Volume 22 - Novembro de 2017
Editor: Giovanni Torello

 

Setembro de 2006 - Vol.11 - Nº 9

France - Brasil- Psy

Docteur Eliezer DE HOLLANDA CORDEIRO

SOMMAIRE (SUMÁRIO):

 

  • 1. Sandor FERENCZI, « L’enfant terrible de la psychanalyse (Segunda parte)
    Eliezer de Hollanda Cordeiro
  • 2. PROFISSÃO: PSIQUIATRA DE MORADORES DE RUA
    Michel Samson, jornal « Le Monde »
    Tradução: Jean-Yves de Neufville
  • 3. AS TERAPIAS COMPORTAMENTAIS PARA APRENDER A CURAR
    Ursula Gauthier et Véronique Radier
    Le Nouvel Observateur, numéro 2155
    Tradução : Eliezer de Hollanda Cordeiro
  • 4. LIVROS RECENTES
  • 5. REVISTAS
  • 6. ASSOCIAÇÕES
  • Quem somos (qui sommes-nous?)                                  

    France-Brasil-PSY é o novo espaço virtual de "psychiatry on  line"oferto aos  profissionais do setor da saúde mental de expressão  lusófona e portuguesa.Assim, os leitores poderão doravante nela encontrar traduções e artigos em francês e em português abrangendo a psiquiatria, a psicologia e a psicanálise. Sem esquecer as rubricas habituais : reuniões e colóquios, livros recentes, lista de revistas e de associações, seleção de sites.

    Qui sommes- nous ?

    France-Brasil-PSY est le nouvel espace virtuel de "psychiatry on line"offert aux professionnels du secteur de la santé mentale d’expression lusophone et française. Ainsi, les lecteurs pourront désormais y trouver des traductions et des articles en français et en portugais  concernant la psychiatrie, la psychologie et la psychanalyse. Sans oublier les rubriques habituelles : réunions et colloques, livres récentes, liste de revues et d’associations, sélection  de sites

     

    1. Sandor FERENCZI, « L’enfant terrible de la psychanalyse (Segunda parte)

    Eliezer de HOLLANDA CORDEIRO

    Como já mostramos na primeira parte deste artigo, (POLBr agosto 2006) (1), a relação entre Freud e Ferenczi foi marcada não somente por uma amizade profunda, comportando idealisação recíproca, exaltação dos sentimentos positivos, comunicação epistolar intensíssima, mas também, e muito cedo, por controvérsias, antagonismos, conflitos e malentendidos. Balint escreveu que, « No início, as divergências pareciam limitar-se a problemas técnicos, mas na realidade, elas abrangeram vários problemas teóricos essenciais, chegando, em 1932, a uma desavença total entre os dois homens » (2).

    Portanto, o início da amizade entre eles foi como um « coup de foudre », uma súbita paixão que não conseguiu esconder durante muito tempo, a ambivalência que caracterisa as relações inter-humanas : aos sentimentos positivos iniciais vieram juntar-se sentimentos negativos, queixas, críticas, decepções,tristezas como numa repetição típica dos estados amorosos da literatura clássica.Esta ambivalência dos sentimetos deu lugar a um tríplice conflito que duraria até o fim de suas existências :um conflito afetivo, ligado a processos inconscientes pessoais ; um conflito relacionado com a teoria e a técnica psicanalíticas ; enfim, um conflito sobre a dimensão terapêutica da psicanálise.

    O conflito afetivo

    A relação afetiva conflituosa entre os dois homens não permitiu que eles compreendessem e superassem os diversos antagonismos que surgiram e cresceram ao longo de suas vidas. Ferenczi, por exemplo, levou anos antes de poder exprimir, de maneira clara e direta, uma demanda de análise com Freud. Este, por sua vez, embaraçado por uma contra-transferência não analisada, não entendia a demanda e nem sempre compreendia os legítimos sentimentos de tristeza e as queixas de Ferenczi, chegando até a escrever que se tratava de patologia. Numa carta datada de 2/10/1910 (Correspondance Freud-Ferenczi,) (3), na qual Freud evoca a viagem que os dois fizeram à Itália, ele disse  haver conservado lembranças calorosas e agradáveis de Ferenczi, embora este tivesse se mostrado decepcionado. « A decepção surgiu porque o senhor esperava certamente banhar-se numa estimulação intelectual permanente (…) Porém, na maior parte do tempo, fui uma pessoa de uma certa idade, banal, que lhe permitiu de medir a distância que separa a realidade da idealização fantasmática ». Freud ajuntou « que ficaria muito contente, se Ferenczi deixasse o seu papel infantil (….) e se situasse como um companheiro » (…) O senhor mostrou-se inibido e perdido em seus sonhos. Isto é tudo o que eu quis dizer sobre os meus esforços pedagógicos » (3).

    André Haynal, em sua introdução à « Correspondance-Freud-Ferenczi » (4), dá-nos uma explicação sobre o que se passou durante a viagem: o desentendimento surgiu quando Ferenczi recusou tomar as notas, ditadas por Freud, sobre o famoso caso do Presidente Schreber ! Ferenczi jamais esqueceu o impacto dessa viagem em sua vida, ao contrário conservou desagradáveis lembranças, como podemos ler na carta cheia de mágoas escrita a Freud em 17/01/1930, tres anos anos de morrer: (...) "Pequenos acontecimentos em nossas viagens comuns suscitaram em mim uma certa inibição, notadamente a severidade com a qual o senhor puniu meu comportamento rebelde na história do livro sobre Schreber.Eu me pergunto ainda hoje: a brandura e a indulgência da parte daquele que era investido da autoridade não teriam sido uma atitude mais justa ?"

