Volume 22 - Novembro de 2017
Editor: Giovanni Torello

 

Julho de 2005 - Vol.10 - N 7

France - Brasil- Psy

SOMMAIRE (SUMÁRIO)

Docteur Eliezer DE HOLLANDA CORDEIRO

Sumário:

QUI SOMMES- NOUS (Quem somos)

  1. VITRO VERITAS: REPRODUÇÃO ASSISTIDA:"UM SABER SEM VERDADE" E "UM SABER NÃO SEM VERDADE" Marisa Decat de Moura (psicóloga-psicanalista)
  2. DESENVOLVIMENTO, INSTABILIDADE AMBIENTAL, FRAGILIDADE NARCISICA - A. Lazartigues (médico-psiquiatra)
  3. TESTE PARA O DIAGNÓTICO DO AUTISMO - Jornal "Le Monde"
  4. ASSOCIATIONS (Associações)
  5. LIVRES RÉCENTS (LIVROS RECENTES)
  6. REVUES (Revistas)
  7. SELECTION DE SITES (Seleção de sites)

QUI SOMMES- NOUS (Quem somos)

FRANCE-BRASIL-PSYCHIATRIE est le nouvel espace virtuel de "Psychiatry on Line" offert aux professionnels du secteur de la santé mentale d'expression lusophone et française. Ainsi, les lecteurs pourront désormais y trouver des traductions en français et en portugais d'articles concernant la psychiatrie, la psychologie et la psychanalyse. Sans oublier les rubriques habituelles : actualités, réunions et colloques, formations, associations, revues, sélection de sites.

QUEM SOMOS ?

FRANCE-BRASIL-PSYCHIATRIE é o novo espaço virtual de "Psychiatry On Line" oferto aos profissionais do setor da saúde mental de expressão lusófona e portuguesa.

Assim, os leitores poderão doravante nela encontrar traduções em francês e em português de artigos abrangendo a psiquiatria, a psicologia e a psicanálise. Sem esquecer as rubricas habituais : atualidades, reuniões e colóquios, formações, revistas, seleção de sites.

 

1. Vitro veritas: Reprodução Assistida:"Um saber sem verdade" e "Um saber não sem verdade"
Marisa Decat de Moura(psicóloga-psicanalista)

Somos testemunhas dos fascinantes avanços da ciência no campo da Reprodução Assistida. Esses avanços nos colocam questões inéditas, fundamentais com relação à maternidade, paternidade e aos filhos, questões que paradoxalmente revelam o impasse da ciência na sua tentativa de ser um discurso objetivo.

Podemos nos interrogar:

- O que aconteceu no século XX, cenário de grandes avanços no campo da ciência?

- O que a prática e a teoria psicanalítica podem nos dizer sobre a leitura da subjetividade no campo da Reprodução Assistida?

Na medida em que as técnicas nesse campo do conhecimento assinalam o deslocamento do possível (SELDES, 1992, p.132), escolhemos pensar esses avanços e seus efeitos na subjetividade sob a ótica da função paterna, já que essa função é "responsável" pelo saber de que há um impossível.

O império do discurso da ciência que determina hoje o laço social coloca em evidência o mal-estar na (da) paternidade, que nasce de um processo de luto − jamais acabado, de um pai e uma mãe que "deixam a desejar...". Não há espaço para o sujeito em um sistema que não tem lugar para o "luto".

O laço social que o desenvolvimento da tecnociência produziu não é determinado como o era pelo dizer de um mestre, até então fonte de referência para o outro. Agora, o que o determina é um conjunto de ditos. A determinação do laço social por um saber de enunciados sem enunciação vai interferir no exercício da função paterna, como ela se apresentava, pois vai afetar a legitimação de sua autoridade.

A clínica nos revela o sofrimento humano conseqüente à falta de referências que delimitam decisões e escolhas. Oferecem-se "respostas científicas" e, diante de sua insuficiência, o "pai" é invocado, em um momento histórico caracterizado pela angústia relativa à definição do papel do pai na pós-modernidade, o que dificulta o exercício de sua função.

