Volume 22 - Novembro de 2017
Editor: Giovanni Torello

 

Setembro de 2006 - Vol.11 - Nº 9

Psicanálise em debate

Sobre o filme "Carta de uma desconhecida" de Max Ophuls (1948), baseado no conto homônimo de Stefan Zweig.

Sérgio Telles
psicanalista e escritor

O enredo

Alta madrugada, amigos deixam Stephan Brand (Louis Jourdan) em sua residência. Logo mais todos teriam que acordar cedo, já que nas primeiras horas da manhã Brand deveria comparecer a um duelo para o qual fora desafiado por um marido traído e os amigos seriam suas testemunhas. Quando ele desce da carruagem, seus companheiros expressam dúvidas quanto a sua disposição de honrar o compromisso, refletindo que desta vez ele calculara mal e fora surpreendido, deparando-se com um temível adversário. Efetivamente, ao entrar em casa, Brand diz ao valet de chambre que prepare sua bagagem, pois pretende fugir da cidade, evitando o duelo. O empregado se retira para cumprir as ordens e lhe entrega uma carta que chegara há pouco.

Ao ler a carta, Brand se intera de fatos que até então lhe eram desconhecidos e que terão graves conseqüências sobre seu destino.

A carta fora escrita por uma desconhecida Lisa (Joan Fontain), que ele vem a descobrir ser uma jovem mocinha que fora sua vizinha muitos anos antes. Em flash backs, seguimos a forte paixão que Lisa desenvolveu por Brand, sem que ele disso se apercebesse. Vemos o interesse de Lisa com a chegada do novo inquilino, a curiosidade que lhe despertam seus objetos e móveis, a admiração que lhe causa o fato de ser ele um pianista famoso e requisitado, o encanto que sua música lhe provocava, os ciúmes que sentia ao constatar seu grande sucesso com as mulheres. Numa ocasião, com a desculpa de ajudar o valet de chambre de Brand na limpeza do apartamento, penetra na casa e fica ali bisbilhotando até ser surpreendida pelo empregado.

O texto completo deste artigo está no livro "O psicanalista vai ao cinema II", da Editora Casa do Psicólogo, São Paulo, 2008.



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