    Esforços pedagógicos, escreveu Freud, mas na realidade, durante a viagem à Itália, os dois homens já estavam engajados numa relação afetiva complexa, na qual a dissimetria da comunicação, atravessada por intensos processos psíquicos e afetivos, só poderia conduzir a um impasse entre eles.

    Poucos tempo depois, em 14/07/1911 (3), um fato importante agravaria o conflito entre os dois homens : Ferenczi escreveu a Freud dizendo-lhe ter começado a análise de Elma Palós. Durante a análise, Ferenczi caiu apaixonado pela paciente e insistiu para que Freud continuasse a análise dela em seu lugar. Embora reticente, Freud aceitou o pedido, porém, meses depois, quando Elma terminou sua análise com Freud, Ferenczi retomou-a em análise !!! Em suma, houve de tudo, notadamente triangulações transferenciais e contra-transferenciais que tornaram impossivel qualquer análise da paciente.

    Desde cedo, em suas correspondências, podemos notar o desejo de Ferenczi de fazer uma análise com Freud. Mas, hesitante, ele não se exprimia de maneira nítida, e, quando lhe ocorria poder formular a demanda de maneira mais evidente, Freud não a parcebia.Assim, em 1911, quando Ferenczi escreveu: « É preciso substituirmos de tempos em tempos nossa relação epistolar por uma relação pessoal, senão perderemos facilmente o contacto com a realidade e deixaremos de corresponder com uma pessoa realmente vivente para correspondermos com alguém que arranjamos em nossa imaginação, segundo o nosso bom prazer » (3), Freud não entendeu que ele lhe pedia uma análise. Depois, em outras cartas,Ferenczi mostrou-se insistente, mas sua demanda de análise chocou-se às reticências do Professor, que escreveu a Ferenczi dizendo« estar preocupado com o fato de ligar o destino de sua amizade a qualquer coisa de diferente e imprevisivel, (carta de 21/04/1912)(3). Em seguida, ele evocou o perigo de distanciamento pessoal por causa da análise (carta de 4/05/1913(3), como se Freud tivesse percebido as dificuldades inerentes a esta tarefa, lembrando-se sem dúvida do que se passara com Elma. Mas, apesar de todos os obstáculos previsíveis que dificultaraim o desenrolar de uma cura psicanalítica que tivesse chances de sucesso, Freud cedeu e começou a analisar Ferenczi.

    Numa das cartas mais bonitas e tocantes de Freneczi, escrita em 17/01/1930 (citada por. J. Dupont) (5), notemos a passagem : ..."na relação entre o senhor e eu, existiu (pelo menos em mim) um emaranhado de diferentes conflitos de emoções e de posições. Primeiro o senhor foi meu mestre venerado e meu modelo inatingível(...)Depois o senhor tornou-se meu analista, porém ciscunstâncias desfavoráveis impediram-me de continuar a minha análise até o fim. O que eu mais senti foi que, durante a análise, o senhor não tivesse percebido em mim e conduzido à abreação,os sentimentos e fantasias negativos, transferidos de maneira parcial.Sabemos que nenhum analisando, mesmo eu com tantos anos de experiência adquirida com outros, não poderia fazer isto sem ajuda.Desta forma, foi-me necessário fazer uma auto-análise muito dolorosa, efetuada posteriormente, de maneira metódica.Naturalmente, isto foi também relacionado ao fato de que eu pude abandonar minha posição um tanto adolescente para dar-me conta de que eu não devia depender tão completamente de vosso favor, isto é, que eu não devia superestimar minha importância para o senhor."

    Na abundante correspondência ulterior a este acontecimento, Ferenczi procurou obter o apoio de Freud às suas concepções teóricas e inovações técnicas. No início muito acolhedor e compreensivo, S.F. Freud começou a mostrar-se-a irritado,criticando Ferenczi e julgando a sua prática perigosa para a psicanaálise. E, em 1930, ele escreveu que Ferenzci estava perdido para a psicanálise e insistiu para que ele desse meia volta e reintegrasse a comunidade dos humanos" (conforme Judith Dupont) (5).

    O último encontro entre os dois homens ocorreu em Viena, onde Ferenczi encontrou Freud, antes de ir ao congresso de psicanálise em Wiesbaden, em 1932. Após o Congresso , Ferenczi, já bastante doente, escreveu a Freud que a viagem que ele fez foi « de um leito para outro », e ele protestou contra o pedido de Freud para que ele não publicasse o seu último trabalho(5).

    Freud respondeu : « Deixei de crer que o Senhor pudesse se corrigir(...)De dois anos para cá, o Senhor distanciou-se de mim de maneira sistemática. Eu penso poder ser objetivo e mostrar-lhe o erro teórico de sua construção, mas de que adiantaria ? Convencí-me que o Senhor é incapaz de mudar de idéia (5).

    O conflito sobre a teoria e a técnica psicanaliticas

    Durante vários anos, a trajetória psicanalítica de Ferenczi foi a de um fiel discípulo da ortodoxia freudiana, a de um zeloso defensor das teorias e da técnica em vigor, como mostram muitos artigos e cartas que escreveu .Tomemos o exemplo da carta de 23 de Junho de 1914, sobre um trabalho de Ernest Jones ("Correspondance Freud- Ferenczi) (3), na qual Ferenczi escreveu: "Jones enviou-me recentemente alguns artigos pedindo-me para fazer um resumo para a Zeitschrift; entre outros, o artigo anexo sobre "l’Interrelation of Biogenetic Psychoses". Sinto muito não haver encontrado neste trabalho o espírito psicanalítico autêntico e, afora algumas observações pertinentes, o trabalho me parece confuso e desconsertante. Qual é vossa opinião sobre este trabalho e que devo fazer diante do meu dever de relator neste caso?"

