Volume 22 - Novembro de 2017
Editor: Giovanni Torello

 

Novembro de 2005 - Vol.10 - N 11

France - Brasil- Psy

SOMMAIRE (SUMÁRIO)

Docteur Eliezer DE HOLLANDA CORDEIRO

Sumário:

QUI SOMMES- NOUS (Quem somos)

DOSSIÊ PSIQUIATRIA DO ADOLESCENTE

  1. Propósitos sobre a evolução da pedopsiquiatria do adolescente na França - Eliezer de HOLLANDA CORDEIRO (psiquiatra, psicanalista).
  2. Observação psicanalítica de um bebê de pais psicóticos - Maria do carmo CAMAROTTI (psicóloga / psicanalista)
  3. Le Carnaval de Guyane: Une question d'identité culturelle - Par Singaïny Erick J-Daniel¹
  4. Reuniões e colóquios
  5. Livros recentes
  6. Revistas
  7. Associações
  8. Seleção de sites

QUI SOMMES- NOUS (Quem somos)

QUEM SOMOS ?

France-Brasil-PSY é o novo espaço virtual de "psychiatry on line"oferto aos profissionais do setor da saude mental de expressão lusofona e portuguesa.Assim, os leitores poderão doravante nela encontrar traduções e artigos em francês e em português abrangendo a psiquiatria, a psicologia e a psicanálise. Sem esquecer as rubricas habituais : reuniões e colóquios, livros recentes, lista de revistas e de associações, seleção de sites.

QUI SOMMES- NOUS ?

France-Brasil-PSY est le nouvel espace virtuel de "psychiatry on line"offert aux professionnels du secteur de la santé mentale d'expression lusophone et française.Ainsi, les lecteurs pourront désormais y trouver des traductions et des articles en français et en portugais concernant la psychiatrie, la psychologie et la psychanalyse. Sans oublier les rubriques habituelles : réunions et colloques, livres récentes, liste de révues et d'associations, sélection de sites.

 

1. PROPÓSITOS SOBRE A EVOLUÇÃO DA PEDOPSIQUIATRIA DO ADOLESCENTE NA FRANÇA

Eliezer de HOLLANDA CORDEIRO (psiquiatra, psicanalista).

[email protected]

Nossa intenção é de dar uma idéia geral sobre as mudanças que observamos na clínica psiquiátrica dos adolescentes .Veremos que, se a externalização dos conflitos, a tendência a agir caracterizam esta clínica, tais exteriorizações se exprimem cada vez mais em comportamentos violentos, suicidários, delituosos, toxicomaníacos, anoréxicos e bulímicos, exigindo do pedopsiquiatra novas respostas terapêuticas. Estas podem ser observadas nas inovações psicoterápicas individuais ou de grupo, no desenvolvimento dos tratamentos biológicos e em certas experiências que apresentam-se como alternativas aos tratamentos institucionais tradicionais.

CRISE DA ADOLESCÊNCIA

Esta crise é caracterisada por distúrbios do comportamento que exprimem, na maioria dos casos, conflitos com o meio externo e familiar, focalizando-se especialmente nos pais e pessoas que representam a autoridade.

Diversas são as formas que revestem a crise da adolescência : além das habituais condutas de oposição podem surgir também provocações, contestações, intransigências, alternando as vezes com períodos de isolamento, de sensibilidade exacerbada aos conflitos que pertubam os adolescentes e tornam o contacto com eles muito difícil..

Contudo, estes conflitos não são desprovidos de intencionalidade, ao contrário podem significar que os adolescentes buscam a afirmação de uma identidade e de um lugar no seio da família e da sociedade. Philippe JEAMMET(1), no tocante à intencionalidade de tais condutas espetaculares, escreveu « que a provocação permanente do adolescente está ligada a um paradoxo,  o medo de ser abandonado se ninguém toma conta dele e o medo de ser influenciado, se ele é objeto da atenção do outro ».

Mas se estas condutas exprimem, no fundo, a crise de originalidade juvenil tradicional, elas podem dar lugar a comportamentos inquietantes, e, nos casos mais graves engendrar organisações psicopatológicas neuróticas, psicóticas e depressivas.

DISTÚRBIOS E MOTIVOS DAS CONSULTAS

O aumento espetacular da patologia dos adolecentes deu à pedopsiquiuatria um lugar muito importante no sistema social e da saúde na França, sobretudo se considerarmos que « durante cerca de 150 anos, a psiquiatria do adulto reinou de maneira absoluta (...), a criança não interessando ninguém », explica Philippe JEAMMET(idem).Ele lembra « que a descrição feita por FREUD da neurose infantil e o valor das experiências infantis na emergência da psicopatologia, bem como a escolaridade obrigatória e as dificuldades escolares suscitaram o interesse pela criança e seus distúrbios .Mais tarde foram os distúrbios das condutas sociais que estimularam o interesse pelos adolescentes, notadamente através das descrições das psicopatias feitas por Kurt SCHNEIDER e as tentativas de AICHORN para uma compreensão psicológica e um enfoque terapêutico dos jovens delinquentes »(idem).

Já vimos nas edições dea POLB (FRANCE-BRASIL-PSY) de setembro e outubro 2005 como a influência da psicanálise foi decisiva para a evolução da pedopsiquiatria e, naturalmente, para a evolução da psiquiatria do adolescente. Dois outros fatores desempenharam igualmente um papel considerável nesta evolução: o aparecimento do setor de psiquiatria e da psicoterapia institucional; e o lançamento de novos psicotrópicos.

O que mudou na crise da adolescencia, que sempre existiu, é que suas manifestações tornaram-se mais violentas, traduzindo um mal estar crescente consecutivo ao fato que hoje em dia é muito mais dificil encontrar-se um lugar na sociedade. 

AGRESSIVIDADE E VIOLÊNCIA

A agressividade é uma disposição para a agressão, a hostilidade

A violência significa abusar da força, « faltar o respeito ».

