Volume 11 - Março de 2006
Editor: Giovanni Torello

 

Janeiro de 2002 - Vol.7 - Nº 1

História da Psiquiatria

Professor Paulo Luís Vianna Guedes grande expressão da psiquiatria do Rio Grande do Sul

Dr. Walmor J. Piccinini

Desde o início da nossa colaboração na Psiquiatria On-line buscamos trazer ao conhecimento dos psiquiatras brasileiros e do público em geral, fatos, acontecimentos e pessoas marcantes na história da nossa psiquiatria. Tenho buscado informações em diferentes fontes. Os professores Manoel Antônio Albuquerque e Othon Bastos, pelas suas presenças em todos acontecimentos que envolveram a psiquiatria brasileira nos últimos 40 anos, merecem um destaque especial. Não é por acaso que já publicamos sobre Ulysses Pernambucano e agora sobre Paulo Guedes. Sobre este último tive ainda uma grande ajuda, que foi o artigo publicado por seu filho, o Dr. Paulo Sérgio Rosa Guedes, na revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul, sob o título Luís José Guedes e Paulo Luís Vianna Guedes: 50 anos de ensino de Psiquiatria na Faculdade de Medicina da UFRGS. Se alguém visitar o site da Sociedade de Psiquiatria do RGS (http://www.sprs.org.br) lá encontrará referência ao seu maior prêmio científico, o Prêmio Paulo Guedes. Se visitar a Fundação Universitária Mário Martins (http://www.mariomartins.org.br) saberá da Jornada Paulo Guedes, evento científico anual. Se visitar o Departamento de Psiquiatria da UFRGS descobrirá que o Centro de estudos leva o nome de Luís Guedes, pai do nosso biografado. (http://www.ufrgs.br/psiq/index.html). E teria muito mais, ele foi professor de música, poeta, e com qualidades humanas que o tornavam querido em todos ambientes que desfrutavam o prazer da sua presença. Homem da geração de Leme Lopes, Rubim de Pinho e José Lucena, Paulo Guedes faleceu jovem, aos 53 anos e, mesmo tendo deixado uma obra valiosa, deixou uma frustração considerando tudo que poderia ter acrescentado a nossa psiquiatria. Tive oportunidade de conviver com o Professor Paulo Guedes como aluno de graduação, como residente de psiquiatria e em seminários psicanalíticos. Sua característica era o sorriso afetuoso, histórias cheias de humor e, principalmente, mostrando seu lado humano coisa que não era característica dos analistas daquela época.

PAULO LUÍS VIANNA GUEDES. Dados Biográficos. (extraídos do artigo do seu filho Dr. Paulo Sérgio Rosa Guedes, (Luís José Guedes e Paulo Luís Vianna Guedes 50 anos do ensino de Psiquiatria na Faculdade de Medicina da UFRGS. Revista de Psiquiatria do RS, 2000, 22(1); 1-68

Paulo Vianna Guedes, nasceu em Porto Alegre, RS, em 16 de novembro de 1916 e faleceu na praia de Torres, RS, em 24 de fevereiro de 1969. Quarto dos sete filhos de Luís José Guedes e de Regina Vianna Guedes, fez seus cursos preparatórios no Ginásio Anchieta de Porto Alegre, tendo ingressado na Faculdade de Medicina da UFRGS em 1934 e se diplomado médico em 1939. Fez também o curso de Música no Instituto de Belas Artes - tendo-se diplomado em 1934. Em 1936, ingressou no magistério musical superior como assistente de ensino da Cadeira de Conjunto de Câmara para qual, pouco tempo depois, foi nomeado catedrático. Lecionou nessa cadeira pelo espaço de trinta anos, tendo dirigido também, por muitos anos, a Cadeira de História de Música, ambas no Instituto de Artes da UFRGS. Durante dez anos integrou o Quarteto Oficial da Escola com violinista. Casou em 27 de dezembro de 1939, em Porto Alegre, com Zuleika Rosa Guedes, pianista e professora catedrática de piano do Instituto de Artes da UFRGS, casamento do qual houve dois filhos, Paulo Sérgio Rosa Guedes, médico psiquiatra e psicanalista, casado com June Schuck Guedes e Berenice Guedes Müssnish, Psicopedagoga, casada com João Francisco Xavier Müssnish, médico proctologista.