A questão da autoridade e do poder era articulada ao lugar do pai na nossa sociedade, a qual legitimava a autoridade do mestre que enunciava. Hoje, a sociedade localiza e legitima a autoridade no conjunto de enunciados do saber científico, o que, como dissemos, vai ter conseqüências significativas com relação ao lugar do pai e o exercício da função paterna.

Acompanhando este processo de mudanças observamos um movimento de eliminação das diferenças sustentado pelo discurso pós-moderno que suprime a diferença entre objeto do desejo e o da consumação. Nesse sentido, a entrada da mulher no mercado de trabalho e o movimento feminista foram importantes no que se refere à modificação na relação de autoridade e poder entre pais e filhos. Os papéis e princípios hierárquicos −- pai/provedor, mãe/socializadora − mudaram para posições individualistas e mais igualitárias dos membros da família.

Colocando em questão a posição subjetiva e o lugar do pai na família pós-moderna, Romanelli (2003, p.24), cientista social e antropólogo, ressalta as mudanças na relação de autoridade e poder como organizadoras da cena doméstica nas famílias, legitimando deveres e posições hierárquicas específicas.

Ambos os conceitos de poder e autoridade, segundo ele, se referem à relação de comando e obediência mas nela se epressam de formas diferentes. Autoridade refere-se a experiências comuns vividas no passado e visam a posições hierárquicas preestabelecidas, e que, fazendo parte da tradição, organizam a relação de comando na família. O poder no entanto tende a abrir caminho para a transformação, até mesmo subvertendo posições tradicionais. É interessante pensar que a figura do "pai tradicional", fundador, que está em mudança, é aquela que por sua autoridade e poder de engendrar tem como dever, ao constituir uma família, cuidar de sua descendência.

Como pensar a nova configuração de "fundador" que necessita do exercício da psicanálise e de outros saberes para exercer sua função, cuidar de sua descendência?

Hurstel (1997, p.121), em um estudo rigoroso do declínio da imagem social do pai nos séculos XIX e XX e das novas condições do exercício da função paterna, enfatiza a relação de exclusão dos signos de controle da autoridade paterna que levam ao declínio da imagem social do pai, e ressalta os efeitos indiretos sobre o exercício de sua "função", demonstrando a paternidade colocada sob o signo da ruptura. O pai/provedor é agora também valorizado junto ao filho e não somente tendo lugar reconhecido no trabalho. A mãe/socializadora agora é valorizada no mercado de trabalho e não somente junto ao filho. O patriarca mutilado (ROUDINESCO, 2003, p.87-113), em uma família horizontal e em "redes", uma família em desordem, apresenta de forma inédita sua crise no seio da sociedade ocidental.

No entanto, a autoridade paterna soberana que muda, como vimos, para certa igualdade entre o pai e a mãe, e a desinstitucionalização do poder do pai, paradoxalmente, levam à tomada de consciência paterna (LE ROY, 1996, p.78) e à busca de respostas para as questões introduzidas devido ao desequilíbrio instaurado pelas mudanças.

Em vez de nos determos em uma posição saudosista paralisante, essas mudanças podem nos convidar a pensar, além da imagem, em uma função estruturalmente fundamental na constituição subjetiva e no movimento social que, ao desacreditar o pai, torna mais difícil sua intervenção como agente de uma função estrutural.

A psicanálise, neste momento histórico, ocupa um lugar específico que, ao se sustentar não por uma autoridade preestabelecida mas pelo poder subversivo dos efeitos da posição de sujeito, testemunha a dimensão do impossível, do não-todo-saber. A especificidade desse lugar e sua conseqüente responsabilidade no campo social onde se encontra o sujeito pós-moderno, têm como direção à constituição de um saber marcado pelo limite. Nossas reflexões visam a situar o analista diante do desafio dessa clínica, a qual traz subjacente a crença de que "tudo é possível" ou "nada é impossível".

A clínica da Reprodução Assistida convoca o analista à responsabilidade de sustentar a dimensão da enunciação, efeito do não-tudo-possível, em uma clínica paradigmática da pós-modernidade, e, como tal, construída sobre os efeitos do que não é claro no discurso da ciência.

REPRODUÇÃO ASSISTIDA

Uma criança nasce. Observo a movimentação da família, dos profissionais. O bebê "é apresentado" aos presentes na cena. Todos o olham intensamente, insistentemente, não cansam de olhar... Através da euforia, dos comentários e burburinhos, perpassa uma certa perplexidade.

