Volume 22 - Novembro de 2017
Editor: Giovanni Torello

 

Julho de 2006 - Vol.11 - Nļ 7

Artigo do mÍs

TREINAMENTO AUTÓGENO SIMPLIFICADO: UM MÉTODO DE TERAPIA INTEGRAL

 

Fernando Portela Câmara

 

"Isole-se de todos os objetos externos,

fixe a visão entre as sobrancelhas,

sinta o ar entrar e sair entre as narinas,

o sábio que controla suas sensações,

sua mente e compreende..."

(Bhagavad Gita, V: 27-28)

 

Resumo

O presente trabalho apresenta uma modificação simplificada do TA objetivando uma melhor adesividade por parte do indivíduo para esta método, que tem a vantagem de minimizar os efeitos transferenciais da relação médico-paciente e abreviar o curso de uma psicoterapia profunda.

Summary

A simple modification of the Schultzís Autogenic Tranining is presented in this paper. It was devised to improve the individualís adhesiveness for this method, that minimizes the transfer effect in the therapeut-patient relationship and abridge the course of a difficult psychotherapy.

 

Introdução

O Treinamento Autógeno (TA) é um método de relaxamento concentrativo desenvolvido por Johannes Heinrich Schultz em 1908-1912, na Alemanha (Schultz, 1969). Trata-se de um método de aprendizagem progressiva destinado a indivíduos suficientemente independentes e inteligentes para usa-lo por si mesmo segundo as necessidades para as quais o método é proposto. O objetivo do método é a tranquilização interna e o autocontrole, visando a profilaxia do estresse, a absorção de golpes afetivos inesperados, melhoria dos rendimentos físicos e cognitivos, e melhor disposição e resistência às fadigas física e intelectual. O método é dominado através da prática diária de exercícios concentrativos num período médio de três a quatro meses, sendo o indivíduo monitorado nos seus rendimentos e objetivos durante este tempo. O método pode ser administrado individualmente ou em pequenos grupos.

Embora o TA seja originalmente um método profilático, ele é também incluído ao grupo das psicoterapias não-verbais, podendo ser usada como terapia principal ou, como terapia auxiliar nos casos mais complicados. Os psiquiatras de orientação Pavloviana, têm neste método uma ferramenta terapêutica importante. Em psicanálise, pode ser usado com proveito, especialmente nas fases em que o aparecimento de resistências tende a estagnar a análise, pois, o relaxamento global do TA dissolve o ciclo tensão-ansiedade que mantém a resistência, ao mesmo tempo que a tranqüilizarão interna leva o paciente a sentir-se seguro em enfrentar os conteúdos ameaçadores de sua psique (Luthe, 1970). Isto ilustra o que Ajuriaguerra denominou de diálogo tônico-emocional, apoiando-se nos trabalhos de Wallon que defendia haver uma relação muito estreita entre a vida tônica e a vida emocional. Ele adaptou sua prática psicanalítica à análise das resistências tônicas, interpretando as cenestesias que aparecem durante o relaxamento numa relação regressiva com o terapeuta (v. Masson, 1986). Seu método tem como fundamento a observação de Freud sobre o eu corporal: "O Eu é antes de tudo um Eu corporal; não é uma entidade de superfície, é a projeção dessa superfície".

Schultz partiu das observações de Oskar Vogt, o qual percebera que pacientes inteligentes e suficientemente independentes quando se submetiam a sessões de hipnoterapia, aprendiam a autohipnotizar-se após várias sessões de hipnose com o seu médico. Vogt concluiu que as sessões serviam também como treinamento, e seus pacientes tornavam-se capazes de aliviar suas tensões e somatizações por si mesmos, relaxando, desconectando-se do entorno, e administrando sugestões a si mesmos. Em outras palavras: imaginando as sensações que Vogt sugeria durante a indução hipnótica, seus pacientes entravam voluntariamente em hipnose e administravam a si mesmos sugestões tranqüilizadoras e afirmativas.

Schultz sistematizou estas observações em um método baseado em seis exercícios progressivos: dois para relaxamento geral (através de vivências imaginativas de peso e calor), completados por quatro exercícios para tranquilização das principais funções orgânicas psiquicamente sensíveis e sede da maioria das psicossomatoses: o tônus gastrintestinal, o tônus diafragmático, o ritmo cardíaco e a irrigação cerebral.

