Volume 22 - Novembro de 2017
Editor: Giovanni Torello

 

Agosto de 2006 - Vol.11 - Nº 8

France - Brasil- Psy

Docteur Eliezer DE HOLLANDA CORDEIRO

SOMMAIRE (SUMÁRIO):

 

  • 1. Sandor FERENCZI, L’ENFANT TERRIBLE DE LA PSYCHANALYSE (Primeira parte)
    Eliezer de Hollanda Cordeiro
  • 2. A PSICANÁLISE PARA ALIVIAR AS NEUROSES
    Ursula GAUTHIER et Véronique RADIER LE NOUVEL OBSERVATEUR, numéro 2155
    Tradução : Eliezer de Hollanda Cordeiro
  • 3. IN MEMORIAM DE LEOPOLDO HUGO FROTA
    Eliezer de Hollanda Cordeiro
  • 4. LIVROS RECENTES
  • 5. REVISTAS
  • 6. ASSOCIAÇÕES
  • Quem somos (qui sommes-nous?)                                  

    France-Brasil-PSY é o novo espaço virtual de "psychiatry on  line"oferto aos  profissionais do setor da saúde mental de expressão  lusófona e portuguesa.Assim, os leitores poderão doravante nela encontrar traduções e artigos em francês e em português abrangendo a psiquiatria, a psicologia e a psicanálise. Sem esquecer as rubricas habituais : reuniões e colóquios, livros recentes, lista de revistas e de associações, seleção de sites.

    Qui sommes- nous ?

    France-Brasil-PSY est le nouvel espace virtuel de "psychiatry on line"offert aux professionnels du secteur de la santé mentale d’expression lusophone et française. Ainsi, les lecteurs pourront désormais y trouver des traductions et des articles en français et en portugais  concernant la psychiatrie, la psychologie et la psychanalyse. Sans oublier les rubriques habituelles : réunions et colloques, livres récentes, liste de revues et d’associations, sélection  de sites.

    1. Sandor FERENCZI, « L’enfant terrible de la psychanalyse ».

    L’enfant : o filho, o menino, o descendente, o discípulo, o partidário. Em muitas cartas, Freud chamava Ferenczi, « meu filho », também sonhava vê-lo casado com a filha Mathilde, o que não ocorreu. Ferenczi (1873-1933) era o oitavo filho de uma família de 12 irmãos e irmãs, tinha 15 anos quando morreu-lhe o pai, dono de uma livraria. Os doze filhos e filhas, e a necessidade de substituir o marido na livraria, explicam porque a mãe de Ferenczi não tivesse tido bastante tempo para tomar conta da numerosa prole. Aliás, segundo André Haynal,(3) Ferenczi foi o filho preferido do pai, donde as conclusões de certos analistas que percebiam nesses dados históricos, algumas das causas da insaciável busca de amor do psicanalista húngaro, um eterno insatisfeito, que procurou encontrar em Freud, o substituto paterno. 

    André Haynal (1), em sua introdução à longa correspondêncoa entre Freud e Ferenczi, fornece inúmeros dados biográficos : ele entrou na Faculdade de medicina de Viena aos 17 anos, formou-se em 1897 e instalou-se como médico em Budapeste. Desde 1900, começou a trabalhar como neurologista e psiquiatra, frequentou grupos de intelectuais húngaros de renome e começou a escrever artigos para a revista « Arte de Curar » !

    Teria vindo daí seu enorme interesse pelos aspectos terapêuticos da psicanálise ?

    Terrible : terrivel, extraordinário, estranho, genial, imprevisivel, FERENCZI foi tudo isso ao mesmo tempo.Analista, ele suscitou nos meios psicanalíticos uma sorte de medo, de apreensão, não somente por causa de sua personalidade, mas também pela originalidade de sua obra. Michael BALINT o seu discipulo mais famoso, destacou os acontecimentos da vida de FERENCZI, procurando entender uma produção científica em sintonia com a evolução interna do grande analista. E ele ajuntou que tratava-se de um homem cordial e caloroso, que sabia retribuir todos os sentimentos com generosidade (2).

    Personalidade muito complexa, Ferenczi descreveu-se como sendo um espírito inquieto. De qualquer maneira, sua trajetória psicanalítica foi complexa,  à imagem do homem brilhante, sensivel, caloroso, que privilegiava abordar assuntos negligenciados e inéditos. Foi sem dúvida a razão pela qual, após a redescoberta de sua obra, percebeu-se pouco a pouco nas conclusões teóricas que ele tirou, sua enorme influência na psiquiatria, na psicanálise e nas psicoterapias hoje praticadas. Judith DUPONT (3), em sua introdução ao Journal Clinique, notou que FERENCI « colocou em paralelo a criança traumatisada pela hipocrisia dos adultos, o doente mental traumatisado pela hipocrisia da sociedade, e o paciente, cujos antigos traumatismos são revividos e redobrados pela hipocrisia profissional e a rigidez técnica do analista ». Assim, até mesmo antipsiquiatras reivindicam idéias de Ferenczi !

    Tivemos a ocasião de abordar em FRANÇA-PSI-BRASIL de Maio 2OO6 (4) a influência de FERENCZI nas PIP (Psicoterapias de inspiração psicanalítica) atuais. Escrevemos : Pouco a pouco, as características das psicoterapias breves praticadas pelos primeiros analistas desapareceram após 1914, e, desde 1920, um pessimismo considerável surgiu a propósito da duração da psicanálise e da baixa de sua eficiência terapêutica, constatadas por vários colaboradores de Freud, que tentaram reagir a esta tendência.
    Foi o caso de Sandor FERENCZI em seu artigo : «Dificuldades técnicas de uma análise de histeria »( Oeuvres complètes, tome III, 1919), onde ele diz que teve de fixar um termo à análise, que cessara de progredir, esperando assim fornecer à paciente, um motivo suficiente para trabalhar.Ele ajuntou, com a sua habitual franqueza e honestidade, que mesmo assim a paciente continuou com a sua inatividade habitual, as sessões sendo marcadas pelos vãos esforços de Ferenczi para mostrar o caráter transferencial das declarações de amor da paciente. Ele findou interrompendo o tratamento.

    Daí por diante, Sandor FERENCZI começou a escrever artigos onde ele desenvolvia as noções de técnica ativa, de elasticidade da cura, de análise mútua, preconizando também uma atitude do analista que poderíamos qualificar de maternal.Entre os artigos de Ferenczi que tratam dessas questões, destacamos: « Prolongamentos das técnicas ativas em psicanálise » (Œuvres complètes,1921, tome 3), « Fantasmas provocados », 1924 (Œuvres complètes, Tome 3), « Psicanálise dos hábitos sexuais », 1925, ( Œuvres complètes, Tome 3), «Contra-indicações da técnica ativa em psicanálise », 1926, (Œuvres complètes, Tome 3).

    Psychanalyse : considerado o discípulo mais importante de Freud, ele foi para muitos o autor de uma obra cativante e enriquecedora; para outros, entretanto, seus escritos suscitaram e suscitam ainda uma sorte de desconfiança, de repugnância, de mal-estar. Mas o fato é que Ferenczi não deixa ninguém indiferente, notadamente por causa da riqueza dos conceitos, idéias, teorias e inovações técnicas de sua obra, que inspiraram e continuam inspirando grandes nomes da psicanálise.