Psicanálise : Jean LAPLANCHE e J.B. PONTALIS (3) descrevem a agressividade como a tendência ou conjunto de tendências que se atualizam em condutas reais ou fantasmáticas, estas visando causar pejuízos ao outro, destruílo, humilhá-lo (Vocabulário da Psicanálise).

Duas teses afrontam-se : « o homem é violento por natureza, profundamente agressivo ou mesmo cruel, a civilização não podendo reprimir seus apetites de crueldade e de barbaria. (S. Freud). A outra tese sustenta que a violência no homem não é instintiva, mas intersubjetiva e social (R.Girard): os rituais religiosos procuram canalisar esta violência, sem conseguir anquilá-la» (4).

Seria muito fácil recensear ao longo da história da humanidade os momentos e períodos onde esta violência, sob todas as formas, apareceu como especilamente destruidora. Entretanto, é claro que o Século XX ficará na história como um dos mais violentos. Pior, a violência aumenta sem cessar na nossa sociedade, especialmente nas escolas e colégios, onde os atos agressivos tornaram-se causas de preocupaçõe para os professores, os pais e os poderes públicos. E os pedidos de consulta para crianças e adolescentes violentos aumenta sem cessar, em particular em serviços especializados como os Centros Médicos Psicológicos e Pedagógicos existentes na França.

Contudo, além desta realidade de nossa prática e clínica, devemos levar em conta as perturbações interpessoais e as violências que elas engendram nas próprias estruturas de cuidados e tratamentos psiquiátricos. Este fenômeno deve ser analisado afim de que a instituição possa criar lugares de intercâmbios afim de permitir que a palavra tranforme-se em atos capazes de destruir o outro e a própria capacidade de pensar.

Esta é a posição defendida pela psicanálise ao considerar a violência como expressão de uma agressividade inerente ao indivíduo. A agressividade seria uma dimensão estrutural da condição humana, como FREUD salientou desde 1915, no seu famoso artigo: «Considerações atuais sobre a guerra e a morte ». Ele mostrou neste trabalho a relação existente entre o humano e a sua sede de destruir, seu ódio do outro, sua identificação ao agressor e a importância das pulsões de destruição nas condutas humanas. Por conseguinte, inerente à condição humana, a violência se manifesta em toda parte, ela e inevitável, independente da vontade, independente mesmo da lei social. A lei social pode limitar as manifestações de violências, as transgressões graves, sem que as tendências violentas desapareçam inteiramente. A ausência ou as vicissitudes na formação do SUPERGO, instância psíquica que integra ou não a lei moral, deixa a porta escancarada aos transbordamentos violentos.

A tomada de consciência de nossas disposições agressivas implica um trabalho psicanalítico que nos leve a compreender os mecanismos inconscientes que determinam nossos comportamentos. Evitemos também a utopia consistindo em pensar a possibilidade de uma erradicação total das violências em nossas relações.

Entretanto, o aumento e agravação dos distúrbios nos adolescentes exprimem também profundas transformações da sociedade francesa, especialmente da estrutura familiar tradicional e das relações intrafamiliares. Com efeito o contexto social francês favoreceu o aparecimento e desenvolvimento de novas dificuldades específicas relacionadas com o crescente mal estar de camadas importantes da população adolescente.Este mal estar, como ja dissemos, exprime-se de inúmeras maneiras ou patologias, entre as quais : fugas, acessos de cóleras incontroláveis, violências físicas, anorexia e bulimia, toxicomania, alcoolismo, furtos, condutas suicidárias e mesmo os suicídios que, na FRANÇA, constituem a segunda causa de mortalidade juvenil, após os desastres automobilísticos.

A inscrição da violência enquanto fenêmeno social mostraria o limite dos estudos que a consideram como inerente ao individuo.

Sobre as perspectivas futuras da pedopsiquiatria do adolescente na França, Philippe MAZET e Anne-Laure SIMONNOT (3) insistem sobre os seguintes pontos :

  • a necessidade de uma melhor colaboração entre os psiquiatras, as equipes psiquiátricas e os pais dos adolescentes ;
  • esta colaboração estende-se, naturalmente, aos múltiplos partenários médicos e sociais, educativos, escolares, judiciários, pediatras, ginecólogos e obstetras ;
  • lever em conta cada vez mais os aspectos biológicos, cognitivos e afetivos, educativos, pedagógicos, familiares e sociais do sofrimento da crianças e do adolescente utilizando diferentes instrumentos conceituais e modalidades terapêuticas ;
  • uma melhor avaliação de nossa ação terapêutica ;

Mas existem riscos que podem afetar a pedopsiquitria num futuro próximo : restrições econômicas, especialização excessiva da disciplina ; enfoque exclusivo sobre um sintoma, uma patologia dando lugar a múltiplas especialidades : distúrbios do sono, hiperatividade com défice da atenção, distúrbios alimentares, cognitivos. Notemos os riscos de uma psiquiatria que venha a tornar-se uma medicina do comportamento ou ainda a tendência consistindo em reeducar comportamentos patológicos, os problemas éticos (idem), etc.

Todas essas questões merecem desenvolvimentos especiais, necessários para abordar a complexidade de uma disciplina que não cessou de se desenvolver nas últimas décadas. Um tal vigor é fadado a produzir novos avanços em psiquiatria do adolescente, tanto do ponto de vista da prevenção como do tratamentos das afeccções psiquiátricas nos adolescentes

REFERÊNCIAS

1) Philippe JEAMMET : « l'Emergence de la psychiatrie de l'adolescence », in Psychiatrie Française, Vol.XXVI , Paris, 1995.

2)J. LAPLANCHE e J.B.PONTALIS, Voc&abulário da Psicanise, PYF, Paris, 1973.

3)Philippe MAZET, Anne-Laure SIMONNOT : « La psychiatrie de l'enfant et de l'adolescent dans dix ans, dans vingt ans », in « Psychiatrie Française », Vol. XXVI ,Ville- d'Avray, 1995.

4) Philosophie de A a Z, Hatier, 1994.

 

2. OBSERVAÇÃO PSICANALÍTICA DE UM BEBÊ DE PAIS PSICÓTICOS

Maria do Carmo Camarotti

Psicóloga / Psicanalista.

