Volume 22 - Novembro de 2017
Editor: Giovanni Torello

 

Novembro de 2003 - Vol.8 - Nº 11

História da Psiquiatria

Psiquiatria Brasileira:1962

Dr. Walmor J. Piccinini

O acompanhamento que fazemos da psiquiatria brasileira ano a ano nos permite fazer algumas observações preliminares. A primeira delas é de que os acontecimentos sociais repercutem entre os profissionais e pacientes como membros de uma comunidade, mas não se expressam pela via das patologias e/ou dos artigos publicados. Grandes acontecimentos como o incidente dos mísseis em Cuba, receberam uma nota do editor dos Archives Roy Grinker. A mudança da capital do Brasil do Rio de Janeiro para Brasília provocou profundas mudanças em todo país e, principalmente, no Rio de Janeiro (Estado da Guanabara). O Professor Cincinato Magalhães de Freitas publicou no Jornal Brasileiro de Psiquiatria (1962. vol 11:(1-2); 3-22) “Contribuição ao Problema da Assistência Psiquiátrica do Estado da Guanabara”. Ao lado de propostas consideradas “modernas” como a extinção dos grandes hospitais, criação de ambulatórios em hospitais gerais e a idéia de que a hospitalização deveria ser vista como um período transitório na vida do indivíduo, apresenta idéias de transposição de critérios ingleses e americanos em franca expansão das hospitalizações, estabelecendo um índice de 3 leitos por mil habitantes, o que elevaria o número de leitos para o novo Estado para 9.900.

Episódios históricos como a renúncia do Presidente Jânio Quadros, o impasse da “Legalidade” e muitos outros, não chegaram a contaminar as observações clínicas.

Nos Arquivos de Neuro-Psiquiatria foram poucos os trabalhos psiquiátricos propriamente ditos. Destacou-se o Professor Nelson Pires, catedrático da Bahia com três artigos: A Regência dos Sintomas (1962, vol.20 (1); 30-39). A Memória Organísmica ( 1962, vol.20 (2); 111-121. Facilitação e Dominação dos Sintomas ( 1962. vol 20 (3)212-226. Nesses trabalhos Nelson Pires apresenta idéias interessantes e inovadoras. No primeiro afirma que o mesmo sintoma é dominável por terapêuticas diferentes. Defendia a idéia do tratamento útil e pelo seu efeito descobrir qual o fator que rege o sintoma. No segundo defende a idéia de uma memória orgânica. Os organismos face a agressões repetidas, aprendem, gravam e executam processos reativos que se replicam com facilidade e, às vezes, importunamente.

No terceiro trabalho compara a dor anginosa com sintomas de pânico. Escreve que a dor anginosa seria legítima (orgânica) e que o quadro de pânico seria ilegítimo (psicológico).

No volume 20 número 4 se comemorava os 20 anos de existência dos Arquivos de Neuro-Psiquiatria. Era publicado um trabalho do Professor Anibal Silveira. “Cerebral Systems in the Pathogenesis of Endogenous Psychoses”. (1962 vol.20 (4) 263-278). Trabalho apresentado no Terceiro Congresso Mundial de Psiquiatria em Montreal. O Professor A Silveira desenvolve idéias a partir dos conceitos de Kleist e Leonhard.

No meio dos assuntos diversos e das resenhas de livros encontramos alguns dados interessantes. O Dr. Paulo Fraletti foi eleito Presidente do C.E. Franco da Rocha. Marcelo Blaya apresenta para o Brasil o livro de Noyes e Kolb. Psiquiatria Clínica Moderna que se tornou o texto mais difundido nas Residências de psiquiatria que começavam pelo país.

No número seguinte o Professor Jayme Gonçalves escreve sobre o Manual de Psychiatrie de Henri Ey, 1v. 1013 pág. Editora Masson e Cia, Paris 1960.

Uma nota saúda o retorno da revista Neurobiologia de Pernambuco após três anos de interrupção. Relata que, de 1938 até 1958 a revista obedeceu à influência de Ulisses Pernambucano e esteve a cargo do Dr. Alcides Benício. A morte prematura de Jarbas Pernambucano em 1958 redundou na interrupção da publicação da revista. Em 1962 ela volta sob a direção do Professor Manoel Caetano de Barros. É editado num número único o número correspondente há três anos, volumes, 22,23 (e 24). No novo corpo de redatores encontramos os nomes de Galdino Loreto, Salustiano Gomes Lins, Mussa Hazin e Renê Ribeiro. O secretário era o Dr. Luiz Ataíde.