- A qual pergunta buscam responder?

- E se insistem é porque não encontram a resposta?

Um bebê revela algo do impensável, isto é, o processo do não-ser ao vir-a-ser, e por isso, a pergunta de onde vem o bebê é uma pergunta para sempre à procura de resposta. O ser humano não pode se criar, a criança testemunha o real e não o originário.

Começam a surgir histórias: parece com o avô, não parece com ninguém; alguns acham que é a "cara do pai", outros a "cópia da mãe"; o que vai ser quando crescer começa a ser falado...

E o bebê está lá, "não sabe de nada". Não sabe que este banho de palavras, fundamental para sua constituição no Campo do Outro, representa tentativas de dar voz ao silêncio do inassimilável que ele testemunha.

O primeiro bebê de proveta do Brasil, Ana Paula, nasceu em 07/10/1984. Em 2004, quando completava 20 anos, ao dar uma entrevista diz que é freqüentemente abordada por pessoas querendo saber se ela é normal. Pergunta que é uma outra vestimenta para a mesma indagação sobre a origem. A mesma busca de resposta que possa dar consistência ao ponto de falta-a-ser do originário, apesar de todos os dados objetivos e científicos dos procedimentos de Fecundação em Vitro-FIV.

As técnicas de Reprodução Assistida − RA evidenciam a incidência da ordem simbólica sobre o corpo com o efeito de direcionar escolhas e condutas. A dimensão simbólica da função paterna dá ao homem um lugar além de sua redução a um espermatozóide

Para que uma criança possa nascer são necessários dois genitores, uma mãe e um pai. A distinção entre genitor e pai revela a função paterna, pois o filho não o é de óvulos e espermatozóides. É a isso que Lacan se refere em 1960 quando fala sobre a "Reprodução Assistida do futuro", que evidencia o Pai em sua função. Sempre nascido de uma mãe e um pai, mesmo "desconhecidos", o sujeito vai precisar vir-a-ser, além da sua história, além dos acontecimentos de sua origem.

Os procedimentos e técnicas de RA e seus efeitos terão conseqüências que ainda não conhecemos com relação às suas representações inconscientes. A questão relevante que se coloca de imediato é a disjunção entre reprodução e sexualidade, o que é uma decorrência "natural" da sexualidade sem reprodução, que se tornou possível após os avanços dos métodos anticoncepcionais. O filho e seus pais terão, fazendo parte de sua história, no lugar da relação sexual, procedimentos, exames laboratoriais e a presença do médico nesta cena que passa a ter representação inconsciente.

O desejo de ter um filho, até recentemente, acontecia na singularidade íntima da vida de um casal mas, hoje, se apresenta também nas clínicas e serviços para tratamento de infertilidade. Como diz Lacan, com a oferta se cria à demanda, assim podemos pensar que talvez, em um futuro próximo, esse "engravidar científico-tecnológico" será adotado por casais sem problemas de infertilidade. Em um artigo na revista "IstoÉ" de 12/05/2004, uma mãe que tinha tido filhos gêmeos pela técnica de Injeção Introcitoplasmática de Espermatozóide − ICSI − declara ao repórter: "Se eu quiser ter mais filhos vou fazer de novo na clinica" (grifo meu). Temos também como exemplo o parto cesariano, que antes era uma indicação para a impossibilidade do parto normal e hoje, justificativas científicas, convincentes, tornam esse procedimento ideal, para todos.

Os procedimentos da ciência, além de serem usados para o tratamento e a prevenção de doenças e conseqüências de acidentes e acasos da vida, veiculam, na nossa cultura, a idéia da possibilidade de eliminar o mal-estar "a qualquer preço". O fato de não ter filhos pode entrar nessa lógica e ao ser considerado como uma doença pelo discurso da ciência deverá por isso ser tratado e curado, a "todo custo".

Outro fator relevante na clínica de RA e que merece nos determos nele para refletir é a possibilidade de escolha do "melhor momento" para o nascimento de um filho. Como a clínica nos mostra com freqüência, adia-se esse momento para depois de: realização profissional, curtir a relação de casal, viajar, aproveitar a vida, etc. A possibilidade de controlar o momento da gravidez traz a idéia subjacente de que o filho desejado está relacionado a esse controle.

