Volume 22 - Novembro de 2017
Editor: Giovanni Torello

 

Maio de 2003 - Vol.8 - Nº 5

História da Psiquiatria

A imigração italiana e saúde mental: Mais um (louco) para Brusque?

Ana Cláudia Delfini
Professora da Universidade do Vale de Itajaí - Univali

“A história mostra bem, com efeito, que os delírios mentais não são puras atividades dos doentes, mas construções coletivas, nas quais o meio-ambiente intervém pelo menos tanto quanto o próprio doente.” Roger Bastide

Este artigo é fruto de uma pesquisa sobre saúde mental e imigração italiana em Santa Catarina*, que busca discutir os modelos institucionais de tratamento da loucura presentes no Brasil a partir do séc. XIX, avaliando seus reflexos e desdobramentos em Santa Catarina, analisando especificamente o tratamento dispensado aos doentes mentais, (dentre eles alguns descendentes de colonos italianos) pelas duas instituições que marcaram modelos e concepções diferenciadas sobre a loucura: o Asilo de Azambuja, em Brusque, e o Hospital Colônia Santana, em São José.

A partir de 1910 a cidade de Brusque passou a contar com uma das primeiras instituições asilares do Estado, o Asilo de Azambuja, responsável pela assistência aos doentes mentais da região, muitos deles descendentes dos italianos que colonizaram a cidade. Em virtude da existência desse Asilo, circulava uma frase muito comum na região referente a cada novo “suspeito” que entrava na cidade: "Mais um pra Brusque", indicando que chegava mais um “louco” para o Asilo.

Desse modo, o presente artigo discutirá a percepção sobre a loucura em diversos aspectos, desde as autoridades municipais em Santa Catarina até o modelo asilar referente ao Asilo de Azambuja. Também discutirá o modelo científico com o desenvolvimento da psiquiatria no Estado através da construção da Colônia Santana e seu respectivo tratamento conferido aos internos do Asilo que foram para lá transferidos, assim como os demais descendentes de colonos italianos internados na Colônia.

Interessa-nos, pois, revisitar a vinda dos imigrantes italianos para Brusque adentrando no mundo imaginário da loucura, uma análise comumente não realizada nos estudos sobre imigração, percebendo a incidência de casos de internação referentes a seus descendentes na época da inauguração das instituições acima referidas.

A questão da loucura no contexto nacional e em Santa Catarina

Na segunda metade do século XIX, começou-se a pensar e a praticar uma assistência psiquiátrica no Brasil mediante a implantação da instituição asilar com a construção de hospitais de alienados nos principais centros nacionais, configurando-se uma assistência psiquiátrica cujo perfil estava adequado às propostas e necessidades políticas e sociais de modernização do país, conferindo antes uma assistência do que um tratamento curativo. O assistencialismo e a filantropia são característicos das instituições de misericórdia do sistema asilar, instalados no Brasil pelos colonizadores portugueses.

No período Imperial, os “loucos” que pertenciam à elite eram cuidados e vigiados pela própria família. Os que não pertenciam à mesma, eram enviados para asilos ou hospícios administrados por religiosas. Tais instituições, nesse momento, não possuíam um caráter curativo ou científico, apenas tinham o intuito de excluir do convívio social aqueles sujeitos considerados perigosos, loucos. Sob os cuidados das religiosas, os loucos ficavam em porões, trancafiados e presos na lógica da submissão caridosa imposta por este tipo de assistência.

Neste sentido, Michel Foucault, ao analisar a loucura, assinala que as estruturas asilares eram consonantes com as exigências da ordem social, da luta contra a desordem e o mal-estar social. Era, pois, necessário que se isolasse os doentes e os “inconvenientes”, desenvolvendo-se assim, no decorrer do século XVIII, instituições como as prisões, os hospitais e os hospícios.

Quando escreveu a respeito da loucura (História da Loucura-1961), Foucault procurou mostrar como o discurso da psiquiatria desenvolveu um discurso sobre o louco. O discurso da psiquiatria é o tratamento, a cura, mas o seu inverso (as práticas) garantia a manutenção da normalidade assegurada pelo trancamento do louco. A delinqüência, bem como a loucura, ameaça o sentido da normalidade e o funcionamento social. Confinar o louco é uma maneira de manter a ordem das coisas e garantir o bom funcionamento da sociedade

Foucault afirma que a polícia médica delineada no século XVIII, nos países da Europa, tinha como reflexo a organização da família e, por conseqüência, a função higienista do corpo. O indivíduo passa a ser dependente da medicina, o que se manifesta através dos “médicos que se apoderam da existência de seus clientes, exercendo seu poder sobre o corpo”. Assim, “o médico se torna o grande conselheiro e o grande perito, senão na arte de governar, pelo menos na de observar, corrigir, melhorar o `corpo' social e mantê-lo em um permanente estado de saúde”. (FOUCAULT, 1979, p. 203)

Isto se deve ao entendimento do “corpo” enquanto um elemento passível de estudo, sendo problematizado a partir do século XVIII mediante uma série de políticas públicas efetuadas tanto pelo Estado como por grupos religiosos (especialmente os quackers), entidades filantrópicas/beneficientes e as Academias de Ciência. Em virtude disso, desenvolveu-se uma “política de saúde” com preocupações anteriormente nunca pensadas ou sentidas. Esta nova política de saúde permitiu o deslocamento do entendimento da doença do campo da assistência social para novos campos como a economia e a política. Opera-se, nas palavras de Foucault (1979:196):“um esquadrinhamento mais rigoroso da população e das distinções que se tenta estabelecer entre as diferentes categorias de infelizes (...) o `pobre' é um dos primeiros a desaparecer e ceder lugar a toda uma série de distinções funcionais (os bons e maus pobres, os ociosos voluntários e os desempregados involuntários).”

A partir do final do século XVIII, pois, consolida-se a noção de bio-poder como arte do bom governo, do controle social baseado nos diagnósticos médicos. A história biológica do indivíduo se inscreve na pele e por meio do seu corpo. A importância conferida à medicina e ao hospital como agentes promotores da saúde originou uma nova economia que visava garantir a saúde de todos embora esse `todos' simbolizasse uma aguda diferenciação social. Além de um certo tipo de pobre, um pobre socialmente produtivo, também os desempregados e deficientes passaram a ser alvo de técnicas de saúde com vistas à manutenção de seus corpos - vivos e úteis. Não se tratava de erradicar a pobreza ou curar o deficiente, mas desenvolver uma política de saúde na qual a vigilância e a intervenção do Estado tornassem seus corpos `úteis' dentro de um corpo maior - o corpo social.

O corpo passa, pois, por uma série de novas significações, de novos sentidos. Não apenas um corpo forte ou fraco, doente ou saudável, rico ou pobre, válido ou inválido, mas, um corpo sujeito a ser útil, propício a ter e exercer funções sociais rentáveis ao Estado. Deste modo, a preocupação com a saúde é antes uma preocupação com o utilitarismo do corpo.