Em 1940, foi nomeado assistente de ensino da Cadeira de Clínica Psiquiátrica da Faculdade de Medicina da UFRGS onde, em 18 de maio de 1942, defendeu tese de doutoramento, tendo sido aprovado com distinção. Em julho de 1944, fez concurso para Livre-Docente de Psiquiatria na mesma Faculdade e, em 1950, assumiu a cátedra, cargo que ocupou até a sua morte. Fez parte do primeiro grupo de médicos que iniciou a formação Psicanalítica em Porto Alegre, tornando-se um dos fundadores da Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre, qual foi membro ativo e professor. Várias vezes paraninfo e homenageado das turmas que se formaram no Instituto de Artes (1951,1954,1958,1960,1961) e na Faculdade de Medicina (1951), foi um dos iniciadores do ensino de Psicologia Médica nessa última e professor de Clínica Psiquiátrica na Escola de Enfermagem da UFRGS.

TRABALHOS PUBLICADOS

  1. METEOROLOGIA E CRISES EPILÉPTICAS (tese apresentada a Faculdade de Medicina de Porto Alegre da U.F.R.G.S. para obtenção do título de Doutor em Medicina – Tipografia do Centro S.A. Porto Alegre,1942)
  2. CONTRIBUIÇÃO DO ESTUDO DAS PSICOSES DE SITUAÇÃO (tese apresentada à UFRGS no concurso à Docência Livre de Clínica Psiquiátrica – Tipografia do Centro S.A. Porto Alegre,1943)
  3. DISCURSO DE PARANINFO (pronunciado na cerimônia da colação de grau da turma dos doutorandos de 1951 da Faculdade de Medicina de Porto Alegre.
  4. ELETROCHOQUETERAPIA (trabalho apresentado à Sociedade de Neurologia Psiquiatria e Neurocirurgia do Rio Grande do Sul, e publicados nos Anais da Faculdade de Medicina de Porto Alegre, vol.18, pág. 85-1958)
  5. SOBRE A INCIDÊNCIA DE CASOS DE PSICOSE DEVIDAS A SÍFILIS (publicados nos Anais da Faculdade de Medicina de Porto Alegre, vol.19, pág.177-1959)
  6. PLACEBOS, PSICANÁLISE E PSICOTERAPIA (publicada na Revista Brasileira de Medicina, ano XVII, n. 3, março de 1960, Rio de Janeiro)
  7. EXPERIÊNCIA COM A DIETILAMIDA DO ÁCIDO LISÉRGICO (publicadas no Arquivos de Neuro - Psiquiatria, São Paulo. Vol.19, n 1- março de 1961)

1.    SOBRE O USO DA DIETILAMIDA DO ÁCIDO LISÉRGICO COMO AUXILIAR DA PSICOTERAPIA (trabalho apresentado a primeira jornada Sul- Rio-Grandense de Psiquiatria Dinâmica – novembro de 1960. Publicado em Psiquiatria. vol.1. n.1,2,3,-1961)

2.    COMUNICAÇÃO SOBRE SONHOS EM PSICOTERAPIA ANALÍTICA DE GRUPO (apresentado a 1º Jornada Sul-Rio-Grandense de Psiquiatria Dinâmica – novembro de 1960. Publicado em Psiquiatria, vol.1. n.1,2,3,-1961)