RESUMO

Baseando-nos na observação regular e prolongada do bebê precocemente confrontado com a psicose materna, trataremos dos diversos aspectos da relação patológica instalada entre o bebê observado e seus pais, abordando o penoso caminhar dessa criança, aprisionada numa relação fusional patológica com a mãe, rumo ao processo de separação-individuação.

Se, concordamos com WINNICOTT (1978) "que é fundamental para o desenvolvimento psíquico do bebê estar sob a proteção de uma "mãe suficiente boa" que pela continuidade e previsibilidade dos seus cuidados possibilita ao filho uma entrada satisfatória no mundo; se concordarmos que é tarefa da mãe possibilitar ao filho a vivência da "ilusão" e gradativamente a frustração necessária para que a criança se "desiluda" e caminhe rumo à individuação, estaremos de acordo também sobre o risco psíquico que corre o bebê confrontado precocemente com uma mãe psicótica.

A psicose materna expõe o bebê a modos de interação bastante particulares , já que a mãe psicótica, como bem caracteriza Myriam DAVID (1987), oscila entre um desejo intenso de aproximação fusional, fascinante e angustiante com seu bebê fantasmático e uma intolerância em relação às manifestações pulsionais e de desenvolvimento do bebê real. Bebê de necessidades que exige da mãe algo quase impossível para ela: fazer o percurso de uma relação narcísica para uma relação objetal.

Um bebê confrontado à psicose materna se encontra então em risco no que se refere ao seu desenvolvimento psíquico, principalmente se ambos, mãe e bebê, não são beneficiados pela presença de um terceiro que os proteja das "forças mortíferas do processo psicótico".(Myriam DAVID,1978).

A intervenção terapêutica junto à família L. , foi realizada em Paris , na `'Unité des Soins Specialisés a Domicile pour Jeunes Enfants''-Fondation Rotschild. Foi utilizada como abordagem terapêutica , a observação psicanalítica do bebê, nos diferentes lugares de vida, ou seja, junto aos membros de sua família de origem, como também junto aos membros da família substituta (famille d'accueil").

A observação psicanalítica constitui um valioso instrumento terapêutico na medida em que a presença do observador (através do seu olhar, da sua escuta e da sua palavra) possibilita aos pais, o suporte para o exercício da paternidade e maternidade e, conseqüentemente ao bebê , um desenvolvimento psíquico mais sadio.

A função do observador é de estar atento às várias demandas que cada membro faz em relação ao outro e como esses reagem às mesmas. Portanto, deve observar o que efetivamente surge, tais como: o que é falado, mas também o que não é dito os jogos e brincadeiras , bem como a impossibilidade de brincar; como se dão as aproximações, separações, etc. Além disso, se faz extremamente importante captar os movimentos identificatórios e transferenciais que circulam entre os vários membros envolvidos.

Durante as muitas reuniões com profissionais de cinco instituições implicadas com o caso, a história de Thierry e de seus pais nos foi contada. Solicitados a acompanhar essa família, soubemos que estando o bebê com quatro meses, fora encontrado às duas horas da manhã com sua mãe, "psicótica delirante", e levado a um hospital pediátrico enquanto a mãe fora internada em psiquiatria.

A Sra. L., psicótica, apresentava episódios delirantes com temas de perseguição, já tendo sido submetida a várias hospitalizações em decorrência de tentativas de suicídio. O pai da criança, com estrutura psicótica aliada a um déficit intelectual, competia com o filho, pedindo mamadeira e solicitando a esposa para os seus próprios cuidados corporais.

Há alguns anos o casal expressava o desejo de ter um filho, mas pelo estado avançado do câncer de mama da Sra. L., dois abortos foram provocados por indicações terapêuticas.* Gatos e cachorros eram criados pelo casal como objetos de compensação. A Sra. L. só se apresentou para a primeira consulta pré-natal num estado avançado da gravidez de Thierry quando não poderia mais ser indicado um aborto profilático. Foi esta, uma gravidez interditada pelo médico e a criança exibida como um troféu, marca do seu desafio à Medicina.

Da história dos pais, apreende-se que estes têm um passado marcado por traumas graves de abandono, tendo ambos vivido em diferentes lares substitutos e instituições. A ausência de uma referência familiar estável constituía no nosso entender, mais um agravante na dificuldade desses pais de cuidarem do filho, assinalando um fator de risco de repetição de descontinuidade de investimento na criança.

Nos primeiros meses de vida da criança, a equipe psiquiátrica deu suporte aos pais e ouviu as queixas da mãe de estar cada vez mais cansada e de que seu bebê sorria menos. O afastamento de uma puericultora que ajudava a mãe, provocou nesta o sentimento de estar sendo rejeitada e reativou suas vivências de abandono e privação afetiva precoce.

Quando uma mãe apresenta um quadro psicótico, seja de uma psicose puerperal ou de uma psicose preexistente à maternidade, posições variadas e coloridas de muito afeto, dividem os profissionais quanto a manter ou não o bebê junto à mãe.

O caso que ilustra o presente trabalho não fugiu a essa regra.Tomar uma decisão quanto ao melhor encaminhamento a ser dado à criança não foi fácil pelo fato de que cada equipe, suporte de projeções contraditórias da mãe, tinha uma representação diferente e ambígua da situação.

A equipe psiquiátrica de adulto, transferencialmente envolvida com a mãe, se engajou de modo a tentar que a mesma pudesse retomar o filho, atestando o investimento desta nos primeiros meses de vida da criança. Mesmo tendo testemunhado a desorganização e incoerência do "holding" e "handling" ao qual Thierry foi exposto nos primeiros tempos de vida. A equipe pediátrica, descrevendo os encontros "caóticos" entre mãe e bebê no hospital, dizia ser impossível que a criança retornasse nesse momento aos cuidados dos pais e afirmava que solicitaria a intervenção do juiz, caso fosse necessário.