O método baseia-se na aprendizagem progressiva através de exercícios que levam em média duas semanas para serem dominados. O paciente é orientado a fazer os exercícios diariamente uma, duas ou três vezes por dia, cerca de 10 minutos por vez. O objetivo é repetido a cada sessão de treinamento: a obtenção de tranquilidade interna, que se aprofunda à medida que o treinamento progride. Através deste método o paciente aprenderá a modificar voluntariamente suas vivências somáticas e psíquicas e, se for o caso, controlar um dor ou modificar uma função vegetativa.

Sabemos da experiência que tais métodos só tem sucesso quando o sujeito é adulto e está suficientemente motivado para aprende-lo, tem um nível adequado de compreensão e iniciativa suficiente para conduzir-se numa prática regular pessoal. Isto é importante para evitar que o rendimento do método seja enviesado por uma transferência. Por outro lado, quanto mais simples for o método, maior sua aceitabilidade, e mais fácil será manter o sujeito motivado.

Bases do TA

A teoria do TA é bastante simples, e seus substrato neurofisiológico não será discutido neste artigo. A base terapêutica do TA consiste no gradual amortecimento do ciclo ansiedade-tensão. A ansiedade gerada pelo enfrentamento crônico de afetos indesejados ou reprimidos difunde-se pelo organismo através do sistema límbico-hipotalâmico-vegetativo (MacLean, 1949; Luthe, 1970), afetando o sistema imunoneurohormonal, e, pela via reticular descendente, provocando tensão periférica, ou seja, tensão nos vasos menores e na musculatura antigravitária. A tensão periférica, por sua vez, retroage sobre o sistema límbico-hipotalâmico mantendo o estado ansioso. O relaxamento concentrativo relaxa a tensão periférica e, conseqüentemente, diminui sua retroação sobre o sistema límbico-hipotalâmico. Com a repetição dos exercícios, a tensão vai amortecendo gradualmente e, com ela, a ansiedade, restaurando-se a tranqüilidade e o auto-controle. As chamadas "doenças psicossomáticas" decorrem da espasmodização crônica das vasculatura que irrigam as vísceras e cérebro, espasmodização crônica das vísceras ocas, e espasmodização crônica da musculatura periférica, que ocasionam dores e fadiga crônica.

Portanto, é o amortecimento da ressonância dos afetos que dá ao TA seu status terapêutico, mas ele não será afetivo naqueles casos em que o transtorno afeta a personalidade ou o ajustamento do indivíduo. O TA está mais indicado naqueles transtornos outrora classificados como "neuroses periféricas" (Schultz, 1969) e que fazem parte da chamada "psiquiatria menor".

As principais indicações do TA está no tratamento dos distúrbios psicossomáticos (uma ampla classe de sintomas funcionais distribuídas em várias classes de transtornos mentais e do comportamento), via de regra incidentes em indivíduos alexitímicos, habitualmente resistentes à psicoterapia convencional (Sifneos, 1977), nos transtornos de ansiedade, associado ou não a psicofármacos, e outras transtornos menores accessíveis a esta forma de condicionamento. O TA também pode ajudar na recuperação de dependentes químicos. Primariamente, o método é usado na prevenção dos efeitos indesejáveis do estresse, na melhoria de rendimentos físicos (em atletas) e cognitivos (intelectuais) tanto no desempenho quanto na aprendizagem, e no auto-condicionamento de propósitos e metas.

Treinamento Autógeno Simplificado (TAS)

Desde que introduzi o TA em prática de grupos há bastante tempo, notei que o método de Schultz não tinha boa adesão por parte dos praticantes, levando a maioria dos participantes a abandonarem a prática pouco tempo depois. Sabe-se, contudo, que a simples vivência de peso e calor é suficiente para produzir um bom relaxamento global. Quando um indivíduo relaxa, ele vivencia cenestesias agradáveis tais como o corpo pesado ou flutuando, e/ou as extremidades aquecidas. Tais sensações são epifenomênicas, e, portanto, podem ser usadas como sugestões para o paciente relaxar, sendo o bastante concentrar-se imaginando estas sensações. A vivência de peso nos braços prolongando-se para todo o corpo é uma via simples e segura para induzir o relaxamento. A vivência de calor também é importante, e geralmente sucede à vivência de corpo (relaxamento das extremidades favorecendo maior aporte da circulação). Os exercícios auxiliares podem ser dispensados, uma vez que a tranquilização do coração e da respiração, a normalização da função digestiva e a redução do fluxo sangüíneo cerebral acompanharão cedo ou tarde o relaxamento. Há, também, uma razão para se dispensar estes quatro exercícios: a focalização de uma região neuroticamente perturbada frequentemente intensifica a ansiedade sobre aquela área, e o desconforto pode levar o paciente a abandonar a terapia. Por outro lado, o paciente nesta situação, irá igualmente melhorar com o relaxamento global induzido pelas vivências controladas de peso e calor, que aos poucos irá dissolvendo o fantasma corporal que organiza o seu distúrbio.