Sabemos que nem sempre a escolha do momento da gravidez está baseada no desejo. Um médico especialista em RA, fala, em um evento, de sua perplexidade diante de mulheres que têm "ganância de ter filhos". Ganância significa ambição de ganho, ambição desmedida. Sabemos que as palavras não são inocentes e não é sem razão que o médico as mencionou. O projeto de ter um filho pode se apresentar sob diversas roupagens: não ficar diferente de outras mulheres, garantir a continuidade da cadeia de gerações, evitar a solidão, preencher o vazio decorrente de uma perda, etc.

O desejo, do ponto de vista da psicanálise, é inconsciente e estranho ao próprio sujeito. A dimensão do desejo refere-se à realidade psíquica e portanto à ausência de objeto que o satisfaça na realidade. Freud situa a questão do desejo e sua natureza na concepção das primeiras experiências de satisfação. Lacan retoma a questão do desejo articulada a uma falta que não será preenchida por nenhum objeto real e cria o objeto a, objeto perdido desde sempre, que instaura a presença de um vazio. Portanto, à "presença" do desejo se articula a dimensão da impossibilidade, do não-tudo possível, diferente da "ganância", que se articula com a compulsão. O desejo de ter um filho para a psicanálise, como qualquer desejo, está sujeito às vicissitudes do inconsciente: recalque, condensação, produção de sintomas...

Localizar o projeto de um filho para depois da realização profissional está cada vez mais freqüente na nossa experiência. Quando a idade fértil está-se esgotando, diante do limite do tempo, o "projeto" entra em cena e com ele a angústia, efeito do "é agora ou nunca mais". O limite presentificado pode levar à demanda exigente de filho, e a cada tentativa seguida de fracasso, ela se torna cada vez mais imperativa e menos inserida no campo da impossibilidade... de se perpetuar.

À demanda do "quero um filho", a medicina responde prontamente oferecendo soluções. E interrogaos pela presença da função paterna operante nesse processo, responsável pelo fazer-saber de um impossível cujo efeito é a posição de sujeito responsável por suas escolhas, decisões e suas conseqüências.

Nós propomos pensar esse espaço como possível de autorizar o acolhimento do processo de paternidade nos tratamentos. O processo de paternidade é uma construção sustentada pela geracionalidade, a conjugalidade e os lutos nessas construções. Para que o Pai enquanto função possa comparecer é necessário que essa função, responsável pelo movimento Presença/Ausência que permite a criação do enigma do desejo, esteja presente na mãe e nos serviços e unidades de tratamento.

Para isso é preciso que os profissionais possam se servir de todo o avanço científico e tecnológico sem que a dimensão subjetiva esteja excluída. A subjetividade no discurso da ciência é colocada como elemento uniforme, e dessa forma compromete e "exige" a operação da função paterna, necessária para instauração da diferença que possibilita o advir do sujeito.

Ter um filho implica elaborar o lugar anterior de filho. O filho ao nascer evidencia a cadeia de gerações, testemunha a vida e sua finitude: de filho, pai; de pai, avô; de avô, bisavô... Este processo exige um trabalho complexo de elaboração de vivências anteriores que vão ser o suporte para a nova etapa: filho adulto, parceiro de uma mulher, pai.

PREMATURIDADE

Unidade de Terapia Intensiva - UTI

O pai que vem de um tratamento de RA chega após consultas, exames, punções ovarianas, colhimento de esperma, fecundação de óvulos, banco de esperma, etc. Ao iniciar o tratamento de infertilidade entra-se em uma engrenagem com vários percursos, e um desses caminhos leva à UTI neonatal. O número de nascimentos de bebês gêmeos e trigêmeos prematuros devido à implantação de óvulos nos tratamentos de RA tem aumentado significativamente em face da necessidade de implantar mais de um óvulo no útero para que a mulher tenha mais chance de engravidar.