O Jornal Brasileiro de Psiquiatria, no ano de 1962, em vez de quatro números, publicou dois. Assim tivemos o vol.XI 1-2 e 3-4. Os trabalhos versavam sobre temas gerais e havia marcada presença de trabalhos em grupoterapia.

O ano de 1962 pode ser visto como um ano de dificuldade para os editores das revistas psiquiátricas, mesmo assim, surge uma nova revista pertencente ao Centro de Estudo da Casa de Saúde Doutor Eiras, tratava-se da Revista de Psiquiatria.

Coletamos 82 trabalhos publicados no ano de 1962. O J.Bras. Psiquiat. Publicou 20. A Revista de Psiquiatria publicou 10. O Hospital outros 10. Os Arq. Da Clinica Pinel e a Ver. Psiquiatria do C.E. Luiz Guedes publicaram 9 artigos. Neurobiologia publicou 3 e os demais trabalhos estiveram distribuídos em publicações médicas gerais.

Entre os trabalhos registramos uma tese de doutorado e uma de Livre-Docência. A primeira do Dr. Jarbas M. Portela de Minas Gerais (Portela, J. M. (1962). Síndrome de Associação Psicótica (reação psicótica ante a presença de um psicótico no grupo familiar). Doutorado, Tese. Belo Horizonte. Ed. Do Autor. Livre Docência na USP (Ribas, J. C. (1962). Aspectos psiquiátricos da intoxicação anfetamínica. Livre-Docência, Tese de Clínica Psiquiátrica. IP-UFSP, 1-92)).

Tomo a liberdade de registrar a publicação do meu primeiro artigo (Piccinini, W. J. (1962). Experiências de um Estudante de Medicina em um Hospital Psiquiátrico. Rev. Arq. Clin. Pinel , 2(3), 116-121.) Na ocasião eu era terceiroanista de Medicina e nem sabia que estava fazendo história. Creio ter sido o primeiro Acompanhante Terapêutico de pacientes, e até hoje utilizo esse tipo de auxílio no trato com pacientes psicóticos. É uma das possibilidades de se manter o paciente em tratamento domiciliar.

Nesse ano de 1962 tivemos dois encontros importantes para a Psiquiatria brasileira. O primeiro foi o III-Congresso Latino-Americano de Psicoterapia de Grupo, no período de 15 a 19 de julho em São Paulo. O segundo, foi o II Seminário Estudantil Latino-Americano de Psicologia Médica realizado em Ribeirão Preto sob a direção do Professor Hernan Davanzo Corte com o auxílio de jovens professores, entre eles Flávio Fortes D´Andrea.

Ano de 1962

1. Albuquerque, M. A. (1962). Tratamentos Psiquiátricos de Urgência. Rev. AMRIGS, (6), 89.

2. Andrade, L. H. (1962). A Maturação Emocional no Grupo Terapêutico. J. Bras. Psiquiat. 11(1,2), 23-44.

3. Andrade, O. M. (1962). Ação Criminógena da Maconha. J.Bras.Psiquiat., 11(1,2), 119-125.

4. Andrade, O. M. (1962). Atentado ao pudor motivado por esquizofrenia paranoide. J.Bras.Psiquiat., 11(3-4), 289-295.

5. Anjos, E. S. (1962). O clorprotixeno em psiquiatria de ambulatório. Rev. O Hospital, 62(4), 125-131.

6. Armony, N. (1962). Considerações sobre o problema da consciência. J.Bras.Psiquiat., 11(3-4), 263-287.

7. Arruda, E. (1962). O teste de Koch em orgânicos e esquizofrênicos. Revista De Psiquiatria, 2(2), 119-232.

8. Arruda, E. (1962). Observações clínicas com um análogo do Clordiazepóxido,o RO 2807. Rev. O Hospital, 62(5), 937-956.

9. Arruda, E. (1962). Terapêutica Ocupacional Psiquiátrica. Rio De Janeiro,Ed. Part., 1(1), 240.

10. Bastos, F. d. O. (1962). Conceito de Esquizofrenia. Rev. HCUSP. 17, 417-429.

11. Bastos, O. (1962). Estudo sobre a incidência de psicoses múltiplas em 3 pacientes. Rev. Neurobiologia, Recife., 2(1-2), 11-31.

12. Blaya, M. (1962). As Relações entre Familiares de Esquizofrênicos e a Equipe Terapêutica - Suas Dificuldades. Rev. Arq.Clin. Pinel, 2(3), 93-103.