Em nosso método, usamos apenas as vivências de peso e calor para indução do relaxamento concluindo com a vivência de flutuação da cabeça que pode ser generalizada para todo o organismo. A seqüência se inicia com a respiração de Aiginger, e chamei este método de Treinamento Autógeno Simplificado (TAS).

Elementos do método

O indivíduo só iniciará os exercícios depois que estiver bem informado sobre a natureza e propósito do mesmo, estiver disposto a segui-lo e cumprir as metas designadas pelo orientador. Adicionamos ao método original uma introdução que consiste em estimular o relaxamento pela técnica de Aiginger, que consiste em uma inspiração profunda, seguida de uma expiração completa, calma e controlada, procurando relaxar o corpo nesta fase. Partindo da observação de que a respiração dos neuróticos é sempre perturbada, e supondo ser a origem desta perturbação os centros subcorticais, Aiginger utilizava este exercício como meio de dissipar a irritabilidade destes centros (Masson, 1986). Este exercício é excelente para pacientes ansiosos, podendo ser realizado duas ou três vezes por dia, completando-se com uma sesta após o almoço.

Após uma ou duas respirações de Aiginger, inicia-se o TAS assumindo-se uma postura para o exercício, que é essencial para o relaxamento. O indivíduo senta-se de modo relaxado e confortável, com as costas eretas porém sem tensão, braços apoiados sobre as coxas e as pernas livres com os pés bem apoiados sobre o chão. Alguns pacientes preferem um banco, e então lhes ensinamos a postura do cocheiro. O exercício pode ser feito deitado, assumindo-se a postura do morto, bem conhecida dos praticantes de yoga. Começam, então, os exercícios

Primeiro exercício:

Pedimos ao indivíduo para deixar os ombros soltos, manter a respiração calma e, me seguida, colocar sua atenção no braço direito. Em seguida, sugerimos que o imagine pesado (algumas pessoas poderão requerer um reforço, e então sugerimos adicionalmente uma imagem), repetindo para si mesmo, mentalmente as palavras "pesado, pesado, agradavelmente pesado...", como reforço sugestivo. A vivência mental de peso induz o relaxamento do braço, e esta experiência será vivenciada internamente como uma sensação de tranqüilidade, calma, paz. Instruímos ao indivíduo que, ao perceber objetivamente esta sensação, constate-a dizendo mentalmente para si mesmo: "estou tranqüilo agora, tranqüilo...".(O leitor deve estar percebendo tratar-se de uma aprendizagem por condicionamento).

O indivíduo é instruído a fazer este exercício em casa, duas vezes por dia, durante uns dez minutos, deixando-se absorver na sensação de tranqüilidade, desconectando-se do seu entorno. Em uma semana o indivíduo progredirá no aprofundamento, e se alguma dificuldade o impedir de relaxar, ele comunicará isto ao orientador a segunda semana e o exercício será revisto. Mais adiante falaremos sobre este tipo de problema.

Os praticantes terão um novo encontro com o orientador na segunda semana (os encontros são semanais, durando uma hora como o grupo). Agora, depois da vivência de braço pesado, introduz-se a fórmula: "todo meu corpo pesado, pesado, agradavelmente pesado,..." vivenciando-se o corpo repousando pesadamente. Este exercício baseia-se na propriedade do cérebro em generalizar suas vivências, que Schultz denominou "comutação organísmica". Em seguida, completa-se o exercício pela constatação de tranqüilizarão interna, objeto último do TAS. O indivíduo fará o exercício duas vezes por dia até a próxima semana para firmar o condicionamento.

Segundo exercício:

Completado o exercício de vivência de peso, já com um bom grau de tranqüilizarão e de desconexão com seu entorno, passa-se ao exercício seguinte que é a vivência de calor. Repete-se a vivência de corpo pesado e, então, acrescenta-se a de calor através da fórmula sugestiva: "mãos quentes, quentes, agradavelmente quentes..." adicionando-se um recurso imaginativo como, p. ex., o ato de mergulhar as mãos em água agradavelmente morna. O indivíduo deve sentir-se mais tranqüilo durante o exercício, e então, constata o seu estado repetindo para si mesmo: "estou tranqüilo agora, tranqüilo...". o indivíduo fará este exercício em casa, como indicado, até o próximo encontro.