Estas preocupações podem ser visualizadas através da ação da polícia enquanto mantenedora da ordem que assegura o bem-estar de “todos”, através de práticas como a regulamentação das mercadorias (procedimentos de fabricação e circulação), cumprimento das medidas de ordem (vigilância de indivíduos suspeitos, caça aos vagabundos que poderiam incluir mendigos, criminosos, prostitutas), o respeito às regras gerais de higiene (cuidar da qualidade dos gêneros postos à venda, do abastecimento da água, limpeza das ruas etc...). A saúde torna-se um dos maiores objetivos da polícia médica, que vê na família um importante aliado, um agente constante de medicalização como mostra Foucault:

Desde o fim do século XVIII o corpo sadio, limpo, válido, o espaço purificado, límpido, arejado, a distribuição medicamente perfeita dos indivíduos, dos lugares, dos leitos, dos utensílios, o jogo do `cuidadoso' e do `cuidado', constituem algumas das leis morais essenciais da família. (Foucault, 1979, p.199)

Assim, havia um novo entendimento das funções médicas e hospitalares referentes ao espaço urbano. A cidade passa por um processo de medicalização onde ela é vista como um importante espaço sanitário. Crescem as campanhas de vacinação pública, as intervenções autoritárias do poder na ordem da higiene e das doenças. Conhecer a cidade implica em conhecer sua população, seus bairros, seu espaço geográfico, sua umidade, arejamento, seu sistema de esgotos, a localização dos cemitérios, prisões e portos, significa conhecer para intervir caso surjam focos de doença.

Dessa forma, o alienismo assume um caráter social embasado na teoria da “degenerescência” destinada à disciplinarização e limpeza das cidades. A medicina psiquiátrica assumiu um caráter de intervenção no organismo social não restringindo a sua atuação apenas nos indivíduos mas na saúde das cidades. A partir da segunda metade do século XIX houve a construção de hospitais de alienados nos principais centros nacionais, porém, a assistência psiquiátrica intensifica-se apenas no início do século XX com uma legislação específica.

Com a pressão vinda tanto por parte da população, que não admitia o tráfego dos loucos pela rua, como dos intelectuais e médicos, que achavam um absurdo os tratos aos quais eram submetidos os internos dos asilos e hospícios, o Estado Imperial inaugurou em 1852, na cidade do Rio de Janeiro, o primeiro hospital psiquiátrico, chamado Hospício de Pedro II. Não possuindo ainda um corpo de especialistas para atuar na área, a instituição ainda era dirigida por religiosas. Sua clientela era composta de pessoas pobres, marginalizadas e “inconvenientes”.

Com a ruptura entre a Igreja e o Estado, ocorrido em virtude da proclamação da República, houve a possibilidade de ascensão do saber médico/científico com a passagem das instituições para as mãos dos psiquiatras. Todavia, a caridade continua sendo um método muito eficaz que garantia o controle do louco através da sua submissão perante uma força maior - “o amor ao próximo, o bem-estar” - que inibia o diálogo e pressupunha a eterna obediência e a eterna gratidão por parte do doente mental.

Neste sentido, a loucura continuava a ser tratada com métodos que misturavam o saber religioso, orações e cuidados gerais com o corpo (banhos, alimentação etc...), com métodos terapêuticos naturais, como o recurso aos banhos frios e a exposição ao sol.

Como representante legítimo do Estado, o saber psiquiátrico vem modificar toda estrutura de representação e função das instituições. Antes encarado como forma de ordem e segurança, passa a ser visto como um problema de saúde/doença. Além de rotulados como anormais, tenta-se explicar o porquê de tal anomalia, encarando-a como doença, correspondendo a uma outra forma de controle. Os doentes continuam a ser excluídos do meio social, pois são como um “câncer” que deve ser isolado e tratado. Continua a exclusão, só muda o modo de encarar o excluído, antes anormal, agora doente.

Com o fim da escravatura (oficial) e a vinda dos imigrantes, os centros urbanos aumentaram. Com a necessidade de mão-de-obra, a recuperação dos “excluídos” torna-se foco principal dos discursos psiquiátricos. O conhecimento psiquiátrico é ampliado através das universidades e hospícios no que diz respeito à loucura.

A construção dos hospícios-colônias teve como finalidade tanto o afastamento dos “loucos” do convívio social nos grandes centros, já que tais instituições eram afastadas, como o de fazer com que os doentes trabalhassem no auto-sustento do hospital, através das atividades na lavoura, diminuindo os gastos do Estado. Como diz Nelson:

“A política de construção de hospícios-colônias, assim como o trabalho como forma de tratamento, não foi adotada apenas como alternativa para diminuir os gastos do Estado. Esta política foi incrementada justamente por ir ao encontro dos interesses do incipiente capitalismo brasileiro, que necessitava cada vez mais de mão-de-obra. Era preciso que todos trabalhassem, inclusive os doentes mentais.”(SANTOS, 1994,p.82.)

A normatização deveria atuar em todas as áreas, ruas, fábricas. As antigas casas e cortiços foram demolidos por serem considerados focos de doenças, epidemias, infecções. A cidade passa a ser vista como um organismo, sendo necessário mantê-lo saudável, evitando as doenças que proliferavam dos lixos, do mau cheiro permanente, da falta de saneamento básico, e conseqüentemente, as pessoas que moravam nestes lugares insalubres, isto é, os pobres.

A psiquiatria e suas instituições aumentaram de tamanho, construiu-se novos leitos e hospitais devido ao problema freqüente da superlotação. A partir de 1919 a abordagem psicanalítica funde-se com as concepções biológicas científicas, sendo criada em 1923 a Liga Brasileira de Higiene Mental (LBHM), instituição responsável pela criação do primeiro projeto de gestão social da loucura no Brasil. Sua atuação teve como princípio a ampliação dos hospícios-colônias, os quais deveriam adotar medidas de higiene mental para a melhoria da saúde dos loucos. Incorporou também no seu discurso a eugenia, que tinha como objetivo primordial a purificação das raças,desejando criar uma nova raça brasileira, a qual deveria ser “mentalmente sã”, sem vícios, dentro dos padrões de conduta de uma sociedade “civilizada”.

Na década de 30, no governo de Getúlio Vargas foi criado o Ministério da Educação e Saúde Pública que passou a controlar a Assistência a Psicopatas do Distrito Federal. Outra medida importante tomada por Vargas foi o decreto que dava proteção e assistência aos pertences dos psicopatas, bem como a fiscalização dos cuidados dados aos pacientes nas instituições psiquiátricas. Os tratamentos foram estendidos para o ambiente familiar, visando a diminuição da superpopulação dos hospitais. O tratamento extra-hospitalar deu grande poder à psiquiatria, que começa a atuar dentro e fora dos hospitais através da prática de prevenção.