    Resposta de Freud(28 de Junho de 1914) (...) "Creio que o senhor foi muito severo com Jones. Por exemplo, ainda não é tempo de distinguir libido do ego e libido do objeto; e, mais ainda, o trabalho dele visa um público bem preciso. Só lhe dou razão sobre um ponto: ele fala várias vezes de introversão em vez de dizer regressão(...) As observações [feitas por Jones] sobre a maneira como uma neurose pode esconder outra, ou qualquer coisa de grave, são novas e importantes"(3).

    O zeloso defensor do espírito psicanalítico autêntico, como ele escreveu, prestes a retificar e combater os colegas que lhe pareciam desviar-se das teorias de Freud, escreveu também, em 4 de Junho de 1914, sobre o manuscrito que ele acabara de receber de Freud, o do celebérrimo "Para Introduzir o Narcisimo": "Acabei de ler o Narcisismo e fiquei encantado com o mesmo. Há muito tempo que uma leitura não me tinha dado tanto prazer. Mas devo também confessar-lhe que há anos, só consigo ler vossos escritos e nada mais- e o senhor pode considerar esta franqueza como o signo da liberdade interior, sem inibição, que começa a se desenvolver em mim"(3). E então vem a parte mais importante da carta:"Respondendo ao seu pedido(...)gostaria de lhe assinalar algumas passagens que já havíamos discutidos, e outras que eu havia esboçado em artigos por mim publicados". Ferenczi enumera: suas contribuições na elaboração do conceito de introjeção; nota que "nos estados de desenvolvimento do sentido da realidade" , ele foi o primeiro a designar as manifestações infantis todo-poderosas(magia); ajunta que vinha também dele a referência feita por Freud à idealisação do criminoso; convida Freud a dizer claramente, a propósito das "emanações da libido", que ele se refere a um processo intrapsíquico, senão poderiam pensar que quisesse dizer : uma "irradiação sobre o próprio objeto"; e enfim, quanto "a maravilhosa diferença" feita por Freud entre sublimação e idealisação, Ferenczi a resume de maneira fulgurante:Quem idealisa, sublima funcionalmente; Quem sublima, funciona idealmente"(3).

    Tres dias depois, em 7 de Junho de 1914, Ferenczi escreveu ao "Caro Senhor Professor": "Tenho pensado muito no trabalho sobre o narcisismo(...). Como o Senhor ainda não teminou a correção, gostaria de chamar-lhe a atenção sobre uma passagem(...) O Senhor falou de dois tipos de "fim do mundo": na demência e no estado amoroso.Mas só se perde o mundo na demência; o que está em causa no estado amoroso é um fim do ego(...) No estado amoroso, o mundo não vai ser perdido, ao contrário o objeto de amor representa para o amoroso o mundo inteiro" (3).

    Notemos ainda que, na mesma carta, após os elogios iniciais feitos sobre o indiscutivel valor do trabalho de Freud sobre o narcisismo, Ferenczi ousou enumerar suas próprias idéias, que Freud retomou ou desenvolveu no trabalho citado. É verdade que nesta época, escreveu André Haynal (4), Ferenczi já se revelara "um clínico muito fino,dotado de um senso agudo das interações durante a cura, de tudo o que se passava no campo analítico, como testemunha , entre outros, seu trabalho de 1912: "Sintomas transitórios no decurso de uma psicanálise". Contudo, anos atrás, outros trabalhos dele revelaram-se muito importantes: "Psicanálise e pedagogia"(1908), "Transferência e introjeçao"(1909), "Sobre a história do movimento psicanalítico"(1911),"O conceito de introjeção"(1912), "Filosofia e psicanálise"(1912), etc (6). Entretanto, as pequenas notas clínicas de Ferenczi atingem as vezes o sublime, como por exemplo: "A quem contamos os sonhos?"(1913) (7), onde ele escreveu:"Os psicanalistas sabem que somos levados inconscientemente a contar os sonhos à própria pessoa relacionada com o conteúdo dos mesmos. Lessing, salvo engano, tinha esta premonição, ao escrever: Alba me conta sempre seu sonho de manhã. Alba dorme para ela, Alba sonha para mim". Aqui já podemos notar as premissas das futuras e notáveis teorizações que ele fez mais tarde sobre a transferência e a contra-transferência.

    O processo que conduziu Ferenczi à autonomia intelectual acelerou-se, sobretudo a partir de 1914, data muito simbólica para ele: completou 40 anos de idade, começou uma análise com Freud e casou-se com Gisela Palós, a mãe de Elsa Palós, a mesma que foi analisada por ele e por Freud! No seu artigo intitulado : «Analyse discontínue» (Análise entrecortada) (Œuvres complètes de Sandor Ferenczi, Tome II) (7),ele cita tres situações clínicas que levaram-no a praticar a análise entrecortada: a) certos pacientes interrompiam a análise por se sentirem melhor, após um rápido desaparecimento dos sintomas neuróticos mais incômodos. Alguns deles sofriam recaídas e decidiam retomar a análise. Ferenczi notou então que a segunda análise permitia a elaboração dos fatores que determinaram a recidiva(…) A partir daí, ocorreu que Ferenczi chamasse certos pacientes para uma segunda análise ;b) Ferenczi não se opunha ao paciente que interrompia a análise por julgar-se curado e que tinha de voltar a viver com a familia (cujos membros intervinham na origem das principais reações neuróticas). Ele sabia que os riscos de recidiva eram grandes e preparava o paciente a essa eventualidade.Quando o paciente voltava, "o contacto que ele teve com a realidade fazia surgir conteúdos psíquicos até então escondidos"; c)uma terceira razão de análise discontínua era relacionada com acontecimentos que Ferenczi chamava também «circunstâncias exteriores", que afetavam pacientes bastante ocupados, morando muito longe de Viena ou que só dispunham, durante o ano, « de uma soma limitada de tempo e de dinheiro para a cura». Então eles vinham cada ano fazer um ou dois meses de tratamento» (7).