  1. ASPECTOS DE TRATAMENTOS PSICANALÍTICOS DE UM CASO DE NEUROSE MISTA (trabalho apresentado a Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro para obtenção do título do membro associado-1961)
  2. ESTUDO SOBRE A INCIDÊNCIA DAS PSICOSES DEVIDAS A SÍFILIS NO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL (trabalho apresentado ao 3º Congresso SulRioGrandense de Higiene,1962- publicados nos Anais do Congresso em 1962)
  3. PSICOSE POR LESÕES CEREBRAIS (trabalho apresentado ao Simposium sobre Psicose por Lesões Cerebrais realizado pela Sociedade de Neurologia, Psiquiatria e Neurocirurgia do Rio Grande do Sul em 1960- publicados nos Anais da Faculdade de Medicina de porto Alegre. vol. De jan. junho de 1962)
  4. ALGUNS PROBLEMAS DO ENSINO DE PSIQUIATRIA DINÂMICA EM CURSOR DE PÓS – GRADUAÇÃO (trabalho apresentado à 2º jornada SulRioGrandense de Psiquiatria Dinâmica, vol.2. n.3, e 4 –1962)
  5. ELABORAÇÃO DA CENA PRIMÁRIA NUM GRUPO TERAPÊUTICO (trabalho apresentado à 1º jornada SulRioGrandense de Psiquiatria Dinâmica, vol. 3, n. 1,2,3,4,-1963)
  6. PSICOTERAPIA DE GRUPOS EM PSICÓTICOS (relatório oficial apresentado a 1 º jornada Brasileira de Psicoterapia de grupo de Porto Alegre,1964- publicados nos Anais do Congresso na Revista de Psiquiatria Dinâmica, vol. De set - dezembro de 1964)
  7. ASPECTOS TÉCNICOS DA INTERPRETAÇÃO NO GRUPO (relatório oficial apresentada o 3 º jornada Brasileira de psicoterapia de grupo, Rio de Janeiro-1965)
  8. ENSINO DE PSICOLOGIA NO CURRÍCULO MÉDICO (co- relatório apresentado a 4 º Reunião Anual de Associações brasileiras de Escolas médicas, Salvador, Bahia. Agosto de 1966- publicados nos Anais dessa reunião)
  9. CONTRIBUIÇÃO DA PSICANÁLISE AO HOSPITAL PSIQUIÁTRICO (relatório apresentado a 4º jornada SulRioGrandense de Psiquiatria Dinâmica – outubro de 1966)
  10. TÉCNICAS PSICOTERÁPICAS PROPRIAMENTE DITAS (relatório oficial ao VIII Congresso Nacional de Neurologia, Psiquiatria e Higiene Mental, Porto Alegre, RS, outubro de 1967)
  11. O ENSINO DE PSIQUIATRIA E CIÊNCIAS AFINS NA FACULDADE DE MEDICINA DE PORTO ALEGRE DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL (relatório oficial apresentado so Seminário sobre La Enseñanza de la psiquiatria y la Salud Mental en las Escuelas de Medicina. Lima. Peru. Dezembro de 1967).

Presença de Paulo Guedes

O professor Luís Guedes exerceu a cátedra de psiquiatria como interino de 1912 a 1916. Tornou-se titular a partir de 1917 e permaneceu até 1943. Antes dele, um clínico, O Dr. José Carlos Ferreira tinha sido o titular da Cadeira de Psiquiatria. Ambos foram diretores do Hospital São Pedro, mas este assunto fica para outra ocasião. O Prof. Décio Soares de Souza assumiu a cátedra no período de 1944-50. Sua história é interessante, foi realizar formação analítica em Londres, voltou para exercer a psicanálise no Rio de Janeiro e só ia a Porto Alegre para não perder o direito da cátedra e os salários. Paulo Guedes foi catedrático interino de 1950 a 1969. Muitas pessoas trabalharam com ele e o mais destacado foi o Prof. David Zimmermann.

Os dois criaram o primeiro curso regular de formação em psiquiatria dinâmica no Brasil em 1957. Juntos participaram da fundação da sociedade Psicanalítica de Porto Alegre em 1957. O mentor de ambos foi o Dr. Mário Martins que retornara da formação analítica em Buenos Aires no ano de 1947.

Em 1960 Paulo Guedes liderou a formação do Centro de Estudos Luís Guedes e foi também neste ano por sua iniciativa que se realizou a Primeira Jornada SULRIOGRANDENSE PSIQUIATRIA DINÂMICA. Ele foi ainda presidente da sociedade de Neurologia, Psiquiatria e Neuro-Cirurgia no período de 1952-53.

Ele foi ainda o Presidente do VIII Congresso Nacional de Neurologia, Psiquiatria e Higiene Mental, Porto Alegre, RS, outubro de 1967.

Paulo Guedes desapareceu no auge da sua capacidade criativa. Suas realizações nos permitem concluir que a psiquiatria gaúcha e brasileira perdeu um dos seus maiores expoentes num momento em que a psiquiatria saia de sua fase conservadora para uma transformação em moldes modernos e científicos. Seus alunos levaram adiante suas ideias, mas ninguém pode substitui-lo nas suas qualidades humanistas. O fato de ser catedrático de música junto com a cátedra de psiquiatria mostra qualidades que dificilmente se repetirão.