Tal prática criadora e difusora de ideologia, penetra no corpo social e prolifera uma determinada racionalidade que conceitua o certo e errado. Quando assimilada pela grande massa, tal conceito passa a ser encarado como verdade. Sob o cunho moralista, devido a alegação da necessidade da erradicação desse mal, os poderes públicos acentuaram a vigilância e o controle sobre aquelas pessoas - bêbados, loucos, prostitutas - consideradas potencialmente vítimas e proliferadoras da doença. Eram pessoas tidas como “desviantes” que, ao circular pelas ruas, incomodavam a organização e a higiene da cidade.

Na década de 40, com a criação do Serviço Nacional de Doenças Mentais dirigido por Adauto Botelho, que concordava com a prática de asilamento, houve a iniciativa para a construção de novos hospitais, dentre eles a Colônia Santana, em Santa Catarina, que seguiu seu trajeto dentro dos parâmetros nacionais, não fugindo dos padrões das demais instituições brasileiras.

Contudo, a loucura já era um problema muito antigo em Santa Catarina. Podemos perceber como essa questão foi tratada pela municipalidade desde o final do século XIX, evidenciando diferentes sensibilidades frente à loucura, como passaremos a mostrar.

Há muito que a municipalidade manifestava-se a respeito da construção de um hospital através das inúmeras falas dos presidentes da Província, dentre os anos de 1881 a 1907, dirigindo diversas manifestações do poder público no sentido da organização de um hospital.

Em 1876 o Presidente da Província de Santa Catarina, João Capistrano de Mello Filho, fala da inexistência de um hospício de alienados/cadeia, quando então os loucos eram removidos para Ilha de Anhatomirim e de Santa Cruz, embora houvesse a lei provincial de 6 de maio de 1874 (n.721) que designava no artigo 4 o auxílio de 5 contos de réis para edificação de um prédio destinado ao recolhimento de alienados.

Este problema permanece ainda em 1881, quando na fala de João Rodrigues Chaves ao Presidente da Província, chama a atenção para a necessidade de um hospício, pois o “Imperial Hospital de Caridade abriga em um pequeno quarto os doentes mentais”. Pede a construção de um “asylo para mendigos a fim de evitar-se que continue a esmolar pelas ruas e praças públicas incommodando aos transeuntes, um meio de afugentar a muitos que pedem esmolas por ociosidade e preguiça, em logar de procurarem ganhar a vida pelo trabalho. Os alienados são infelizes, loucos, de condição pobre, (...) para manter a ordem e a tranqüilidade publica precisa de todo cuidado e vigilancia.”

Nesta fala fica evidente a necessidade de um asilo para livrar as ruas da então pacata e decente Nossa Senhora do Desterro, de gente pobre esmolando e incomodando os transeuntes nas praças públicas. Os mendigos devem ser afastados, assim como os alienados, das praças, lugar de sociabilidade para a elite local, cartão visita das cidades, e serem então recolhidos para um mesmo local - o asilo, eximindo-se assim, as autoridades locais da responsabilidade em cuidar tanto dos pobres, tidos como ociosos e preguiçosos, como dos doentes mentais, tidos como alienados infelizes, loucos e pobres. No jornal, A Verdade, de 15/09/1921, fica evidente a ameaça que um louco representava para os “jardins” da cidade:

“Antonio de tal foi acometido de um ataque de loucura. No Jardim Oliveira Bello, arrancou flores, inutilizou plantas, pizou a grama, quebrou galhos de árvores, ao passar pelos postes, estreita-vos num forte amplexo, julgando tratar-se de algum velho camarada, cantava, pulava, brincava, enfim, fez o diabo. A polícia, que não gosta de ver essas trepolias, agarrou o Antonio. Sabendo-o de Palhoça, para as autoridades de lá o enviou.”(FONTOURA, 1997, p. 74)

Percebe-se, pois, como o discurso higienista esteve presente na cidade de Florianópolis no início do século, quando então a cidade passava por reformas urbano-sanitárias nos moldes das cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, que por sua vez, copiavam as cidades européias. Antigas casas e cortiços foram demolidos, considerados focos epidêmicos, proíbe-se jogar dejetos no mar ou enterrar em espaços abertos como praças e jardins, a rede de água é criada em 1910, a energia elétrica bem como a construção de novas ruas e avenidas.

Dessa forma, as políticas higienistas foram decisivas para o controle da população e para a promoção do progresso, do urbano associado ao novo, das cidades saudáveis e limpas de pessoas infectas, sujas, que põem em perigo a saúde das pessoas, como evidenciam os relatórios dos presidentes da Província até meados de 1910, sendo constantes as queixas pela falta de um hospício que tratasse dos alienados, infelizes, “quase todos sahidos das classes mais pobres, andam a vagar pelas ruas desta cidade com risco de seus habitantes. É um espetáculo indigno da nossa civilização”, mostrando a freqüente associação da loucura com a pobreza.

Nota-se o quanto os loucos perturbavam os presidentes da Província até o início do século, não sabendo estes o que fazer com aqueles. Em 1936 o governador Nereu Ramos também posicionou-se a respeito, numa mensagem proferida à Assembléia Legislativa, segundo Nelson Santos: “Já é tempo de se cuidar da construção pelo Estado de um estabelecimento em que se recolham os alienados e onde lhes ministre o tratamento que a Psiquiatria vem aperfeiçoando.”(SANTOS, 1994, p.85)

Diante de todas as considerações acima, podemos inferir que as preocupações das autoridades públicas e sanitárias de Santa Catarina direcionavam-se à separação e reclusão dos “alienados” do resto da população considerada “sadia”, aquelas economicamente ativas e pertencentes às elites políticas locais. Sendo assim, interessa-nos averiguar a percepção e o tratamento da loucura no Estado de Santa Catarina a partir das duas instituições que inauguraram concepções diferenciadas da loucura: o Asilo de Azambuja e a Colônia Santana.

O Asilo de Azambuja

Inaugurado oficialmente em 29 de junho de 1902, a Santa Casa de Misericórdia de Azambuja englobava um hospital, asilo, orfanato e hospício. Porém, em 1901 já havia uma antiga casa de madeira para os doentes que eram separados de acordo com o seu grau de “normalidade”, sendo metade destinada aos doentes “normais” e a outra para os “anormais”.

O relatório do padre Gabriel Lux, em 18 de outubro de 1908, narra a história do Asilo a partir da história do santuário de Azambuja, que foi construído pelos imigrantes italianos da província de Milão que trouxeram uma cópia do quadro milagroso de Nossa Senhora do Caravagio, “querendo transplantar para aqui as tradições religiosas da velha pátria.” Provavelmente seu relato foi tirado das atas escritas pelas irmãs da Divina Providência que se referiam a este episódio da seguinte forma:

“Uns pobres colonos italianos vindo-lhes em 1884, trouxeram um antigo quadro de Nossa Senhora de Caravagio muito venerada nas proximidades de Milão. Estabelecendo no seu aprazível recanto de Azambuja, levantaram uma modesta capela em honra de Maria Santíssima, e depois do trabalho os obscuros camponeses visitavam a querida mãe de Deus e ela retribuía o amor e a confiança daquela boa gente com numerosos e manifestos favores” 1

Em 1876 os colonos iniciaram a construção de uma pequena capela em um terreno pertencendo a Pietro Colzani, pronta 09 anos depois, em 1885. Em 1892 o padre Antonio Eising assumiu a paróquia e construiu o hospital e “asylo de desvalidos, velhos e cegos”, sendo inaugurado em 29 de junho de 1902, com 03 irmãs da Ordem Divina Providência responsáveis pela assistência as doentes.