    Dois importantíssimos trabalhos de Ferenczi sobre a técnica psicanalítica, escritos em 1919, devem ainda ser citados: "La technique psychanalytique" e "Difficultés techniques d’une analyse d’hystérie"(Oeuvres complètes, Psychanalyse Tomes 2 e 3, Payot, Paris, 1970 e 1982) (7) (8).

    Em "Difficultés techniques d’une analyse d’hystérie"(9), Ferenczi partiu da experência clínica que adquiriu com pacientes incapazes de seguirem a regra fundamental das associações livres formulada por Freud. "A regra da associação livre não comportava nenhuma excessão, o analista devia esclarecer sem indulgência tudo o que o paciente procurava escamotear à comunicação", escreveu, antes de ajuntar que em muitas situações clínicas, o paciente não podia seguir a regra. Por exemplo, neuróticos obsessivos contradizem a regra psicanalítica porque, em vez de associações, «produziam somente um material absurdo. O analista deveria então intervir, senão o obsessivo continuaria a produzir« uma série ininterrupta de associações verbais (…), procurando inconscientemenet reduzir o médico ao absurdo». Ele notou em seguida que, em certas curas, « pacientes entravam em resistência contra a associação". Interrogados por ele, os pacientes respondiam que nada tinham a dizer, ou então que tinham coisas demais a dizer mas sem poder escolher uma idéia. Outros afirmavam ter a cabeça vazia, não pensar em nada, ou somente olhar um objeto do consultório, etc. !Ocorreu que pacientes se refugiassem num silêncio prolongado, ou adormecessem durante algum tempo, ou fizessem coisas em vez de dizê-las: levantar-se do sofá, caminhar, proferir insultos, agredir o analista, levando Ferenczi a intervir, a relembrar aos pacientes recalcitrantes, o respeito da regra fundamental da associação livre. Ele chegou a proibir que uma paciente se masturbasse durante ou fora das sessões, retomando o princípio da abstinência, e na esperança de que a paciente começasse enfim a associar em vez de agir. Porém, os pacientes «encontrvam sempre um meio, quando eles entravam em resistência, de racionalizar os seus silêncios e reticências» (9).

    Então- e esse ponto é capital para compreendermos o itinerário psicanalítico do autor- Ferenczi inventaou a técnica ativa,como no exemplo que nos deu no artigo citado, « La Technique psychanalytique »(10) : «certa vez fui obrigado, em contradição formal com a regra psicanalítica, a pedir ao paciente que dissesse tudo até o fim da frase que ele havia começado", escreveu. E ele comparou «a situação do médico na cura psicanalítica a de um parteiro, que deve se comportar de maneira passiva na medida do possivel, (…)mas que nos momentos críticos pode usar o fórceps para terminar um nascimento que não progride de maneira espontânea".Ele enumerou também certas circunstâncias em que os analistas podem ser levados a intervir, de maneira direta, na vida dos pacientes. E diz ter sido levado a abandonar o papel passivo que o psicanalista desempenha frequentemente nas curas, limitando-se a escutar e interpretar as associações. Assim, ele começou a ajudar os pacientes «a ultrapassar os pontos mortos do trabalho analítico, pela intervenção ativa em seus mecanismos psíquicos"(10).Ele lembra que « é a Freud que devemos o protótipo da « técnica ativa ». Na análise das histerias de angústia, Freud recorria – em caso de estagnação análoga- ao estratagema consistindo em exigir que os pacientes enfrentassem as situações críticas capazes de suscitar suas angústias, não para habituá-los aos fatores angustiantes, mas para separar de suas cadeias associativas os afetos mal ancorados ancrés. (…) Outra vez livres e flutuantes, os afetos atrairiam em prioridade as representações que lhes fossem qualitativamente adequadas e historicamente correspondentes» (10).

    Veremos no próximo artigo que toda a produção teórica e as inovações técnicas de Ferenczi visavam tornar a psicanálise mais eficiente do ponto de vista terapêutico. Minha hipótese é que as divergências e conflitos entre os dois homens, como acabamos de traçar de maneira sumária, foi o resultado desse desentendimento fundamental: para Ferenczi, a psicanálise devia ser terapêutica. Para Freud, a terapia não era a finalidade mais importante do método que ele inventou, mas sim, a exploração do inconsciente.


    1)Eliezer de Hollanda Cordeiro: "Sandor FERENCZI, L’ENFANT TERRIBLE DE LA PSYCHANALYSE" (Primeira parte),POLBr, Agosto 2006.

    2)Michaël BALINT: Préface à l’édition française de « Psychanalyse I, Œuvres complètes de Sandor FERENCZI »,Tome I, 1908-1912, tradução feita por J. DUPONT e PH. GARNIER, Payot, Paris, 1968.

    3)Sigmund FREUD-Sándor FERENCZI, « Correspondance : 1908-1914 », tradução francesa pelo grupo do Coq-Héron, Calmann-Lévy, Paris, 1992

    4)André HAYNAL : Introdução à edição francesa de: « Sigmund FREUD-Sándor FERENCZI, Correspondance : 1908-1914 », tradução do alemão pelo grupo de tradução do Coq-Héron, Calmann-Lévy, Paris, 1992.

    5) Judith DUPONT : « Introduction au Journal Clinique de Sandor FERENCZI », traduit par l’équipe du Coq Héron : : Suzane ACHACHE-WIZNITZER, Judith DUPONT, Suzanne HOMMEL, G. KASSAÏ, Pierre SABOURIN, Françoise SAMSON, Bernard THIS.s Editions Payot, Paris, 1985.