    Assim, Pierre SABOURIN, em « Pardon mutuel, succès final» (5), cita a passagem de um artigo de Johannes CREMERIUS, onde pode ser lida uma lista dos autores que procuraram em Ferenczi, matéria para a construção de seus próprios trabalhos. Esses autores, ajunta Cremerius, têm em comum haverem extraído idéias de Ferenczi mas sem citar o nome dele. Cremerius cita, entre outros, os nomes de Winnicott Mahler, Little, Masud Khan, Spitz, Nacht, Kohut, Searles, Sullivan, Fromm-Reichmann, Rosen, Moreno, Fairbairn e Gunthrip ! Pierre SABOURIN diz, contudo, que a lista em questão comporta erros, pois Natch e Lacan citaram com precisão os últimos trabalhos de Ferenczi.

    Se ainda tivéssemos dúvidas sobre a importância da obra de Sandor FERENCZI, os propósitos de Sigmund Freud em « Contribuição à história do movimento psicanalítico » nos faria mudar de idéia : « A Hungria […] só forneceu à psicanálise até agora um único colaborador: mas este colaborador se chama S. Ferenczi e vale sozinho ume sociedade inteira ».

    O mesmo Freud, quando da morte de Ferenczi em 1933, escreveu « que alguns artigos de Ferenczi fizeram de todos os analistas, seus alunos ». E aos propósitos de Freud, ajuntemos os de André GREEN, citados por André HAYNAL (1) :« Sabemos que Ferenczi produziu de 1928 a 1932, uma série de trabalhos sobre certos temas que fizeram dele o pai da psicanálise moderna ».

    O ENCONTRO FREUD –FERENCZI

    Sigmund Freud viveu num « esplêndido isolamento », segundo seus próprios termos, até 1902, quando foi criada a « Sociedade Psicológica das Quarta-feiras », da qual faziam parte : Wilhelm Stekel, Ludwig Jekels, Paul Federn, Alfred Adler, Eduard Hitschmann, Hans Sachs e Otto Rank, este último eleito secretário da sociedade.

    Assim, quando em 18 de janeiro de 1908, Ferenczi escreveu a Freud pedindo-lhe um encontro (6), o movimento psicanalítico já contava em seu seio vários adeptos. Ao ser recebido por Freud, quinze dias depois, aos 34 anos de idade, Ferenczi já tinha uma grande experiência clínica e terapêutica, praticando inclusive a hipnose. Ele havia lido « A Interpretação dos sonhos » e entrara em contacto com Jung em 1907, na famosa clínica de Burghölzli, em Zurique, onde estudou o método das associações de palavras de Jung. Foi este, e um amigo de Ferenczi, Fülop Stein, que serviram de intermediário entre Freud e Ferenczi (1).

    O Professor ficou muito impressionado com o visitante, um homem inteligente, dotado de uma grande cultura, poliglota. A partir deste encontro, Ferenczi começou uma fulgurante ascensão no movimento psicanalítico internacional : menos de tres meses depois, ele fez uma conferência intitulada « Psicanálise e Pedagogia », no Congresso Internacional de Psicanálise, em Salzbourg (7); algumas semanas mais tarde, foi recebido em Berchtesgaden, onde a família Freud devia passar suas férias de verão, sendo o único a ter tamanha intimidade com o Mestre ; em 1909, acompanhou Freud e Jung aos Estados Unidos, onde o Professor pronunciou suas famosas « Cinco conferências sobre a psicanálise ». Em seguida, viajou inúmeras vezes com Freud, discutindo sobre questões científicas, numa sorte de estimulação intelectual recíproca, que se traduziria nos livros de Freud e artigos de Ferenczi publicados neste período.Aliás, os dois se referem muitas vezes aos temas que abordaram, e não deixam de tecer agradecimentos recíprocos por tal ou tal idéia. Ferenczi, em particular, nunca deixou de exprimir a Freud sua gratidão pelos estímulos recebidos (2).

    Notemos ainda os aspectos psicológicos que desempenharam um papel enorme em suas futuras relações: desde o início, Freud imaginou que Ferenczi poderia tornar-se seu genro, casando-se com Mathilde. A intimidade entre os dois levou Freud a tratar Ferenczi de « Caro Amigo » ou mesmo « Caro Filho» em suas cartas, o que nunca fez com os outros discípulos… Havia também um ambiente de grande rivalidade entre os principais pioneiros da psicanálise, como podemos ler nas correspondências de Freud e Ferenczi, de Freud e Abraham, de Freud e o Pastor Pfister, etc.

    Podemos perceber também, na correspondência entre Freud e Ferenczi (6), a profunda amizade que iria unir os dois homens até o fim da Primeira Guerra Mundial. Freud descreveu essa amizade como « uma  comunidade de vida, de pensamentos e de interesses », um poderoso estimulante intelectual para os dois autores. Foi assim que muitas concepções e idéias de Ferenczi sobre a homosexualidade, a paranoia, a filogênese, o traumatismo, a transferência, a contra-transferência, o desenvolvimento do ego, a técnica psicanalítica, e mesmo a parapsicologia aparecerão na obra de Freud, após um certo tempo de elaboração (1).

    Em 1910, Ferenczi apresentou no Segundo Congresso de Psicanálise, realizado em Nuremberg, uma conferência intitulada : « História do movimento psicanalítico », onde ele propôs, em nome de Freud, a criação de uma sociedade que reunisse « todos os que praticassem a psicanálise de maneira científica ».Assim nasceu a IPA. Nesta brilhante conferência, ele fez uma análise lúcida e argumentada do movimento psicanalítico, mostrando-se até mesmo premonitório: « O perigo que ameaça a psicanálise, de uma certa maneira, é que ela se torne moda e que o número dos que se dizem analistas sem o serem aumente muito rápido (8)»!

    A fulgurante ascensão de Ferenczi fez dele, em apenas quatro ans, a segunda personalidade mais importante da psicanálise.

    Duas outras datas merecem ser ainda mencionadas: em 1913, Ferenczi foi escolhido para refutar as idéias de JUNG, em conflito aberto com Freud, o que ele fez no artigo: Critique de « Métamorphoses et symboles de la libido » (9). E em 1914, no início da Primeira Guerra Mundial, ele começou uma análise com Freud.

    Contudo, se ele foi considerado como um fiel discípulo da ortodoxia freudiana até o fim da Primeira Guerra Mundial, uma leitura bem cuidadosa de certos artigos mostram que, muito cedo, Ferenczi começou a modificar e ajuntar comentários aos textos freudianos. E, a partir do fim da Primeira guerra, ele ousou afirmar-se com relação a Freud, distanciando-se do Mestre em vários pontos teóricos e técnicos de capital importância para a prática psicanalítica, prenúncio de uma disssidência que cresceria a partir de 1925.

    No grupo dos pioneiros, Ferenczi foi aquele a quem eram enviados os casos mais difíceis, pacientes pré-psicóticos e estados-limites, adquirindo experiências que o conduziram a modificar aspectos da técnica psicanalítica clássica.

    Quase todos os artigos escritos por Sandor Ferenczi entre 1908 e 1912(que constituem o primeiro tomo da tradução francesa das Œuvres complètes) foram teóricos e clínicos, notou Balint (2). Entre os artigos mais importantes datando deste período inicial, destaquemos : « Transferência e introjeção », « História do movimento psicanalítico », « Pedagogia e psicanálise », « O conceito de introjeção », « As neuroses e a psicanálise, à luz do ensino de Freud », « História do movimento psicanalítico », etc.

    UMA OBRA RESISTENTE ÀS TRADUCÕES…

    Os tradutores franceses encontraram dificuldades importantes, específicas e gerais, durante a tradução da correspondência entre Ferenczi e Freud, uma correspondência abundante, composta de quase 1300 cartas trocadas entre 1908 e 1933.

