Volume 22 - Novembro de 2017
Editor: Giovanni Torello

 

Agosto de 2004 - Vol.9 - Nº 8

France - Psy

Atualidades

Eliezer de Hollanda Cordeiro

Sumário:

  1. TRADUÇÃO: Quando as neurociências encontram a psiquiatria(M. ALBERGANTI)
  2. Tradução: Questões sobre a formação psicanalitica( J.J. Kress)
  3. CALENDÁRIO CIENTÍFICO
  4. Seleção de sites
  5. Quem somos

1. Quando as neurociências encontram a psiquiatria(M. ALBERGANTI)

Artigo de Michel Alberganti publicado pelo jornal Le Monde, edição de 18.09.2003

Na coluna France-Psy de Março, fiz uma rápida referência ao artigo do jornal Le Monde ,intitulado, `Quand les Neurosciences rencontrent la psychiatrie``. Nesse artigo, Michel Alberganti apresentou os trabalhos científicos de Alain Berthoz, neurofisiologia e Professor no Collège de France, sobre a Síndrome de Capgras.

Uma das conseqüências felizes dessa tradução foi o trabalho sério, bem documentado, didático e inteligente de nosso colega Carlos Alberto Crespo, publicado em Psychiatry on line de Julho sob o título:

Tendo relido integralmente o artigo do jornal Le Monde-e percebendo melhor a importância desse trabalho que honra as pesquisas francesas- decidi enviar cópia do original francês para Carlos Crespo.

Agora ofereço aos leitores de Psychiatry on line a tradução completa do artigo sobre os trabalhos do Professor Alain Barthoz.

“Organizado pelos 20 anos da Fundação Ipsen au Collège de France, o colóquio ``Do cérebro ao pensamento``, ilustrou a capacidade da pesquisa em revelar as causas fisiológicas e genéticas de certos défices sensoriais e distú rbios mentais. Um retorno do corpo no universo do espírito.

Um adolescente de volta para casa apos haver caido de uma arvore e diz a seu pai: «Você nao è o meu pais, você é um impostor``! Alain Berthoz, neurofisiologista e professor no Collège de France, cita este caso de sindrome de Capgras, que leva a confundir pessoas próximas com impostores, afim de ilustrar as pesquisas atuais sobre o cérebro cujas grandes tendências foram apresentadas na segunda feira 8 de setembro, durante o colóquio ``Do cérebro ao pensamento``, organizado pela Fundação Ipsen por ocasião de seu vigésimo aniversário.

Ele salientou as duas interpretacões que podem explicar o caso desse adolescente.

``Existe naturalmente uma explicacão psicanalítica. O adolescente pode estar com raiva de seus pais, seu pai poude ter dado nele quando crianca, ele poude assistir cenas traumáticas, explica o professor.Mas existem outras causas que estão sendo estudadas atualmente com muita seriedade. Existe, com efeito, no cérebro vias de identificacão dos rostos por neurônios especialisados. As formas dirigem-se do córtex para o lobo temporal, onde a imagem e reconstituida e identificada de maneira neutra. á

CONSEQUENCIAS SOCIAIS

Paralelamente, a informação sobre o rosto e tratada no sitema límbico, sede, notadamente, do medo, do prazer e do afeto. Normalmente, esses dois tratamentos da informacão se combinam e se juntam. ``Uma explicacão moderna neurobiológica da síndrome de Capgras, é que existe uma lesão bioquímica ou uma rutura da fibra nesta ligação de duas apreciações do rosto do outro. Assim, a memória da identidade de uma pessoa e aquela, afetiva, das relações que pudemos ter tido com ele, não funcionam mais juntas``, precisa Alain Berthoz. O adolescente poude assim, ao mesmo tempo, reconhecer o rosto de seu pais mas estando convencido que ele pertence a um impostor``.