Na semana seguinte, repete-se a vivência global de peso seguindo-se a de calor e, então, a comutação de calor: "mãos, pés e ventre quentes, quentes, agradavelmente quentes...", concluindo-se pela constatação de tranqüilizarão interna.

Terceiro exercício:

Adiciona-se aos exercícios anteriores a vivência da cabeça leve, flutuando acima do corpo, "como um balão de gás". O procedimento será o mesmo dos exercícios anteriores, e a comutação será a de todo o corpo flutuando, usando-se recursos tais como boiar numa piscina com água agradavelmente tépida, ou flutuar sobre uma nuvem, etc.

A prática regular do TAS produzirá uma regulação global no organismo. A musculatura periférica desespasmodiza-se e, com ela os vasos, regulando a circulação e aumentando a perfusão dos órgãos, enquanto o aporte sanguíneo do cérebro se reduz, o diafragma se desespasmodiza, permitindo à respiração ampliar-se facilitando as trocas gasosas, a peristalse normaliza-se e o ritmo cardíaco tranqüiliza-se. O TAS não somente recupera a função perturbada nos transtornos psicossomáticos e nervosos, como também é, acima de tudo, uma profilaxia contra o estresse e os golpes afetivos que podem nos fazer adoecer, enfartar, deprimir, etc, em nosso dia a dia. Uma mente calma, alerta, perceptiva, imperturbável é sinônimo de autocontrole, discernimento e tranqüilidade.

O ciclo inteiro do treinamento levará cerca de seis semanas, e a repetição da seqüência de exercícios a partir daí condicionará o organismo a relaxar preventivamente nas situações tensas, ou voluntariamente quando se desejar. Isto será quase automático. Ao final de um ano de prática individual, fecha-se o ciclo condicionando-se automaticamente a resposta relaxamento unicamente olhando para o centro da testa, fechando as pálpebras e relaxando os ombros com uma ampla respiração. Esta fase requer apeans duas a três sessões com o orientador. Neste estágio, o indivíduo consegue desconectar-se do seu entorno entrando numa condição mental que Schultz denominou de "estado autógeno", que considerava uma autêntica "desconexão organísmica".

O estado autógeno já é, por si só, auto-regulador. Entretanto, o indivíduo pode usar este estado para dissolver algum sintoma incômodo, controlar uma dor física, produzir analgesia local e hemostasia, etc, ou simplesmente condicionar-se de propósitos.

Dificuldades e uso psicoterápico

Os participantes devem ser instruídos de que não devem esperar que tudo ocorra rápidamente. Cada indivíduo tem um tempo próprio e características próprias, mas todos chegam ao mesmo resultado. Em outras palavras, todos chegam ao resultado esperado mais ou menos no mesmo tempo, mas não da mesma forma. Também é importante dizer que não é uma questão de vontade querer relaxar, mas uma questão de deixar que o corpo relaxe por si mesmo.

Alguns indivíduos experimentam dificuldades nos exercícios iniciais. Sensações de prurido, agulhadas, ansiedade e mesmo angústia e choro poderão ocorrer. Se o TAS está sendo realizado no setting terapêutico, estas cenestesias serão o material a ser trabalhado juntamente com o paciente. Contudo, não é necessário partir para uma psicoterapia verbal aqui. Simplesmente explicamos ao indivíduo que estas sensações desagradáveis são conteúdos reprimidos (impulsos agressivos, principalmente) que estão sendo eliminados (abreagidos vegetativamente), e que ele deve deixar que esta eliminação aconteça, e que isto se dará em uma ou duas sessões (Luthe, 1970). Esta experiência tem um impacto positivo na adesão do indivíduo ao método.

Estas descargas são a liberação de uma estase hipotalâmica decorrente de afetos longamente reprimidos (Luthe, 1970; Ikemi e Deshimaru, 1975). Isto desangustia o individuo e o faz sentir-se renovado.

Transculturalidade dos relaxamentos concentrativos

Do ponto de vista transcultural, o TA é uma forma racional e científica de praticas antigas tais como a yoga e o zen, resguardando os benefícios psicossomáticos das mesmas e disponibilizando-os ao ser humano moderno carente de uma vida contemplativa. De fato, no Japão, os médicos que usam o TA preferem esta prática à do zen , assim como os médicos da Índia (Ikemi e Deshimaru, 1985).