    « Existe algo na obra de Ferenczi que suscita ao mesmo tempo entusiasmo e exasperação », escreveu Judith DUPONT (3), importante tradutora dos dois autores. « Além das resistências naturais à psicanálise, vindas até mesmo dos próprios psicanalistas », Judith Dupont e o grupo de tradutores do Coq Héron, (10) evocam outras causas que impediram, durante muito tempo, a realização da tradução francesa das « Œuvres complètes » de Ferenczi, (em quatro volumes), do seu « Journal Clinique », (um volume), e da sua « Correspondance » com Freud, (tres volumes). As dificuldades foram psicológicas e técnicas.

    Ferenczi era« alguém que não aceitava limites nem constrangimentos, que se interessava a muitas coisas ao mesmo tempo, que se mostrava prestes a todas as experiências e parecia movido por um otimismo desesperado (3) ».

    Entre as dificuldades específicas que retardaram as traduções dos trabalhos de Ferenczi: « ele era Húngaro, o alemão era a sua segunda língua, falava também francês e inglês, e utilisava expressões latinas. E, como Freud, utilisava ainda palavras yiddish » (3), a língua germânica das comunidades judias da Europa central e oriental (…) » Seu estilo era menos polido do que o de Freud, a escolha das palavras era mais espontânea, até mesmo impulsiva. E (…) a relação de « filho » intimidado diante de um « pai » de grande prestígio embaraçava o frasear de Ferenczi, tornando- o muitas vezes hesitante, alambicado, de vez em quando incorreto do ponto de vista gramatical, cheio de digressões, explicitações e desculpas que aumentavam a confusão e as dificuldades dos tradutores» (3).

    Assim, o primeiro volume das obras completas de Ferenczi foi traduzido e publicado em francês, trinta anos após a morte do autor.

    Notemos agora o seguinte argumento, indispensável para justificar este artigo: após haver sido ignorado durante muito tempo, tudo mudou depois que os trabalhos de Ferenczi foram traduzidos em inglês e francês : ele tornou-se então conhecido e reconhecido nos meios psicanalíticos internacionais.

    No Brasil, Ferenczi permanece um ilustre desconhecido, quase nunca citado pelos psicanalistas, e sua Obra completa acaba somente de ser publicada em português, pela editora Martins Fontes. Mas, salvo engano, nem o « Journal Clinique », nem sua « Correspondance » com Freud foram traduzidos, apesar da extraordináría riqueza em idéias originais e conceitos psicanalíticos inovadores desses documentos históricos. Ora, não se pode compreender realmente a trajetória científica de Ferenczi sem fazermos uma leitura paralela de sua Obra Completa, de sua Correspondência com Freud e do Jornal Clínico.

    A IMPOSSIVEL ANÁLISE DE FERENCZI COM FREUD

    Ou História de uma análise entrecortada

    A correspondência entre Freud e Ferenczi já havia atingido o incrivel ritmo de quase uma carta por dia !!A tal ponto que, em 1911, por exemplo, Ferenczi escreveu a Freud : « É peciso substituirmos de tempos em tempos nossa relação epistolar por uma relação pessoal, senão perderemos facilmente o contacto com a realidade e deixaremos de corresponder com uma pessoa realmente vivente para correspondermos com alguém que nós arranjamos em nossa imaginação, segundo o nosso bom prazer ».

    Por sua vez, Freud, em carta enviada a Ferenczi, datada de 2/10/1910, evoca a viagem que os dois fizeram à Itália. Nesta carta, Freud disse « haver se comportado durante a viagem como um Senhor de uma certa idade, banal, e que Ferenczi, [surpreso com o que ocorreu], deveria ter medido a distância que separa a realidade da idealização fantasmática » (6). Freud ajuntou que ficaria muito contente, se Ferenczi deixasse o seu papel infantil e se colocasse no mesmo plano que ele, como um companheiro. Do ponto de vista prático, eu desejei que o senhor realizasse a tarefa que lhe incubia, a orientação no tempo e no espaço, de uma maneira mais digna de confiança. Porém o senhor mostrou-se inibido e perdido em seus sonhos. Isto é tudo o que eu quis dizer sobre os meus esforços educativos » (6).

    Esforços educativos, escreveu Freud.Parece-nos claro que a relação entre Freud e Ferecnzi já comportava todos os ingredientes para desencadear um conflito entre os dois homens, como veremos ulteriormente. Neste ponto, considero que a opinião de Balint, segundo a qual « A amizade entre os dois homens não comportou nenhum problema, a confiança entre eles sendo total, até o fim da Primeira Guerra Mundial »não leva em conta os múltiplos incidentes reveladores das relações ambivalentes entre os dois homens, como no exemplo que acabámos de citar.

    A análise de FERENCZI, entre 1914 e 1916, foi entrecortada, « discontinue », como a que ele inventou, anos mais tarde, ao adaptar a técnica analítica ortodoxa aos imperativos reais de tempo, de espaço e também financeiro que limitavam o engajamento contínuo de certos pacientes.

    (Fim da primeira parte).

    Eliezer de Hollanda Cordeiro

    1) André HAYNAL : Introdução à edição francesa de: « Sigmund FREUD-Sándor FERENCZI, Correspondance : 1908-1914 »,tradução do alemão pelo grupo de tradução do Coq-Héron,Calmann-Lévy, Paris, 1992.

    2) Michaël Balint: Prefácio à edição francesa de « Psychanalyse I, Œuvres complètes de Sandor Ferenczi »,Tome I, 1908-1912, tradução feita por J. DUPONT e PH. GARNIER, Payot, Paris, 1968.

    3) Judith DUPONT: Nota dos Tradutores, « Œuvres complètes de Sandor Ferenczi, Tomo I: 1908-1912 », Tradução francesa feita por J. DUPONT e PH. GARNIER, Payot, Paris, 1968.

    4) Eliezer de Hollanda Cordeiro:"PSICANÁLISE E PSICOTERAPIAS BREVES", em France-Brasil-Psi, POLBr, Abril, 2006.

    5) Pierre SABOURIN: Pardon Mutuel, Succès final », post-face do livro de Sandor FERENCZI, "Journal Clinique", tradução francesa realizada pela equipe du Coq Héron, Payot, Paris, 1985

    6) Sigmund FREUD-Sándor FERENCZI, « Correspondance : 1908-1914 », tradução do alemão pelo grupo de tradução do Coq-Héron,Calmann-Lévy, Paris, 1992.

    6) Sandor FERENCZI : « De l’histoire du mouvement psychanalytque », em « Psychanalyse I, Œuvres complètes », Tome I, 1908-1912, tradução francesa : J. DUPONT e PH. GARNIER, Payot, Paris, 1968.

    7) Sandor FERENCZI, « Psychanalyse et pédagogie », em « Œuvres complètes, Tomo I: 1908-1912 », Tradução francesa : J. DUPONT e PH. GARNIER, Payot, Paris, 1968.

    8) Sandor FERENCZI, « De L’histoire du mouvement psychanalytique », em « Œuvres complètes, Tomo I: 1908-1912 », Tradução francesa J. DUPONT e PH. GARNIER, Payot, Paris, 1968.

    9)Sandor FERENCZI : Critique de « Métamorphose et Symbole de la Libido"de Jung, em Psychanalyse II, Obras completas, tradução francesa : J. DUPONT e M. VILIKER, Payot, Paris, 1970.

    10) O Grupo do « Coq Héron » era composto pelos tradutores : Suzane Achache-Wiznitzer, Judith Dupont, Suzanne Hommel, Chistine Knoll-Froissart, Pierre Sabourin, Françoise Samson, Pierre Thèves, Bernard This.