13. Blaya, M. (1962). Equipe Psiquiátrica: Sua Integração. Rev. De Psiquiat. Do CELG, 2(1-2), 22-25.

14. Blaya, M. (1962). O Primeiro Hospital Dia Psiquiátrico no Brasil: Análise de seu Funcionamento e de seus Problemas. Rev. Arq.Clin. Pinel, 2(1), 28-33.

15. Blaya, M. (1962). Reintegração da psiquiatria na prática da medicina. Rev. O Hospital, 62(6), 1353-1359.

16. Blaya, M. (1962). A Unidade Psiquiátrica no Hospital Geral como Célula da Assistência Psiquiátrica Hospitalar . Rev. Arq. Clin. Pinel, 2(4), 153-160.

17. Brazil, H. V. (1962). Considerações sobre o uso do EEG como método seletivo em aviação. J.Bras.Psiquiat., 11(3-4), 243-256.

18. Brunstein, B. (1962). Medicina Previdenciária: Aspectos Psicodinâmicos. Rev. Arq. Clin.Pinel, 2(4), 146-148.

19. Bueno, U. P., & Capp A.P. (1962). Resultados clínicos de um novo psicotônico em menores oligofrênicos e epilépticos oligofrênicos. Rev. O Hospital, 62(5), 105-212.

20. Chebabi, W. L. (1962). Esquizofrenia Paranoide. Evolução da Psicoterapia Analítica de um Caso. J. Bras. Psiquiat. 6(3,4), 189-210.

21. Chuc, W. (1962). A ansiedade. Revista De Psiquiatria, 1(1), 36-52.

22. Ciulla, L. P. (1962). Contribuição À Nova Classificação das Doenças Mentais . Rev.De Psiquiat. Do CELG, 2(3-4), 19-21.

23. Contini, L. (1962). Homicídio praticado por esquizofrênico paranóide incluído nas condições do art.22 (caput) do Código Penal. Revista De Psiquiatria, 2(2), 173-179.

24. Contini, L. (1962). Personalidade psicótica incluída nas condições do parágrafo único do art.22 do Código Penal. Revista De Psiquiatria, 1(1), 53-58.

25. Corrêa, F. R. (1962). Equipe Psiquiátrica : Sua Importância no Tratamento Hospitalar. Rev. Arq. Clin. Pinel, 2(4), 141-145.

26. Correa, P. D. (1962). Notas sobre a compreensão do doente mental. J.Bras.Psiquiat., 11(1-2), 113-118.

27. Cunha Lopes, I. d. (1962). Aspectos eugênicos e psico-higiênicos na constituição da família. J.Bras.Psiquiat., 19(3-4), 257-261.

28. Dantas, P. S. (1962). Perspectivas da Assistência Psiquiátrica no Brasil. Rev.Brasiliense De Psiquiatria, 40(..), 111-131.

29. Dias, P. C. (1962). Notas Sobre a Compreensão do Doente Mental . J.Bras.Psiquiat. 11(1,2), 113-118.

30. Fichtner, N. (1962). Contribuição ao Estudo da Oligofrenia . Rev. De Psiquiat.Do CELG, 2(1,2), 19-21.

31. Freitas, C. M. (1962). Contribuição ao problema da Assistência Psiquiátrica do Estado da Guanabara. J.Bras.Psiquiat., 11(1-2), 3-21.

32. Grabowski, J. R. (1962). Terapêutica dos distúrbios psico-vegetativos pelo G 33040 (Opipramol). Rev. O Hospital, 62(3), 137-145.

33. Guedes, P. L. V. (1962). Alguns Problemas do Ensino de Psiquiatria Dinâmica em Cursos de Pós - Graduação. Rev. De Psiquiat. Do CELG, 2(3,4), 22-30.

34. Guedes, P. L. V. (1962). Psicoses por Lesões Cerebrais. Anais Da Fac.De Medicina De Porto Alegre-UFRGS.
Notes: Jan-jun.1962

35. Haenny, R. (1962). Considerações farmacológicas sobre nova associação medicamentosa. tioridazina + barbitúricos (Sandoxal). A Folha Médica, 44(2), 115-117.

36. Hoirisch, A. (1962). Considerações psicológicas em torno de um incidente de vôo. Rev.Med. Aeronáut.Bras., 14(1-4), 24-35.