As reuniões entre as diferentes equipes, permitiram que os afetos e as opiniões contraditórias fossem considerados e que se buscasse uma solução elaborando-se um projeto terapêutico mais coerente com a situação. Teve-se como meta assegurar um ambiente suficientemente estável para a criança onde pudessem ser preservadas as condições necessárias ao seu desenvolvimento e ao estabelecimento de relações satisfatórias com os pais. Ficou definido que o bebê permaneceria sob os cuidados de uma assistente materna, já que o pai, também bastante comprometido psiquicamente não poderia assegurar os cuidados do filho.

Coube à Unité organizar um plano terapêutico articulado entre a família que acolheria a criança e os pais. A equipe designada para cuidar deste caso foi constituída por uma psicóloga*, mais à escuta da criança e suporte desta nos diferentes lugares de vida, um enfermeiro psiquiátrico**, mais à escuta dos pais, e ponto de referência da família e uma psicanalista*** (médica consultante), que não estando atuando diretamente com a família e funcionava como um terceiro na escuta dos profissionais diretamente envolvidos com o caso.

A proposta terapêutica incluiu a observação psicanalítica do bebê no domicílio da assistente materna e nos encontros deste com os pais. O objetivo da observação era acompanhar como Thierry, precocemente exposto à psicose materna, vivendo com a mãe uma relação fusional e caótica se constituiria psiquicamente nesta situação particular de uma dupla referência materna (a mãe e a assistente maternal).

Algumas questões nortearam nosso trabalho com a família:

Conseguiria essa criança aceder a uma relação de objeto total, onde cada uma das mães seria percebida como bom e mau objeto, ou persistiriam sobretudo defesas esquizo-paranóides com projeções clivadas? Ficaria Thierry aprisionado e colado ao desejo materno ou se apropriaria do seu desejo, acedendo ao universo simbólico?

A observação da criança no domicílio da assistente materna, já foi objeto de um outro artigo e não será tratada aqui. Descreverei a observação psicanalítica feita nos encontros pais-criança, com destaque ao tipo de relação que se estabeleceu entre mãe e filho, e o percurso dessa criança rumo ao processo de separação-individuação.

De forma ilustrativa apresentarei a síntese da observação de um dos encontros mãe-bebê na Unité e alguns aspectos da evolução da criança, que espero possam suscitar um debate sobre as questões práticas e teóricas na escolha de tal procedimento clínico.

Encontro mãe-bebê na Unité, assegurado pela psicóloga e enfermeiro psiquiátrico.

Thierry está com 7 meses e 13 dias. O encontro com a mãe acontece na sala de espera da instituição. A Sra. L., toma logo o filho dos braços da assistente materna e de imediato o entrega, pedindo que esta retire o "manteau" da criança pois teme lhe fazer mal.

Passamos para a "sala dos bebês" e Thierry, novamente nos braços da mãe, fica numa posição transversal sobre o corpo desta. Observo que ele é ativo na busca desta posição, mas não fica claro se é ele ou a mãe quem inicia este movimento. Uma vez instalada, a criança permanece sem se mexer, totalmente colada ao corpo da mãe. A Sra. L., olha para o exterior e nos fala do seu passado de criança abandonada.

Thierry com a cabeça voltada para baixo, mantém os punhos fechados, pernas estiradas e olhar vago. O único contato entre mãe e filho se passa no corpo a corpo, outras trocas são inexistentes nesse momento. "Era assim que ele ficava quando estava na minha barriga", nos diz a mãe.

Algum tempo depois, a Sra. L., coloca Thierry no bebê-conforto e ele começa a chorar. Sua mãe o retoma logo em seguida e eu proponho que ela lhe ofereça um brinquedo e instale o filho no tapete. O bebê fica calmo e a mãe pede a Michel (enfermeiro psiquiátrico), que tire fotos do filho.

Depois Thierry se vira, olha o espelho, sorri, de repente começa a chorar, mas não faz movimento de verificação e busca da mãe. A Sra. L. se precipita e com grande ansiedade toma mais uma vez o filho nos braços. Novamente mãe e filho se fundem no corpo a corpo, ficando a criança praticamente imóvel sobre a barriga da mãe. Por várias vezes a Sra. L. me pergunta se Thierry adormeceu, pois não quer descolá-lo do corpo para verificar.

A criança adormece e logo que é colocada no berço, acorda. A mãe fica desnorteada e se precipita novamente para retomar o filho nos braços. Sugiro que ela tente consolar seu bebê sem tirá-lo do berço, mas na primeira tentativa ela desiste e mais uma vez coloca o filho colado a seu corpo e este pára de chorar. A Sra. L. me pergunta se o filho sente fome e lhe dá a mamadeira. Ele recusa, vira a cabeça e se enrijece. A mãe lhe dá yogurte mas ele recusa após a terceira colher.

Como estava combinado, vamos ao parque. Sou solicitada a colocar o "manteau" da criança enquanto Michel é o terapeuta "escolhido" pela Sra. L. para escutar sua história de menina abandonada. No parque, a mãe toma novamente o filho nos braços e após uns vinte minutos o acorda para dar a mamadeira. Depois de muitas tentativas da mãe, Thierry começa a sugar lentamente, sem vontade, como se comesse para dar prazer e acalmar sua mãe. Enquanto toma a mamadeira, Thierry permanece deitado com a cabeça posta no braço esquerdo da mãe, pernas estiradas, braços soltos ao longo do corpo, punhos fechados. Não olha nem a mãe nem a mamadeira. Olha o céu, o que está em torno dele, sem contudo demonstrar o menor interesse.

Meia hora depois a criança ainda não havia terminado a mamadeira que a mãe insistia em lhe dar. A Sra. L. se mostra cansada, diz estar com o braço doendo e refere ser este o lado onde tinha o câncer. A criança começa a escorregar, a mãe não consegue acomodá-lo e solicita minha ajuda.

No carro, retornando para a casa da assistente maternal, a Sra. L. continua a alimentar o filho e se mostra angustiada porque o filho não terminou a mamadeira. Acha que a assistente materna vai recriminá-la e diz para Thierry: "Coma pela honra de sua mamãe". Fala-nos do marido que está hospitalizado (em decorrência da tentativa de suicídio) e do quanto acha longo esperar uma semana para reencontrar o filho.