A caridade não tem pátria”, era o grande lema da Ordem Divina Providência, que reunia, “como uma grande família, alemães, italianos, polacos, poloneses, austríacos. Recebe a subvenção anual do governo do Estado (paga o número de 5 dementes no valor de 1$500 réis), da municipalidade e da ajuda dos bravos colonos e de esmolas.2

De acordo com o relatório do padre Lux, percebe-se a presença dos “bravos colonos” de Brusque/Azambuja na manutenção e nos cuidados com o asilo, porém, há uma carta datada de 1903, escrita pelo padre Antonio Eising ao bispo diocesano de Curitiba, que mostra que a cidade não se preocupava muito com os “bravos/pobres colonos”. Nesta carta, Eising pede a construção de um cemitério no hospital pois “o hospital não tem pessoas para acompanhar e levar os cadáveres até Brusque, como também estão fracos. Em Brusque, a gente não se importa com os fallecidos de Azambuja porque regularmente são pobres colonos.”

De acordo com o inspetor de saúde do estado, Dr Joaquim David F. Lima, em sua visita ao Hospital de Azambuja, junto ao chefe de polícia, o asilo representava uma verdadeira:

“casa de misericórdia, preenche ao mesmo tempo os fins de hospital, asylo de inválidos e desamparados, e hospício de alienados. A direção médica do hospício será confiada a um médico, de nacionalidade alemã, especialista, em que o padre Lux já se entendeu por carta. Acredito que uma vez que esteja funcionando regularmente aquelle hospício e sob a direção technica de um médico alienista, ficará em Santa Catharina perfeitamente satisfeita esta grande necessidade actual de assistência aos alienados.”(apud FONTOURA,1997, p. 28)

Visualiza-se, pois, uma das primeiras iniciativas em se tratar da loucura mediante um saber médico, especializado, que estavam se desenvolvendo no início do século. Entretanto, permanece o atendimento assistencialista religioso, e, apesar das boas intenções na construção do asilo, as irmãs da Divina Providência relatam um tratamento nada positivo em seu início:

“Tudo ainda era pobreza não a vendo outra renda a não ser a generosidade do povo desta terra faltando às vezes as mais necessárias. A subsistência alimentar vem por dádivas dessa boa gente entretanto faltavam muitas coisas como roupas e medicamentos e todo o material para construção digna de um hospital pois os doentes estavam deitados em péssimas camas alojadas em casebres que se achavam espalhados pela vizinhança.(...)Confiando no auxilio da divina providencia e na proteção da querida mãe do céu começamos o ano de 1942 mesmo trouxe para nós uma grande mudança pelo de já a tempo planejado o transporte dos alienados ao novo hospital ereto pelo governo do estado no município de São José. As irmãs Fernandina e Custodia já tinham algumas semanas antes providenciando todo o necessário ao nosso instituto. Em 4 de janeiro o governo mandou um caminhão e em 6 do mencionado mês levava dois outros caminhões os últimos alienados das colônia Santana. Assim nos deixavam nesse dia também irmãs Telefora e a irmã Francelina as quais conforme os desejos do governo partiram com os doentes, desse modo estava fechado o hospício de Azambuja fundado em 1902.”

Num outro trecho, há um relato que mostra o difícil convívio com os doentes, agora chamados de “mentecapatos” e tratados por um “médico especialista”. Neste relato, um pouco confuso, as irmãs narram uma perturbação sofrida por um dos padres que atendiam ao asilo, supostamente uma perturbação psíquica que foi redimida graças `as sangrias, ao confinamento e às orações, mostrando um tratamento à base de isolamento e oração:

“No dia 26 de junho de 1933 esteve aqui um médico especialista de mentecaptos a vê se poderia o reverendo Cornego Nicolal Geising Ele declarou que aqui não haveria cura para o bom sacerdote sendo que deveria ser levado a um sanatório sem com tudo poder garantir a cura, fez-se uma sangria no reverendo padre para aliviar a cabeça da grande pressão do sangue e ficou combinado que o doente seria levado a Itajaí para ser observado melhor e de perto pelo médico. E agora aos 27 de manha o padre Nicolau ainda está bastante perturbado e reclama pela sua liberdade fazendo-se a vontade dele, passa-se o reverendo padre Nicolau a tarde na companhia dos reverendos padres, pela noite porem pedem eles que se retirassem para seu quarto de grades obedecendo espontaneamente, deixa-se trancar. Chegamos hoje ao ultimo dia da novena do sagrado coração de Jesus feita para todos os devotos no santuário pela saúde do nosso estimado doente. De fato parece que ele está curado pois logo no dia seguinte a novena celebra ele a santa missa com tanta devoção como se nunca tivesse estado doente graças ao bom Deus pelo favor alcançado. O reverendo cônego Nicolau Geising passou perturbado aqui em nosso tratamento do dia 29 de novembro de 1933 até 37 de junho de 1934 no total de 211 dias”.

Entretanto, a perturbação psíquica parecia mesmo séria pois ainda em 1937 este “cônego Nicolau Geising, doente, foi a pedido do Sr. Dr. Bruno Chichon, enviado ao hospital de alienados em Curitiba. Depois de longa estadia e tratamento, voltou infelizmente pior.” Parece que as perturbações psíquicas atingiam muitos religiosos, tanto padres como seminaristas e as próprias freiras, como mostram os trechos abaixo:

“Deus visitou os seminaristas, um deles já filósofo desde algumas semanas doente das faculdades mentais. Alta noite de 13, 14 de outubro teve que ser buscado de volta da chácara onde tinha sido alojado devido aos visitantes, como é triste um homem tão piedoso e jovem num tal estado, uma vocação perdida. Estamos a espera de visitas das reverendas irmãs madres as quais decidirão sobre a organização do novo hospital quanto a clausura. (...)”

A mesma concepção de isolamento em celas é expressa no relatório de Lux em 20 de janeiro de 1909 ao bispo diocesano João Becker, quando fala da necessidade de clausura e de banhos terapêuticos como forma de tratar tanto os “epidêmicos como os alienados”, como se ambas as coisas fossem iguais. Porém, esse tratamento era dispensado aos alienados mais agitados, os “turbulentos”:

“Para doentes de moléstia infectuosa e para alienados turbulentos tem se feito e já está concluído um pavilhão de isolação contendo, além de um largo corredor, três celllas, uma cellla para banhos e um páteo fechado.(...) O valor do pavilhão eleva-se a três contos de réis, além das despesas com jardins, hortaliças, pomar, tudo para diminuir os gastos na cozinha. Além de um provedor e um servente, nenhuma das pessoas do serviço da casa é assalariada, mormente as irmãs da Divina Providência não recebem remuneração pecuniária nenhuma por seus abnegados serviços da caridade cristã.”