37. Leme Lopes, J. (1962). A Formação do Estudante de Medicina em Psiquiatria e Psicologia Médica. J. Bras. Psiquiat..
Notes: Relato Para o Segundo Seminário Estudantil Latino- Americano-Ribeirão Preto. SP

38. Lima Filho, H. d. A., LaPorta, E., Oliveira, W. I., & Schneider, G. (1962). Grupos terapêuticos e Grupos ideológicos. J.Bras.Psiquiat., 11(3-4), 173-188.

39. Lima, O. R. d. (1962). Técnica da Psicoterapia de Grupo. Rev. Paul. Med. 61(4), 260-264.

40. Machado, P. M. (1962). Posição Atual da Psicoterapia: Revisão Bibliográfica . Rev. De Psiquiat.Do CELG, 2(1,2), 26-34.

41. Madalena, J. C. (1962). Acerca dos ensaios terapêuticos com drogas psicotrópicas. Revista De Psiquiatria, 2(2), 133-142.

42. Madalena, J. C. (1962). Alterações da somatognosia na esquizofrenia. Revista De Psiquiatria, 1(1), 17-22.

43. Madalena, J. C. (1962). Ensaio terapêutico com o clordiazepóxido no alcoolismo. Rev. O Hospital, 62(1), 53-75.

44. Madalena, J. C. (1962). O Clordiazepóxido como medicamento antiepiléptico. J.Bras.Psiquiat., 11(3-4), 211-229.

45. Madalena, J. C. (1962). O emprego do Clorprotixeno (RO 4-0403) na psicose maníaco-depresiva. Rev. O Hospital, 61, 381.

46. Madalena, J. C. (1962). Um caso de Coréia Histérica. Revista De Psiquiatria, 1(1), 36-52.

47. Madalena, J. C. (1962). Um novo neuroléptico não fenotiazínico:1-{2-(5,6-dimetoxi-2-metil-3-indolil) etil}-4-fenil-piperazina. (Observações preliminares). Rev. O Hospital, 62, 1051.

48. Manfredini, J. (1962). A propósito da evolução conceitual dos delírios. Revista De Psiquiatria, 2(2), 91-100.

49. Masera, A. (1962). Contribuição ao emprego de flufenazina em geriatria. Rev. Bras. Med., 19, 348.

50. Medeiros, Á. (1962). Tratamento Psicoterápico em Geriatria . Rev. Arq. Clin. Pinel, 2 (4), 137-140.

51. Medeiros, M. d. (1962). Imprensa e Saúde Mental. J.Bras.Psiquiat., 11(1,2), 93-103.

52. Meneguini, L. C. (1962). Atuação Homicida como Defesa Contra Ansiedades Psicóticas. Rev. De Psiquiat. Do CELG, 2(1,2), 10-17.

53. Paim, I. (1962). Observação de um caso de esquizofrenia paranoide com delírio de configuração homossexual. Revista De Psiquiatria, 1(1), 3-16.

54. Paim, I. (1962). Tratamento da esquizofrenia pela clorpromazina. Publ. Med.(São Paulo), 33(1).

55. Penteado, U. (1962). Resultados clínicos conseqüentes ao emprego de um novo psicotônico em menores oligofrênicos e epilépticos oligofrênicos. O Hospital, 62(5), 1003-1017.
Notes: ( cloridrato de fenil 1 (piperidil2)1 (acetil metona). RP8228

56. Pereira, J. M. N. (1962). A perfenazina no alcoolismo. Rev. Fac. Med. Ceará., 2(2), 198.

57. Piccinini, W. J. (1962). Experiências de um Estudante de Medicina em um Hospital Psiquiátrico. Rev. Arq. Clin. Pinel , 2(3), 116-121.

58. Portela, J. M. (1962). Síndrome de Associação Psicótica (reação psicótica ante a presença de um psicótico no grupo familiar). Doutorado, Tese. Belo Horizonte. Ed. Do Autor.

59. Portela, J. M., Silva, A. R., Magalhães, N. C., & Batista, E. N. (1962). Algumas implicações da terapêutica farmacológica da ansiedade (Nota sobre o uso da flufenazina). Rev. O Hospital, 61, 551.

60. Portela, J. M. e. a. (1962). Implicações teórico-práticas da farmacoterapia em psicóticos (Observação clínica com proclorpromazina e placebo). Publicações Médicas, Rio De Janeiro, 33(1).

61. Portella Nunes Filho, E. (1962). Problemas Fundamentais da Psicologia Existencialista. J.Bras.Psiquiat., 11(3-4), 163-172.