Ao chegarmos na casa da assistente materna., somos acolhidos pelo marido desta que comenta que Thierry é uma criança tranqüila e que sabe bem reclamar quando está com fome. A Sra. L. beija o filho e partimos para acompanha-la até seu domicílio. No retorno, ela fala do filho mais velho que está com 14 anos e que sob ordem judicial vive em outra região do país sob os cuidados de uma assistente materna.

EVOLUÇÃO DA CRIANÇA SOB O ÂNGULO DO PROCESSO DE SEPARAÇÃO - INDIVIDUAÇÃO.

Durante os dois primeiros anos de acompanhamento de Thierry, ficou evidenciado como este, nas suas manifestações comportamentais e nos jogos, estabeleceu uma distância entre seu corpo e o corpo materno, constituindo um espaço diferenciado.

Inicialmente não conseguíamos falar da criança sem falar da mãe pois ao se encontrarem, fundiam-se num só corpo e todos os que estavam ao seu redor pareciam inexistir, inclusive o pai e a assistente maternal. Mãe e filho se fechavam num delírio fusional, ilustrando o que Joyce McDOUGALL (1987), fala sobre a fantasia primordial de um corpo para dois.

Numa busca de continuidade, Thierry passou a tentar reproduzir com a assistente materna, comportamentos e brincadeiras comuns a ele e sua mãe. A assistente materna, sentindo-se invadida pela loucura materna e temendo uma perda de identidade, estabeleceu-se na relação com posições rígidas onde se firmava diferente da mãe. "Comigo não. Isto você faz com sua mãe", dizia à criança em resposta às solicitações de determinadas brincadeiras.

Thierry, me utilizando como ponto de continuidade e como guardiã de seu espaço psíquico, passou a aproveitar da minha presença, evocando uma ou outra mãe nas respectivas ausências, seja através de comportamentos específicos ou brincadeiras próprias a uma ou outra. Fazia-me assim testemunha de suas tentativas de se sentir o mesmo nas diferentes e contraditórias situações em que se encontrava implicado.

O pai, utilizando o enfermeiro como figura de identificação, foi aos poucos saindo de sua posição de bebê e se firmando no lugar de homem e de pai, podendo colocar alguns limites nas tentativas de "reengolfamento" da mãe em relação à criança. Bem interessantes eram suas conversas paralelas com o enfermeiro sobre creme de barbear, bebidas preferidas e outros temas que qualificava como "próprios aos homens".

Foi no episódio da anorexia de Thierry, que o Sr. L. passou a se firmar como aquele com quem o filho se alimentava com menos dificuldade. Fato esse que o renarcizou, tornando-o cada vez mais seguro no seu lugar de pai.

Uma capacidade lúdica, antes bastante empobrecida na criança, começou a aparecer. Diante do espelho, Thierry passou a buscar seus limites corporais e iniciar com a mãe jogos de esconde - esconde e de pega, numa clara evidência do seu caminhar rumo ao processo de separação - individuação. Começava assim a se constituir psiquicamente como um sujeito diferenciado da mãe e a se dirigir e estabelecer um contato privilegiado com o pai que o acolhia nas suas idas e vindas . A linguagem da criança começou a surgir, testemunhando que o seu processo de constituição do sujeito estava em andamento.

O que pudemos concluir neste caso é que Thierry foi investido narcisicamente pela mãe, embora os sentimentos e ações desta se dirigissem mais ao bebê fantasmático do que ao bebê real. Aprisionado numa relação fusional e caótica com a mãe, muitas vezes incluído no delírio materno e não protegido pelo pai que, bastante comprometido psiquicamente, não se firmava como terceiro, Thierry corria o sério risco de se estruturar de modo patológico.

Durante longo tempo esta criança apresentou um contato bastante adesivo com a mãe, persistindo a identificação adesiva sem mediação, ao mesmo tempo em que apresentava uma defesa em relação à proximidade corporal e à apreensão de objetos. Era também preocupante a pobreza dos movimentos pulsionais e a desorganização somatopsíquica evidenciada pelo espasmo do soluço e anorexia com vômitos.

Um núcleo patológico de hipermaturação e hipervigilância, que como refere Pierre BOURDIER (1972), caracteriza a relação entre bebê e mãe psicótica, estava presente em Thierry e era mais um sinal de sofrimento psíquico desta criança.

A intervenção terapêutica precoce, incluindo um ambiente protegido (lar substituto), pôde proporcionar à criança a possibilidade de se constituir psiquicamente de forma harmoniosa e aos pais de exercer suas funções materna e paterna de um modo mais adequado.

Muito ainda poderia ser dito sobre esse bebê e seus pais, assim como sobre as alterações ocorridas no enquadramento terapêutico desse caso. Espero no entanto que o material aqui apresentado possa servir de subsídio para reflexão dos diferentes profissionais acerca da vulnerabilidade psíquica de uma criança envolvida precocemente numa relação patológica, e que possa também estimular um debate sobre os modos de intervenção preventiva e terapêutica que visem uma proteção para o desenvolvimento da criança, considerando também a relação desta com os pais.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BOURDIER P. L'hypermaturation des enfants de parents malades mentaux. Observation clinique et hypothèses. Revue de Neuro-psiquiatrie Infantile, 1972.

DAVID M. ,CASTEX E. , LEGER E. M. - Danger de la relation précoce entre le nourrisson et sa mére psychotique. La Psyquiatrie de l'enfant,vol. 24, fasc.1 ,1981.

DAVID M. - Souffrance du jeune enfant exposé à un état psychotique maternal. Perspectives psiquiatriques, 6/1, 1987.

HAAG M. - A propos des premières applications françaises de l' observation régulière et prolongée d`un bébé dans sa famille selon la méthode de Esther Bick. Tiragem privada, vol. 1 -1984.

Mc DOUGALL J. - Conferências Brasileiras. Editora Xenon, 1987.

WINNICOTT D. W. - Da pediatria à psicanálise, Francisco Alves Editora, 1987.

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* IVG Interruption Voluntaire de la Grossesse (procedimento legalizado na França).