    6) Sandor FERENCZI, « Œuvres complètes, Tome I: 1908-1912 », Traduction française: J. DUPONT e PH. GARNIER, Payot, Paris, 1968

    7) Sandor FERENCZI : « La technique Psychanalytique », em « Œuvres complètes, Tome II: 1913-1919 », Traduction française: J. DUPONT e PH. GARNIER, , collaboration du Docteur Ph. GARNIER, Payot, Paris, 1970.

    8) Sandor FERENCZI : Œuvres complètes, Tome III : 1919-1926, Payot, Paris, 1982

    9) Sandor FERENCZI, « Difficultés techniques d’une analyse d’hystérie»,em Obras completas,Tomo III, tradução francesa por J. DUPONT e M. VILIKER, Payot, Paris, 1982.

    10) Sandor FERENCZI : « La technique Psychanalytique », em « Œuvres complètes, Tome II: 1913-1919 », Traduction française: J. DUPONT e PH. GARNIER, , collaboratio du Docteur Ph. GARNIER, Payot, Paris, 1970.

    2. PROFISSÃO: PSIQUIATRA DE MORADORES DE RUA

    13/09/2006
    Michel Samson, jornal « Le Monde »
    Tradução: Jean-Yves de Neufville

    Em Marselha, esta reportagem acompanhou uma equipe de Médicos do Mundo especializados em atender moradores de rua, os quais são geralmente deficientes mentais


    Nesta terça-feira de verão quentíssima, Vincent Girard, 34, a cabeleira amarrada em rabo-de-cavalo, os olhos azuis e um sorriso de criança, prepara sua turnê semanal. Este psiquiatra "de rua" é acompanhado pelo seu colega Hermann Händlhuber, um austríaco alto e magro de 52 anos que desembarcou em Marselha depois de uma "vagabundagem de oito anos", a qual resultou numa tuberculose. O projeto da organização Médicos do Mundo associa especialistas oficialmente diplomados com benévolos e "trabalhadores pares" cuja experiência de vida é reconhecida como uma competência.

    Dentre as 70 pessoas das quais eles acompanham a evolução, as prioridades do dia dependem da "urgência". Pode ser a urgência psiquiátrica, médica e social, quando um jovem rapaz recém-saído das ruas está voltando a mergulhar na bebida e que é preciso encontrar um meio para ajudá-lo dar a volta por cima e retomar seu caminho sobre bases melhores. Pode ser uma urgência somática, quando um dos seus pacientes, que se encontra no ápice dos seus delírios e do seu cansaço, abandonou de tal forma o próprio corpo que é preciso intervir.

    Mas a rua tem as suas prioridades que a medicina desconhece. As "visitas em domicílio a pessoas sem domicílio", para retomar uma expressão do médico, nunca acontecem conforme o previsto. Eles partem, portanto, rumo a La Ferme (A Fazenda), um centro de hospedagem situado numa comuna próxima a Aubagne (região marselhesa) onde a equipe havia deixado Sacha, um jovem alemão que acaba de receber um desfibrilador por causa de uma malformação cardíaca. Sacha confessou a Hermann, que fala alemão, inglês, italiano e francês, que ele queria "partir". Ora, cada uma das suas partidas o trouxe de volta para as ruas e perto da morte.

    Sacha é um sujeito de grande gabarito, cujo antebraço é tatuado com a inscrição "Elisabeth" em letras góticas e cujos olhos afundados nas órbitas expressam o medo em primeiro lugar. "Medo, medo", repete, mostrando o seu coração, isso porque o seu aparelho cardíaco disparou recentemente sem nenhuma razão. Vincent fala com ele, segurando-o pelo ombro, enquanto Hermann traduz: o aparelho foi consertado, e eles vão prescrever-lhe calmantes, já que ele não consegue mais dormir. Nas costas do médico, Sacha, com o olhar desesperado, finge estar atirando uma bala na têmpora com dois dedos, ou simula seu enforcamento. Depois da visita, Hermann explica: "Sacha quer ir embora dali; os outros são velhos demais, ele não faz nada, e vai acabar morrendo de tédio". Por ocasião da próxima visita, será preciso tentar enviá-lo para um grupo de ajuda mútua onde se encontram ex-pacientes com problemas psiquiátricos.

    Agora, a dupla está de volta ao centro de Marselha para procurar Jean-Marie, que normalmente concorda em passar alguns dias no hospital. Vincent Girard reservou-lhe um leito no serviço do doutor Naudin, de quem ele é o assistente. Infelizmente, Jean-Marie sumiu. Um esquizofrênico acometido de delírios expansivos, ele está em apuros. Alguém furtou os cartazes de papelão nos quais ele anuncia por meio de grandes letras coloridas "sessões de cinema em três dimensões", e que ele pendura nos plátanos da Alameda Pierre Puget. Ghil Darsa, uma antiga arquiteta que se tornou enfermeira, que participou da turnê na semana anterior, explica que o furto desses cartazes o "chocou profundamente, uma vez que aquela era a sua maneira de deixar sua marca, de comunicar, de habitar no lugar".

    Vincent e Hermann apertam as mãos dos quatro moradores de rua que estão bebendo, sentados num banco da praça, e lhes indagam sobre o paradeiro de Jean-Marie. Um dos quatro aproveita para iniciar uma conversa privada com o psiquiatra. Com o olhar vago, ligeiramente titubeante, Jean-Marc, um homem jovem alto e loiro recém-saído das ruas, puxa Vincent pelo braço. Eles sentam num banco vizinho, e conversam. Pouco depois, Jean-Marc retorna, pega uma sacola de plástico que contém documentos e entra no carro. Finalmente, é ele quem parte para o hospital, no lugar de Jean-Marie que ninguém consegue encontrar. "O álcool acabou comigo; ele acabou comigo", confessa o jovem rapaz. "Eu achava que eu iria sair dessa, mas naquele momento, eu já havia acabado de tomar a minha terceira garrafa de rose; eu tomo os meus medicamentos junto com o álcool; de manhã eu já acordo transpirando; tenho duas folhas de pagamento para receber, mas alguém me roubou minha sacola com os meus documentos; a vida precisa oferecer-me uma outra perspectiva".
    Vincent lhe responde, sorrindo, que "a recaída é normal" e que o que está acontecendo com ele hoje "é bom para ele".