O padre quer ressaltar o serviço abnegado das irmãs, porém, queremos chamar a atenção para a proximidade do asilo à natureza, e das construções de jardim, hortas, pomares também como formas terapêuticas próprias do tratamento na concepção asilar. Em seu artigo sobre o Hospício São Pedro em Porto Alegre, Alexandre Schiavoni faz o seguinte comentário que pode ser comparado ao Asilo de Azambuja:

“Se, por um lado, o louco é possuído por visões irreais, olhar equívoco e distorcido sobre as coisas, por outro, é a natureza, por perfeição própria, lugar de retidão e ortopedia, realidade despossuída de fantasmagorias, de correção do real. Foucault no diz que esta perspectiva que valoriza a natureza curadora é anterior ao advento do manicômio, e que por isso, nos projetos de construção destes hospitais na Europa do séc. XIX, o médico Esquirol recomendava que cada cela fosse aberta para a vista de um jardim.” (SCHIAVONI apud LEAL, 1995, p. 331)

No relatório de 16 de janeiro de 1911, Lux descreve a construção do asilo, que evidencia a forma de entendimento sobre o tratamento referente à loucura:

“Conclui-se a obra do asylo de alienados. Consiste em duas alas laterais e uma parte central reservada à administração. Cada ala lateral tem um dormitório vasto, duas cellas particulares, um banheiro, uma sala para a refeição e um páteo de recreio. A casa central contém na parte térrea dois quartos de serventes, a cozinha, dois quartos fortes no sobrado e cinco quartos. Cada asylo tem 31m de comprimento sobre 8 ½ respectivamente com 12m de largura. No terceiro andar tem uma capela privada e mais alguns quartos.”

A própria construção do prédio asilar demonstra suas preocupações terapêuticas voltadas para o controle dos alienados, sendo a parte central reservada à administração, quartos “fortes”, as celas de banho, os pátios para exposição ao sol e descanso e, como não podia faltar, a capela. O fato da administração ficar no centro do prédio é muito sugestiva, lembrando o panóptico descrito por Foucault. O Panóptico de Bentham é uma figura arquitetural, cujo princípio é:

“na periferia uma construção em anel; no centro, uma torre; esta é vazada de largas janelas que se abrem sobre a face interna do anel; a construção periférica é dividida em celas, cada uma atravessando toda a espessura da construção; elas têm duas janelas; uma para o interior, correspondendo às janelas da torre; outra, que dá para o exterior, permite que a luz atravesse a cela de lado a lado. Basta então colocar apenas um vigia na torre central[...] pelo efeito da contraluz, pode-se perceber da torre[...] as pequenas silhuetas. [...] O dispositivo panóptico organiza unidades espaciais que permitem ver sem parar e reconhecer imediatamente.” (FOUCAULT, 1987, p. 165-166)

No relatório de 01 de julho de 1919, Lux narra o problema da superlotação e dos gêneros:

“A maior inconveniência no hospício consiste em que tenho loucos de ambos os sexos na mesma casa, é um perigo. Se tivéssemos um só sexo poderia-se facilmente augmentar a capacidade da casa elevando-se um andar a mais. Deste modo podia ganhar lugar para mais 40 camas. Já propuz ao governo que, terminado o contracto, retire daqui os loucos do mesmo sexo, continuarão em Azambuja com o outro, mas este senhor nem me responde, talvez porque não sabe aonde metter os loucos. A municipalidade de Blumenau intenciona fazer um hospício para homens loucos, mas temo que hão de passar uma série de anos antes de acabar esta casa. A questão dos loucos é uma das mais urgentes a resolver pois só nesse Estado calculo a 500 o número de loucos.”

Este problema segue no ano seguinte, na administração de pde Henrique Lindgens, que também pede ao chefe de polícia para que os loucos, que o Estado não pagou as diárias, sejam recolhidos na cadeia da cidade por não haver possibilidade de sustentá-los. Isso se repete até 1926 - várias procurações são encaminhadas à Delegacia Fiscal do Tesouro Nacional pelo Procurador João Joaquim Garcia Netto. Dessa forma, os loucos perambulam ora em hospitais, asilos, cadeias e fortalezas, até à construção, em 1942, do hospital Colônia Santana, nos moldes da psiquiatria científica.

A Colônia Santana

Construído no Salto do Imaruí, município de São José, local afastado e de belas paisagens, teve como responsável pela escolha de tal localização o Dr. Deniz Malta Ferraz que não a fez por acaso. As instituições da época tinham praticamente como pressuposto o afastamento dos grandes centros, distando de Florianópolis cerca de 22 km e do Leprosário Santa Tereza a apenas 06 km. O psiquiatra responsável era o Dr Adauto Botelho, defensor do modelo de gestão asilar, realizado durante o governo de Nereu Ramos.

A escolha do local, embora nos princípios terapêuticos do alienismo, não foi bem aceita por alguns médicos e diretores da Colônia, como Antonio Santaella que afirmou ser o local uma “zona fria e sombria, infestada de mosquitos, (...) como o rio que corta o terreno em sua parte central que constitui uma ameaça à vida dos pacientes, uma vez que em alguns casos existem problemas relacionados à fuga e suicídio.” O local, a organização, os médicos escolhidos, o tratamento, nada é por acaso, tudo tem função terapêutica, mesmo que essa pareça, às vezes, piorar o quadro da loucura, levando ou à fuga ou ao suicídio, como atemoriza Santaella.

Sua inauguração oficial ocorreu em 1941, sendo transformado em Instituto Psiquiátrico somente em 1994. A Colônia representaria um avanço nos cuidados para com os alienados, expresso nos discursos das autoridades locais que não teriam mais que se preocupar com o destino dos loucos. Contudo, a superlotação da Colônia viria a trazer mais dor de cabeça, especialmente nas décadas de 50-60 quando então a população interna de doentes atingia quase 800 pessoas para cerca de 500 leitos. Separado por pavilhões, o que possibilita a classificação do espaço por categoria, sendo cada ala específica para um determinado tipo de paciente, o hospital contava com laboratórios, RX, gabinete dentário, serviço otorrino-laringológico, etc.