    2. A PSICANÁLISE PARA ALIVIAR AS NEUROSES
    Ursula GAUTHIER

    Apresentação  e tradução : E. de Hollanda Cordeiro

    No momento em que a eficiência terapêutica da psicanálise está sendo questionada  na França, especialmente pelos defensores das TCC, força é de constatar a progressão espetacular das terapias breves e a aparente perda de prestígio concomitante da psicanálise clássica. O « Nouvel Observateur », por exemplo, publicou vários artigos sobre a questão, entre eles « Como escolher o bom psi », que traduzimos e apresentámos em FRANCE-BRASIL-PSY de MARÇO 2006.

    A autora desta reportagem, Ursula Gauthier, jornalista da revista Le Nouvel Observateur, relacionou cinco métodos terapêuticos e examinou-os de maneira clara e sucinta, de tal modo que o leitor pudesse ter uma idéia das particularidades dos métodos apresentados, de suas indicações e mecanismos de ação, da eficiência de cada um e, naturalmente, da duração dos tratamentos.

    Na edição deste mês, apresentamos a tradução do primeiro método apresentado pela autora : La psychanalyse pour soulager les névroses (A psicanálise para aliviar as neuroses).

    (E.H.C.)

    « Entre a cidadela freudiana e a complicação das psicoterapias, o abismo não é intransponivel. O próprio Freud evocou desde 1918 a possibilidade de «misturar-se o ouro da psicanálise e o cobre da sugestão». Hoje, a cura tipo, cujo modelo é caracterisado pelo divã, o silêncio do analista e tres sessões por semana, curva-se diante das PIP (Psicoterapias de Inspiração Psicanalítca), mais curtas (as vezes menos de um ano) e escolhidas pelos dois terços dos analisados.Face a face, psi e paciente podem estabelecer uma relação mais empática, denominada « aliança terapêutica ».A dosagem ouro-cobre varia de maneira considerável, indo de uma quase-psicanálise em face a face até uma relação tão emocional como a que se produz nas terapias humanistas.

    Foi a primeira versão que Paula escolheu, ao começar uma terapia por causa de um problema de peso. Durante os seus seis anos de PIP, o mutismo da psi (que a paciente apelidou« a Esfinge») deu-lhe a impressão de «morar no túmulo dela ». Em nenhum momento a questão do peso foi abordada, e Paula deixou muito rápido até mesmo de pensar nisso. Anos depois, ela julga entretanto a experiência enriquecedora: « Aprendi a fazer conexões entre diferentes elementos de minha história para esclarecer o meu presente, o que tornou a minha vida mais aliviada. » E a batalha contra os kilos ? « Nenhuma mudança, respondeu sem acrimônia. Mas compreendi há pouco tempo que meu verdadeiro problema é a recusa da feminidade. Deixei de ver a « Esfinge » mas a terapia continua a se construir na minha cabeça... »

    J.-D. Nasio (1) é um célebre psicanalista que só pratica a forma nobre da psicanálise clássica. Sem praticar a PIP, ele a conhece bem, por intermédio do trabalho de supervisão de jovens analistas.Estes praticam a PIP para desvendar conflitos específicos que atinge uma família, um casal, ou para tratar distúrbios bem precisos como os TOC. A psicanálise clássica dirige-se à personalidade total, visando comprender o sentido de um mal-ser insuportável. «Mas a verdadeira diferença consiste no meio empregado: as PIP servem-se da empatia para levar o paciente a evocar suas vivências e a aceitar um trabalho de reelaboração; nós, psicanalistas, vamos mais longe porque queremos atar uma relação transferencial, forte do ponto de vista emocional e muitas vezes regressiva, com o paciente. É o que denominamos « favorecer uma neurose de transferância ». Combatemos o mal com o mal.A transferência é uma doença que suscitamos (mas controlada), porque é preciso que o paciente liberte a criança que se agita no seu inconsciente, não o adulto racional, nem mesmo o homem que sofre. » Um exercício muito acrobático que o analista efetua mobilisando o seu próprio inconsciente, o que lhe permite perceber o « fantasma infantil do analisado » e levá-lo a exprimí-lo em palavras ».

    Fiel au credo universal do freudismo, Nasio afirma que a cura clássica é a única capaz de suprimir de maneira duradoura os sintomas, porque ela é a única a favorecer uma mudança profunda da personalidade. Seus alunos, ao contrário, pensam que a cura pode ocorrer mesmo sem uma mudança semelhante- adotando sobre este ponto a convicção dos psicoterapeutas de todas as escolas. Apesar dessas similitudes, Nasio não admite a confusão entre as PIP com o que ele chama, um bocadinho condescendente, « as tecnoterapias ». Para ele, a escuta analítica é a única capaz de mobilisar os conflitos inconscientes do paciente, segundos os postulados da teoria freudiana, e resolvê-los graças à transferência. »


    3. IN MEMORIAM DE LEOPOLDO HUGO FROTA

    Eliezer de Hollanda Cordeiro

    « Ô Leo, boa sorte para o Frotinha. Se puxou ao pai não vai precisar » (Cláudio Duque)

    Precisava sim, amigo Cláudio, como aliás você também: os dois, prematuramente ceifados de nosso convívio, mas não de nossas memórias.

    Por que lembrar-nos dessa maneira, a fragilidade da vida ?

    TRÁGICA PREMONICÃO ? 

    Nota: Lepoldo responde a uma proposta que eu lhe fizera de traduzir um resumo do E book que ele acabara de lançar na internete.

    Ele não poude fazer o resumo, pelos motivos abaixo.Finalmente, fiz eu mesmo o resumo francês do e book, publicado na POLBr de Março 2005, e intitulado: Cinquant ans de médicaments antipsychotiques en psychiatrie.

    Caro amigo Eliezer:

    Honrado antes de tudo pelo convite! Tenho interesse sim. Acontece, apenas que, embora não tenha dado conhecimento à Lista para evitar comoção, enfrento uma situação pessoal/familiar um tanto atribulada por um acidente automobilístico(trilhas off-road com Land Rover em SP) que há cerca de 2 semanas, me fez perder de uma só vez 2 cunhados meus, além de ferir gravemente uma de minhas irmãs que ainda permanece em coma em unidade de tratamento intensivo. Um de seus filhos, agora órfão de pai, é meu afilhado. Isto tem me tomado muito o tempo e a atenção para quaiquers outras providências.

    Abs,

    Cousin Leo

    O BICICLETISTA

    Leopoldo sempre escrevia para a Lista, especialmente no fim da semana, antes ou depois de dar uma volta em bicicleta. Mas foi somente em junho 2005 que descobri o quanto ele era apaixonado por este esporte. Foi a famosa corrida, Le Tour de France, que me levou a conversar com ele sobre o assunto. Trocámos algumas mensagens sobre a famosa competição,, sobre o múltiplo vencedor do giro, Lance Amstrong, um americano , cuja história Leopoldo conhecia nos mínimos detalhes, através de livros biográficos.

    Em junho deste ano, o Tour de France foi realizado no mesmo período que a Copa do Mundo, assim teve menor repercussão. Mas, lembrei-me várias vezes de Leopoldo, que sem dúvida, acompanhou o Tour como sempre o fazia.

    Ironia do destino, trágica coincidência: morreu poucos dias depois do término da competição.

    ASPECTOS AUTO-BIOGRÁFICOS

     Caros Marcio, Walmor e demais:

    Na adolescência fui cativado pelo interesse na psicanálise, particularmente pelos sonhos e outras manifestações do inconsciente.  Li tudo que me caía em mãos e assim consegui dominar de forma autodidata a técnica da hipnose que passei a empregar em amigos, conhecidos e colegas do segundo grau que se interessavam em se submeter, tornando-me uma espécie de atração no Colégio e no bairro, onde costuma me apresentar, a pedido, nas festinhas de aniversário dos colegas, ajudando os colegas a parar de fumar entre outros objetivos.  Que perigo!!  Já tinha me decidido cedo pela Medicina e assim entrei na Faculdade já com a intenção da especialização em Psiquiatria. 