O nascimento a termo de um bebê ocorre com 37 a 41 semanas de gestação. Antes desse período diz-se nascimento pré-termo. E temos bebês prematuros que nascem com 26 semanas de gestação pesando 600 gramas... Cada vez mais nascem bebês menores e com menos tempo de gestação. Uma mãe que espera trigêmeos e que sabe da inevitável ida de seus filhos para a UTI vem conhecer a unidade para "se preparar" e diz: "A data para o parto seria novembro, mas se chegar a agosto já será muito bom..."

Após o nascimento dos bebês, o pai chega primeiro à UTI porque a mãe não pode de imediato ir ver os filhos que acabaram de nascer e precisam de cuidados intensivos. O pai chega perplexo: o perigo de morrerem, de terem deficiências e doenças nasce junto com os bebês. Os acontecimentos ocorrem rapidamente e é necessário um tempo para serem assimilados. É um momento em que pouco se fala e muito se pergunta na tentativa de apreender o que paradoxalmente surpreende mesmo em uma situação "esperada".

Os pais chegam com perguntas que não têm as respostas que gostariam -

-Vão viver ?

- Vão ser crianças normais?

- Será possível criar três de uma vez?

O lugar do pai na UTI começa de maneira peculiar pois é ele que precisa saber sobre o(s) filho(s) e levar as informações para a mãe. É o pai que apresenta o filho, ele que até agora só conhece o filho "de longe", não tem o corpo-a-corpo como a mãe, que já "conhece" seu filho (LEFORT, 2003, p.47).

Além do fato de que nesse momento é o pai que pode estar na UTI, as equipes "sabem" de sua importância para o bebê e o convidam a comparecer. Mas a questão que levantamos é se essa abertura para a presença do pai na unidade autoriza também a de uma função específica que se presentifica somente se for possível a introdução da diferença.

Sabemos que são necessários dois a três meses de internação para bebês grandes prematuros. Questões como morte, seqüela, infecção, imprevisibilidade perpassam pela "certeza" dos procedimentos e da tecnologia e trazem subjacente o limite do "cada caso é um caso". Por outro lado, é um longo e intenso período em que o "encontro" com o real pode abrir espaço para a criatividade que esse encontro autoriza.

Esse tempo de internação permitirá ao pai se apropriar do seu lugar e, com a mãe, sustentar a diferença. Esta, ao se apresentar, realiza os cortes necessários para que o filho possa crescer, desde esse tempo de vida, sem ser tudo o que a mãe diz dele.

Um pai ao lado da mãe que carrega seu filho aconchegado no colo, depois de um tempo o carrega e o coloca um pouco distante do seu corpo. O bebê mexe as perninhas e ele diz: "Olhe como ele está se preparando para sair desta UTI". São maneiras diferentes de se preparar para sair, ambas essenciais e insubstituíveis. O pai vai acompanhar pioras, melhoras, complicações devidas aos procedimentos invasivos, necessários para a sobrevivência do bebê, testemunhando nesse tempo os limites da ciência e também os limites humanos. Trata-se de um tempo de luto pela perda de ideais: do pai todo-poderoso, da mãe toda protetora, da ciência infalível, da equipe perfeita. Como vimos, os espaços ocupados pelo discurso da ciência comprometem a função paterna na medida em que homogeneízam as apresentações subjetivas, o que impede a singularidade: todos amam o bebê, toda mãe é boa, todo pai protege do mal, todo filho é um presente dos deuses, todo bebê é lindo, a medicina salva sempre e salva bem. O discurso veicula o ideal do vínculo perfeito entre pais e filhos e da medicina que salva sempre. Sabemos que não é bem assim que acontece e qualquer expressão contrária ao ideal pode não ter espaço para que se possa dizê-la.

O que fazer com a mãe que rejeita o filho ao nascer com malformação? Com o pai que abandona a mãe quando o filho nasce? Com os pais que querem que o filho morra? E com o bebê que contra tudo e contra todos piora e morre, e ainda devido a complicações iatrogênicas do próprio tratamento?

Outro fator importante de ser levado em consideração é a conjugalidade e não somente a maternidade e a paternidade. Como disse um pai, "vou tirar minha mulher hoje daqui, vocês podem ficar horrorizados, mas vamos descansar desta história de quadro clínico estável dentro da gravidade!". Gosto muito do título de um trabalho de Alain Benoit (2003, p.133) " Meus pais estão ocupados...enfim eu vou poder dormir".