    Esta hospitalização imprevista, explica o médico após tê-lo acompanhado, atende também a uma outra necessidade: "Para nós, é muito importante que as pessoas que nós tiramos das ruas não retornem àquela condição. Para eles, é claro, mas para que nós tenhamos também, de vez em quando, alguns sucessos".

    Este retorno ao hospital sublinha, sobretudo, a carência total de locais aptos a receberem os deficientes mentais que moram nas ruas. A equipe vem lutando pela criação de uma casa adequada e já começou a trabalhar num projeto de hospedagem assistida que o plano de coesão social do ministro Jean-Louis Borloo torna teoricamente possível. A enfermeira Ghil Darsa explica: "Em Marselha, não existe nenhum local aberto para as pessoas que não conseguem ser plenamente autônomas, que não têm mais nenhum laço parental e que precisam de ajuda para reconstruírem a sua vida. Acima de tudo, eles não devem permanecer no hospital, que continua sendo útil em tempos de crise".

    O próximo encontro do dia é com o "Senhor Betti". Este homem idoso sem dentes e com o corpo escangalhado vive na entrada de um estacionamento. Ele tem um pesado passado psiquiátrico, que ele conta por pedaços mais ou menos coerentes. A equipe vai visitá-lo regularmente, fala com ele, lhe traz água: no cerne desta psiquiatria de rua, o que importa em primeiro lugar é uma presença regular, que pode até mesmo ser muda. Uma presença "que se mostra sem se impor" e se encarrega de acompanhar as pessoas tais como elas são e, sobretudo, com o seu assentimento.

    "Dando uma passada, conversando, apertando a mão, é possível criar uma confiança com esses moradores de rua, homens e mulheres, dos quais se sabe, graças aos raros estudos existentes, que um em cada seis é psicótico", explica Vincent Girard.

    Todos os especialistas, benévolos e "trabalhadores pares" do projeto de Médicos do Mundo participam da reunião das terças-feiras à noite, durante as quais as equipes trocam suas informações e fazem um levantamento das suas necessidades. Essas necessidades são tão imensas quanto variáveis: "Pode ser ajudar alguém a telefonar para a sua mãe ou um irmão, resolver um problema de orientação e reclassificação profissional, ajudar a encontrar um apartamento mobiliado para o paciente poder se instalar, ou hospitalizá-lo".

    Uma hospitalização é sempre complicada, uma vez que os funcionários do hospital relutam muito a aceitar esses doentes, e têm dificuldades até mesmo para entender que eles sofrem de distúrbios psiquiátricos profundos. "Eles são distribuídos por categorias", comenta o psiquiatra. "Ora eles são toxicomaníacos, ora alcoólatras, ora deficientes mentais. Mas, na verdade, eles são "e" alcoólatras, "e" dependentes dos medicamentos "e" bipolares, por exemplo. Isso porque a droga pode ser uma auto-medicação frente a um distúrbio psiquiátrico grave". Além disso, prossegue Vincent Girard, "eles fedem, eles têm piolhos, e os funcionários do hospital não raro temem as contaminações - até mesmo imaginárias".

    O Senhor Betti, por sua vez, sofre de todas as moléstias ao mesmo tempo. Já faz algumas semanas, ele enfiou no dedo um anel talismã que corroeu sua carne negra; a sua mão está inchada por um fleimão. Vincent e Raymond Négrel, um enfermeiro especializado em psiquiatria já aposentado, diagnosticam uma infecção que exige uma intervenção cirúrgica imediata. O Senhor Betti a recusa violentamente, grita, conta que naquele hospital "roubaram tudo" o que ele tinha, mistura prováveis elementos de realidade com um delírio repetitivo. Raymond o segura pelo ombro e lhe diz: "O senhor vai morrer caso não for tratado, Senhor Betti".

    O médico resolve chamar os bombeiros. Ele detesta isso, uma vez que a filosofia desta psiquiatria da confiança é de nunca obrigar as pessoas.
    Exceto, é claro, quando existe um sério perigo de morte. O Senhor Betti se afasta, e ainda grita: "Raymond, o que você está fazendo comigo?", mas acaba subindo finalmente, sem mostrar muita resistência, no caminhão vermelho. Ele é levado até o serviço de emergências do hospital geral... de onde ele foge imediatamente! Alcançado pela equipe de rua, o Senhor Betti é finalmente "hospitalizado a pedido de um terceiro", no caso o doutor Girard, no seu serviço de psiquiatria. Lá, ele vai sofrer um tratamento destinado a "torná-lo um pouco mais maleável, sendo sedado com algumas pílulas", antes da intervenção cirúrgica.

    Já, no que diz respeito a Omar, ele é "psicótico, abandonado e incurável", diz o médico. Em pé na frente de um banco, curvado, trajando roupas cobertas por uma sujeira espessa, Omar tende vagamente a sua mão negrusca para os passantes que não o vêem. Omar só consegue se movimentar muito lentamente. É uma massa humana apenas viva. Nos seus cabelos, dá para ver os piolhos se mexendo. Ele reconhece Hermann e Vincent. Neste momento, aparece uma breve centelha nos seus olhos apagados. Ele não comeu nada, dorme sem nenhum cobertor, às vezes sobre um papelão, costuma ser assaltado pelos toxicomaníacos na Praça Jean Jaurès, onde ele sobrevive. Mas Omar nada diz, nada quer, não está pedindo mais nada. Ele aceita o cigarro que Hermann enrola para ele, procura num dos seus bolsos internos para ver se ele ainda tem uma moeda. Ele a tira lentamente, ela é amarela.