A melhor forma de disciplina, além dos remédios e dos eletrochoques como forma de controle dos “sintomas da loucura”, era o trabalho. Assim, a Colônia Santana possuía uma usina de açúcar, um engenho de farinha, um de torrefação de café, um moinho de trigo e milho, além das hortas. Em 1947, graças ao trabalho dos internados, obteve-se uma produção de 30 sacos de milho, a padaria fabricou 81.258 kg de pão, 362 kg de macarrão, 44 kg de bolachinhas e 554 kg de cuca. (SANTOS,1994, p. 87)

Eles eram loucos, mas eram eficientes para o trabalho, de acordo com as teorias psíquicas nas quais o trabalho seria o grande regenerador social e psíquico. Nas ruas eram tidos como criminosos, ladrões, mendigos, mas no hospital eram regenerados pelo trabalho, segundo a teoria da Laborterapia/Praxiterapia. O trabalho era desenvolvido especialmente pelos homens, já que eram a grande maioria dos pacientes, sendo primordialmente lavradores. (SANTOS, 1994, p.89)

Na acepção dos médicos, o trabalho também funcionava como um controle do tempo, exercendo uma benéfica influência sobre os doentes, além de garantir a própria sobrevivência da Colônia. A este respeito, é interessante observar as cartas recebidas pelo diretor da colônia de uma mãe queixosa a respeito do trabalho de seu filho, sendo ambos descendentes de imigrantes italianos da colônia de Nova Trento.

Em uma de suas muitas cartas, datada de 01/09/53, a mãe pede informações do estado do filho e queixa-se de ter sabido que o filho estava trabalhando na casa de um senhor e diz: “Dr, se ele está trabalhando, porque não pode voltar para casa? Ou ele não está completamente curado ou é porque ele é internado como indigente, e não pode pagar a cura.”

O diretor Santaella, responde suas cartas periodicamente, afirmando diversos “estados de seu filho” como “mais acomodado”, “continua no mesmo”, “pode receber visitas breves”, “está trabalhando e apresenta melhora”, “boa adaptação hetero-familiar”, e autoriza o paciente a passar um tempo com a família, justificando que o trabalho faz parte da sua recuperação.

A Colônia Santana veio suprir as necessidades do Estado de possuir um hospital que estivesse ligado ao saber psiquiátrico, já que havia uma grande demanda de doentes mentais. Foram transferidos todos os pacientes com doença mental de Azambuja para a Colônia Santana, tendo em vista que a Colônia possuía mais estrutura para agregar tais pacientes, que agora deveriam ser tratados e devolvidos à sociedade, mostrando um novo entendimento sobre a loucura dentro da lógica utilitarista do capitalismo, não centrada apenas na reclusão mas na lógica da recuperação e da utilidade social, como fala o próprio Dr Agripa de Castro Faria: “Assistir o doente mental segregando-o da sociedade não consistirá apenas o papel da psiquiatria.” 3

Cerca de 110 pacientes do Asilo de Azambuja foram transferidos para a Colônia ainda em 1939, além dos doentes de outras regiões como Joinvile. Nesta época a Colônia contava com 04 médicos e as enfermeiras religiosas da Divina Providência, que cuidavam das alas femininas.

A Colônia possuía elevado número de estrangeiros, especialmente de origem teuta e italiana, sendo a faixa etária de 19 a 39 a mais comum, justificada, segundo o relatório do serviço de assistência a psicopatas da colônia, por ser essa a época da “eclosão de psicoses.” Entraram, em 1930, 42% de homens da zona rural, segundo o mesmo relatório4, e em 1942, 34,59% de mulheres da zona urbana, a maioria domésticas.

A respeito desses estrangeiros, queremos chamar a atenção para o tratamento conferido aos descendentes de italianos da região do Vale de Itajaí, especialmente da cidade de Brusque, que foram internados em Azambuja e transferidos para a Colônia Santana em 1942.

O tratamento na Colônia Santana referente aos descendentes italianos da região

O levantamento do número de casos de internação referentes aos descendentes de italianos submetidos a tratamentos psiquiátricos no ano de fundação da Colônia Santana, 1942, registrou o total de nove internações, sendo três transferidos do Asilo de Azambuja e quatro do Hospital de Brusque (Carlos Renaux), um de Blumenau e um de Criciúma. Dentre os nove casos analisados, cinco são mulheres e quatro homens. A faixa etária predominava entre 29 e 37 anos (cinco casos), havendo três registros entre 50 e 60 anos.

As profissões encontradas eram, no caso das mulheres, o trabalho de domésticas (havia uma freira internada), e no caso dos homens, a maioria era lavrador, sendo um dentista. A grande maioria era casada, constando uma viúva, um solteiro e duas solteiras.

O tempo de permanência mais definido em cada prontuário é cerca de 20 a 30 anos, apenas um ficou internado 03 anos (1942-1945), quatro ficaram mais de 20 anos e quatro constavam apenas o ano de entrada.

Os diagnósticos mais comuns eram: Esquisofrenia simples, psicose maníaco-depressiva e epilepsia. Dentre as mulheres, a esquisofrenia era a mais apontada, já os homens variavam nas três categorias. Os prontuários analisados apresentavam muitas distorções, como dois diagnósticos diferentes, profissões diferentes e algumas informações incompletas. Há porém, algumas informações que se repetem e nos dão alguma pista acerca do cotidiano e do tratamento na colônia.

A princípio, de acordo com a seqüência que aparece nos prontuários, parece que o primeiro procedimento era dar vacinas a todos os doentes, anti-varíola e anti-tifo, sendo que a varíola foi dada uma única vez no ano de 1944 para todos, a anti-tifo repetidas vezes entre os anos de 1942 a 1950.

Em seguida, fazia-se exame bucal, contando o número de dentes íntegros e os inaproveitáveis, exames de sangue, urina e fezes. Na própria constituição dos prontuários médicos fica nítida a intenção de se “purificar a raça” mediante caracteres e descrição físicas, como a cor dos olhos, cabelos, pêlos, cor etc... além da medição do crânio, face, tronco e membros, a título de “prescrição étnica” conforme as teorias raciais para comprovação de degenerescência.5 Há anotações em alguns prontuários de que esses exames não foram feitos no ato da entrada.

A prescrição médica variava entre “água, sal, vichy, morfina, sindrato de sódio, entura de ópio, acladoma, xarope de hortelã, revanoletas, soro, vitamina Br, entura de beladona e valeriana, glicorena, várias doses de luminal, sulfato de sódio, escobonato de sódio, solicitato de sódio, xarope simples, hidrolato, bicarbonato de sódio, xarope espectorante (vichy), litoridrato de codeína, extrato epótico e comprimido de levedo.”

Também era muito comum prescrever a Praxiterapia, ou seja, a terapia do trabalho, e o exame somático, que consistia em dados antropométricos, hábitos externos, vícios de conformação congênitos e adquiridos, aparelho respiratório, circulatório e digestivo, órgão geniturinário, glândulas secção interna.

O exame psíquico revelava o estado do paciente, os sintomas apresentados, “um estado calmo e triste, respondendo pausadamente, não orientado no tempo, muito recusado e desconfiado, com cuidado conseguimos apurar a sua atividade delirante. Diz o paciente escutar a voz do Vosso Senhor Jesus Cristo, e escuta freqüentemente a voz de Deus que o chama para a prática do bem.” O exame mental revelava também os desejos do paciente, “quer ir para casa, se demonstra amável, confessa a prática da masturbação, fiel aos ideais de sua religião e nota-se uma natureza industriosa para o trabalho.”