A relação com o bebê fica muitas vezes comprometida pela necessidade do tratamento intensivo. O investimento no bebê que vem de um tratamento de infertilidade e nasce prematuramente é intenso e pode absorver totalmente os pais e a equipe direcionando a preocupação para os procedimentos e a tentativa de dominar a situação, em vez do encontro com o filho, o que às vezes só a necessidade de um afastamento revela. Como diz Veronique Dufour (em texto inédito), o filho sujeito não pode ser rei na sua casa.

A conjugalidade, que precede a parentalidade, autoriza a função paterna que ensina o saber retirar-se "da mesma forma que o mar cria o litoral: retirando-se." (JULIEN, 2000, p.47).

Sabemos que se trata de um tempo difícil e "convidativo" para observarmos fatos e pensarmos somente na presença física dos pais. A passagem do ser vivo a condição de sujeito se faz mediante a linguagem, e um "afastamento" dos pais pode propiciar o "litoral" necessário para que eles possam estar com outro olhar para o filho, se interrogando sobre quem é ele além de toda essa história.

Tanto os pais quanto os profissionais vivenciam dificuldades, frustrações, desilusões, que necessitam de um espaço para "um trabalho subjetivo". O luto do bebê imaginário em todos está sempre por realizar.

 

2. Desenvolvimento, Instabilidade Ambiental, Fragilidade Narcisica - A. Lazartigues (médico-psiquiatra)

A novas famílias, novas crianças ?

Tradução: Maria do Carmo CAMAROTTI

NEUROPSYCHIATRIE DE L'ENFANCE ET DE L'ADOLESCENCE 2000 ; 48 :32-43

Os psiquiatras infantis constatam há algumas décadas um aumento da instabilidade motora, de condutas de oposiçào, de distúrbios do comportamento( fugas, atos auto e heteroagressivos), assim como abusos sexuais alegados ou provados.

A patologia dita neurótica, testemunha de uma conflitualidade essencial intrapsíquica, mentalizada, tende ao contrário a se tornar mais rara.

Isso coincide com  mudanças consideráveis importantes no exercício da parentalidade  (aumento das famílias monoparentais e recompostas, destaque da sexualidade dos pais e da precariedade de seus laços, frequência de trajetórias descontínuas marcadas por rupturas e restruturações transitórias do ambiente de vida da criança.

As relações pais-filhos transformaram-se, assim como as modalidades educativas que parecem fortemente fundadas sobre o afetivo, pregando a não diretividade, dando primazia ao hedonismo e individualismo, favorecendo a autonomização, voire ou mesmo a « adultização »precoces.

A criança deve construir sua identidade e elaborar seus inevitáveis conflitos de desenvolvimento ao seio de um ambiente bem menos estável, de um sistema de autoridade mais relativa, a organização da filiação tornando-se mais delicada e complexa; o interesse dito da criança, último valor de referência defendido com um ardor renovado, com dificuldade cada vez maior de ser definido  apesar da convocação de numerosos especialistas. As conseqüências previsíveis vão no sentido de uma maior fragilidade narcísica, com uma sensibilidade aumentada às separações e uma preponderância de dificuldadescom o meio em relação aos sofrimentos interiorizados: as instituições que acolhem crianças e adolescentes - incluindo, mas não exclusivamente, os dispositivos de cuidados - têm sem dúvida que se adaptar rapidamente e a repensar suas respostas em funçào de tais evoluções...

 

3. « O PRIMEIRO TESTE PARA O DIAGNÓSTICO DO AUTISMO VAI SER LANÇADO »

Informação publicada em" Mediscoop santé"

Tradução:Eliezer de Hollanda Cordeiro

Jean-Yves Nau informa no jornal « Le monde » que os « responsáveis da sociedade francesa de bio-tecnologia IntegraGen, baseada no Génopole d'Evry, acabam de anunciar o lançamento, a partir de 2006, do primeiro teste genético para o diagnóstico do autismo ». .
O jornalista precisa que « o teste deveria ser comercializado , inicialmnete,nos Estados Unidos e na Alemanha, como «home-test», isto é disponível sem prescrição médica".