    Vincent Volta a falar com ele em hospitalização; ele balança silenciosamente a cabeça para recusar. Vincent lhe propõe conduzi-lo até a sede de Médicos do Mundo para se lavar. Mesma recusa. Vincent lhe recorda de que um dia ele havia gostado disso. Um fulgor passa nos seus olhos, mas é o mesmo não silencioso. Omar nunca fala. A equipe se despede dele, mais uma vez, e voltará para vê-lo, ainda, sempre.

    No carro, Hermann o discreto diz: "Ele não tem nada na mente, nada". E ele acrescenta, com o seu belo sotaque alemão: "É difícil para nós também. A gente traz apenas uma gota de água no oceano, e nem mesmo uma gota".

    Uma gota de água na secura do mundo.

    Visite o site do Le Monde

     

    3. CiNCO METODOS au banc d'essai
    Ursula Gauthier et Véronique Radier

    Nouvel Observateur


    Qui guérit quoi ?

    Distúrbios obsessivos, traumatismos, instabilidade emocional, émotionnelle... Gros plan sobre as psicoterapias mais eficientes.

    Publicámos em tres números da POLBr, traduções de artigos de Ursula Gauthier et Véronique Radier, publicados na revista « Le Nouvel Observateur ».

    Os artigos traduzidos e publicados até agora foram : Confusão entre os psys, A psicanálise para aliviar as neuroses, e A hipnose ericksoniana.

    Hoje, propomos a tradução do artigo : Les thérapies comportementales pour apprendre à guérir

    EHC


    3. AS TERAPIAS COMPORTAMENTAIS PARA APRENDER A CURAR
    Tradução : Eliezer de Hollanda Cordeiro

    Elas começaram a tratar os distúrbios obsessivos e compulsivos (TOC) e a ansiedade, com resultados espetaculares (80% de melhora duradoura entre 10 e 20 sessões). Elas mostraram sua eficiência no tratamento do autismo e de estados psicóticos. Suas indicações estenderam-se ao tratamento das depressões. Elas invadem agora o domínio dos distúrbios da personalidade, muito tempo reservado à psicanálise... Depois seu aparecimento nos anos de 1950, as TCC desenvolveram-se de maneira extraordinária, tanto no domínio dos conhecimentos como das técnicas. A partir de uma visão comportamentalista muito redutora, rejeitando toda teoria do psiquismo e apoiando-de no modelo do condicionamento pavloviano, as TCC tornaram-se mais complexas ao integrar as teorias da aprendizagem e em seguida a corrente cognitivista. De vinte anos para cá, elas integraram os resultados das neurociências, e agora a dimensão emocional.

    O outro ponto forte das TCC deve-se ao estilo pedagógico da terapia. Não basta « dessensibilisar » o paciente que sofre de ataques de pânico, confrontando-o de maneira progressiva ao elemento desencadeador. E preciso que no fim da terapia, ele tenha adquirido uma nova competência que lhe permita enfrentar o pânico quando ele surgir novamente. « Quando a ansiedade persiste durante mais de seis meses, ela inscreve-se de maneira duradoura na memória procedural, explica o psiquiatra Charly Cungi (1) : Não é possivel « desaprender a ansiedade, pode-se entretanto aprender a continuar calmo.»

    A terapia é concebida como um trabalho em equipe: o paciente é convidado a preencher questionários, fichas de avaliação ao longo do tratamento. Graças a esta fina auto-avaliação, ele deixa de ser a vítima impotente de seu problema e torna-se o especialista : descobre o que desencadeia o problema, reforça esta descoberta ou a enfraquece.Antes de tudo diretivo, o terapeuta utilisa os jogos de cena , exercícios de relaxação, prescreve tarefas a realisar entre as sessões e não hesita em acompanhar um paciente claustrofóbico num elevador, ou um gande tímido num lugar público.Do ponto de vista cognitivo, ele ajuda o paciente a identifcar os pensamentos automáticos, as crenças irracionais, as concepções ultrapassadas, enfim, a teoria inconsciente e inadaptada que envenena sua relação ao mundo e solapa sua confiança em si próprio. « Quando os distúrbios não são demasiadamente invalidantes, todos estes métodos podem mesmo ser aplicados como autoterapia, precisa o doutor Cungi.
    (1) « Saber afirmar-se em todas as circunstâncias » e « Enfrentar as dependências», Retz.

    Où s'adresser
    Association française de Thérapie comportementale et cognitive (
    www.aftcc.org ). Et www.afforthecc.org

    4. LIVROS RECENTES  

    Seleção feita a partir da  « LETTRE DE PSYCHIATRIE FRANÇAISE »  

    *Introduction à une sociologie critique : lire Pierre BOURDIEU

    Alain ACCARDO, Agne Éditeur, 10 euros

    *Leçons clermentoises

    Henri BERGSON, L’Harmattan, 26 euros

    *Essai de psychologie (1755)

    Charles BONNET, L’Harmattan, 30euros

    *François DAGOGNET, médecin et philosophe

    Gérard CHAZAL et Christian SALOMON, L’Harmattan, 25 euros

    *Psychanalyse, dermatologie, prothèses : d’une peau à l’autre

    Sylvie CONSOLI, Silla CONSOLI, PUF, 19 euros

    *Sémiotique et philosophie du langage

    Umberto ECO, PUF, 14 euros

    *L’autisme infantile

    Pierre FERRARI , PUF, 8 euros

    *L’être-bebé : les questions du bebé à la théorie de l’attachement, à la psychanalyse, à la phénoménologie

