Volume 22 - Novembro de 2017
Editor: Giovanni Torello

 

Abril de 2006 - Vol.11 - Nº 4

Psicanálise em debate

Bergman e uma conturbada relação mãe-filha - leitura psicanalítica de "Sonata de Outono" (1978)

Sérgio Telles
psicanalista e escritor

"Sonata de Outono", como outras obras-primas de Ingmar Bergman, mostra grande compreensão dos processos inconscientes da vida psíquica. Após a morte do companheiro e empresário, Charlotte (Ingrid Bergman), pianista de fama internacional, é convidada para uma temporada na casa da filha Eva (Liv Ulman).

Anos antes, Charlotte sacrificara a vida familiar em prol da carreira, deixando as duas filhas - Helena e Eva - a cargo do marido. Helena tem uma grave doença que a deixa incapacitada - tartamudeia e rasteja, sem qualquer autonomia. Eva se casara sem amor com um pastor mais velho e mora na casa paroquial de um pequeno povoado. Tivera um filho não planejado que morrera afogado aos quatro anos, algum tempo antes da visita de Charlotte. Fazia sete anos que mãe e filha não se viam e rapidamente as tensões explodem.

Eva acusa Charlotte de tê-los abandonado pela profissão. Mas também a ataca ao lembrar o período em que deixou a carreira para cuidar das filhas. Charlotte se assusta ao perceber a intensidade do ódio de Eva. Acuada, diz ter vivido uma infância infeliz, com pais pouco amorosos, o que a deixou incapaz de sentir afeto a não ser através da música. Confessa que nunca conseguiu se ver como mãe. Era frágil e desamparada demais; ansiava por uma mãe, não por uma filha.

Fracassada a tentativa de aproximação entre as duas, Charlotte parte e Eva lhe envia uma carta propondo uma reconciliação, que somente então acredita possível.

O texto completo deste artigo está no livro "O psicanalista vai ao cinema II", da Editora Casa do Psicólogo, São Paulo, 2008.


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