As análises a respeito do humor dos pacientes eram freqüentes, e a preocupação com o trabalho uma das formas de avaliar o seu estado de saúde. Alguns exames físicos mostravam o problema da desinteria, alguns exames psíquicos mostravam algumas dificuldades com a língua, sendo que uma das pacientes falava o português mas misturava o italiano, seus pensamentos “não são lógicos, confunde as pessoas, instantes de alucinação ou delírios, humor irritável.”

Aparece neste prontuário, a ficha convulsoterapia, com data, hora e temperatura e o número de eletrochoques (12). Em outro prontuário feminino aparece uma tabela do ciclo menstrual, na sua anamnesi consta que “teve 8 filhos, exaltação psíquica, fala continuamente, repete constantemente as mesmas frases, possui idéias delirantes.(...) desorientada em relação ao tempo, meio e sobre si mesma, perturbações quanto a tentativa de memória, alucinações auditivas, demência esquizofrênica sem portanto, possibilidade de recuperação.” (grifo nosso) O diagnóstico da esquizofrenia, neste caso, parece definitivo. Levava eletrochoques em dias alternados. Esteve internada por 26 anos. Há observações nas quais está escrito choque úmido ou coma, indicando, possivelmente, as reações dos pacientes.

Um prontuário apresenta diferenças aos demais, pois registra o pulso, pressão sanguínea e questões referentes ao humor da pessoa, ao seu estado psíquico como revelador de características anormais sempre associadas à violência, agitação, ou à uma tristeza profunda e desespero, na ordem de classificação que segue abaixo:

Agitado/Agressivo/Alegre/Expansivo/Colérico/Deprimido/Julga-se perseguido/Sabe onde está/Quer fugir/Quer suicidar-se/Conformou-se com o internamento/Está ferido/A que seção foi conduzido

Embasada em um caráter científico, a Colônia Santana ofereceu tratamentos aos seus pacientes, sendo no princípio, alguns bastante rudimentares, como o uso da camisa de força e o isolamento. Nas décadas de 40-50 a produção e difusão de remédios mudaram bastante a manutenção dos loucos, trocando as correntes de aço pelas químicas, sendo inserido ao tratamento a insulinoterapia, sonoterapia, convulsoterapia pelo eletrochoque e cardizol, eletronarcose, baneoterapia, lobotomia, malarioterapia e praxiterapia. Tais aparelhos representavam o que havia de mais moderno e avançado no desenvolvimento da psiquiatria.

Aparelho de eletrochoque - acervo do Museu do Hospital Colônia Santana

Aparelhos Médicos déc. 40 - acervo do Museu do Hospital Colônia Santana

Apesar dos tratamentos “científicos”, permanecia a crença na eficácia dos banhos frios, como o serviço de balneoterapia. Outras atividades foram incorporadas como a assistência “hetero-familiar”, que através da permanência do paciente trabalhando na casa de alguns funcionários, tentava-se reintegrar o doente mental crônico à família. Há que se ressaltar o relatório de 1942 do Dr Agripa Faria quando este trata a respeito de uma das acepções sobre a loucura como fator genético, como uma das formas de profilaxia que:

abrange o círculo imenso de atividades pré e pós-natais que visem impedir o nascimento de seres nitidamente anormais psiquicamente e de cooperar ainda pelos meios gerais e especiais no sentido de que os que são se não tornem doentes, representam em syntese, o fim da higiene mental. (...) nossa tibieza, nosso desalento doentio, nosso sentimentalismo mórbido impede-nos de pôr em prática aos poucos, medidas sancionadas pela ciência, põe-nos em situação de inferioridade. É imprescindível que saiamos deste marasmo para que possamos fechar o círculo das atividades da higiene e profilaxia mentais, procurando dar amparo às idéas modernas sobre o assunto, quais sejam, as baseadas nos conhecimentos sobre os problemas da hereditariedade das doenças mentais.”

O doutor defende, pois, o que há de mais “avançando e moderno”, no pensamento da época, em relação não apenas ao tratamento dos doentes mentais, (rejeitando todo sentimentalismo mórbido que caracterizava a assistência asilar, não científica, aos chamados alienados-separados) mas à sua prevenção, instalando exames pré-nupciais na Colônia e registros genealógicos das famílias tronco de Santa Catarina, a fim de se “evitar o mal pela raiz”, como mostram os dados dos prontuários em relação à cor, tamanho do crânio, cabelos, pêlos, olhos etc...como uma “pista” para desvendar os sinais da loucura com base nas questões anatômicas e fisionômicas, pautadas pelas teorias eugenistas.

O doutor discorre em seu relatório diversos argumentos que afirmam ser cientificamente comprovado esse tipo de tratamento, numa clara alusão ao problema da loucura como uma doença genética, mostrando que deve-se proibir, “dentro de leis serenas, o casamento de anormais e para tanto não se póde começar de afogadilho, senão sairá obra manca. Vamos nos preparando aos poucos, com cuidado e carinho com passos seguros!” É nítida a intenção sincera em se promover o “aperfeiçoamento das raças pelo aperfeiçoamento das espécies, e com isto a diminuição dos males que se enxertam de um geito ou de outro, as psicoses.”

Neste sentido, o doutor faz uma observação criteriosa quanto à imigração e aos cuidados profiláticos de forte cunho moralizante e normatizador, tendo como foco terapêutico principal a saúde no lar através do trabalho, do saneamento básico, da alimentação e, é claro, do cuidado médico.

Para tanto, a fim de estabelecer “medidas serenas”, o doutor convocava o movimento de um “exército”, de uma “marcha”, no combate às doenças, em tom quase profético. Todavia, o trabalho é sempre a melhor solução no combate às doenças mentais que atingiam os “desocupados”, assim como manter uma vida digna, de forte cunho moral contra os chamados “vícios elegantes” ou ainda, “a maledicência, a intriga” a fim de constituir um homem, uma mulher, civilizados, na “marcha” pelo amor, justiça, lei , ordem, harmonia e consequentemente, dentro dessa lógica, a saúde mental:

“Acautelemo-nos, pois, contra as imigrações prejudiciais, fator de um caldeamento doentio, o caldeamento de 3 raças branco-preto-gentio, dará em breve um tipo normotipo muito bom, pois o branco é dominante. Ampare-se a saúde no lar, dando esgoto, água, pão e médico, combatam-se os vícios sociais elegantes desde o álcool até a cocaína, (...) com medidas serenas, desde o jogo até o lupanar, impeça-se o uso e abuso de filmes excitantes, (...) faça-se do trabalho e do braço produtor uma verdade, movimente-se um exército para libertar-nos da lepra, tuberculose, febre amarela, verminoses, sifilis e malária, (...) oriente-se e regularise-se a vida dos desocupado (que em geral são doentes mentais), dando-lhes trabalho pelo Estado. Enfim, (...) amaldiçoe-se a intriga como vício social capaz de desagregar, evite-se a malidicencia como fonte desagregadora dos sentimentos de comunidade e por fim apregoe-se o amor, a justiça, a lei, a ordem, distribua-se liberdade, pão e saúde e teremos começada a marcha para uma situação onde haverá sem dúvida, mais amor entre os homens, mais harmonia entre as sociedades, onde haverá por fim, mais saúde mental.”