*Maria do Carmo Camarotti** Michel Dubois ***Francoise Jardin  

3. Le Carnaval de Guyane : Une question d'identité culturelle - Esquisse d'une interprétation socioculturelle et psychologique du carnaval guyanais -

Par Singaïny Erick J-Daniel¹

Résumé :

A travers le « Touloulou », personnage mythique du carnaval guyanais, l'auteur tente de mettre en évidence « l'ombre portée » du carnaval guyanais par une approche socioculturelle et psychologique du phénomène.

Mots clés : carnaval guyanais - approche socioculturelle et psychologique -Touloulou

¹ Psychologue clinicien

Adresse actuelle :

N°3, chemin Eliard-Laude. Basse-Terre

97410 Saint-Pierre (REUNION)

e-mail : [email protected]

Introduction

C'est une banalité de constater que le Carnaval ne se réduit pas à un « simple folklore » d'une société visitée. Il nous suffit naturellement d'observer la manière dont cet événement suscite une véritable frénésie chromatique, musicale et comportementale pour celui ou celle qui y adhère, autrement dit pour une grande partie de la population elle-même. Nous allons tenter ici de rendre compte de ce phénomène populaire, non pas dans sa totalité empirique (dans ses aspects économiques ou politiques par exemple) - nous n'avons pas cette prétention -, mais dans sa dimension socioculturelle et psychologique. Le « Touloulou », personnage mythique du carnaval guyanais, nous servira d'exemple original pour illustrer ce que nous voudrions montrer ici, à savoir que le carnaval révèle à travers des mécanismes de communication culturellement approuvés, une idée du rapport d'un sujet et d'un groupe à sa propre histoire.

Le « Touloulou » : personnage mythique du carnaval guyanais

Le Touloulou est une figure centrale du carnaval guyanais. C'est une dénomination qui désigne un personnage féminin (tenu par des femmes) paré de tout un ornement vestimentaire généralement étincelant et très soigné qui recouvre la totalité du corps de l'intéressé, lui conférant un caractère mystérieux1. Les Touloulous ont leur propre espace d'expression culturellement et traditionnellement admis, ils paradent dans des « bals paré masqués », véritables « Maisons » traditionnelles2. Le public (surtout des créoles) vient nombreux pour assister et participer au spectacle. En effet, les Touloulous ont leurs propres règles, ce sont eux qui « mènent la danse », choisissent leurs cavaliers qui évoluent uniquement à découvert.3 Ce comportement codifié, objet d'une véritable vénération par les adeptes (il y a là un véritable tabou, une interdiction de dévoiler l'identité du Touloulou) et contenu dans un univers « sacralisé »4, nous donne quelques éléments quant à la compréhension de l'état des rapports sociaux entre les hommes et les femmes ainsi qu'entre les sexes.

Esquisse d'une interprétation socioculturelle et psychologique du carnaval Guyanais

D'un point de vue socioculturel, on pourrait dire que le Touloulou est le fruit de la rencontre entre des classes sociales et le processus historique guyanais. Il en résulte une re-création permettant de manière symbolique (au moins une fois l'an), des formes particulières de relations interpersonnelles fondées sur l'initiation5 et un nouveau type de rapport de pouvoir entre les hommes/femmes, pauvres/riches, blancs/gens de couleur. En effet, dans les « bals paré masqués », on rencontre des femmes qui vivent pour reprendre l'expression de Servulo Augusto Figueira [1], une « situation familiale à cartographie brouillée »6 mais aussi des individus qui appartiennent au milieu populaire ou à la classe moyenne (individus pour lesquels l'avenir demeure problématique). L'ouverture du carnaval est donc un moment attendu, il permet - dans un espace précis, dans un intervalle de Temps sacré - la réalisation de « tous les possibles » c'est-à-dire la création de nouveaux comportements et de nouvelles identités7 qui procurent un sentiment d'exaltation communautaire mais aussi à celui qui est en situation de souffrance ou subit une épreuve sociale, un statut de prestige et de pouvoir (sentiment de toute puissance), statut qui ne peut pas être atteint dans la société civile. Ainsi, l'adhésion à la « communauté carnavalesque » assure t-elle aux individus traversant une épreuve psychosociale, une intégration dans la société et une différenciation par rapport à celle-ci. Le « bal paré masqué » est donc un espace groupal qui permet à l'individu de s'exprimer et d'accéder à une plus grande liberté personnelle. Le visiteur de passage qui pénètre cette enceinte, est certainement surpris par l'atmosphère qui s'y dégage : un mélange suffocant de chaleur, de sueurs, de rythmes envoûtants qui accompagnent des corps entrelacés dont la posture évoque à l'occasion, un acte sexuel. Qu'on ne s'y trompe pas, il s'agit bien d'un procédé métonymique induit par la musique et les chansons carnavalesques composées pour l'essentiel, de symboles phalliques ( « Pique-niqueuse », « coupeur de canne », etc.) et de mouvements de danse évocateurs (« piqué », « tremblade », etc.) auxquels participe toute la communauté. Ce cadre à forte charge émotionnelle et symbolique joue t-il, sur le plan psychologique, le rôle d'un réceptacle qui contient, élimine des tendances instinctuelles inconscientes chez le participant ? Quels sont donc les processus individuels qui sont en jeu dans le carnaval ?

A la lumière des données précédentes, nous pouvons penser que les espaces d'expression carnavalesques sont susceptibles d'agir sur le sujet, dans le sens d'une réorganisation psychologique et sociale de celui-ci. L'insertion dans l'espace social du carnaval permet à l'initié, d'échapper à la tyrannie de la « Tunique de Nessus »8 que la société à collée sur sa peau, de convertir ses difficultés psychologiques et sociales en un phénomène culturellement admis. Le carnaval, les « bals paré masqués » mettent en place des actes unitifs [2]. Ces actes unitifs consistent « à penser, agir, sentir dans la même direction (...) », à créer « un centre de gravité au sein de l'individu, origine d'une sécurité interne qui lui permet de s'auto-réguler c'est-à-dire de maîtriser son émotivité, maîtriser des sentiments tels que l'ennui ou la culpabilité, éliminer les réponses mécaniques habituelles, inventer de nouveaux rôles, agir avec cohérence dans la direction qu'il a choisie ». Autrement dit, le carnaval assure une fonction créatrice et sublimatoire qui permet au participant éprouvant un mal-être psychologique ou social, d'élaborer dans une certaine mesure son symptôme (dont le plus souvent il n'en a pas conscience) qui ne peut pas être traité ailleurs. Mais ici le procédé psychologique est éphémère et coûteux : l'apaisement des tensions internes qu'il s'agit de satisfaire est étroitement lié (phénomène de dépendance) à la participation répétitive au carnaval.

