Volume 22 - Novembro de 2017
Editor: Giovanni Torello

 

Dezembro de 2006 - Vol.11 - Nº 12

Psicanálise em debate

Considerações sobre "O CÓDIGO DA VINCI" (*)

Sérgio Telles
psicanalista e escritor

O extraordinário sucesso do livro de Dan Brown "O Código Da Vinci" e do filme nele baseado caracterizam-no como um produto típico da indústria cultural globalizada.
O que quer dizer isso? Muitas coisas, todas elas derivadas da dicotomia "indústria cultural" e "arte".
Os produtos da indústria cultural constituem o universo do Entretenimento. São divertimentos, distrações, passatempos, diversões - em sua grande maioria de teor escapista, alienante - voltados para as massas, que envolvem grandes investimentos financeiros em busca dos lucros correspondentes. Para tanto, os produtos são divulgados através de campanhas publicitárias maciças veiculadas pelos diversos meios de comunicação, incentivando seu consumo no mercado.
Todas essas características afastam o "produto da indústria cultural" das chamadas "criações artísticas". Estas não têm como objetivo imediato o consumo das massas e sim a expressão de novas formas e conteúdos elaborados pelo artista em seu trabalho solitário. Muito embora possam também entreter e distrair, não têm esse propósito como prioridade e sim simbolizar e representar as grandes questões humanas, enriquecendo aqueles que delas se aproximam. Quando aparecem na mídia, as "criações artísticas" ocupam espaços muito específicos e restritos, na maioria das vezes, ignorados pelo grande público.
O texto completo deste artigo está no livro "O psicanalista vai ao cinema II", da Editora Casa do Psicólogo, São Paulo, 2008.
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