``Um enfoque deste tipo pode trazer consequências sociais importantes quando elas concernem doencas como o autismo. Este continua sendo as vezes interpretado como o resultado na crianca de uma mãe mortífera, isto é fria``. Ora, trata-se de uma doenca poligênica complexa e não de uma doença unicamente social, explicável por causas psicanalíticas``, nota o neurofisiologista. Os progressos das neurociências prometem ultrapassar bastante o quadro de uma simples melhora do conheceimento do cérebro e permitem entrever novas terapias para os disfuncionamentos cerebrais como a esquizofrenia, ou a ansiedade espacial (agorafobia, claustrofobia).Prova de uma profunda modificação das mentalidades, os pesquisadores das neurociências trabalham cada vez mais com psiquiatras. Alain Berthoz colaborou por exemplo com Jean Cottraux, responsavel da unidade de tratamento do estresse e da ansiedade no hospital neurológico de Lion, sobre a agorafobia.

O próprio tema do colóquio, que aproxima o cérebro do pensamento, vai no sentido da união entre as ciências duras e a psiquiatria . Uma longa história, como lembra Alain Berthoz: ``Na França, a psicanálise negou a existência do cérebro durante anos ``. O vasto panorama das comunicacões apresentadas no Collège de France testemunha igualmente da mudanca atual e do reconhecimento de uma necessária confrontação entre os diferentes pontos de vista.

A primeira parte do colóquio foi consagrada aos diferentes esclarecimentos dos niveis moleculares, genéticos e celulares do funcionamento do cérebro em relação com noções relacionadas com as origens do homem.( Svante Pããbo du Max Planck Institute de Leipzig). Christine Petit do Collège de France descreveu as origens genéticas e hereditárias dos distúrbios da audição. Carla Shatz, da Harvard Medical School de Boston, descreveu o nivel superior do funcionamento do cérebro ao tratar das ligações entre as ondas cerebrais. «Não se pode compreender as grandes funções cognitivas do cérebro humano, como a memória , a percepção, a emoção, a ação, o aprendizado e mesmo a criatividade se não dispusermos, ao mesmo tempo dos instrumentos oriundos de disciplinas como a psicologia cognitiva, a psicologia experimental, a neuropsicologia , as ciências da cognição afim de apreendermos o funcionamento do todo``, diz Alain Berthoz.

Mas, foi sem dúvida Eric Kandel, ao falar da relação entre a biologia molecular e do medo aprendido , que criou o laço mais explícito entre a análise fisiológica e os sentimentos. Sua apresentação se inscreve na sequência dos progressos realisados sobre as bases neuronais das emoções, com os trabalhos de Antônio Damasio (conforme Le Monde de 11de junho 2003) e de Joseph Ledoux,cujo último livro, Neurobiologia da personalidade, vem de ser editado na France por Odile Jacob».

PERCEPÇÕES INCONSCIENTES

Alain Berthoz vai na direção das neurociências integrativas, em seus trabalhos sobre a memória dos afastamentos. Ele defende há anos ,o reconhecimento de um sexto sentido, o movimento, estudando a maneira como o cérebro memorisa os percursos no espaço. « Além da memória visual, existe uma memória kinestésica que permete de nos lembrarmos de diferentes gestos, como les prises de virage », explicou. E esta estratégia que nos permete de memorisar cartas, encontrar atalhos ou calcular distâncias relativas. Nada mais nada menos do que as bases matemáticas.

A propósito das perspectivas terapêuticas dos trabalhos atuais sobre o cérebro, Alain Berthoz estima que «as neurociências serão essenciais no domínio dos défices sensoriais, que se trate de audição ou equilíbrio.». O pesquisador constata que durante muito tempo neglijamos as percepções «inconscientes», como às ligadas aos movimentos . Portanto, as vertigens demonstram esta realidade. «Tínhamos esquecido o corpo``, exclamou Alain Berthoz. Sua descoberta traz uma nova esperança terapêutica para doenças psiquiátricas, um dos maiores fracassos da medicina moderna». Michel Alberganti.

2. QUESTÕES SOBRE A FORMAÇÃO PSICANALÍTICA( J.J. Kress)

Na medicina, o saber é desde o início da formação dramatizado pela culpabilidade, na medida em que é da qualidade do saber do médico que dependerá o alívio ou mesmo a sorte do paciente. Toda insuficiência deste saber é perigosa e culpada. Ao contrário, o saber de que precisa a psicoterapia analítica é bem diferente, na medida em que este saber está do lado do que o paciente vai mostrar nas sessões e que é impossível de se prever.