Jean-Yves Nau ajunta que « o anúncio "d'IntegraGen" está relacionado com a publicação, na terça 19 de julho, no site da revista "Molecular Psychiatry", dos résultados de uma de suas equipes de pesquisadores. Dirigida pelo Doutor Jörg Hager, ela teria descoberto uma anomalia molecular parecendo diretamente relacionada com esta afecção, explicou o jornalista.

Ele salienta ainda que, "na teoria, uma descoberta deste tipo poderia representar um progresso, o diagnóstico precoce permitindo um tratamento mais eficiente do autista. Mas o teste já está sendo criticado ».

O jornalista cita o Professor Thomas Bourgeron (universidade Paris-VII, Institut Pasteur de Paris), um dos melhores especialistas da genética dos síndromes autísticos, que declara : « Não podemos deixar de levar em conta as graves questões, ao mesmo tempo éticas e técnicas, que desperta esta notícia. A questão da fiabilidade está ainda muito longe de ser resolvida. Por outro lado, a deontologia científica e médica opõe-se, na minha opinião, ao lançamento de empreendimentos comerciais fundados, em parte, na angústia dos pais, ou mesmo dos futuros pais".

4. Associations (Associações)

Association Française pour l'Approche Intégrative et Eclectique en Psychothérapie (AFIEP)

Association Française de Psychiatrie et Psychologie Légales (AFPP)

Association Française de Musicothérapie (AFM)

Association Art et Thérapie

Association Française de Thérapie Comportementale et Cognitive (AFTCC)

Association Francophone de Formation et de Recherche en Thérapie Comportementale et

Cognitive (AFFORTHECC)

Association de Langue Française pour l'Etude du Stress et du Trauma (ALFEST)

Association de Formation et de Recherche des Cellules d'Urgence Médico-Psychologique (AFORCUMP)

Association Nationale des Hospitaliers Pharmaciens et Psychiatres (ANHPP)

Association Scientifique des Psychiatres de Secteur (ASPS)

Association Commission Des Hospitalisations Psychiatriques France (CDHP France)

Association Promotion Défense de la Psychiatrie à l'Hôpital Général (PSYGE)

Association Karl Popper

Association pour la Fondation Henri Ey

Association Internationale d'Ethno-Psychanalyse (AIEP)

Collectif de Recherche Analytique (CORA)

Ecole Parisienne de Gestalt

Ecole Française de Sexologie

Ecole de la Cause Freudienne www.causefreudienne.org

Groupement d'Etudes et de Prévention du Suicide (GEPS)

Groupe de Recherches sur l'Autisme et le Polyhandicap (GRAP)

Groupe de Recherches pour l'Application des Concepts Psychanalytiques à la Psychose (GRAPP)

Regroupement National en Psychiatrie Publique (RENEPP)

Société Française de Gérontologie

Société Française de Thérapie Familiale (SFTF)

Société Francophone de Médecine Psychosomatique

Société Française de Psychopathologie de l'Expression et d'Art-thérapie(SFPE)

Société Française de Recherche sur le Sommeil (SFRS)

Société Française de Relaxation Psychothérapique (SFRP)

Société Française de Sexologie Clinique (SFSC)

Société Française de Psycho-oncologie/Association psychologie et cancers

Société d'Addictologie Francophone

Société Ericksonienne

Société de Psychologie Médicale et de Psychiatrie de Liaison de Langue Française

Société Médicale Balint

Union Nationale des Associations de Formation Médicale Continue (UNAFORMEC)

Union Nationale des Amis et Familles de Malades Mentaux (UNAFAM)

Association Psychanalytique de France (APF)

Société Psychanalytique de Paris (SPP)

Ecole Freudienne de Paris

5. Livros Recentes

A « LETTRE DE PSYCHIATRIE FRANÇAISE »  selecionou os seguintes livros :

*Le corps insoumis :psychopathologie des troubles des conduites alimentaires

Maurice CORCOS

Dunod-30 euros

*L'économie addictive : l'alcoolisme et autres dépendances

Jean-Paul DESCOMBEY

Dunod-27euros

*Notre coeur tend vers le Sud :correspondance de voyage, 1895-1923

Sigmund FREUD

Fayard-23euros

*Oeuvres complètes :psychanalyse., 1913-1914

Sigmund FREUD

PUF-46euros

*L'évolution psychologique de la personnalité

Pierre JANET

L'Harmatan-28euros

*Oeuvres choisies.I-Premiers écrits psychologiques(1885-1888)