62. Prates de Lima, N. (1962). Psiquiatria e Economia Política. J. Bras. Psiquiat. 11(1,2), 51-66.

63. Prunes, C., & Pinto Ribeiro, R. (1962). Psicanálise e Universidade. Rev. De Psiquiat.Do CELG, 2(3,4), 3-18.

64. Quintanilha Junior, R. (1962). Epilepsia reflexa acustogênica. Aspectos médico-legais da síndrome como doença profissional. Revista De Psiquiatria, 2(2), 163-172.

65. Ribas, J. C. (1962). Aspectos psiquiátricos da intoxicação anfetamínica. Livre-Docência,Tese-Clínica Psiquiátrica. IP-UFSP, 1-92.

66. Ribeiro do Vale, J. (1962). Farmacologia das drogas psicotrópicas, particularmente da maconha. Caderno De Terapêuticas,Rio De Janeiro, 6, 382.

67. Rubim de Pinho, A. (1962). Mesa-Redonda; "Problemas Sócio-Psicológicos do Maconhismo". Rev.Neurobiologia,Recife, 25(1-2).

68. Sampaio, B. A. (1962). Do emprego do Clordiazepóxido no delirium tremens e na alucinose alcoólica. Rev. O Hospital, 62, 1-22.

69. Santaella, A. (1962). Hipertensão Estados Depressivos. Rev.Arq. Clin. Pinel, 2(2), 74-79.

70. Santos, O. d. (1962). Resultados clínicos do uso da trifluopromazina ( Siquil) em esquizofrênicos com mais de dois anos de doença e submetidos a vários tratamentos. Rev. Bras. Med., 19, 574.

71. Santos, O. d. (1962). Sobre o uso de uma nova fenotiazina, a flufenazina,em esquizofrênicos com várias internações e já submetidos a outros tratamentos. Rev.Bras.De Medicina, (19).

72. Santos, O. d. (1962). Terapêutica Ocupacional: Métodos de Investigação e Tratamento. J. Bras. Psiquiat. 11(1,2), 67-92.

73. Schiller, M. B. (1962). Efeito inibidor do cobre sobre o consumo de oxigênio. J.Bras.Psiquiat., 11(1-2), 45-49.

74. Schneider, G. (1962). Suposto Básico de Dependência na Psicoterapia de Grupo. J. Bras. Psiquiat. 11(3,4), 231-242.

75. Silva, A. R. e. a. (1962). Flufenazina em esquizofrenia. Rev.Bras.De Medicina, 19, 528.

76. Silveira, N. (1962). C.G.Jung e a Psiquiatria. Rev. Bras.De Saúde Mental, 7(1), 45-114.

77. Simões, E. V. e. a. (1962). Drogas Psicotrópicas. Publicações Médicas,Rio De Janeiro, 33, 3.

78. Sonenreich, C., & Góes, J. F. (1962). Maconha e distúrbios psíquicos. Rev.Neurobiologia,Recife, 25(1), 69-91 .

79. Souza, C. B. (1962). Dados comparativos entre o emprego da Trifluorpromazina e Dicloridrato de Flufenazina. J. Bras. Psiquiat., 11(3,4), 275-287.

80. Zimerman, D. E. (1962). Nossa Experiência com Esquizofrênicos Crônicos. Rev. De Psiquiat.Do CELG, 2(3,4), 31-35.

81. Zimerman, D. E. (1962). Nossa Experiência no Tratamento Hospitalar de Jovens . Rev. Arq. Clin. Pinel, 2(4), 149-152.

82. Zimmermann, D. (1962). Marcos de Referência Teóricos na Psicoterapia de Grupo. Rev. De Psiquiat. Do CELG, 2(1,2), 3-9.

Como se podem constatar, os interesses dos psiquiatras brasileiros estavam voltados para a implantação de modernas técnicas de organização e tratamento hospitalar, novas drogas e o emprego da Técnica grupal de base psicanalítica.

Comparando com o que se publicava no American Journal e nos Archives poderíamos considerar alguns interesses similares. Vamos pinçar alguns assuntos. O primeiro que me parece atual até hoje é uma observação de Sir Aubrey Lewis, publicado no AJP em que examina a influência das nacionalidades nas publicações. Os americanos citavam como fonte de referência 81% de autores americanos. Os franceses 76% e os ingleses 46%. Esses parâmetros se modificaram na medida que o Index Medicus e depois a Medline foram se tornando a fonte maior de referências. Os autores brasileiros em muitos artigos chegam a utilizar 100% de referências estrangeiras, principalmente americanas. Esse foi o grande incentivo para meu trabalho de coleta das publicações nacionais reunidas no Índice Bibliográfico Brasileiro de Psiquiatria (atualmente com 12.700 referências) para que autores brasileiros fossem utilizados como fonte de referência. (A Revista Brasileira de Psiquiatria, indexada no Medline deve sempre ser lembrada como fonte de referência de autores brasileiros.)