No final do seu relatório, o doutor ainda discorre acerca das diversas campanhas que se faziam necessárias como as campanhas no lar, sobre o casamento, o dever do exame pré-nupcial e a proibição do casamento entre anormais, das campanhas nas escolas, atenção redobrada às crianças e o tipo de leitura que realizam, campanha acirrada contra os vícios chamados “elegantes”, campanha de controle sobre os egressos dos estabelecimentos penais, hospícios, campanha de controle sobre os “desocupados que, em geral, são doentes mentais”, como uma forma de se “eliminar” o problema da mendicância trancafiando os “pedintes”. Tais campanhas deveriam contar com o apoio do rádio, imprensa, governo, a fim de serem tomadas, nas palavras do doutor, “todas as medidas eugênicas necessárias.”

Dessa forma, abordar a questão da doença mental através das instituições analisadas confere à história da loucura em Santa Catarina diferentes sensibilidades e percepções sobre a loucura, suas causas e suas conseqüências, em momentos históricos bem delineados. Da instituição asilar, de cunho religioso, até o hospital científico, muitas normatizações foram estabelecidas a fim de enquadrar o “diferente”, o “anormal”, o “perigoso”, dentro da embrionária sociedade catarinense.

Todavia, em toda a trajetória dos diferentes tratamentos conferidos à loucura, a questão da moralização e do controle social se fizeram imprescindíveis, como uma necessidade primordial para a promoção da saúde e prevenção da loucura. Assim, a assistência filantrópica asilar promovia o controle do corpo através do aprimoramento da alma mediante orações, jejuns, sacrifícios, que garantissem a regeneração da alma perturbada presa num corpo doente, sem preocupar-se especificamente com a cura. A própria designação da palavra “alienismo” confere a condição do internamento não como promotora da cura mas como separação, reclusão e exclusão social.

Mesmo com o desenvolvimento da racionalidade terapêutica, com a “cientificização” da loucura, as teorias raciais desempenharam um papel decisivo na constituição da normalidade e do harmonioso convívio social, claramente demarcado pelas tecnologias de poder exercidas - em nome da medicina - sobre o corpo, para a manutenção da ordem e da saúde social.

As palavras de ordem não eram mais a separação, a segregação, o confinamento. Classificar, ordenar, enquadrar, integrar e esquadrinhar são as metas dessa nova política de saúde sobre a loucura, como a única forma de “melhorar” a sociedade e garantir o seu progresso através dos corpos sadios, eliminando as diferenças para se efetivar o “penhor” de uma “igualdade” constituída por “braços fortes”, como prega o Hino...

Nesta política de aprimoramento do corpo visando sua recuperação pelo trabalho voltado para a produção e desenvolvimento capitalista, inclui-se o tratamento dispensado aos descendentes de imigrantes italianos, sem verificar, contudo, nenhuma diferença de tratamento pela questão da nacionalidade, ao contrário, esta nova política de saúde busca tornar úteis todos os corpos, especialmente aqueles que já haviam colaborado para a colonização da região.

Assim, buscamos ainda considerar a doença mental como produto das interações entre as condições de vida social com a trajetória específica do indivíduo e sua estrutura psíquica, seus desejos pessoais, seus projetos de vida. As condições externas para a realização desses desejos e projetos podem ser determinantes ou para o desencadeamento da doença mental ou para propiciar a saúde mental, isto é, dependendo das possibilidades de realização pessoal do indivíduo em todos os aspectos.

E neste sentido, o surgimento de instituições responsáveis pelo tratamento da doença mental são significativos para expressar os anseios da sociedade, suas sensibilidades diante do estranho, do contingente, do suspeito, que pode sorrir para você, em busca de afeto, ou simplesmente gritar, em busca de libertação. Cabe, pois, às sociedades, aprender a respeito desse sorriso ou desse grito, parando para ouvir e ver o louco, em vez de confiná-lo em instituições religiosas, asilos ou celas de hospitais e prisões, atitude própria de quem não sabe ouvir, ou não quer ouvir. Quer apenas mandar.

Referências Bibliográficas

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  25. TEIXEIRA, Mário. Hospício e poder. Fpolis: UFSC, 1990

Documentos pesquisados em arquivos:

  1. Arquivo Público do Estado de Santa Catarina - Fpolis
    Falas e relatórios do Presidente da Província de Santa Catarina
    Correspondências variadas do Ministério dos Negócios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas do Rio de Janeiro ao Presidente da Província de Santa Catarina
  2. Hospital Carlos Renaux -Brusque
    Ata da Irmandade Divina Providência do Asilo de Azambuja
    Registros de Internação do hospital
  3. Arquivo Sociedade Amigos de Brusque - Brusque
    Relatório dos Diretores da Colônia
  4. Instituto Histórico Geográfico de Santa Catarina - Fpolis
    Blumenau em Cadernos
  5. Cúria Metropolitana de Florianópolis
    Relatórios do padre Gabriel Lux
  6. Hospital Colônia Santana
    Serviço de assistência a psicopatas da Colônia Santana, Secretaria do Interior e Justiça
    Ata das internações e prontuários - 1942

Schiavoni lembra Foucault quando este atenta que o uso da água carrega simbolicamente um caráter de ritual de purificação e renascimento, citando os banhos do séc. XVII com funções de cura da loucura, e ainda no séc. XIX a ducha tornara-se a técnica prevalecente, associada à violência na cura da insanidade, no lugar dos banhos e das bebidas.(SCHIAVONI apud LEAL, 1995, p. 333)

* Esta pesquisa foi efetuada na Universidade do Vale de Itajaí - Univali no ano de 2002 com recursos do Artigo 170, contando com a participação do bolsista Julio Cesar Mendonça do curso de História.

  1. Ata da Irmandade Divina Providência do Asilo de Azambuja, 1942.
  2. Relatório do padre Gabriel Lux, em 18 de outubro de 1908. Este mesmo relatório encontra-se publicado em italiano no jornal da cidade de Brusque no início do século e possui uma cópia no arquivo da Cúria Metropolitana de Fpolis.
  3. Serviço de assistência a psicopatas da Colônia Santana, Secretaria do Interior e Justiça, 1942, relatório do Dr Agripa de Castro Faria.
  4. Serviço de assistência a psicopatas da Colônia Santana, Secretaria do Interior e Justiça, 1942.
  5. Baseada na teoria da frenologia desenvolvida pelo criminologista Cesare Lombroso a respeito da identificação do criminoso pela suas características físicas e medição craniana.

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