Do trabalho de Paulo Sérgio Rosa Guedes, resolvi extrair algumas informações que podem enriquecer a colheita de dados históricos: 1. O Serviço de psiquiatria no Hospital São Pedro

Em 1958, a cadeira de psiquiatria passou a poder contar com uma enfermaria. David Zimmermann, médico psiquiatra no Hospital São Pedro, integrante do grupo que iniciara a formação psicanalítica de Porto Alegre e chefe da clínica da cadeira, era também médico – chefe da Divisão Pinel do referido Hospital: assim, o Serviço da Cadeira de Clínica Psiquiátrica da Faculdade de Medicina da UFRGS passou a existir ali. E mais tarde, através de convênios entre a Faculdade de Medicina e o Hospital São Pedro, o serviço mudou-se Para o Serviço de Agudos do Hospital, o ex - pavilhão A- (a Divisão Pinel localizava-se no setor interno) e desta forma abriu-se para o mundo exterior, pois o pavilhão tinha frente para a Avenida Bento Gonçalves. O nome escolhido para este novo setor foi o de Divisão Melanie Klein.

2. O Centro de Estudo Luís Guedes

Em 22 de Dezembro de 1959, o ensino de psiquiatria passou a contar com mais um órgão auxiliar: fundado pelo corpo docente da Cadeira de Psiquiatria da UFRGS juntamente com os alunos formados n a primeira turma do Curso Psiquiatria realizado pela aquela cadeira, nascia o Centro de Estudo Luís Guedes. Sua primeira diretoria foi assim constituída: Diretor: Paulo Luís Vianna Guedes

Secretário: Paulo Martins Machado

Tesoureiro: Fernando Luís Vianna Guedes

C. T. Científico: Paulo Luís Vianna Guedes, Celestino de Moura Prunnes e David Zimmermann.

Ofício a CTA da Fac. De medicina propondo a criação do C.E. Luís Guedes

Ex. SR. DR. PROF. JOSÉ CARLOS DA FONSECA MILANO

MR. DIRETOR DA FACULDADE DE MEDICINA DE PORTO ALEGRE

Ao CTA

06/10/1960

AC. J. C. Milano

Quando as conclusões do primeiro curso de Especialização em Clínica Psiquiátrica, em fins de 1959 - curso que esteve subordinado à cadeira de Clínica Psiquiátrica de nossa Faculdade, como é de vosso conhecimento – decidimos, juntamente com o assistente de ensino, Dr. David Zimmermann, e os formados, organizar um centro de estudo. Realmente apenas recolhemos, o Dr. Davi e eu, o desejos dos alunos que se formavam, pois a convivência de três anos ao redor dos problemas da psiquiatria, fez-nos a todos querer prolongar as nossas reuniões , úteis aos formandos- que poderiam continuar colhendo as experiências e os ensinamentos dos colegas mais velhos- e úteis para nós professores- porque poder-se-á formar um núcleo de estudos benéficos para a cadeira e para o ensino de Psiquiatria em nosso meio.

Desde o início desse ano 1960, os médicos formados têm-se reunido periodicamente conosco, em geral, uma ou duas vezes por semana. A ideia de transformar em uma realidade tal centro de estudo - que a homenagem dos ex-alunos deseja se chame Luís José Guedes – já, praticamente concretizado. No entanto, o objetivo comum a todos os participantes é deixá-lo vinculado estreitamente à cadeira de Psiquiatria da Faculdade de Medicina de Porto Alegre.

O centro, tal como idealizamos e tal como está efetivamente funcionando, é uma instituição cientifica, destina ao estudo e à pesquisa dos problemas psiquiátricos e tem, ainda, a finalidade de colaborar com a Cadeira na orientação dos alunos que aspiram estudar ou exercer a Psiquiatria. Os membros que compõem este grupo são, basicamente, os membros da cadeira de Clínica Psiquiátrica e os médicos formados no curso de Especialização que dele desejam fazer parte.