Vem a propósito uma citação de Sir William Osler publicada no AJP.

“Estudar o fenômeno das doenças sem livros é navegar no oceano sem mapas, enquanto estudar os livros sem pacientes é deixar de navegar completamente”.

Voltando ao AJP registrei um trabalho precursor da nossa meta-análises. Trata-se do trabalho de Anderson, J.H. e Sanchez-Longo, L.P. no Bul. Da Assoc. Med. De Porto Rico. 1961; 53 pág. 123. Comentado no AMJ. Eles examinaram 200 artigos que analisavam a toxicidade dos fenotiazínicos e chegaram as seguintes conclusões: As maiores complicações são: agranulocitose, icterícia, dermatites e convulsões. Os maiores efeitos secundários são: extra-piramidalismo, inibição, hipotensão e alterações visuais.

Um trabalho publicado em janeiro de 1962 no AJP por Lemieux, discute “Changing Aspects of Schizophrenia”. Estou destacando esse assunto por ter sido objeto de considerações e observações pessoais na mesma época. O autor escrevia sobre sua impressão que o quadro clínico da doença mudara e que os pacientes atuais não pareciam ser tão doentes como os de épocas anteriores. Não pareciam tão doentes como costumavam ser, os sintomas eram menos dramáticos e a ansiedade manifesta, maior; buscam ajuda mais cedo, os tipos paranóides predominam e o prognóstico parece ser melhor do que anteriormente. Poderíamos acrescentar que estavam desaparecendo os grandes quadros histéricos, tipo opistótono, cegueira, paralisias. Os que apareciam provinham da periferia desassistida.

No mesmo número de janeiro de 1962 Walter Freeman faz uma defesa da psicocirurgia a partir de publicação do Ministério da Saúde Inglês. No período de 1942-54 foram realizadas 10365 lobotomia cerebrais na Inglaterra e havia uma idéia de que os resultados eram positivos. Outros artigos declaravam que a insulinoterapia não teria mais indicação e que deveria ser substituída pelas novas drogas.

Um outro trabalho interessante foi o de William Bellamy: “ Malpractice risks confronting the Psychiatry: A Nationwide fifteen-year study of Appelation Court cases 1946-1961. Os processos levados às cortes de Apelação seriam apenas 1% dos casos levados aos tribunais.

Em 1945 existiam 5.645 psiquiatras nos EUA 3 casos foram levados a Corte.

Em 1950 existiam 5856 psiquiatras nos EUA 5 casos foram levados a Corte.

Em 1955 existiam 8534 psiquiatras nos EUA 10 casos foram levados a Corte.

Nota-se que a grande fonte de problemas era a eletroconvulsoterapia e acidentes a ela relacionados, 9 casos. Seis casos eram sobre internamento compulsório. Um devido a suicídio e dois de causas diversas. De modo geral as decisões favoreciam aos psiquiatras.

Nos Archives of General Psychiatry os trabalhos seguiam uma influência psicodinâmica. Em maio, os membros da Joint Commission for Mental Health apresentam seus relatórios.

Do relatório de Keneth Appel pinçamos um dado impressionante. Ele revela que a comissão se deparou com os seguintes dados: 29 hospitais com 37 mil doentes e nenhum psiquiatra.

Curiosamente, 40 anos depois, alguns indivíduos desejam isso para o Brasil. Os psiquiatras estão sendo pressionados a se afastarem dos hospitais, principalmente os públicos, através de medidas restritivas, más condições de trabalho, salários deprimentes. Tudo é justificado pela negação da existência da doença mental. Toda a carga de desgaste e estresse está sendo jogada nos ombros da família. Ter um doente mental em casa significa dupla punição, a primeira é a doença e o sofrimento que causa e a segunda é ter que arcar com o cuidado e tratamento sem ajuda nenhuma.

Keneth Appel compara os gastos em pesquisa e mostra com número o desinteresse pelos problemas psiquiátricos. Para cada dólar gasto em pesquisa psiquiátrica, se gastava 70 na pesquisa da tuberculose e 900, na pesquisa para vencer a poliomielite. Essa foi vencida, quem sabe com maiores investimentos possamos diminuir significativamente a doença mental.


TOP