naltrexona e bupropiona, indicados respectivamente no combate ao alcoolismo e no controle do tabagismo. Entretanto, o pesquisador alerta que o café precisa ter uma torra adequada e controlada para conter as lactonas que bloqueiam o consumo de álcool. Isso significa uma torra média e nunca escura.

Em sua pesquisa, Darcy afirma que o café é a bebida mais recomendável para crianças e atletas. “O café faz bem para o corpo e para o cérebro, previne uma série de doenças, além de modular o humor, algo fundamental para o atleta permanecer motivado”. Para fortalecer esta idéia, o pesquisador está implantando o projeto “Café na merenda, saúde na escola” no Brasil e na América Latina, visando substituir as bebidas artificiais (junk food) por café com leite entre estudantes de cinco a dez anos e por café puro para crianças a partir de 11 anos. Se “cada estudante do mundo substituir um refrigerante por uma xícara de café com leite, diminuirão os casos de obesidade infantil, depressão, suicídio, alcoolismo, cirrose e, até mesmo de diabetes, mal de Parkinson e de Alzheimer”.

O médico explicita, o café possui mais efeitos benéficos do que qualquer alimento funcional existente na atualidade – são a soja, o ômega 3, brócolis e vinho ,e também é um dos mais ricos em anti-oxidantes . Para manter os efeitos positivos desta bebida, é preciso evitar excessos. “Recomendamos o consumo de quatro xícaras ao longo do dia, lembramos que o café é uma bebida diurna, portanto, não deve ser tomado à noite, salvo raras exceções”.

Para finalizar, o pesquisador lembra ainda que os efeitos do café contra o alcoolismo são conhecidos desde o século XVII, nomeado a Era das bebidas, quando sua inserção na alimentação diária começou no Ocidente e passou a diminuir o consumo de bebidas alcoólicas na Europa e na América do Norte. Além disso, o consumo desta bebida, começando na idade escolar, pode baixar os índices de incidência de apatia, depressão e obesidade infantil, que levam à baixa auto-estima e à busca de prazer de forma artificial através das drogas – explica Darcy.


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