    Bernard GOLSE, PUF, 30 euros

    *Constructivisme et psychanalyse : débat entre Mikkel Borch-Jacobsen et Georges Fischmann, animé par

    Bernard GRANGER, Le Cavalier Bleu, 10 euros

    *Associations (presque) libres d’un psychanalyste

    André GREEN,(Entretiens avec Maurice CORCOS)

    Coll. Itinéraires du Savoir, Abin >Michel, 22,50 euros

    *Clinique du travail

    Dominique LHUILLIER, Erès, 13 euros

    *La pensée naufragée : clinique psychopathologiqaue des patients cérébro-lésész

    Hélène OPPENHEIM-GLUCKMAN, Economia, 25 euros

    *La dépression, une traversée spirituelle

    Yves PRIGENT, Stan ROUGIER, Desclée de Brouwer, 15 euros  

    5.REVISTAS

    *Abstrac psychiatrie : www.impact-medecin.fr

    *La revue française de psychiatrie et de psychologie medicale : www.mfgroupe.com

    *L’encephale:www.encephale.org

    *Les actualités en psychiatrie: www.vivactis-media.com

    *Neuropsy : www.neuropsy.fr

    *Nervure : rédaction: Hôpital Sainte-Anne, 1 rue cabanis, 75014 paris. Téléphone: 01 45 65 83 09 fax. 01 45 65 87 40

    *Neuronale (revista de neurologia do comportamento) [email protected]

    *PSN :(psychiatrie, sciences humaines, neurosciences) : rue de la convention, 75015 paris. Fax : 0156566566

    *Psychiatrie française : [email protected]

    *Psydoc-broca.inserm.fr/cybersessions/cyber.html

    *Synapse : [email protected]

    *Evolution psychiatrique

    6. ASSOCIAÇÕES

    *Association française pour l’approche integrative et eclectique en psychotherapie (afiep)

    *Association française de psychiatrie et psychologie legales (afpp)

    *Association française de musicotherapie (afm)

    *Association art et therapie

    *Association française de therapie comportementale et cognitive (aftcc)

    *Association francophone de formation et de recherche en therapie comportementale et Cognitive (afforthecc)

    *Association de langue française pour l’etude du stress et du trauma (alfest)

    *Association de formation et de recherche des cellules d’urgence medico-psychologique (aforcump)

    *Association nationale des hospitaliers pharmaciens et psychiatres (anhpp)

    *Association scientifique des psychiatres de secteur (asps)

    *Association commission des hospitalisations psychiatriques france (cdhp france)

    *Association promotion defense de la psychiatrie a l’hopital general (psyge)

    *Association karl popper

    *Association pour la fondation Henri Ey

    *Association internationale d’ethno-psychanalyse (aiep)

    *Collectif de recherche analytique (cora)

    *Ecole parisienne de gestalt

    *Ecole française de sexologie

    *Ecole de la cause freudienne www.causefreudienne.org

    *Groupement d’études et de prevention du suicide (geps)

    *Groupe de recherches sur l’autisme et le polyhandicap (grap)

    *Groupe de recherches pour l’application des concepts psychanalytiques a la psychose (grapp)

    *Regroupement national en psychiatrie publique (renepp)

    *Société française de gérontologie

    *Société française de thérapie familiale (sftf)

    Société francophone de medecine psychosoma

    *Société française de psychopathologie de l’expression et d’art-therapie(sfpe)

    *Société française de recherche sur le sommeil (sfrs)

    *Société française de relaxation psychotherapique (sfrp)

    *Société française de sexologie clinique (sfsc)

    *Société française de psycho-oncologie/association psychologie et cancers

    *Société d’addictologie francophone

    *Société ericksonienne

    *Société de psychologie medicale et de psychiatrie de liaison de langue française

    *Société médicale Balint

    *Union nationale des associations de formation médicale continue (unaformec)

    *Union nationale des amis et familles de malades mentaux (unafam)

    *Association Psychanalytique de France (apf)

    *Société Psychanalytique de Paris (spp)

    *Ecole Freudienne de Paris

    *Mediagora:http://perso.wanadoo.fr/christine.couderc/

    *Agoraphobie.com:http://www.agoraphobie.com/

    *Sitesfrancophones:http://www.churouen.fr/ssf/pathol/etatanxiete.html

    *Distúrbios do humor (afetivos) :    www.depression.ch

    *Estados limites em psiquiatria: tratamento (d. Marcelli): suicidio escuta - 24/24 http://suicide.ecoute.free.fr

    *Informações sobre o suicidio e as situações de crise:       http://www.suicideinfo.org/french

    *Centro de prevenção do suicidio: http://www.preventionsuicide.be

    *Associação  alta ao  suicidio:     http://www.stopsuicide.ch

    *Suicídio : http://www.chu-rouen.fr/ssf/anthrop/suicide.html

    *Drogas :    http://www.drogues.gouv.fr/fr/index.html

    *S.o.s. Réseaux :   http://www.sosreseaux.com/

    *Ireb – Instituto de pesquisas cientificas sobre às bebidas: http://www.ireb.com/  

    *Addica : addictions precarité Champagne Ardenne : http://www.addica.org/

    *Internet addiction : conceito de dependência à internete:    http://www.psyweb.net/addiction.htm

    *Estupefiantes e conduta automobilistica; as proposições  da sfta: http://www.sfta.org/commissions/
    *stupefiantsetconduite.htm

     Coordination (coordenador): Eliezer de HOLLANDA CORDEIRO

     

     



    TOP