Darei aqui algumas citações de diferentes épocas e lugares para que o leitor possa fazer uma idéia da universalidade destas práticas e do seu benefício para a integração do indivíduo:

"Escolha a palavra que preferir... e conserve-a no seu coração e não deixe de repeti-la aconteça o que acontecer... Esta palavra será o seu escudo e a sua espada... com ela você vencerá todo tipo de pensamento... e, se algum pensamento o perturba... responda a ele unicamente com esta palavra e não com outras... não se ocupe destes pensamentos com a mente ou com a imaginação"("A Nuvem do Desconhecido", anônimo cristão do século XIV).

"Aquiete o corpo, abstraia-se do mundo e fixe seu olhar no chão. Repita incessantemente uma breve frase do Evangelho ou simplesmente diga "não" aos pensamentos que lhe sucedem. Os monges e príncipes muito ocupados deveriam fazer esta meditaçãouma hora pela manhã e à noite" (Frei Francisco de Osuna, "O Terceiro Alfabeto Espiritual", século X).

"Sente-se sozinho e em silêncio, baixe a cabeça, feche os olhos, expire calmamente e imagine-se olhando para o seu umbigo. Leve sua mente da cabeça para o seu umbigo, e cada vez que expirar, diga "sacratíssimo coração de Jesus, tende piedade de mim, pecador", mentalmente ou somente por movimentos labiais. Procure deixar todos os seus pensamentos fora, seja calmo, paciente e repita este exercício frequentemente".(Meditação do Hesicasmo, monges cristãos do monte Athos, século XIV, método denominado "oração do sagrado coração de Jesus" ou "oração de Jesus").

"Imerso em orações e meditações, pronunciando o divino nome com especiais modulações da voz

e com gestos especiais, Abulafia, o famoso rabino cabalista do século XIII, induzia-se em si mesmo

um estado de êxtase no qual acreditava que sua alma libertava-se dos seus laços materiais e, assim desimpedida, retornava à sua fonte divina" (Rabino Zion Bokser).

"Os ensinamentos do cabalista Abulafia representam uma versão judaizada das antigas técnicas espirituais... que os místicos indianos denominam yoga...um importante elemento no sistema de Abulafia eram as técnicas de respiração, também desenvolvidas na yoga...Abulafia ainda ensinava certas posturas corporais, certas combinações de consoantes e vogais, e certas formas de orações"... Algumas passagens do livro de Abulafia dá a nítida impressão de ser um tratado de yoga judaizada". (Gershon Sholem, The World of Cabbalah).

"Repousa o teu corpo e acalma as tuas paixões, e se te mantiveres assim, atrairás a ti mesmo, o ser divino" (Zózimo de Panoplis, século II).

"...e para expulsar esses pensamentos melancólicos, fazia-se passear por um jardim, e depois de um longo passeio, havendo-me sentado sobre uma rocha, caí em profundo sono: eu dormia, porém, meu coração velava" (H. Madathan, O Renascimento do Século de Ouro, século XVIII)

"Sentado sob uma palmeira eu refletia longamente sobre as misérias humanas...me dirigi ao Criador...

um perfume suave se espalhou ao meu redor... não senti mais a palmeira, o chão, nada ao redor...". (Anônimo do século XVIII, "Apocalipse Hermético")

"Existimos em relação com todos os pontos do Universo, tal com o futuro e o passado. É só da direção e da duração da nossa atenção observadora que depende a questão de sabermos que relação preferimos cultivar, que reação será para nós a mais importante e a mais ativa". (Novalis)

Conclusão

A modificação aqui apresentada mostrou-se tão eficiente quanto o TA completo, com a vantagem de ser uma técnica mais simplificada que proporciona uma maior índice de adesão. Os psiquiatras que habitualmente são empáticos com seus pacientes e tem experiência em psicoterapia não terão dificuldades em utilizar esta técnica como auxiliar em sua prática, e poderão constatar seus benefícios significativos.

Referências

Ikemi Y, Deshimaru T (1985). Zen et Self-Control, Paris: Editions Retz.

Luthe W (1970). Autogenic Therapy, New York: Grune & Stratton.

MacLean PD (1949). Psychosomatic Disease and the "Visceral Brain". Psychos. Medicine, 11:338-353.

Masson S (1986). Os Relaxamentos, São Paulo: Ed. Manole, p. 36.

Schultz JH (1967). O Treinamento Autógeno. São Paulo: Ed. Mestre Jou.

Sifneos PE (1977). Psychothérapie brève et crise emotionnelle. Bruxelas: Pierre Mardaga Ed.



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