Pierre JANET

L'Harmatan-14,50euros

*La mélancolie et ses destins :mélancolie et dépression

Anne JURANVILLE

In press-10euros

*Les destins croisés :de la psychiatrie et de la psychanalyse

Simon-Daniel KIPMAN

Doin-20euros

*Les drogues

Nicole MAESTRACCI

PUF-8euros

*L'homme sans gravité :jouir à tout prix :entretiens avec Jean-Pierre LEBRUN

Charles MELMAN, Jean-Pierre LEBRUN

Gallimard-5,30euros

*Mémoire sur la découverte du magnétisme animal.

Mesmer et le magnétisme animal(1853)

Frantz Anton MESMER

L'Harmatan -19,50euros

*Le corps et sa danse

Daniel SIBONY

Seuil-9euros

*Le goût de vivre :retrouver la parole perdue

Edouard ZARIFIAN

O.Jacob-19,90euros

 

6. Revues (Revistas)

ABSTRAC PSYCHIATRIE : www.impact-medecin.fr

LA REVUE FRANÇAISE DE PSYCHIATRIE ET DE PSYCHOLOGIE MEDICALE : www.mfgroupe.com

L'ENCEPHALE:WWW.ENCEPHALE.ORG

LES ACTUALITES EN PSYCHIATRIE: www.vivactis-media.com

NEUROPSY : WWW.NEUROPSY.FR

NERVURE : REDACTION: HOPITAL SAINTE-ANNE, 1 RUE CABANIS, 75014 PARIS. TÉLÉPHONE: 01 45 65 83 09 FAX. 01 45 65 87 40

NEURONALE (REVISTA DE NEUROLOGIA DO COMPORTAMENTO) [email protected]

PSN :(PSYCHIATRIE, SCIENCES HUMAINES, NEUROSCIENCES) : rue de la convention, 75015 paris. Fax : 0156566566

PSYCHIATRIE FRANÇAISE : [email protected]

PSYDOC-BROCA.INSERM.FR/CYBERSESSIONS/CYBER.HTML

SYNAPSE : [email protected]

EVOLUTION PSYCHIATRIQUE

 

7. SÉLECTION DE SITES (SELEÇÃO de SITES)

ETNOPSIQUIATRIA : www.ethnopsychiatrie.net

www.carnetpsy.com

Collège de Psychanalyse Groupale et Familiale www.psychafamille.com

Œdipe www.oedipe.org

Quatrième Groupe http://quatrieme-groupe.org

Société Psychanalytique de Paris www.spp.asso.fr

www.doctissimo.fr

Association Française Des Psychiatres D'exercice Prive:www.afpep-snpp.org

Bulletin de L'ordre des Médecins: www.conseil-national.medecin.fr

Mediagora:http://perso.wanadoo.fr/christine.couderc/

Agoraphobie.com:http://www.agoraphobie.com/

Sitesfrancophones:http://www.churouen.fr/ssf/pathol/etatanxiete.html

Distúrbios do humor (afetivos) : www.dépression.ch

Estados limites em psiquiatria: tratamento (D. Marcelli): Suicídio Escuta - 24/24 http://suicide.ecoute.free.fr

Informações sobre o suicídio e as situações de crise: http://www.suicideinfo.org/french

Centro de Prevenção do suicídio: http://www.preventionsuicide.be

Associaçao Alta ao Suicídio: http://www.stopsuicide.ch

Suicídio : http://www.chu-rouen.fr/ssf/anthrop/suicide.html

Drogas : http://www.drogues.gouv.fr/fr/index.html

S.O.S. RÉSEAUX : http://www.sosreseaux.com/

IREB - Instituto de pesquisas científicas sobre as bebidas: http://www.ireb.com/

ADDICA : Addictions Précarité Champagne Ardenne : http://www.addica.org/

INTERNET ADDICTION : conceito de dependência à Internete: http://www.psyweb.net/addiction.htm

Estupefiantes e conduta automobilística; as proposições da SFTA: http://www.sfta.org/commissions/
stupefiantsetconduite.htm


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