En guise de conclusion

En définitive, le carnaval est une énorme projection rythmée, dansée et chantée des difficultés psychologiques et sociales de la société guyanaise dans pratiquement l'ensemble de ses composantes culturelles.9 Mais c'est aussi une véritable affirmation identitaire. En effet, à travers le carnaval, le Guyanais perçoit qu'il est le produit d'une histoire qui le constitue et qui trouve ses fondements dans un lointain passé (ici le mythe est à l'œuvre). Cette expérience interne s'accompagne d'une autre révélation à savoir que le carnaval forme la racine de son être profond, souvent déterminé par lui. Il comprend qu'il se sent appartenir non plus à une communauté de ceux qui partagent avec lui la vie quotidienne courante, mais à celle dont il partage - l'espace d'un temps - une histoire, c'est-à-dire la sienne.

Références :

[1] Laplantine. F. L'ethnopsychiatrie. Paris : Editions PUF, Coll  Que sais-je ? 1988 : 60 (cité par).

[2] Hamid Sallmi. « La communication défensive dans un groupe sectaire ». Nouvelle Revue d'Ethnopsychiatrie, 1987 ; n°7 : 86.

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Le mystère est aussi entretenu par tout un rituel  préparatoire où les hommes sont totalement exclus (inversion des rôles/déséquilibre symbolique)

2 « Nana » et « Polina » en sont les deux lieux mythiques. A noter que se sont des symboles féminins.

3 Les hommes reprennent leur « droit phallique » dans les soirées « Tololos » (figure masculine du Touloulou). Ce phénomène populaire prend aujourd'hui une très grande ampleur (inversion des rôles/rééquilibrage symbolique).

4 Puisqu'il engage l'existence de la communauté carnavalesque toute entière. Dans ces maisons (ou Temples), chacun à son groupe, ses musiciens fétiches, sa couleur d'ambiance, sa population, etc. Et gare à la femme qui n'est pas déguisée !

5 Les Guyanais utilisent le terme d'Université pour qualifier ce rite de passage. L'initié obtient un « diplôme » symbolique (délivré habituellement au cours de la soirée du « mardi gras ») qui marque son adhésion à la communauté carnavalesque. Le candidat est là véritablement transformé.

6 Coexistence contradictoire d'un modèle identitaire (ici matriarcal) et des formes d'existence « modernes ».

7 Il s'agit bien d'une véritable métamorphose identitaire qui permet au sujet d'assouvir tous ses fantasmes.

8 Nessus est un Centaure de la mythologie Gréco-romaine. Après ses 12 travaux, Héraclès qui avait épousé Déjanire dut s'exiler avec elle, après un grave accident. Pendant le voyage, le Centaure Nessus voulut violer la jeune femme. Héraclès le blessa à mort de ses flèches. Mais en mourant, Nessus offrit à Dyanis un filtre de fidélité qui, en réalité, est un poison. Dyanis le versa sur la tunique d'Héraclès, le vêtement brûla mortellement le corps du héros. La tunique de Nessus représente donc plusieurs choses : un cadeau empoisonné, le symbole des passions ou une contrainte.

9 Nous rejoignons l'analyse psychologique faite par Laplantine sur l'Umbanda au Brésil [1].

 

4. REUNIÕES E COLÓQUIOS

Dezembro

* Lille,1 e 2 : La Societe française de psycho-oncologie organiza seu XXIII congresso : « Câncers,crenças e espiritualidades ». Inrformações : [email protected]

*Paris, dia 3 : XXXIX Jornada de trabalho do centrro Alfrede Binet : « Criança deprimida ». Informações :[email protected] site : www.asm13.org

*Paris 3 e 4 : L'Association lacanienne internationale organiza as jornadas da Ali : « le phallus ». Informações : [email protected]

*Paris, dia 6 : « Segantini et la melancolie ». Informações : [email protected]

*Paris, dia 7 : Les Séminaires psychanalytiques de Paris organizam a conferência : a « Culpabilidade ». Informações : site : www.seminaires-psy.com

*Paris, 9 e 10 :La place de l'engagement affectif dans les soins ».Informações : [email protected] site : www.congresz-haptonomoe.com

*Dijon, dias 9 e 10 : «La psychose en question, premières alertes, quels recours, quelles réponses ». Informações : [email protected]

*Paris, dia 20 : « Bébés sublimes, bébés étranges. Pour mieux soigner les bébés et leurs parents ».Informações : dr m.-r.moro site : monsitre.wanadoo.fr

5. Livros recentes

A « lettre de psychiatrie française »  selecionou os seguintes livros :