O terapeuta perde nesse caso o contrôle que ele pode exercer pelo saber, e a culpabilidade ligada à ignorância não mais o atinge.Isto é as vezes desconcertante e exige o acompanhamento em um grupo de formação, o que pode trazer o risco de um recurso fanático à teoria.

A psicoterapia analítica necessita que seja suspensa a tendência a agir que caracterisa a medicina. Ora, a queixa do paciente, seu pedido pode colocar em jogo esta tendência a agir. Mais uma vez é a formação ao psicoterapeuta que indica as vias podendo canalisar a energia livre ligada a esta tendência, e uma dessas vias pode ser a reflexão teórica, o espaço de pensamento que a teoria oferece, a qual, entre outras funções, possue a de regular a relação com o paciente.

Notemos que muitas ambiguidades do estatuto da psicoterapia com relação à psicanálise não foram ainda esclarecidas. Vamos indicá-las no quadro do exercício da prática psicanalítica e da formação.

A psicoterapia analítica pode ser considerada como uma etapa da formação do psiquiatra, dando-lhe uma abertura mais adequada para os problemas relacionais. Mas ela pode tembém se ver erigida em posição de fetiche com relação a um ideal inacessivel de prática psicanalítica.

A dupla prática da psicanálise e da psicoterapia, segundo as possibilidades do paciente, concerne um grande número de psiquiatras. Podemos assim nos interrogar sobre a influência recíproca dos dois modos de trabalho: o rigor e a neutralidade analítica vão influenciar as psicoterapias, ou a tentação a agir da psicoterapia vai influenciar a prática psicanalítica do mesmo terapeuta?

Enfim, uma questão essencial para o psiquiatra reside em sua capacidade a acceder a uma posição de escuta fundada nas associações livres, sem que uma análise pessoal do terapeuta seja exigida. Já dissemos que as posições são diferentes sobre este problema, porque nenhum argumento decisivo, nenhum fator ligado à experiência é capaz de decidir com certeza entre o risco de engajar psicoterapias em processos relacionais que os psiquiatras não poderão talvez captar e acompanhar, e o interesse que consiste em dar aos futuros psiquiatras um meio de acolher em certos pacientes o que existe de mais específico em sua singularidade subjetiva.

3. CALENDÁRIO CIENTÍFICO

LA LETTRE DE PSYCHIATRIE FRANÇAISE propõe as seguintes reuniões:

SEPTEMBRE 2004

À AGEN: du 8 au 10: L'Association Française de Criminologie organise son XXXIV Congrès sur Responsables, coupables, punis?

Renseignements: AFC, P. Pélissier, 19 rue Ginoux, 75015 Paris-

Tél: 01 42 63 45 04 E. Mail: [email protected]

À DOUAI:, le 23: L'Utilité de Soin(cuidados)et d'information sur les Drogues de Douai organise ses 7es Rencontres sur Addictions er Créations.

Renseignements: USID, 91 rue M. Wagon, 59500 Douai. E.mail: [email protected]

PSYCHIATRIE FRANCAISE et l'ASSOCIATION FRANCAISE DE PSYCHIATRIE

proposent les Conférences de L'HOTEL DE LAMAIGNON, Paris: SOMMEIL ET RÊVE

Lundi 18 Octobre2004: Les méduses du rêve aux robes dénouées (Jackie Pigaud),

Lundi 15 de Novembre: Pensée inconsciente et rêve (Bernard Penot),

Lundi 17 Janvier 2005: L'enfant de la nuit (Rémy Puyelo),

Lundi 21 Mars 2005 : Onirisme et peinture( Annie Gutmann),

Lundi 23 Mai 2005: Hypnose et rêve (Francois Roustang) ( sous részeves).