    Com vistas a firme decisão, já nos primeiros anos busquei Psicoterapia pessoal (Analítica, freqüentando simultaneamente o grupo de estudos da Dra. Nise da Silveira) e posteriormente Psicanálise com didatas da Sociedade Brasileira de Psicanálise e Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro, processo que me acompanhou por vários anos.  Ainda hoje minha atividade clínica privada é majoritamente psicoterápica, embora não exclusivamente quando assim, em meu julgamento técnico-profissional não couber.

     Sinto-me, portanto, em posição isenta para dizer a vocês, destemidamente, que acredito piamente nos avanços (fui testemunha viva ocular durante as primeiras décadas passadas em enfermarias, lidando com pacientes graves e agudos submetidos a aplicações de convulsoterapia cardiazólica, coma insulínico e outros tratamentos brutais e ouvindo relatos frescos de colegas mais velhos sobre as grosseiras lobotomias fronto-orbitais trans-oculares executadas por neurocirurgião e docente norte-americano nos anos 50 no IPUB!) representados pelos medicamentos em Psiquiatria (dimensão que talvez falte aos colegas mais jovens).  Não julgo, porém, que incorra em ingenuidade ou falta de perspicácia percebendo como percebo as influências nocivas que o poder do Capital da Indústria e do monopólio das patentes de medicamentos (o real problema), exerceria sobre nossa prática médica.

    Portanto, louvo a inauguração desta discussão em nossa Lista e apreciei muito a contribuição de vocês até aqui, embora julgue que não tenhamos chegado próximo a um consenso.  Particularmente agradeço ao Marcio compartilhar conosco trechos de sua discussão com os colegas norte-americanos, representantes da saudável reação à hegemonia da Indústria no maior mercado mundial de medicamentos.

    Estou sendo atacado de mutismo seguido de explosões de prolixidade como vêem.  Que coisa! J  mas tudo bem.  Deve estar vindo por aí a droga que minha atual condição passa a requerer.  J J

    Cheers,

    Leo.

     

    O TERAPEUTA

    Agora, Walmor & Portela:  Não posso deixar de reconhecer a simpatia que Rosen me inspira. Vejo sua autêntica, heróica e ousada cruzada como uma resposta melhor diante do drama humano da psicose, do que a tentação que todos temos de passarmos ao largo ou nos ocuparmos apenas das medidas terapêuticas incontrovertidas e objetivas a nosso dispor.  Tive alguns anos de experiência supervisionando uma equipe multidisciplinar de milieu therapy no recém criado Hospital Dia do IPUB.  Também baseamos o trabalho de nossa equipe num modelo interativo informal (no individualized time scheduled formal setting at all) em que os pacientes ficavam livres para interagir a qualquer tempo com qualquer dos terapeutas/monitores das oficinas e sob sua supervisão com demais pacientes.  Até mesmo as reuniões de supervisão eram feitas com as portas abertas (após a equipe/pacientes formalizarem compromisso de confidencialidade para dentro do serviço) e, eventualmente, como observávamos, o timing/mood prevalente fazia com que justamente o paciente em foco, sem necessidade de qq convocação, aparecesse no momento certo para maiores contribuições/esclarecimentos.  Desta marcante e inesquecível experiência me ficaram, além de muita saudade deste maravilhoso convívio/aprendizado humano para todos nós, pacientes e profissionais, além do orgulho e satisfação pela relevância de nosso trabalho, alguns ensinamentos:

    1) psicoterapia de psicóticos não é para qualquer um: exige, inevitavelmente, um mergulho profundo na enferma alma do outro durante o qual, surgindo compreensão, não se pode deixar de compartilhar, afetivamente, o notável sofrimento/drama humano destes pacientes o que freqüentemente leva a profundas mudanças na vida/personalidade do terapeuta e/ou dinâmica da equipe (chego a pensar que os pacientes se tornam incompreensíveis para nos poupar e às suas famílias, numa sabedoria da mãe Natureza... ).?   Lembro aqui as recomendações de Schneiderman para terapeutas que se ocupam de pacientes suicidas: devem estabelecer limites realistas em número máximo de contratos (!);

    2) como defende Eustáquio Portella Nunes o problema dos pacientes esquizofrênicos, freqüentemente, ao contrário do que se diz, não é de não serem capazes de estabelecer transferência, mas exatamente o contrário, isto é, a ela se dá de forma tão esmagadora e absorvente que não deixa espaço/tempo livre para o terapeuta (por isto adotávamos um modelo extra-setting e sem exclusividade de terapeuta, comparando nosso serviço com um buffet self-service em que o paciente ficava livre para servir-se do terapeuta-dish que julgasse mais apetitoso/nutridor face à sua necessidade de momento em sua trajetória para cura/reabilitação).  Sobretudo muita saudade destes tempos heróicos!

    Abs.

    Leo

    O DURO LABOR DO PSIQUIATRA

    Caro Eliezer:

    Creio que nossa profissão nos expõe a situações como estas e devemos estar o tempo todo atentos, especialmente com consulentes novos, desconhecidos.  Esta é uma das razões pelas quais solicito sempre a informação da procedência da indicação de meu nome.  Creio que pode funcionar como algum aval, embora não de forma absoluta.  Clientes que me chegam mencionando anúncios ou escolhas casuais me redobram a atenção até que me sinta suficientemente seguro com relação a sua boa fé e caráter.  

    Há muitos anos tive ocasião de atender uma paciente border-line substituindo eventualmente colega (amigo pessoal chegado e com quem muitas vezes contara em situações semelhantes) em viagem profissional à Europa.  Procurou-me dizendo-se sua paciente (era de fato) e apelando para que eu a atendesse.  Como a situação era grave (border-line com auto-mutilação e outros acting-outs, além de uma obscura sintomatologia supostamente psicótica), dispus-me a vê-la em seu domicílio.  Ao chegar constatei a gravidade de seu transtorno de caráter c/ tentativas de sedução/manipulação.

     Sem me comprometer com a continuidade de seu tratamento, fiz uma intervenção simples mas demorada de suporte na ocasião, mas aleguei impedimento e encaminhei-a para outro colega, após procurar maiores informações com colegas que permaneciam no Rio e que por sua história suspeitei que já consultara antes.  Todos foram unânimes.  Tratava-se de uma sociopata com comportamento histriônico que já peregrinara por todos os analistas renomados da cidade tendo envolvido um ilibado didata da sociedade num inquérito policial ao acusá-lo de não só induzi-la como de facilitar uma tentativa de suicídio prescrevendo psicotrópicos, o que fizera na verdade, emergencialmente após reiterada insistência da paciente c/ falseamento de sua história.  Foi a acusação que fez ao policial de plantão na emergência pública ao dar entrada ainda lúcida.  

    O colega penou para se livrar da situação.  Em outra ocasião, esta mesma paciente tentara o suicídio atirando-se de um andar alto sobre uma banca de jornal.  Com o impacto de seu corpo, o teto da banca afundou-se atingindo o pobre jornaleiro italiano que com o trauma raqui-medular ficou tetraplégico.  A paciente depois de "quicar" caiu por sobre um auto de passeio estacionado ao lado da banca, penetrando curiosamente pelo vidro traseiro sendo amparada pelo banco traseiro.  Resultado final para ela, apenas escoriações.  Esta já era a 10ª ou 20ª tentativa de suicídio, de uma série em que a maioria não fora grave.