  • Associação internacional de pesquisa em criminologia juvenil
    Bruylant, stämplli-50 €
  • Lições psicanaliticas sobre masculuno e feminino
    Paul-Laurent Assoun
    Economica-anthropos -10€
  • Seminários italianos sobre Wielfred Buprecht Bion
    In press-15€
  • Psicanálise do laço 
    Bernard Brusset
    Puf-8€
  • Cadernos de prehaut. Vol.2. Psicanálise e neurociências diante da clínica do autismo e do bebé: pesquisas e debates.
    Graciela c. Crespin (sob a direção)
    L'harmattan, penta-15,50€
  • O fator humano
    Christophe Dejours
    Pu-8€
  • Introdução geral à bioética : histoire, concepts e instrumentos
    Guy Durand
    Fides cerf-22€
  • Evolução psiquiátrica. 70-2 georges lanteri-laura
    J. Garrabe, M. Jeannerod, R. Tevissen e colaboradores
    Elvesier-36,50€
  • Ansiedade e distúrbios sociais
    Pierluidi Graziani
    Armand coli-9€
  • Jfp Jornal francês de psiquiatria.23, o que você entende por periculosidade?
    Coordenação : Thierry Jean
    Eres-15€
  • Clínica psicanalítica : conferências feitas no instituto de psicanalise de paris
    Rene Laforgue
    Biblioteca dos esgotados-50€
  • Um psicanalista no setor psiquiátrico :ficar por um fio
    Stephane Lelong
    L'harmattan-21,50€
  • Nos confins da identidade
    Michel de Muzan
    Gallimard-16€
  • Familias sem juizo : reviver após um traumatismo familiar
    Robert Neuburger
    O.Jacob-21,50€
  • Ensaio sobra a conação estética
    Jean Oury
    Le pli-20€
  • Verdade e mentiras de nossas emoções
    Serge Tisseron
    Albin michel-16€
  • Os alienados viajantes : o caso Albert
    Philippe Tissie
    L'harmattan-15,50€

6. Revistas

Abstrac psychiatrie : www.impact-medecin.fr

*La revue française de psychiatrie et de psychologie medicale : www.mfgroupe.com

*L'encephale:www.encephale.org

*Les actualités en psychiatrie: www.vivactis-media.com

*Neuropsy : www.neuropsy.fr

*Nervure : rédaction: Hôpital Sainte-Anne, 1 rue cabanis, 75014 paris. Téléphone: 01 45 65 83 09 fax. 01 45 65 87 40

*Neuronale (revista de neurologia do comportamento) [email protected]

*PSN :(psychiatrie, sciences humaines, neurosciences) : rue de la convention, 75015 paris. Fax : 0156566566

*Psychiatrie française : [email protected]

*Psydoc-broca.inserm.fr/cybersessions/cyber.html

*Synapse : [email protected]

*Evolution psychiatrique

 

7. ASSOCIAÇÕES

*Association française pour l'approche integrative et eclectique en psychotherapie (afiep)

*Association française de psychiatrie et psychologie legales (afpp)

*Association française de musicotherapie (afm)

*Association art et therapie

*Association française de therapie comportementale et cognitive (aftcc)

*Association francophone de formation et de recherche en therapie comportementale et Cognitive (afforthecc)

*Association de langue française pour l'etude du stress et du trauma (alfest)

*Association de formation et de recherche des cellules d'urgence medico-psychologique (aforcump)

*Association nationale des hospitaliers pharmaciens et psychiatres (anhpp)

*Association scientifique des psychiatres de secteur (asps)

*Association commission des hospitalisations psychiatriques france (cdhp france)

*Association promotion defense de la psychiatrie a l'hopital general (psyge)

*Association karl popper

*Association pour la fondation henri ey

*Association internationale d'ethno-psychanalyse (aiep)

*Collectif de recherche analytique (cora)

*Ecole parisienne de gestalt

*Ecole française de sexologie

*Ecole de la cause freudienne www.causefreudienne.org

*Groupement d'études et de prevention du suicide (geps)

*Groupe de recherches sur l'autisme et le polyhandicap (grap)

*Groupe de recherches pour l'application des concepts psychanalytiques a la psychose (grapp)

*Regroupement national en psychiatrie publique (renepp)

*Société française de gérontologie

*Société française de thérapie familiale (sftf)

* Société francophone de medecine psychosomatique

*Société française de psychopathologie de l'expression et d'art-therapie(sfpe)

*Société française de recherche sur le sommeil (sfrs)

*Société française de relaxation psychotherapique (sfrp)

*Société française de sexologie clinique (sfsc)

*Société française de psycho-oncologie/association psychologie et cancers

*Société d'addictologie francophone

*Société ericksonienne

*Société de psychologie medicale et de psychiatrie de liaison de langue française

*Société médicale Balint

*Union nationale des associations de formation médicale continue (unaformec)

*Union nationale des amis et familles de malades mentaux (unafam)

*Association Psychanalytique de France (apf)

*Société Psychanalytique de Paris (spp)

*Ecole Freudienne de Paris

 

8. SELEÇÃO de SITES

*Etnopsiquiatria : www.ethnopsychiatrie.net

Www.carnetpsy.com

*Collège de psychanalyse groupale et familiale www.psychafamille.com

*Œdipe www.oedipe.org

*Quatrieme groupe http://quatrieme-groupe.org

*Société psychanalytique de paris www.spp.asso.fr

*Www.doctissimo.fr

*Association Française des Psychiatres d'Exercice Privé:www.afpep-snpp.org

*Bulletin de l'ordre des médecins: www.conseil-national.medecin.fr

*Mediagora:http://perso.wanadoo.fr/christine.couderc/

*Agoraphobie.com:http://www.agoraphobie.com/

*Sitesfrancophones:http://www.churouen.fr/ssf/pathol/etatanxiete.html

*Distúrbios do humor (afetivos) : www.depression.ch

*Estados limites em psiquiatria: tratamento (d. Marcelli): suicidio escuta - 24/24 http://suicide.ecoute.free.fr

*Informações sobre o suicidio e as situações de crise: http://www.suicideinfo.org/french

*Centro de prevenção do suicidio: http://www.preventionsuicide.be

*Associação alta ao suicidio: http://www.stopsuicide.ch

*Suicídio : http://www.chu-rouen.fr/ssf/anthrop/suicide.html

*Drogas : http://www.drogues.gouv.fr/fr/index.html

*S.o.s. Réseaux : http://www.sosreseaux.com/

*Ireb - Instituto de pesquisas cientificas sobre às bebidas: http://www.ireb.com/

*Addica : addictions precarité Champagne Ardenne : http://www.addica.org/

*Internet addiction : conceito de dependência à internete: http://www.psyweb.net/addiction.htm

*Estupefiantes e conduta automobilistica; as proposições da sfta: http://www.sfta.org/commissions/
*stupefiantsetconduite.htm

 


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