4. SITES

Psiquiatria

ABSTRAC PSYCHIATRIE: www.impact-medecin.fr

ASSOCIATION FRANÇAISE DES PSYCHIATRES D'EXERCICE PRIVE:www.afpep-snpp.org

LA REVUE FRANÇAISE DE PSYCHIATRIE ET DE PSYCHOLOGIE MEDICALE: www.mfgroupe.com

L'ENCEPHALE:WWW.ENCEPHALE.ORG

LES ACTUALITES EN PSYCHIATRIE: www.vivactis-media.com

NEUROPSY: WWW.NEUROPSY.FR

NERVURE: REDACTION: HOPITAL SAINTE-ANNE, 1 RUE CABANIS, 75014 PARIS. TÉLÉPHONE: 01 45 65 83 09 FAX. 01 45 65 87 40

NEURONALE: (REVISTA DE NEUROLOGIA DO COMPORTAMENTO): [email protected]

PSN:(PSYCHIATRIE, SCIENCES HUMAINES, NEUROSCIENCES): rue de la convention, 75015 paris. fax: 0156566566

PSYCHIATRIE FRANÇAISE :[email protected]

PSYDOC-BROCA.INSERM.FR/CYBERSESSIONS/CYBER.HTML

SYNAPSE: [email protected]

ETNOPSIQUIATRIA: www.ethnopsychiatrie.net

PEDO-PSIQUIATRIA

Associação HyperSupers http://membres.lycos.fr/hyperactivite/

Guia para pais de crianças hiperativas http://www.planete.qc.ca/sante/elaine/

Sevicias em crianças http://www.med.univ-rennes1.fr/etud/medecine legale/sevices.htm

Abuso sexual : sites francophones http://www.chu-rouen.fr/ssf/anthrop/abussexuel.html

PSICANÁLISE

www.carnetpsy.com

SITES diversos

www.doctissimo.fr

Bulletin de L'ordre des Medecins: www.conseil-national.medecin.fr

SITES TEMÁTICOS

Ansiedade

Mediagora:http://perso.wanadoo.fr/christine.couderc/

Agoraphobie.com:http://www.agoraphobie.com/

Sitesfrancophones:http://www.churouen.fr/ssf/pathol/etatanxiete.html

Depressão

Distúrbios do humor(afetivos) : www.dépression.ch

Estados limites em psiquiatria: tratamento (D. Marcelli): Suicídio Escuta - 24/24 http://suicide.ecoute.free.fr

Informações sobre o suicídio e as situações de crise: http://www.suicideinfo.org/french

Centro de Prevenção do suicídio: http://www.preventionsuicide.be

Associaçao Alta ao Suicídio: http://www.stopsuicide.ch

Suicídio : http://www.chu-rouen.fr/ssf/anthrop/suicide.html

Toxicomanias e Drogas

Drogas: http://www.drogues.gouv.fr/fr/index.html

S.O.S. RÉSEAUX: http://www.sosreseaux.com/

IREB - Instituto de pesquisas científicas sobre as bebidas: http://www.ireb.com/

ADDICA : Addictions Précarité Champagne Ardenne: http://www.addica.org/

INTERNET ADDICTION : conceito de dependência à Internete: http://www.psyweb.net/addiction.htm

Estupefiantes e conduta automobilística; as proposições da SFTA: http://www.sfta.org/commissions/
stupefiantsetconduite.htm

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France-Psy est le nouvel espace virtuel de “Psychiatry on Line” offert aux internautes et aux professionnels du secteur de santé mentale au Brésil.

Notre but est de rendre plus aisé, l'accès à certaines publications en langue française concernant la psychiatrie, la psychologie et la psychanalyse.

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FRANCE-PSY é o novo espaço virtual de “Psychiatry On Line” dedicado aos internautas e aos profissionais do setor da saúde mental no Brasil.

Nosso objetivo é de facilitar o acesso a certas publicações em língua francesa concernando a psiquiatria, a psicologia e a psicanálise.

O leitor é cordialmente convidado a dar a sua opinião sobre os assuntos acima tratados, propor temas ou questões para as colunas ulteriores, apresentar sugestões para melhorarmos o site, tornando-o mais convivial. A participação dos colegas seria extremamente importante para o autor desta coluna. Meus agradecimentos antecipados a todos.

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