    Por incrível que pareça, casos assim, por sua exuberância, me parecem mais fáceis de posicionar profissionalmente do que por exemplo, quadros paranóides de referência, insidiosos, em pacientes sensitivos com bom nível intelectual e poder de convencimento de familiares, amigos, autoridades, e que venham a se desenvolver/agraver no curso do tratamento ou mesmo -situação que se torna mais freqüente na atualidade-: simples má fé em graus variáveis de cumplicidade com os advogados inescrupulosos com finalidades mercantis/indenizatórias espúrias! 

    De qualquer forma é preciso reconhecer que nós médicos, há muito saímos da posição privilegiada de benfeitores, e o que dizer, de autoridades respeitadas!

    Stay alert! Watch-Out, pals!  Especialmente com a possibilidade contemporânea de manipulação de gravações telefônicas ou até mesmo de consultas, além de fotografias/vídeo com celulares e outros dispositivos portáteis!.

    Leopoldo.

     

    A DESCOBERTA DE UM LONGÍNQUO PARENTESCO

    Cher cousin Leopoldo,

    Que ninguém se espante de me ver chamá-lo « caro primo », mas é a pura verdade : temos um parentesco distante mas real, resultado da imigração de membros dos Hollanda Cavalcanti de Pernambuco para o Ceará.

    Mas estas linhas vão para agradecer-lhe as informações que você me enviou. De acordo sobre a necessidade de traduções que respeitem ao máximo o pensamento do autor, donde a necessidade de criar neologismos para evitar-se, na medida do possivel, que a tradução torne-se sinônima de traição.

    Abraços

    Eliezer de Hollanda

     

    O POLEMISTA

    Grande Eliezer. 

    Como bom dialético que sou, talvez muito mais pragmático do que teórico como você certamente já pôde constatar, as

    críticas serão de minha parte sempre bemvindas, não obstante reações automáticos do tipo Cláudio Humberto ("Bateu, Levou") como oportunidades únicas para revisões, correções e aperfeiçoamentos.  Eu no fundo, confesso, gostei muito deste agito na Lista.  Bem mais fecundo do que a aborrecida e tácita concordância habitual ;

    O Walmor, nosso Nero cibernético, intencional ou inadvertidamente, conseguiu atear fogo a esta habitualmente fleumática Lista.  Que então, aprendamos. Nunca mais permitamos que prolongados períodos low-profile style venham a fazer com ele se veja obrigado a recorrer, in extremis, ao repertório de temíveis instrumentos maquiavélicos com que, aparentemente, conta!

    Mantenhama-nos sempre prescrutadores, ávidos de diálogo e confronto aberto, leal e legítimo de idéias!

     

     

    ERUDICÃO

    Querido(s) Eliezer (& Irmainha, Walmor, Portela):

    Primo, você fez bem em lembrar "ligado à personalidade do autor".  Esta uma das críticas à dificuldade em legar o modelo da Análise Direta, confessada pelos próprios estagiários/aprendizes de Rosen (v. o interessante depoimento de um deles, Jack Rosberg, em: http://www.schizophrenia-help.com/schizophrenia__february.htm ).  

    Quanto à clorpromazina e demais substâncias que se seguiram, concordo com você no que tange às novas perspectivas que abriu no contato com estes pacientes, mas devemos lembrar que Rosen iniciou seu trabalho em Bucks County Pennsylvania no iniciozinho da década de 50, antes da popularização e emprego disseminado dos neurolépticos.  Como pude publicamente dizer na mesa que presidi na Jornada da APERJ há cerca de 2 anos atrás, além de incluir no prefácio de meu e-book, um fenômeno semelhante tenho observado com pacientes tratados com atípicos de segunda geração.  A melhora do rapport, da pertinência e iniciativa após os novos tratamentos, vieram possibilitar a muitos deles, por vez primeira, demandar e beneficiar-se de terapias de insight, antes simplesmente impraticáveis.

    Abs,

    Leopoldo.

     

    Cher cousin Eliezer:

    Nota de minha autoria: Leopoldo se refere a um artigo escrito por Paulo de Queirós Siqueira que traduzi e foi publicado na POLBr deXXXxxxx

    O artigo foi sobre o Conde de Gobineau, célebre defensor francês da teoria da degenerescência, que caiu doente, vítima de um melancolia, quando de sua estadia no Brasil. A melancolia é comparada pelo autor do artigo ao banzo dos escravos africanos. O Conde detestava a raça brasileira por causa da sua miscigenação. E teve de encurtar a sua estadia no Rio, voltando a Paris.Entre outras coisas, o Conde escreveu: «O Brasil só pode tornar-se alguma coisa se os brasileiros desaparecerem ; trata-se de uma população inepta, viciada até a moela, pela qual não se pode fazer nada, que se utilize a força física ou moral »

    Eliezer:

    Gostei muito do artigo do Queirós Siqueira. É assim mesmo que se escreve seu sobrenome?  Felizmente a moderna Ciência Genética (hibridização/miscigenação fortalece, ao contrário do que pretendia a velha Teoria da Degeneração, que tb valeria revisitar!) bem como os recentes estudos do DNA de diferentes populações globais, com reconstituição das rotas de migração dos primeiros hominídeos (Out of Africa I & II), não só vieram em total apoio à Darwin, como detonaram inteiramente os velhos (pré)conceitos de raça na perspectiva de tempo geológico, antropológico.    

    Na verdade a gente chega à conclusão de que o Conde não sabe o que perdeu... O cartunista Lan, o pintor Di Cavalcanti e tantos outros como o escritor e dramaturgo Stanislaw Ponte Preta, o colunista Ancelmo Góis, além da maioria da portuguesada colonizadora pioneira (!) etc, célebres admiradores das musas tropicais cor de jambo, que o digam!...

    Abs,

    Leopoldo.

    Portelão:

     Agora comentando seu oportuno texto:

    "(...) Aqui mesmo entre nós, o antropologista francês e doublé de babalorixá, Pierra Verget tem trabalhos publicados sobre saúde mental entre os negros e beberagens ativas nas ervas dos orixás, usadas com frequência. Nenhum trabalho semelhante foi feito entre nós."

    Um trabalho excepcionalmente interessante(...) que deveria começar pelas terapêuticas raízes de? de paleofármaco/fitoterapia, Mestre Roxo citadas deliciosamente por Leme e Lopes em evento do Recife quando convidado de seu discípulo e admirador, nosso querido, Prof. Othon Bastos, sobre as Raízes da Psiquiatria Brasileira nos anos 70!  Confira neste trecho colado abaixo de nosso artigo do JBP em co-autoria com Walmor & Romildo por ocasião do I Centenário de Nascimento do assim cognominado Moderno Pai da Psiquiatria tupiniquim:

    Abs,

    Leopoldo.

    Eliezer, Portela, Walmor,

    Voltando a Rosen, seu modelo baseia-se, me parece, numa antítese radical às duplas mensagens e hipocrisia convencionalista das chamadas mães/famílias esquizofrenizantes.   Fica fácil compreender sua notória facilidade em quebrar o gelo de psicóticos graves (refratários ao contato porque já céticos da comunicação puramente verbal), reconhecida até por Frieda From-Reichmann e outros colegas que com ele conviveram.  Gostaria apenas de confirmar que, Rosen, no final, foi de fato capaz de alcançar e manter a confiança e empatia de seus pacientes, mas me faltam os testemunhos/depoimentos.

    Abs,

    Leopoldo.