Desta maneira, a vida funcional do Centro, estará subordinada às normas e regulamento que regem a vida universitária da nossa Faculdade - que poderá contar, assim, com mais um elemento dinamizador de suas atividades no setor da Psiquiatria. Isso é tanto mais promissor quanto se deve, praticamente, ao interesse manifestado pelos nossos ex-alunos - interesse que se distingue especialmente e que nos anima a vir até V. S. pedir o amparo necessário, a fim de que se possa oficializar , em tempo breve, a existência do ¨ Centro de Estudo Psiquiátrico Paulo José Guedes ¨ da Cadeira Psiquiátrica da Faculdade de Medicina de Porto Alegre.

Ficamos ao vosso inteiro dispor para os esclarecimentos que houver por bem vos sejam fornecidos, subscrevo-me atenciosamente

Paulo Luís Vianna Guedes

Porto Alegre, 03.10.1960

O prof. Paulo Luís Vianna Guedes solicitava a oficialização do " Centro de Estudo Psiquiátrico Luís José Guedes" juntamente com a Cátedra de Clínica Psiquiátrica.

Decisão: O C. T. A concorda com o solicitado.

2. A jornada Sul-Rio-Grandense da Psiquiatria dinâmica

¨Estávamos para terminar o Curso de Especialização. Então, sonhadoramente, nosso professor Paulo Guedes, devaneia que podíamos encerrar o curso com trabalhos científicos ¨. Podíamos - dizia ele então, poeta incorrigível - nos reunir os seis, mais ele próprio , mais nosso outro professor David Zimmermann, em Gramado- ou seja, no país de ¨ Alice de Paulo Guedes ¨ - e lá, entre versos e músicas, quietamente ler, uns para os outros, os nossos rebentos científicos, cheirando a entusiasmo , incerteza, e fé inabalável

Teve assim início, na imaginação de Paulo Luís Vianna Guedes, o evento que depois, em 12 de novembro de 1960- coincidentemente dia de aniversário de Luís José Guedes - se estalou no Parque Hotel, em Gramado, sob o nome de Primeira Jornada Sul-Riograndense de Psiquiatria Dinâmica. Mais um marco importante no estudo de psiquiatria – a jornada se mantém até hoje como atividade nuclear do Centro de Estudo Luís Guedes - e mais um grande avanço no desenvolvimento da psiquiatria brasileira, essa jornada iniciou a discussão científica da relação terapêutica, mas não como uma sintonia sujeito-objeto. Era a psiquiatria enriquecida pelos conhecimentos psicanalíticos que tomava forma como ciência, era um novo enfoque da pessoa do doente mais do que a doença da pessoa que dava os primeiros passos públicos. Surgia também um novo especialista em medicina, o psiquiatra dinâmico.

Seguiu-se a ela o segundo encontro. Em fins de abril do ano de 1962, em Caxias do Sul, Hotel Parque Samuara, reuniu-se a Segunda Jornada Sul-Riograndense de psiquiatria Dinâmica, com a presença como convidado especial do Professor José Leme Lopes., catedrático de psiquiatria da faculdade Nacional de Medicina. RJ. As atenções voltavam-se agora, para atendimento hospitalar do doente psiquiátrico, e essa foi a tônica do evento.

A Terceira Jornada foi em Tôrres, RS, em novembro de 1963, com a presença do professor Hernan Davanzo, titular de psiquiatria da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. SP, e o tema Psicoterapia, o escolhido para o estudo, foi exaustivamente debatido. Participaram também da Jornada o psicanalista alemão radicado no Rio de Janeiro, Dr. Werner Walter Kemper, e o Dr. Luís Guimarães Dahlheim, psicanalista, ambos da sociedade psicanalítica do Rio de Janeiro.

A Quarta - última que Paulo Guedes presenciou - foi em outubro de 1966, novamente em Caxias do Sul, no Hotel Parque Samuara. Eleito para a Presidência do VIII Congresso Nacional de Neurologia, psiquiatria e Higiene Mental daí a um ano, em Porto Alegre, Paulo Guedes fez desta jornada um "ensaio" do tema oficial do Congresso. Contribuições da Psicanálise ao Hospital Psiquiátrico. A Jornadas teve grupos de discussão sobre esses temas e preparou-o intensamente para o congresso.

Fevereiro é o mês tradicional de férias dos gaúchos, é também o mês preferencial de férias dos psiquiatras e psicanalistas. Foi em Tôrres, a mais bela praia gaúcha, que aconteceu o enfarte e a morte prematura do nosso biografado.


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