     

    Caro Eliezer:

    Bom Jour! Obrigado pela apresentação do trabalho do Daniel Widlöcher.   Não o conhecia.  Não é de estranhar que venha de autor da escola européia.  Impos-se empresa corajosa, nada cômoda, que a muitos intimida, embora muito urgente e necessária.  Widlöcher, aponta sem rodeios, me parece, a vasta « terra de ninguém » que ainda existente, nos tempos atuais, entre os conhecimentos  acumulados das modernas neurofisiologia e neuroquímica e disciplinas correlatas tratando de sua patologia por um lado, e por outro, de todo o conhecimento psicológico e psicopatológico consolidado.  Enquanto existir este enorme gap, a força da tentação em resvalar para simplificações/negações será sempre muito grande.  Escolas que teimam em manter-se encasteladas, fugindo à profícua dialética.  Não tenho dúvidas de que em futuro não muito distante, mais cedo ou mais tarde, inaugurar-se-á esforço para um pente fino na, inquestionavelmente sólida, psicopatologia jaspersiana (definitiva, caberia perguntar, porque filosófica e metodológicamente fundamentada ?) por exemplo, sem falar na psicanálise e outras correntes psicodinâmicas, e tudo que já se elucidou e detalhou (e não tem sido pouco) da neurofisiologia cerebral.  Outra questão, também interessante porque frequentemente desconsiderada pelos especialistas:  -As questões éticas e filosóficas (até sócio-políticas!) que deveriam anteceder isto tudo, envolvendo nossas práticas diagnóstica, assistencial, de ensino e de pesquisa na Área da Saúde Mental.  Bom, mas aí, certamente teremos ainda de evoluir muito para a conquista, universalmente consensual e sólida, de decálogos de princípios e prioridades.  E que, muito provavelmente, não devemos esperar possa vir da atual pragmática e hegemônica escola psiquiátrica norte-amerciana.

    Abs

    Caro Primo Eliezer:

    Sonhos: Via régia para o Inconsciente, como a eles se referiu o Mestre de Viena.  Permanentemente incontestável!  O distímico Katz que me perdoe.  Sugiro para entremear as leituras, o notável show de Estética e Poesia na linguagem cinematográfica (master piece autobiográfico) do antológico Sonhos do Akira Kurosawa! Quanto às sugestões que me chegam nesta manhã carioca, Merci beaucoup! Très intéressant!  Formação junguiana, a do Jean-Robert Pasch, pois não? 

    Abraços,

    Cousin Leo.

    Caro Primo Eliezer:

    Não tem jeito.  Os Frotas, mais cedo ou mais tarde, acabam cedendo à vocação das Ciências Naturais.    Ciclicamente, porém, devo admitir, passo por períodos de recrudescimento de pobremente talentosas vocações musicais, literárias, artísticas e interesse bissexto pelas Ciências Humanas, herança do lado materno.  Aliás, como ocorre presentemente.   Talvez eu seja um caso de Transtorno Bipolar Epistemológico a ser catalogado na DSM-X!  ?  Quanto à tradução que você cita, pelo que consta minha virtual ignorância no idioma, o termo alemão Zwangs apesar de ter significado principal em "pressão", "coerção" no sentido de "ser forçado a", ou até no sentido de trabalho escravo (Zwangsarbeit), etc, também está consagrado como compulsivo, como ilustra a expressão Zwangshandlung (ato compulsivo).  Zwangsneurose, assim, traduzida ao pé da letra, seria "neurose compulsiva", i.e., destacando apenas uma das dimensões do Síndrome.  À propos, como anda o velho termo La Folie du Doute da antiga escola francesa?

    Leo.

     

    Eliezer, amigo:

    Conexão normalizada tomo conhecimento de suas indagações.  Já vi que os co-listeiros mais informados e atualizados a respeito, Berlinck, Sérgio Telles, Nívia, Walmor já lhe prestaram relevantes informações.  Disponho da tradução da Standard do Jayme Salomão em papel e CD, mas tendo a concordar com a Nívia.  Acho também, que nesta área, dentro de um mínimo de qualidade e seriedade, quanto mais traduções melhor.  Até mesmo tradução livre com os neologismos criativos dos lacanianos, não levada tão a sério, ofereceria, no mínimo, parâmetro curioso e divertido ao lado das convencionais.  Espero que alguém sensível e talentoso da instigante escola, resolva um dia encarar esta tarefa.  À moda, p.ex., das provocantes livres traduções do Millor para o Teatro.  A tradução direta do alemão é de fato muito necessária pelos sutis matizes da língua e há muito vem sendo aguardada por aqui.

    Grande abraço,

    Leopoldo

    A ONIPRESENCA DA POLITICA …E DO HUMOR

    Cher cousin,

    Finalmente só espero que não tenha estado na carta programática do PT de ZéDirceu/Waldomiro Diniz (representantes do criativo ) o aviltante,? cleptostalinismo tupiniquim, segundo o Senador Arthur Virgílio , tão oposto à repetida assertiva de? ? despudorado, disparate abaixo do Conde nosso fofo Loligo, esperando que não seja apenas mais um papo de gogó do : "-? verboso molusco O que há de melhor no Brasil é o brasileiro!":

    Cousin Eliezer:

    Continuo um tanto cáustico com o PT, porque vejo que o Partido ainda não fez a auto-crítica que se esperava de um partido que pretendia o monopólio da ética pública e que se dizia socialista.  Infelizmente, vejo ainda perigo numa reeleição do Molusco sem maiores garantias, como especialmente a completa e definitiva defenestração do Napoleão de D.O.   Na minha opinião ele continua a alimentar vivo projeto de retorno em grande estilo (com direito à revanches) e por isto, tem garantido, pelo menos publicamente, apoio a candidatura de Loligo.  Vou te confessar, meu temor vem desde que um corvo shakesperiano  contou-me em sonho que Nosso Guia estaria fadado a repetir a trajetória do poderoso baixinho Getúlio em sentido inverso:  primeiro Governo popular democraticamente eleito, depois virada para Ditadura totalitarista.  E adivinha quem estaria ? ? escalado para ser o Fellinto Müller II?

    Bom fim de semana,

    Abs,

    Cousin Leo.

    *EM MENSAGEM PARA A LISTA

    P.S. –Ajuda a recuperar-me da média (quente) com pão com manteiga (rançosa) com que me alvejaram covardemente na manhã de ontem ao adentrar desavidamente este tórrido e distímico espaço virtual... ?

    Irmaeca:

    O primo Eliezer deve estar muito longe neste momento de qq Melancolia.  Provavelmente confraterniza, ao som de Samba com Lula, Gil e restante da comitiva na Place de La Concorde pelas festividades deste 14 juillet em que o nosso Brasil é  grande homenageado.  ?   Se estou certo sua resposta ? deve demorar...

    Abs.

    Leo.

    *O humor contagiante de Leo levou-me a escrever-lhe um dia:

    "Outra coisa, « cher cousin », espero que você corrija os défices em dopamina e noradrenalina de seu computador, reequilibre as suas funções alteradas, e volte assim a participar normalmente das conversações com os seus amigos e colegas".

     

    *EM MENSAGEM QUE ME ESCREVEU:

    "Talvez eu seja um caso de Transtorno Bipolar Epistemológico a ser catalogado na DSM-X!" 

    P.S. - Caso possa dispor de um tempo adicional, sugiro uma olhada também no meu artigo sobre Disfrenia Tardia e os novos antipsicóticos agonistas parciais, que contém contribuições originais, algumas polemizadoras, e que gostaria muito de submeter às reações e discussão

    dos colegas franceses,

    OK?:

    http://www.medicina.ufrj.br/cursos/JBP%202%20COLUNAS%20-%20com%20referê

    ncia%

    20completa%20&%20foto%20-%20AGONISTAS%20PARCIAIS%20NO%20ARMAMENTARIUM.p

     

    UM FILHO CHAMADO E BOOK, UMA FILHA COGNOMINADA DISFRENIA TARDIVA: Teria Leopoldo tido o tempo de preparar uma edição curta do seu e book ?

    Eliezer

    Muito lhe ficaria grato, sem qualquer compromisso, veja bem, caso o amigo se dispussese a uma breve resenha em francês do e-book. Caso ainda não o tenha acessado,

    ele está disponível no Portal da MEDICINA da UFRJ em:

    >http://www.medicina.ufrj.br/cursos/LH%20FROTA%20-%201%20Ed%20-%2050%20ANOS%2 0DE%20MEDICAMENTOS%20ANTIPSICÓTICOS.pdf

    >

    Nas seções iniciais (prefácio, introdução, histórico, fenotiazinas, bem como no último Outros Antipsicóticos) creio que você terá muitos

    subsídios sobre as características e finalidade da obra que muito lhe abreviarão o tempo para preparo de uma resenha, OK?

    Mais uma vez meu muito obrigado, lamentando não poder dedicar o tempo merecido/justificado a atender seu honroso e estimulante convite, amigo!

    Abs,

    Leopoldo.

    4. LIVROS RECENTES  

    Seleção feita a partir da  « LETTRE DE PSYCHIATRIE FRANÇAISE »  

    *Introduction à une sociologie critique : lire Pierre BOURDIEU

    Alain ACCARDO, Agne Éditeur, 10 euros

    *Leçons clermentoises

    Henri BERGSON, L’Harmattan, 26 euros

    *Essai de psychologie (1755)

    Charles BONNET, L’Harmattan, 30euros

    *François DAGOGNET, médecin et philosophe

    Gérard CHAZAL et Christian SALOMON, L’Harmattan, 25 euros

    *Psychanalyse, dermatologie, prothèses : d’une peau à l’autre

    Sylvie CONSOLI, Silla CONSOLI, PUF, 19 euros

    *Sémiotique et philosophie du langage

    Umberto ECO, PUF, 14 euros

    *L’autisme infantile

    Pierre FERRARI , PUF, 8 euros

    *L’être-bebé : les questions du bebé à la théorie de l’attachement, à la psychanalyse, à la phénoménologie

    Bernard GOLSE, PUF, 30 euros

    *Constructivisme et psychanalyse : débat entre Mikkel Borch-Jacobsen et Georges Fischmann, animé par

    Bernard GRANGER, Le Cavalier Bleu, 10 euros

    *Associations (presque) libres d’un psychanalyste

    André GREEN,(Entretiens avec Maurice CORCOS)

    Coll. Itinéraires du Savoir, Abin >Michel, 22,50 euros

    *Clinique du travail

    Dominique LHUILLIER, Erès, 13 euros

    *La pensée naufragée : clinique psychopathologiqaue des patients cérébro-lésész

    Hélène OPPENHEIM-GLUCKMAN, Economia, 25 euros

    *La dépression, une traversée spirituelle

    Yves PRIGENT, Stan ROUGIER, Desclée de Brouwer, 15 euros  

    5.REVISTAS

    *Abstrac psychiatrie : www.impact-medecin.fr

    *La revue française de psychiatrie et de psychologie medicale : www.mfgroupe.com

    *L’encephale:www.encephale.org

    *Les actualités en psychiatrie: www.vivactis-media.com

    *Neuropsy : www.neuropsy.fr

    *Nervure : rédaction: Hôpital Sainte-Anne, 1 rue cabanis, 75014 paris. Téléphone: 01 45 65 83 09 fax. 01 45 65 87 40

    *Neuronale (revista de neurologia do comportamento) [email protected]

    *PSN :(psychiatrie, sciences humaines, neurosciences) : rue de la convention, 75015 paris. Fax : 0156566566

    *Psychiatrie française : [email protected]

    *Psydoc-broca.inserm.fr/cybersessions/cyber.html

    *Synapse : [email protected]

    *Evolution psychiatrique

    6. ASSOCIAÇÕES

    *Association française pour l’approche integrative et eclectique en psychotherapie (afiep)

    *Association française de psychiatrie et psychologie legales (afpp)

    *Association française de musicotherapie (afm)

    *Association art et therapie

    *Association française de therapie comportementale et cognitive (aftcc)

    *Association francophone de formation et de recherche en therapie comportementale et Cognitive (afforthecc)

    *Association de langue française pour l’etude du stress et du trauma (alfest)

    *Association de formation et de recherche des cellules d’urgence medico-psychologique (aforcump)

    *Association nationale des hospitaliers pharmaciens et psychiatres (anhpp)

    *Association scientifique des psychiatres de secteur (asps)

    *Association commission des hospitalisations psychiatriques france (cdhp france)

    *Association promotion defense de la psychiatrie a l’hopital general (psyge)

    *Association karl popper

    *Association pour la fondation Henri Ey

    *Association internationale d’ethno-psychanalyse (aiep)

    *Collectif de recherche analytique (cora)

    *Ecole parisienne de gestalt

    *Ecole française de sexologie

    *Ecole de la cause freudienne www.causefreudienne.org

    *Groupement d’études et de prevention du suicide (geps)

    *Groupe de recherches sur l’autisme et le polyhandicap (grap)

    *Groupe de recherches pour l’application des concepts psychanalytiques a la psychose (grapp)

    *Regroupement national en psychiatrie publique (renepp)

    *Société française de gérontologie

    *Société française de thérapie familiale (sftf)

    Société francophone de medecine psychosoma

    *Société française de psychopathologie de l’expression et d’art-therapie(sfpe)

    *Société française de recherche sur le sommeil (sfrs)

    *Société française de relaxation psychotherapique (sfrp)

    *Société française de sexologie clinique (sfsc)

    *Société française de psycho-oncologie/association psychologie et cancers

    *Société d’addictologie francophone

    *Société ericksonienne

    *Société de psychologie medicale et de psychiatrie de liaison de langue française

    *Société médicale Balint

    *Union nationale des associations de formation médicale continue (unaformec)

    *Union nationale des amis et familles de malades mentaux (unafam)

    *Association Psychanalytique de France (apf)

    *Société Psychanalytique de Paris (spp)

    *Ecole Freudienne de Paris

    *Mediagora:http://perso.wanadoo.fr/christine.couderc/

    *Agoraphobie.com:http://www.agoraphobie.com/

    *Sitesfrancophones:http://www.churouen.fr/ssf/pathol/etatanxiete.html

    *Distúrbios do humor (afetivos) :    www.depression.ch

    *Estados limites em psiquiatria: tratamento (d. Marcelli): suicidio escuta - 24/24 http://suicide.ecoute.free.fr

    *Informações sobre o suicidio e as situações de crise:       http://www.suicideinfo.org/french

    *Centro de prevenção do suicidio: http://www.preventionsuicide.be

    *Associação  alta ao  suicidio:     http://www.stopsuicide.ch

    *Suicídio : http://www.chu-rouen.fr/ssf/anthrop/suicide.html

    *Drogas :    http://www.drogues.gouv.fr/fr/index.html

    *S.o.s. Réseaux :   http://www.sosreseaux.com/

    *Ireb – Instituto de pesquisas cientificas sobre às bebidas: http://www.ireb.com/  

    *Addica : addictions precarité Champagne Ardenne : http://www.addica.org/

    *Internet addiction : conceito de dependência à internete:    http://www.psyweb.net/addiction.htm

    *Estupefiantes e conduta automobilistica; as proposições  da sfta: http://www.sfta.org/commissions/
    *stupefiantsetconduite.htm

     Coordination (coordenador): Eliezer de HOLLANDA CORDEIRO

    [email protected]


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